i’ll stand by you
{ @autumnxfolhas }
Sentado na cama de Autumn e o abraçando da forma mais protetora que conseguia, Edgar Bones já esperava que palavras rudes viessem para cima de si, mais cedo ou mais tarde. Não se afetava, porém, e prosseguia segurando o corpo menor contra o próprio, na esperança de que isso relaxasse o Ravenclaw apenas um pouco. O moreno em questão era uma pessoa difícil de se lidar, e como era, entretanto tinha escolhido alguém calmo, o que decerto o dava uma grande vantagem com o Bones, tendo em vista que o homem pouquíssima coisa mais novo do que ele tinha algo muito evidente em si: assim como um cachorro, era maltratado, provocado e, ainda assim, permanecia ali. Tinha escutado os dizeres dele sobre os pais acharem que ser homossexual era uma doença e, no final de tudo dito para si, balançou a cabeça com suavidade. — Não vou te forçar a falar nada, você sabe disso, né? nunca, é só que você tá me parecendo alguém que precisa desabafar, Aut. — Ao contrário dele, Eddie sim possuía bastante delicadeza com as palavras, sobretudo agora, em que estava preocupado, proferindo tais palavras ternamente para que eles absorvesse isso de tal forma. — I’m here to listen and I have time. — Por mais que soubesse o quão difícil ele era, tentar não lhe custava nada. Uma das mãos foi até as madeixas acastanhadas alheias, as acariciando longamente para proporcionar ainda mais conforto.
Suas formas de auto-defesa não eram justas, ele pensava, com Edgar. Na realidade, não eram justas com qualquer pessoa, mas faziam-se particularmente cruéis se levada em consideração os meandros de seu relacionamento com os donos de cabelos castanhos. Na verdade, verdade fosse dita, Autumn sempre esperava o dia em que ele ia se levantar, dizer que cansara, e nunca mais retornar para perto de si. Ravenclaw era do tipo que chutava cachorro morto, afinal, que machucava pela simples intenção de machucar e assistir de camarote as reações. Ele era sujo. Sentia-se sujo ao acordar e mais sujo ainda quando na companhia dos familiares, mas sua sujeira não parecia ter a capacidade de afastar Edgar. Era como se o cheiro pútrido que imaginava exalar não o afetasse. Era como ter um cão fie e, por duro que fosse, por mais impossível que Autumn se julgasse, ele não o abandonava. Era enfurecedor e, ao mesmo tempo, a única coisa que parecia lhe valer a pena.
A verdade é que Autumn estava exausto. Cansado de ser forte, de fingir-se perseverante quando o que mais desejava era jogar a toalha e desistir de sua família, de tudo. A verdade é que parte dele ainda tinha esperança de que um dia ainda o aceitariam como era. A verdade é que ele ainda tinha esperança de que um dia sua mãe lhe afagaria os cabelos e diria sentir orgulho, que seu pai e avós lhe dariam tapinhas nas costas e felicitações. Tudo em vão, é claro. No fundo, ele bem sabia disso também. E outra coisa que soube, bem ali, sentindo os dedos alheios correndo por seus fios e sentindo a respiração de Edgar contra a sua orelha é que ele precisava daquele rapaz idiota como precisava de ar. Precisava de sua bondade, que tal chuva, desde que chegara, parecia querer lavar sua alma de toda e qualquer impureza.
Edgar era seu verão, depois de meses de penoso inverno.
Talvez por isso os braços finalmente tivessem se erguido para abraçá-lo, talvez por isso os olhos tivessem se fechado e, independente do quão independente queria ser, naquele momento, não o era. Naquele momento sequer tentaria, na verdade. “You’re gonna regret meeting me someday.” Ele disse, umedecendo os lábios ao que o rosto, em gesto raro de sua parte, deitava-se contra o ombro alheio e simplesmente se permitia aproveitar do carinho oferecido. “.... Não tem muito mais sobre isso, eles tentaram pray the gay away. I’m just... Tired. Fucking tired.” Confesou, voz mero sopro. “Eu só tentei namorar uma vez, não era nada demais, na verdade, mas eu acabei num internato focado em te “limpar” disso. Foi onde eu estudei ano passado, obviamente não adiantou muito.” E independente do tom sardônico, estava claro que aquilo o magoara e, mais do que tudo, que era difícil falar.






