O mundo é um lugar mais nocivo para as mulheres do que para os homens, em todos os aspectos: no trabalho, na segurança da sua própria casa e, para a nossa tristeza, na estrada. Ser mulher e querer viajar sozinha é um ato de muita coragem. É ir na contramão deste mundo que grita te proibindo a andar sozinha a noite ou fala não pra você viajando sozinha. Pois é, cair na estrada sozinha chega a ser um ato de rebeldia.
A boa notícia é que você não está sozinha. Todos os dias milhares de mulheres ao redor do mundo permitem que a paixão de viajar fale mais alto do que este mundo ensurdecedor. Uma a uma elas se unem, trocam dicas de viagens umas com as outras e descobrem que cair na estrada é mais excitante do que perigoso. E é por isso inclusive que este blog existe (já falei disso aqui): para provar por A + B que mulheres que viajam sozinhas existem e estão aos poucos descontruindo esse mundo que tenta nos repelir constantemente da experiência transformadora que é cair na estrada.
Agora cheguei aonde queria: a última desse mundo que tenta constantemente nos encher de medo - porque medo aprisiona e mulher aprisionada é mais fácil de domar. É a história de duas mochileiras argentinas, Marina Menegazzo e Maria José Coni, que foram mortas enquanto viajavam no Equador.
As duas foram encontradas no litoral do país no dia 28 de fevereiro, 6 dias depois que seus pais começarem a procurar por elas. Uma viagem que teve um final trágico e que ganhou proporções surreais. As matérias argentinas ressaltaram o fato delas estarem viajando sozinhas. Até um psicólogo chegou a afirmar no site Big Bang News que elas eram “vítimas facilitadoras”, como se tivessem pedido o que aconteceu com elas porque estavam “sozinhas”.
Antes de mais nada, elas não estavam sozinhas. Elas estavam juntas. Uma com a outra. O que será que faltava? Um homem? Em nenhuma hipótese uma vítima pede para ser uma vítima. Como se não bastasse elas terem sofrido o que sofreram, elas ainda estão sendo culpadas pelo acontecido.
Isso tudo é um reflexo cruel de um espaço público que não aceita a mulher. Que ainda hoje afirma que ela tem que ficar é em casa, na cozinha, com os filhos. Se você anda na rua sozinha, se você viaja sozinha, você está no lugar errado. Você não pertence.
PRECISAMOS MUDAR ESSA IDEIA.
E também precisamos mudar a conversa em relação ao caso das mochileiras assassinadas. A culpa não é delas. Precisamos respeitá-las como vítimas, respeitar o sofrimento de suas famílias, punir quem precisa ser punido e trabalhar para que tragédias como essa não aconteçam nunca mais em nenhum lugar do mundo.
Mas há muito mais que nós podemos fazer para mudar essa mentalidade machista. Como? A) Argumentando sobre o caso das meninas quando ouvir um argumento do tipo “elas pediram”; B) Abrindo o verbo em artigos da internet que ainda perpetuam que mulheres não podem cair na estrada sozinhas; C) Se unindo a outras mulheres e empoderando elas a criarem coragem de viajar; e, finalmente, e mais importante: D) CAINDO NA ESTRADA. É viajando que vamos mostrar pra todos que estrada é sim lugar de mulher, e quanto mais de nós existirem por aí no mundo, mais seguro tudo fica e menos ouviremos histórias como a da Maria e da Marina.
Portanto, não deixe que o medo seja maior do que a sua vontade de cair na estrada. Não deixe que este mundo te aprisione na condição de mulher, mostre pra ele que ser mulher é ser capaz de ganhar o mundo inteiro.
Vamos nos unir e lutar pra que a estrada seja tão segura e justa quanto é para os homens. Eu acredito que isso é possível. E lembre-se: nenhuma mulher que cai na estrada está sozinha, ela está sempre na companhia de um mundo inteiro.
Nos vemos pelo mundo!
[E se você ainda acha que somos poucas, dá uma olhada na hashtag #ViajoSozinha e #ViajoSola no twitter e você verá que já somos muitas por aí. Aproveita e entra nesse grupo do facebook aqui também.]
Já cansei de falar aqui no blog o quanto que Berlim é incrível! A Karen Hofstetter é uma designer muito incrível que mora em Berlim concorda em gênero, número e grau comigo!
Vivendo em berlim há anos, Karen resolveu fazer um gui de viagem berlinense lindo e totalmente grátis! Você pode baxar aqui e eu super recomendo você dar uma olhada, mesmo que você não esteja planejando uma viagem em breve. Afinal, sonhar não custa nada!
Já disse aqui: Berlim é a capital mais culturalmente efervescente da Europa.
Durante os anos da queda do muro de Berlim, milhares de artistas desembarcaram na cidade para reencontrar sua veia criativa, se expressar livremente ou simplesmente ajudar a quebrar o muro.
David Bowie, U2, Depeche Mode e muitos grandes nomes já moraram lá e existem muitos tours que contam esta história musical da cidade. Veja aqui.
Mas o post de hoje é pra falar do fucking Ramones. \m/
Quando estive em Berlim descobri um museu que mais parece a garagem do maior fã dos caras (o que combina muito com o punk rock).
É um pub como outro qualquer onde você pode se sentar, comer, beber e curtir uma boa música com os amigos (rock, claro). Nos fundos você encontra um verdadeiro acervo do Ramones. Tem a calça jeans do Jonnhy autografada, jaqueta autografada por todos eles, cartazes de turnês dos anos 80, polaroids originais da banda e até uma salinha de cinema suja e grafitada que passa o filme Rock ‘N Roll Highschool em looping. É INCRÍVEL.
Além do museu, você pode conferir apresentações ao vivo de artistas locais no pub. É só ficar de olho na programação deles aqui.
Paga pra entrar?
O museu tem uma entrada de 3,5€ que você paga uma só vez na vida. É isso mesmo que você ouviu: 3,5€ pra vida.
Você paga, ganha um botom dos Ramones e sempre que você voltar, basta mostrar o botom que você tem a entrada liberada. É um clube. E se você pagar 5€ você leva a lifetime membership do museu mais uma cerveja.
Onde fica?
Fica na Krausnickstr. 23 Berlin-Mitte/Germany. É bem próximo do Hackescher Markt que rola sempre aos domingos e do beco na Rosenthaler Strasse (mais aqui).
http://www.ramonesmuseum.com/
Se você é fã dos caras, você PRECISA conhecer esse museu. Quando você for, aproveita e escreve seu nome do lado do meu na parede do banheiro (Fabi Soares). Não esquece de mandar foto pra cá!
No dia 10 de julho foi lançado o novo passaporte brasileiro com validade de 10 anos.
