fully with you.
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@blackdogsix
Sua garganta doía, e doía de tal maneira que foi inevitável para Remus se perguntar se suas cordas vocais haviam se rompido também. O gosto de sangue preenchia a boca de tal maneira que era como se Remus tivesse acabado de engolir um coração, como se o tivesse mordido e o líquido quente e vital escorresse pela boca; no fim, ele sabia que era o seu.
Ao menos, não se lembrava de ter matado sequer um coelho naquela noite, o que era alguma coisa.
Não, ele sabia que o sangue era seu. Sabia que era de seus dentes, retraindo-se dolorosamente de volta ao lugar, de seu crânio se remodelando, de sua boca a qual incessantemente mordera enquanto tentava livrar-se dos grilhões alto impostos e uivara e urrara, preenchendo cada cômodo da casa dos gritos com seu eu animalesco, com sua dor. O sangue era seu, reafirmou a si mesmo, e era quase irônico o quão reconfortante aquela única informação poderia ser.
Nu agora que de volta ao normal, foi só alguns minutos depois de permanecer deitado que ousou se mover, buscando pela troca de roupa separada antes de aparatar para aquele lugar tão perto de Hogsmeade. Não teve forças para muito, contudo. Os trapos ficaram para trás, a camiseta recém colocada sujando-se do sangue dos arranhões que fizeram em si mesmo, mas não em abundância, eram finos, e ardiam como lembrete de que, apesar de tudo, por aquele mês haviam realmente acabado.
Quando finalmente criou coragem para alcançar sua varinha, aparatou-se direto para casa.
As roupas, já sujas, foram jogadas no cesto e ele deixou um afago curto na cabeça do gato e dos cachorros, que ganiram em preocupação com o dono; dessa vez, Remus não sorriu para eles, simplesmente pediu que saíssem e fechou a porta. A banheira se encheu devagar e de forma igualmente lenta ele se colocou nela, não se preocupando com a parcela de água que foi ao chão antes de abraçar os joelhos; cada músculo de seu corpo reclamando, cada junta de cada osso doendo, cada corte ardendo. Foi só quando sentiu dedos familiares em seus cabelos, contudo, sem sequer tendo ouvido a porta abrir, que as lágrimas rolaram.
O soluço veio naturalmente, quase infantil, quase que dê criança e, de maneira quase infantil também, a mão encontrou a de Sirius para segurá-la enquanto a testa se encostava ao joelho direito.
Ele estava bem, não havia ficado perto e o ferido, como sempre temia. Ele estava bem e estava ali.
Se sentia quebrado, decepcionado consigo mesmo por não ter estado ao lado de Remus em uma das noites em que o namorado mais precisava dele. Se tornara errado para si mesmo não acompanhar o maroto durante as luas cheias, como se estivesse quebrando uma promessa que há muito já fazia parte de si, no entanto, fora vencido. Vencido pela longa discussão e esmagado pela falta de opções; não foram poucas as vezes em que Sirius agiu por conta própria, deixando de ir ao trabalho para acompanhar o namorado nos dias de lua cheia, a quantidade de ocorrências na sua ficha como Auror já eram muitas, mas não se importava, algumas coisas possuem prioridade sobre outras e, para ser honesto, não havia qualquer coisa que pudesse ser mais importante do que Remus.
Mas fora vencido e sentia o peso do arrependimento tão forte quanto a raiva, o toque em meio aos fios de cabelo acastanhados era macio e não fazia jus a dureza enfrentada ao longo da noite pelo homem a qual pertencia. A licantropia já era conhecida por Sirius a muito tempo, mas nem mesmo os anos eram capazes de amenizar a dor em ver o amor de sua vida em tamanha tormenta. Já a parcela de ira estava sempre presente, destinada ao culpado por tudo aquilo, tinha tanta raiva de Greyback que nem os dentes pressionados com força e as mãos fechadas em punho eram o suficiente para impedir que Sirius tremesse sutilmente, o desejo contido de se vingar do homem, um desejo que esperava poder realizar, um dia.
Estava na casa justamente aguardando o retorno de Remus, de modo que não tardou a ir de encontro a ele, o coração se partindo um pouco mais pelo estado tão fragilizado que o encontrara. - It's okay, baby. – Sussurrou com suavidade, para acalentar o ouvido de ambos, visto que o alivio também era enorme por tê-lo ali vivo, apesar de tudo.
Ainda assim, o pouco contato não era o suficiente, de modo que as roupas saíram de plano sem pressa, para que o Black entrasse na banheira logo atrás de Rem, fazendo com que outra parcela de agua fosse ao chão. Seus movimentos eram tão suaves quanto possível, abraçando-o por trás em tamanha proteção que, se pudesse, não o soltaria jamais. Aquele seria o mundo deles, sem que nada de ruim os atingisse, mas era um sonho impossível e o soluço que podia sentir contra seu próprio peito denunciava o fato. Seus olhos continuavam fechados e o lembrete constante em seus pensamentos era que devia ser forte, por ambos, por Remus.
Os lábios pousaram com delicadeza sobre um dos inúmeros arranhões, estava perto do ombro, mas ele logo encontrou outro no alto das costas, beijando com a mesma calma, antes de subir para a nuca do namorado, com a pontinha do nariz roçando a pele ao deixar o próximo beijo ali. - I love you so much. – Era o que sussurrava a cada novo beijo entregue.