Algumas piadinhas já foram feitas nas redes sociais zombando do novo design. (Realmente, o design do antigo era mais bonito).
Mas a gente tem muito o que comemorar com ele.
Além dele ser mais seguro, com mais elementos de segurança como o chip eletrônico e a assinatura digital, ele tem uma validade maior.
Pra nós, viajadões, isso significa mais economia na emissão de passaportes, mesmo o novo sendo mais caro, e menos burocracias na hora do embarque. Com o chip eletrônico basta uma máquina leitora para embarcar e desembarcar sem filas.
Dá uma conferida nas principais diferenças entre os dois passaportes:
O passaporte novo já está sendo emitido no Brasil e em consulados da América do Sul e Central desde o dia 6 de julho. Os consulados de outras partes do mundo ainda receberão a autorização de emissão do novo passaporte.
E fique tranquilo! O seu passaporte antigo continua valendo até o fim do prazo de validade.
Quer ver mais detalhes do novo passaporte brasileiro? Então dá zoom no PDF abaixo.
Este é um vídeo do Buzzfeed que mostra o tanto que cair na estrada é incrível, principalmente se você é uma mulher. Dá play e, se você não entende inglês, a tradução tá aqui embaixo.
A primeira vez que eu viajei sozinha eu não parei pra pensar que eu estava viajando sozinha. Eu simplesmente fiz.
Eu não tinha um plano para depois da faculdade, mas eu queria fazer algo divertido e louco. Nada permanente mas simplesmente fazer algo por conta própria.
Lettering: Perguntamos muitas mulheres sobre suas experiências como viajantes solos
Eu estava estudando na Itália por alguns meses, eu queria ir à Espanha em um final de semana e ninguém mais queria ir comigo, então eu decidi ir sozinha.
Eu me lembro de estar sozinha no avião a caminho de Paris pensando “no que eu estou me metendo?”. Eu me lembro de querer pousar imediatamente e entrar no primeiro voo de volta para casa.
Eu já viagem por todos os Estados Unidos sozinha.
Foi só depois que eu percebi que estava realmente sozinha e estava fazendo tudo aquilo por minha conta, sem depender de ninguém.
Eu percebi que eu procurava constantemente a aprovação dos outros pelas coisas incríveis que eu estava fazendo e vendo. E então eu pensei “porque eu não podia acreditar que tudo era incrível sem precisar de nenhuma validação dos outros”.
A parte mais legal de viajar sozinha são as pessoas que você encontra pelo caminho.
As vezes é muito bom estar sozinha. É o mais adulto que eu jamais me senti na minha vida.
Ninguém que me conhece tem nenhuma ideia de onde eu estou. Essa é uma sensação bastante libertadora.
Você é responsável por todas as decisões e não precisa se apoiar em ninguém para tomá-las. E se você é uma pessoa de fácil adaptação, você só precisa seguir o fluxo.
Nunca se esqueça que as pessoas são mais amáveis, gentis e dispostas a ajudar do que você imagina.
Coisas ruins podem acontecer em qualquer lugar, então esteja preparada, tenha conhecimento, mas sem se limitar demais das possibilidades.
Fique em lugares alternativos e não se acomode com os caminhos já percorridos.
Viajar sozinha como uma mulher é excitante.
Viajar sozinha é uma profunda experiência de liberdade.
Viajar sozinha é um tratamento intensivo de autoconfiança.
Viajar sozinha é empoderador.
Viajar sozinha é docaralho.
Viajar sozinha é amendrontador, mas também muito incrível.
Quando cheguei em Machu Picchu eu não tinha mais forças. Meu corpo tinha passado os dois últimos dias em tratamento intensivo contra uma salmonela brava que me deixou internada no hospital por dois dias (já contei aqui). Mas mais do que o esforço físico, eu estava emocionalmente esgotada.
Viajar te coloca nessa situação de auto-análise que te deixa sem chão, sem certezas. No hospital tive que lidar com o medo de estar sozinha, com o autocontrole de tomar as decisões mais razoáveis enquanto estava muito mal e lidar com a maior verdade da vida: no final das contas é a gente com a gente mesmo, ninguém mais.
Com essa sensação esmagadora de fragilidade que sentei em uma das pedras colocadas ali há séculos, diante de uma das montanhas mais belas e que até hoje chamo de minha, e chorei. Eu sentei e chorei igual criança. Nunca antes havia chorada com um lugar em minhas viagens. E olha que eu já voei de balão na Capadócia, atravessei o deserto de Atacama ao Uyuni e contei 7 estrelas cadentes no deserto do Saara.
Eu estava completamente deslumbrada e perplexa pela imensidão das coisas, pela grandeza inexplicável de Machu Picchu. Me senti infinita de um jeito que nunca havia sentido antes. Naquele momento eu me deslumbrei no mundo e nunca mais fui a mesma.
Machu Picchu faz isso com a gente. É um divisor de águas e você nem precisa estar tão fragilizado quanto eu estava naquele dia para sentir a grandeza do lugar. É inexplicável. É o dedo de deus na Terra. É uma viagem só de ida, mesmo se você voltar de lá. Acredite, você não volta a mesma pessoa.
Deu vontade de ir pra lá? Então vem comigo que eu vou contar como faz.
Como chegar lá
Machu Picchu é um sítio arqueológico Inca que fica em um município chamado Águas Calientes. Foi construída no século XV, mas abandonada assim que os colonizadores chegaram na América. No entanto, ela só foi descoberta após 1911.
Sabe por que ela demorou tanto pra ser descoberta? Porque ela fica em cima de uma montanha no meio do nada. Chegar até lá é uma das missões mais difíceis EVER. Dá uma olhada no mapa.
Cusco não é a cidade mais próxima de Machu Picchu. Na verdade Machu Picchu fica em Águas Calientes, um município que só se chega por trem ou a pé. Tem uma estrada que vai até a hidroelétrica, mas é pavimentada só até Ollantaytambo.
Isso significa que você vai precisar combinar seus meios de transporte com trem, pernas e rodas, que podem ser divididos entre os jeitos caro e seguro e o barato e perigoso.
O jeito barato e perigoso: rodas + pernas ou trem
O jeito mais barato de ir até Machu Picchu é de carro ou ônibus até a hidrelétrica e depois caminhar por 2 horas até Águas Calientes. Se você preferir, você pode pegar o trem na hidrelétrica por 26$ e chegar em Águas Calientes em 40 minutos.
Foi isso que acabei fazendo. No início eu iria caminhar, mas como peguei salmonela e passei os dois dias antes da viagem no hospital, foi melhor eu não caminhar por 2 horas. Entrei no trem e foi tranquilo, mas caro.
No entanto, viajar de carro ou ônibus de Cusco até a hidrelétrica é COM MUITA EMOÇÃO. A estrada até Ollantaytambo é pavimentada, depois ela se resume a uma faixa estreita de terra, mão dupla, que sobe e desce em pirambeiras surreais.
O meu motorista estava possuído. Dirigia loucamente e eu com mais duas irmãs suíças rezamos o caminho todo. Eu tinha saído do hospital e viajar nessas condições foi um frio na barriga sem explicação!
Foi um barato que acabou saindo caro, pois depois não tive coragem de voltar de carro. Comprei uma passagem de trem até Ollantaytambo por $76 e de lá peguei um táxi/van com mais 5 pessoas por 15 soles até Cusco. O que tinha pagado pra voltar, foi pro lixo.
O jeito caro e seguro: trem + rodas ou pernas
Como já disse, o trem para Machu Picchu é caríssimo. É coisa para turista mesmo. Ele é administrado pela Peru Rail e o trecho Cusco-Águas Calientes custa entre $117 e $462 e demora 3h. O tour de carro COM A ENTRADA para Machu Picchu não custa nem 300 soles. De trem é beeem mais caro.
O jeito ideal: trem + pernas + carro
Depois da minha experiência, eu acho que o jeito ideal, onde você vai economizar mais sem colocar sua segurança em risco, é usar os três meios de transporte.
O trecho Cusco-Ollantaytambo você faz de carro por 15 soles. O trecho Ollantaytambo-Hidrelétrica você faz de trem por menos de $70. E o trecho hidrelétrica-Águas Calientes você faz a pé. Se você não quiser andar, só pegar o trem da hidrelétrica até Águas Calientes por $26.
Este é o jeito mais seguro, com custo médio, e que eu recomendo.
O jeito aventureiro: a pé fazendo o mesmo trajeto que os Incas faziam
Tem ainda mais uma maneira de chegar em Machu Picchu que também é bem barata. É uma caminhada de dois a três dias fazendo o mesmo trajeto que os Incas faziam no século XV. Com certeza é uma aventura e tanto, mas não é para qualquer um. É preciso preparo físico, equipamento de camping e muita disposição.
Quanto custa
Isso vai depender muito de como você vai chegar lá, como expliquei antes. Mas além do meio de transporte, você vai ter os custos de hospedagem em Águas Calientes (não dá pra fazer bate volta em Machu Picchu, é preciso passar uma noite pelo menos), a entrada no sítio arqueológico e o ônibus para subir até lá.
Isso mesmo. Chegar em Águas Calientes é só o primeiro passo, meu amigo. De lá você precisa subir 650m. Como? Aí você escolhe: ônibus ou caminhada.
A caminhada demora por volta de 1h de subida, depende do seu condicionamento físico. Já o ônibus custa $12 dólares cada trajeto ou $17 ida e volta. O primeiro sai as 5:30h e depois há saídas de 10 em minutos, para voltar de meia em meia hora.
O ingresso para Machu Picchu você pode comprar no centro de vendas que existe em Águas Calientes ou direto na empresa de tours. Se você optar por compra lá, lembre-se que Machu Picchu é concorrido e encontrar ingresso para o outro dia pode ser uma tarefa impossível. Então planeje alguns dias em Águas Calientes.
Como eu tinha fechado um pacote em Cusco, já estava incluso a entrada. Ela custa 126 soles para adultos e não tem desconto para estudantes, mas tem para crianças.
Se você quiser, você também pode comprar ingresso para Huayna Picchu. Outro sítio arqueológico que fica ao lado de Machu Picchu, como se fosse uma extensão dele.
Huayna Picchu
Huayna Picchu é outra cidade que fica em uma montanha mais alta que Machu Picchu (de 2.720m). A vista de lá com certeza é a mais bonita, mas para chegar lá tem que ter fôlego. É uma subida de mais 360m de Machu Picchu e você precisa de outro ingresso para entrar no sítio arqueológico. Mas tem que chegar cedo, pois há um limite de pessoas que podem entrar por dia.
6 Dicas Importantes
1) Leve repelente. Muito. Principalmente se você for caminhar. Águas Calientes e Machu Picchu ficam no meio de uma mata fechada e húmida. pernilongo faz a festa.
2) Prepare-se para se levantar as 4 da manhã. Sério. Os tours marcam a entrada em Machu Picchu para as 6h (Macchu Picchu abre às 6h). Isso significa que se você for caminhando, você precisa sair de Águas Calientes às 5h e se for de ônibus, você precisa pegar a primeira leva que sai as 5:30h. Tem que ser cedo, caso contrário você perde seu passeio.
3) As passagens de trem também são muito concorridas. Em alta temporada eles esgotam rápido e se você deixar para comprar de última hora você pode achar só para 5 dias depois. Se planeje!
4) Não leve mochilas grandes e pesadas. Você vai ter que caminhar muito. Prefira colocar sua mochila no locker do hostel e leve poucas coisas com você. Isso vai te ajudar e muito.
5) Prepare o orçamento para Águas Calientes. É uma cidade extremamente cara.
6) Aproveite para conhecer os termas de Águas Calientes. São piscinas naturais que cobram 10 soles para entrar. É um bom programa se você tem tempo sobrando na cidade.
Por trás das cortinas do Red Light District em Amsterdã
“(...) ela conta quanto custa o prazer do Red Light District: 50€ por 20 minutos ou uma gozada, o que vier primeiro.”
Entre neons vermelhos, placas anunciando 2 horas de shows de sexo ao vivo (que custam 50€), sex shops noturnos e pequenas fumaças de maconha saindo pelas portas dos coffee shops, milhares de turistas de todo o mundo caminham pelo canal de uma das regiões mais famosas do mundo: a Red Light District em Amsterdã.
A capital da Holanda expõe em apertadas vitrines mulheres vestidas com pequenos tecidos ainda mais apertados, cheias de meio sorrisos enquanto balançam o indicador ao convite de quem quiser entrar. Seus corpos se esfregando nas mãos, cadeiras, vidros e o que mais o cubículo couber, esse rito é a própria cidade esfregando na cara da sociedade que ali o sexo é livre, a prostituição é liberada e a mulher pode fazer o que ela quiser com o próprio corpo.
O conceito é o mais liberal possível, mas sem a intimidade dos bordéis dignos de Hilda Furacão. Na verdade, o Red Light District é mais turístico do que você imagina. Pelas fotos do Google se enxerga praticamente um Moulin Rouge em plena Holanda, mas informo que é muito diferente disso.
O neon não reflete intensamente nas águas do canal que divide o Red Light no meio. As mulheres são lindas e deslumbrantes, mas não têm um sex appel performático que muitos esperam. Lhes faltam um quê de performance, de arriscar uma dancinha, de ameaçar um tira ou não tira de roupa. Muitas delas ficam apenas sentada, lixando as unhas e nada mais. É trabalho, afinal de tudo. É o que elas fazem todos os dias. O que é uma boa notícia para os fielmente casados: a mesmice do sexo é igualitária. E a falta de sal continua por trás das cortinas.
Depois de alguns minutos caminhando, ajudei um amigo a escolher a garota mais bonita. Com a porta entreaberta - não por pudor mas pelo frio de 3 graus – ela conta quanto custa o prazer do Red Light District: 50€ por 20 minutos ou uma gozada, o que vier primeiro. Negócio fechado.
Ela recebe o pagamento antes. Ele sobe as escadas e entra em um quarto. Como um médico a atender seu próximo paciente, ela estende um papel descartável rosa claro sobre a cama. Sem preliminares, sem beijo na boca, sem tocar em nada. Nenhum contato físico nem na hora H. Como? Um papel toalha com um furo no meio separa os dois. Boquete? Só com camisinha e depois do papel toalha. Por cima, sem nenhum toque de mãos, ela termina o trabalho em menos de 20.
Meu amigo sai da vitrine carmin e me encontra em um sex shop da esquina, cabisbaixo e dizendo em alto e bom tom: as brasileiras são muito melhores. Eu racho de rir e saio de Amsterdã com a decepção do Red Light District, mas com uma das histórias mais divertidas da minha vida.
Se você um dia quiser experimentar, não há lugar melhor do que o lugar onde há alguma regulamentação como Amsterdã. É mais seguro tanto para quem trabalha com prostituição quanto para quem consome. Mas, no caso do Red Light District, vá esperando um show para turista ver e não para você aproveitar.
*Deixo aqui meu muito obrigado para o “amigo” que me ajudou a descobrir mais sobre o Red Light de um jeito que eu jamais conseguria. Valeu, bro.
Foto1: Amsterdaily
Foto2: Herman Wouters for The International Herald Tribune
Na semana passada eu contei que gastei muito pouco viajando para a Europa e também dei altas dicas de como economizar. Hoje, vou contar o que me ajudou a gastar menos em Berlim: as atrações gratuitas.
Berlim, além de ser uma cidade efervescente, inspiradora e incrível (sim, eu realmente amei Berlim!), é uma grande metrópole e grandes metrópoles oferecem uma grande variedade de programações grátis incríveis. Dá uma olhada:
1) Memorial dos Judeus Assassinados da Europa
O Memorial dos Judeus Assassinados da Europa (Murderer Jews of Europe), é uma das coisas mais intensas que já vi na vida.
Na foto parece apenas um monte de blocos alinhados, mas ao caminhar entre eles você se vê em um labirinto, caminhando perdida em um chão que ora se aprofunda, ora se levanta (veja aqui). A sensação é única, mas mais único ainda é o que há por baixo destes blocos de concreto.
O museu fica no subsolo do Memorial, é totalmente gratuito e é onde você entende o simbolismos do lugar.
Cada bloco representa a história de um judeu morto pela guerra: uma carta de uma filha deportada que nunca chegou ao pai, um neto que viu o avô ser levado embora de repente para Auschwitz e até uma família inteira que nunca mais se reencontrou. É brilhantemente emocionante.
2) Topografia do Terror + Muro de Berlim
Este é outro museu gratuito que aborda o Terceiro Reich e a Segunda Guerra Mundial. Ele fica onde era o antigo prédio da Gestapo e SS em Berlim. Do lado de fora é possível ver restos do prédio, o que seria o subsolo de onde prisioneiros eram torturados.
Do lado de dentro do museu toda a história de formação da Gestapo e da SS, o terror que ela significou para milhares de pessoas e o que aconteceu com cada oficial capturado.
Mas no local há ainda outro capítulo da história. É possível ver de perto o que restou do muro de Berlim. São dois momentos importantes da história mundial em um só lugar. E o melhor: de graça!
3) Muro de Berlim na Potsdammer Platz
A Postsdamer Platz é uma das áreas mais modernas de Berlim. Foi construída depois da guerra e abriga grandes lojas internacionais e complexos de shoppings, mas entre grandes cubos de aço e traços da modernidade ainda vemos a presença do muro.
O que este muro tem de diferente da porção do muro na Topografia do Terror é a história narrada entre as colunas. Lá você entende melhor a história de Berlim dividida e pode tirar ótimas selfies. =)
4) East Side Gallery
Depois de caminhar pela história de Berlim, é hora de ir para o lado underground da cidade. Berlim, se você não sabe, é considerada a cidade mais cool da Europa e muitas outras capitais a invejam por isso.
O movimento artístico ganhou força durante os anos da Guerra Fria. Muitos movimentos criativos começaram a chegar em West Berlim (capitalista) e descobriram ali um ótimo contexto para expressar a sua arte. Depois que o muro caiu este movimento artístico tomou conta do lado East (comunista) e acabou criando uma das áreas mais undergrounds e cool do mundo.
A East Side Gallery é um ótimo exemplo disso. É um museu a céu aberto, localizado na Mühlenstraße, que reúne mais de 100 murais originais, mas só de artistas underground. O artista Banksy, por exemplo, esteve em Berlim deixando seu estêncil por alguns lugares. No dia seguinte outros artistas tiraram tudo alegando que ele era comercial demais para estar ali.
Voltando para a East Side Gallery. Lá você vai encontrar não só paredes cheias de grafites, estêncil e outras formas de arte. Você vai ver o Muro de Berlim da forma mais criativa possível. Vai também encontrar bares, baladas, galpão com pista de skate e até feiras como a do NeueHeimat.
5) Hackescher Markt aos domingos
Hackescher Markt é uma região de Berlim super underground. perto da estação do metrô acontece uma feira de domingo deliciosa. Você vai encontrar ótimas opções de streetfood, como o famoso currywurst, e produtos criativos artesanais. E entre uma barraquinha e outra, você pode se surpreender com um músico tocando Michel Teló (sim, eu vi isso acontecer).
É um passeio obrigatório para quem estiver na cidade no domingão.
6) Street Art na Rosenthaler Strasse
Próximo do Hackescher Markt existe um beco que reúne o Museu da Anne Frank, o Museu de Otto Weidt e alguns bares, cafés, galerias de arte e até um cinema.
Mas o que há de mais interessante neste beco não é o que há dentro dele, mas o que há fora. Todas as paredes são completamente cobertas por arte. Em cada canto nasce uma escultura, uma expressão, uma inspiração. Caminhar por ele não custa nada e vale muito o seu tempo! Super recomendo.
7) Flea Market e Open Air Karaokê no Mauerpark
Durante o verão acontece em Berlim o Bearpit Karaoke e se você acha que é um encontro de dez pessoas, você está muito enganado. O Karaokê reúne milhares de pessoas em torno de um palco redondo ouvindo estranhos cantarem divertidamente. Olha só:
Junto do Karaokê rola também o Flea Market. Um apanhado de produtos cheios de história deixam o cenário do parque ainda mais interessante nos domingos.
Mas se você não estiver em Berlim no domingo, vale uma visita no Mauerpark mesmo assim. O parque é lindo e passar uma tarde encantada com o lugar é com certeza um bom programa.
Outro parque que vale a visita é o Tiergarten. Tem um monumento socialista belissímo e uns eventos que te pegam de surpresa. Quando eu fui eu me vi dentro de um Pillow Fight sem querer.
8) Visita ao Parlamento Alemão
O Reichstag, Parlamento Alemão, pode parecer um passeio estranho. Afinal, o que você quer fazer dentro de uma organização política vendo políticos tomarem decisões? A resposta é: ter a vista mais bonita de Berlim dentro de um dos prédios mais bonitos da cidade.
Acontece que o prédio do parlamento tem um projeto arquitetônico super curioso. Devido às guerras, ele foi destruído lentamente. No entanto, o projeto atual mantêm a fachada exterior como era há décadas, mas seu interior representa o que há de mais moderno na arquitetura.
No topo, por exemplo, há uma gigantesca cúpula de vidro feita para refletir a luz do dia para dentro da câmara do senado e que é aberta para os turistas diariamente.
Para entrar, no entanto, você precisa agendar sua visita antes. É apenas por motivos de segurança. Você pode agendar através do site aqui, ou pessoalmente em uma tenda na frente do Parlamento. A segunda opção vai exigir de você algumas horas de espera, mas que valem a pena! E depois que você entra, você pode ficar quanto tempo quiser.
Lá dentro você vê Berlim inteira, todos os pontos importantes e, com ajuda do aúdio guia, tem uma verdadeira aula de história da cidade. Recomendo você agendar a visita 1h antes do pôr-do-sol e ficar lá de cima, vendo o céu mais bonito escurecer aos poucos. É INCRÍVEL e 100% free.
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15 dicas para você gastar até 50€ por dia na Europa
Na quarta eu soltei este post aqui contando que gastei R$4.510,10 em uma viagem de 20 dias por 3 países da Europa, incluindo a passagem e gastando até 50€ por dia.
Como eu consegui isso? Seguindo as dicas desta lista aqui embaixo. Dá uma olhada que ela também pode ajudar você a economizar na sua próxima viagem.
1) Tire da cabeça que na Europa só se viaja de trem
Viajar de trem é uma das opções mais populares na Europa, mas muito raramente será a mais barata. Há sim promoções férreas bem atraentes, mas nem sempre elas vão para o mesmo lugar que você quer ir.
Então, dê uma chance para outras opções de transporte como os ônibus.
Eu fiz três viagens de busão pela Europa entre Amsterdã, Berlim e Cracóvia pela cia alemã Deutsch Bahn e a pela Meinfernbus Flixbus, e foi melhor do que eu esperava! O ônibus tinha serviço de bordo, wi-fi durante todo trajeto e tomada pra carregar o celular. E sabe quanto eu paguei? Entre 29€ e 34€.
Um site/aplicativo que me ajudou a encontrar os melhores preços de passagens de ônibus foi o Go Euro. Ele mostra resultado de busca de passagem de avião, trem e ônibus, e te leva direto para o site da cia pra você comprar a passagem, sem nenhuma taxa extra. Super recomendo!
2) Use o Bla Bla Car
O Bla Bla Car é um site de caronas que funciona apenas na Europa. A ideia é que uma pessoa viajando para um destino possa levar alguém com ela e dividir a gasolina. Faz até bem pro meio ambiente, gente!
No entanto, não há só amadores na plataforma, há também muitos motoristas profissionais. Eles usam o site para conseguir mais passageiros. O que é ótimo para eu e você, que podemos pagar mais barato por um serviço profissional.
Quando eu estava em Amsterdã pesquisei passagem de trem para Berlim e encontrei por 100€. Entrei no Bla Bla Car e encontrei uma carona por 35€. Entrei em contato com o motorista, marquei um ponto de encontro e pronto. Paguei para ele na hora e foi uma viagem super tranquila.
Mas o Bla Bla Car tem um pequeno problema: não há nenhum compromisso firmado e de papel passado. É um acordo verbal que não tem nenhum obrigação de acontecer de verdade. Se o motorista desistir da viagem, ele desiste e você fica na mão.
Aconteceu comigo indo da Cracóvia para Berlim. Marquei com o motorista que desmarcou 10h antes de embarcar. Resultado: perdi uma diária de hostel e tive que embarcar correndo no ônibus mais barato que encontrei (34€).
É claro que, quanto mais bem recomendada for a pessoa que você combinar a carona, menores são as chances dela furar com você. E caso ela fure, você pode deixar uma avaliação bem raivosa pra ela e deixar avisado pra próxima pessoa que aquele motô é encrenca. Eu fiz isso com o motorista que furou comigo.
3) Viaje durante a noite
Esta dica me ajudou a economizar muito, pois na Europa a hospedagem é o que mais pesa no budget. E se você viaja durante a noite, você não precisa de um lugar para se hospedar.
Pra você ter uma ideia do absurdo, nos finais de semana e feriado uma diária em um hostel pode dobrar de preço. Então, evite.
E se você tem medo de viajar a noite por causa da segurança, pode ficar tranquilo. Inclusive nós meninas!
As companhias de viagem europeias (seja trem ou ônibus) são super confiáveis e as estradas são bastantes seguras, tanto em infraestrutura quanto em assaltos e coisas do tipo.
Pode viajar tranquila e dormindo, sem medo nenhum!
4) Dê uma chance para o Couchsurf
Para me manter dentro dos 50€ diários eu precisava economizar na estadia. O problema é que na Europa os hostels são bem caros. O que eu fiz? Misturei hostel com Couchsurf durante minha viagem.
Pra quem não sabe, o Couchsurf é uma comunidade onde as pessoas de todos os lugares do mundo oferecem o sofá da própria casa para viajadões se hospedarem.
Parece um conceito meio suspeito o que deixa muitas pessoas com medo de tentar, mas pode confiar em mim: é 100% seguro desde que você escolha bem o seu host. Porque é seguro?
Primeiro porque não é só criar um perfil na plataforma, pedir um sofá e você consegue. Você tem que ser aceito pela comunidade, e se você parar para pensar, o host também tem o mesmo medo. Ele está abrindo as portas da casa dele para um estranho!
O que faz o Couchsurf seguro é justamente este senso de comunidade e as pessoas que fazem parte dela. Elas buscam outras pessoas que compartilham a mesma paixão em cair na estrada, que esteja na rede social há um bom tempo e que tenha boas indicações. Se você entrar procurando apenas um sofá, você não vai ser aceito em lugar nenhum.
Para você ter uma ideia, eu demorei um mês para ser aceita por um host em Amsterdã e o meu perfil na plataforma existe há muitos anos, é certificado e tem boas referências.
Enquanto estava na Europa eu fiquei em quatro sofás na Holanda e na Alemanha, todos de mulheres, e foi uma experiência incrível que vou contar mais no blog em breve. O Couchsurf não só me ajudou a economizar na minha trip, ele me fez conhecer pessoas incríveis que eu não conheceria de outra forma. E estas pessoas me deram dicas que só quem mora na cidade poderia dar!
5) Reveja sua opinião sobre hostels
É inacreditável a ideia de hostel que algumas pessoas ainda têm. A maioria imagina um quarto com 20 pessoas amontoadas, deitadas sobre lençóis sujos dividindo um banheiro que está sempre ocupado. Isso é muito drama, gente.
Hostels têm a mesma estrutura de hotéis, com quartos privados com banheiros, café da manhã e tudo mais que você imaginar, mas que oferecem também quartos compartilhados. É só isso.
Se você não gosta da ideia de dividir um quarto com estranhos, tudo bem. Você tem o direito de não querer se hospedar desta forma. Mas você pode reservar um quarto privado em um hostel que com certeza vai sair muito mais barato do que um hotel! Mesmo na Europa onde hostel costumam ser bem caros.
Experimente fazer uma busca agora aí no Hostelworld. Coloque uma data e um lugar qualquer, selecione um hostel com boa avaliação, procure por quartos provados e olhe as fotos. Você vai ver que hostels não tem nada de bizarro e pode ser uma ótima opção de hospedagem.
6) Não tenha pressa
Se você viaja com pressa, passando poucos dias em cada cidade, além de não ver tudo que tem para ver você acaba gastando mais.
Como? Entrando no primeiro restaurante que tiver no caminho, comprando o primeiro souvenir que você vê na vitrine, reservando rapidamente o primeiro hostel na internet e comprando as passagens que estiverem disponíveis pra amanhã.
A pressa vai fazer você não ter tempo de pesquisar e escolher com calma e, consequentemente, gastar mais dinheiro. Se você tiver mais dias em um lugar, você pode ficar de olho em promoções de passagem e comprar para quando tiver mais barato. Vai ter tempo para andar longe do centro, que costuma ser as áreas mais turísticas, e descobrir lojas, restaurantes e bares mais baratos.
7) Prefira os grandes centros urbanos ao invés do interior
As cidades do interior podem até ser mais baratas, mas elas vão oferecer poucas opções para você.
Nos centros urbanos você vai encontrar mais lugares para comer mais barato, vai descobrir onde se hospedar pagando menos e ter mais opções do que fazer de graça.
Em Berlim, por exemplo, há vários museus gratuitos como o Memorial dos Judeus Mortos da Europa e A Topografia do Terror. Isso tudo vai ajudar você a economizar, sem deixar de descobrir coisas novas e realmente conhecer o lugar.
8) Escolha as cidades mais baratas da Europa
Antes de embarcar, pesquise o custo de vida nas cidades que você quer ir. Ir em lugares mais baratos, significa mais economia pra você.
Um aplicativo que me ajudou muito nisso foi o Quanto Custa Viajar. Ele me deu um argumento ótimo para conhecer a Polônia!
Lembro que estava em Berlim conversando com minha host do Couchsurf e ela disse que a Cracóvia era muito bonita e que ela tinha gostado muito. Como eu não tinha lugar definido para o meu próximo destino, resolvi pesquisar.
Entrei no Quanto Custa Viajar e vi que a Cracóvia era muito mais barata do que Berlim e Amsterdã. (Lá o real vale até mais!) Comprei minha passagem e fui pra lá dois dias depois. Acabei amando a cidade e gastando pouquissímo!
9) Monitore diariamente seus gastos
Monitorar diariamente para onde o seu dinheiro vai, te faz controlar seus gastos. Um aplicativo que vai te ajudar muito nisso é o Trail Wallet. Eu escrevi nele tudo que gastei, todos os dias.
E se em um dia eu passava do limite, no outro eu me controlava mais. Foi assim, dia após dia e de olho no bolso, que consegui economizar muito.
PS: se você é um viciado em souvenirs, FUJA DAS LOJINHAS! Defina que você só vai comprar alguma coisa no último dia na cidade, tente economizar nos dias anteriores e passe na lojinha e use só o que o budget do dia permitir!
10) Use sua carteirinha de estudante ou da imprensa
Essa dica só vale para quem for estudante ou trabalhar em algum veículo de comunicação.
Na Europa, a maioria das entradas de museus e atrações oferecem desconto para estudantes e jornalistas.
Mas lá o desconto não costuma ser meia entrada, normalmente eles dão 30% de desconto o que já ajuda quando o budget tá apertado.
11) Procure supermercados
A melhor opção para comer barato são os supermercados. Você sempre vai encontrar sessões inteiras de padarias dentro deles, além de ótimas opções de lanche.
A maioria dos meus cafés-da-manhã vierem de supermercados e sempre eram super baratos e deliciosos. Alguns supermercados em Berlim tinham lanchonetes inteiras dentro com preços ótimos.
12) Pesquise os preços dos restaurantes antes de sentar para comer
A maioria dos restaurantes no mundo todo colocam o menu na porta de entrada. Não tenha vergonha de dar uma olhada antes de entrar. O cardápio está ali para isso mesmo.
Mais do que conferir se o preço dos pratos cabe no seu budget, olhe se o preço vale o que o restaurante oferece. Às vezes o que pode parecer muito caro pode ter um ótimo custo benefício.
Outra dica é perguntar na recepção do seu hostel ou hotel onde há bons lugares para se comer barato. Se você estiver fazendo Couchsurf, provavelmente seu host vai cozinhar para você como cortesia, mas ele também pode te dar ótimas dicas de onde comer bem e barato.
13) Leve moeda em espécie
Por motivos de IOF, simplesmente.
Comprar moeda representa um gasto de 0,38% com IOF, enquanto colocar moeda em um cartão pré-pago ou usar o cartão de crédito representa 6,38%.
Eu sei que levar moeda em espécie é arriscado, você pode ser roubado e tal. No entanto a Europa é um continente muito seguro e se você ficar atento e guardar bem o seu dinheiro, nada vai acontecer, pode acreditar.
Mas se você ainda tiver com muito medo, leve dinheiro em espécie mais um cartão pré-pago que você possa recarregar a distância. Assim, se acontecer alguma emergência, você terá outra fonte de dinheiro durante sua viagem.
14) Evite usar o cartão de crédito
Usar o cartão de crédito significa pagar 6,38% de IOF mais a variação cambial do dólar. Ou seja, não importa em qual moeda você pagou, no seu cartão vai vir em dólar com a cotação do dia de fechamento da fatura.
E como já sabemos, o dólar não tá pra brincadeira. A moeda atingiu em março a mais alta cotação em décadas!
Então evite o cartão de crédito simplesmente porque são muitas variáveis a considerar e que podem arrancar muito dinheiro do seu bolso.
15) Compre moeda antecipadamente!
Este foi o maior erro que eu cometi antes de embarcar. Eu deixei para comprar euros em cima da hora e paguei a cotação mais cara desde o começo do ano. Dá uma olhada no gráfico para você entender.
Se eu tivesse comprando em janeiro, mais exatamente no dia 22, eu teria economizado R$500! Fui muito juninha nessa e já aprendi a lição que conto agora para vocês em caixa alta: COMPRE MOEDA COM ANTECEDÊNCIA.
Você pode comprar aos poucos, 100€ a cada mês. Tudo de uma vez com dois meses de antecedência, você pode comprar do jeito que quiser! Só não deixa pra última hora pelo amor de deus!
=D
Curtiu as dicas? Então conversa comigo aqui nos comentários porque ás vezes eu acho que eu tô falando com a parede. haha
Ah! E se você tiver alguma dica pra me dar, compartilha por favor!
É possível viajar pela Europa gastando até 50€ por dia? A resposta é SIM! Eu fui para a Europa dia 19 de março, paguei um absurdo no euro (3,56), fiquei por 20 dias, visitei 3 países e gastei pouco mais que 4.500 reais (incluindo a passagem e algumas comprinhas!). Se você acha que eu estou mentindo, vem comigo que eu vou te mostrar todos os gastos detalhados, recibos de compras, o roteiro e tudo que eu fiz para conseguir ser o mais econômica possível. Até o final deste post eu vou te provar por A + B que viajar gastando pouco em um dos continentes mais caros do mundo é totalmente possível!
Como foi viajar on low budget?
Foi normal. Eu não deixei de fazer absolutamente nada. Fui em todos os pontos turísticos, paguei entrada em museus, fiz tours de hotel (que costumam ser mais caros) e até comprei alguns souvenirs e roupas. O que eu tive que fazer foi ficar de olho no meu gasto diário e repensar algumas opções de hospedagem e alimentação. Por exemplo, eu mesclei hospedar em hostel com Couchsurfing, escolhi destinos que são considerados mais baratos e antes de comer em algum lugar, eu passei mais tempo procurando onde era mais barato. Também evitei fechar tours em hostels ou agências, fiz o máximo que pude por conta própria. Foram detalhes simples que fizeram toda a diferença.
Gastei R$4.510,10 com passagem
Antes de detalhar meu gastos de 50€ diários, eu vou te mostrar com o quê eu gastei todo este dinheiro. É uma prestação de conta para você ver que eu não estou mentindo.
Este foi o total da minha viagem de 20 dias pela Europa. Eu fui para Holanda (Amsterdam e Zaandam), Alemanha (Berlim e Potsdam) e Polônia (Cracóvia). Foram 3 países onde não deixei de fazer nada e até fiz algumas comprinhas.
A passagem foi, sem sombra de dúvida, minha maior economia. Pagar apenas R$591 ida e volta para Amsterdã foi um sonho. Como eu consegui isso? Ficando de olho em promoções.
Em dezembro no ano passado a internet enlouqueceu com uma promoção de passagem da KLM na qual voos para a Europa estavam saindo por R$332,00 (veja aqui). Depois, a cia aérea se pronunciou dizendo que foi um erro no site e não uma promoção, mas que iria honrar com as passagens emitidas. Promoção ou não, eu consegui comprar minha ida para Amsterdã no dia 17 de março por R$591 através do Decolar.com.
UPDATE: na verdade é um dica que me ajudou a ficar sabendo da promoção da KLM a tempo de correr e comprar. É um add on do navegador Google Chrome do Melhores Destinos que você baxa aqui. Você instala ele e sempre que rolar promoção de passagem ele manda um pop up na sua janela. Nunca mais você vai perder nenhuma promo!
O porém destas passagens promocionais é que muitas vezes elas vêm com escalas enormes e saem de cidades que não necessariamente é a sua. Foi o que aconteceu comigo. Minha ida tinha uma escala de quase 1 dia em São Paulo e não saia de Belo Horizonte onde moro, mas do Rio. Eu embarquei no dia 17, mas só cheguei em Amsterdã no dia 19. No meu caso, eu achei que super compensava mesmo assim. Pensa bem: eu paguei menos da metade de um voo internacional Brasil-Europa! Eu faria escala de três dias sorrindo. E para minha sorte, eu consegui antecipar o voo do Rio para São Paulo e ainda fiquei um dia inteiro em São Paulo descansando e vendo Netflix antes de embarcar para Amsterdã. Mais perfeito que isso, impossível.
O seguro viagem é um gasto que você sempre vai ter e os seguros para a Europa costumam ser os mais caros. Isso acontece pois existe um tratado da União Europeia (Tratado de Schengen) que exige que qualquer turista na Europa tenha uma cobertura de, no mínimo, 30.000 euros, o que é acima da média de outros países, o que faz o seguro ser mais caro. Mas como já contei aqui, TENHA UM SEGURO VIAGEM, não importa para onde você vá.
Eu comprei o segudo da Mondial porque era o mais barato. Cotei em diversos lugares e eles ofereciam a mesma cobertura que outros planos e por um preço melhor e ainda dividia no cartão. Achei ótimo! (UPDATE: se você precisar de um seguro viagem, clique aqui e use o código promocional 15%ABRIL para ganhar 15% de desconto!)
A compra de euros foi o que mais pesou no meu budget. Infelizmente, eu vacilei e deixei para comprar a moeda muito em cima da hora. Em janeiro o euro estava mais barato, em 22/01 ele atingiu seu mais baixo patamar: R$2,89. Depois ele só subiu e eu fui comprar a moeda exatamente na semana quando o euro atingiu o patamar mais alto dos últimos 12 meses. Fui muito junior na hora de comprar moeda, mas aprendi minha lição. Acabou que paguei R$3,56 para comprar €1.000, gastando R$3.560,00. Se eu tivesse comprado no dia 22, eu poderia ter economizado algo em torno de 500 reais. No entanto, voltei com €100 que já vendi por R$3,50 para outro viajadão embarcando para a Europa. O que já ajuda de alguma forma.
Para onde foram os 50€ por dia?
Agora vamos entrar na prestação de conta dos gastos diários de viagem. Levei 1.000€ (R$3.560,00) e gastei 985,95€ (R$3.509,99). O que me ajudou muito a monitorar meu dinheiro e controlar o budget foi o aplicativo Trail Wallet (da imagem acima). Eu não embarco sem ele de jeito nenhum! Nele, você coloca seu budget total de viagem e ele distribui este valor entre os dias da sua trip. Você anota cada gasto no aplicativo, divide em categorias, e ele vai te dando umas frases de incentivo de acordo com o decorrer do seu dia. No final, ele gera gráficos que apontam quanto você gastou em cada categoria (imagem abaixo) e você tem uma lista completa de onde foi cada pedacinho do seu dinheiro.
O meu relatório completo de viagem você confere no link abaixo. Tem todos os gastos descritos de cada dia da minha trip, que teve dias super abaixo do budget diário de 50 euros e outros bem acima. O importante é que a média final foi positiva: eu gastei €49,30 por dia. E como já disse: não deixei de fazer nada e ainda fiz umas comprinhas. Você também pode usar o relatório como consulta de preços de atrações e para ter uma noção de custo em cada cidade. Espero que te ajude!
CLIQUE AQUI PARA VER O RELATÓRIO DETALHADO.
Viajar gastando pouco é possível
Prestação de conta mais completa do que essa você não vai encontrar em qualquer lugar! E todos estes números são provas concretas de que é possível sim viajar sem gastar rios de dinheiro e sem sacrificar a sua viagem. Na sexta-feira eu vou postar tudo que eu fiz para me manter dentro do budget! São dicas que podem ajudar você a viajar mais, gastando bem menos. Fica de olho!
Como já disse aqui, quando uma mulher decide viajar sozinha todos ao redor dela enlouquecem. O parente achaque ela será vendida por camelos e nunca mais voltar pra casa, a amiga tem umaconhecida que foi pra lá, foi roubada e perdeu tudo e o fulano fica aterrorizado achando que uma mulher perde todas as funções físicas e mentais estando em outro país . Calma sociedade, é só uma mulher viajando.
Na verdade, o perigo existe, mas ele depende das circunstâncias. Primeiro, depende do país para onde você vai. E segundo, do seu nível de preparação. Ficou confusa? Então vem comigo que eu vou te ajudar a desmistificar essa história que mulher viajando é suuuper perigoso.
Segurança é diferente de considerações culturais
Antes de responder se é perigoso ou não uma mulher viajar sozinha e dar dicas de como fazer uma viagem segura, vamos entender que existem dois fatores a considerar na hora de viajar: os riscos para a segurança e os aspectos culturais.
A segurança de uma viagem é direcionada tanto aos homens quanto as mulheres e tem a ver com não andar sozinho na rua a noite, ficar de olho na sua bolsa, não aceitar carona de estranhos e por aí vai. São cuidados que você tem na sua própria cidade e que valem para qualquer lugar do mundo. Você toma estas precauções para evitar assaltos, assédios e outras atividades consideradas criminosas. Vale lembrar que ficar alerta e tomar cuidado não te dá imunidade diante de todos os riscos do mundo. Eu já rodei bastante e só fui assaltada 1 vez, ironicamente dentro de uma boate em um bairro nobre na minha própria cidade.
O segundo aspecto a considerar são culturais, muitas vezes influenciam apenas as mulheres e variam de acordo com o seu destino. Por exemplo, os países muçulmanos que exigem as mulheres a terem certo tipo de conduta. Neste caso, uma cultura pode representar uma ameaça a segurança da mulher, mas apenas se ela desobedecer as regras do seu destino. Aqui, se informar é muito importante. Quanto mais você aprender sobre seu destino, conversar com mulheres que vivem lá e ler muitas dicas de viagem, mais você vai entender a realidade do país e se preparar para enfrentá-la.
É importante lembrar que ao usar lenço no cabelo em um país muçulmano, não significa que você está de acordo com aquela realidade, mas apenas que você está ali em posição de turista e não de ativista, portanto usa o lenço em respeito à cultura. Se você quiser lutar pelo direito das mulheres islâmicas, então se filie a uma ONG ou algo parecido e só então tome atitudes para defende-las, mas não faça isso como turista em outro país ou você pode correr sérios riscos.
Mulher bem informada corre menos riscos
Quanto mais você souber sobre seu destino, menos riscos você corre. E destino aqui também vale como futuro, afinal quanto mais você ficar de olho no caminho, menores são as chances de você errar o trajeto. Então, pesquise muito sobre o país onde você está indo. Saiba dos costumes, entenda a história e leia as últimas notícias. Saber o que acontece nos dias atuais vai te dar uma ótima perspectiva da realidade do seu destino. Outra dica é entrar em contato com mulheres que moram lá ou que já foram pra onde você vai. A internet é uma ótima ferramenta para você fazer isso.
Quando fui para o Marrocos sozinha, um país islâmico, eu estava receosa no começo, mas achei o blog de uma menina da minha cidade que tinha feito exatamente a mesma viagem e tinha corrido tudo bem. Entrei em contato com ela, encontramos e ela me contou tudo e me deu todas as dicas. Eu também usei o couchsurfing para conversar com mulheres do Marrocos. Foi assim que conheci a Najla, uma marroquina que é minha amiga até hoje e que me contou tudo sobre a realidade de seu país. Depois dessa imersão toda, eu estava pronta para embarcar com uma bagagem cheia de informação, o que me ajudou a ter uma viagem segura.
Como usar a informação a seu favor
Vou dar como exemplo uma informação sobre o Marrocos que quase ninguém sabe e que faz a viagem pra lá ser super segura: é ilegal um cidadão marroquino, que não seja um guia oficial, abordar um turista na rua. Lá, todos os guias têm uma credencial do governo que os identifica. Se alguém abordar você e não tiver essa credencial, você pode gritar a polícia imediatamente e ele será preso. Esta lei oprime as pessoas a abordarem turistas nas ruas com ofertas de tours, pedindo dinheiro e outras ações incisivas.
Este exemplo mostra exatamente como o medo é amigo da ignorância. A maioria das pessoas não sabe disso e acham que viajar para o Marrocos é super perigoso. Quanto mais você descobrir sobre seu destino, menos medo você vai sentir e menos riscos você vai correr.
Afinal, uma mulher viajando sozinha é ou não é perigoso?
A resposta é: depende das circunstâncias. Como falamos acima, vai depender do seu nível de preparação, ou seja, das informações que você tem do seu destino, e dos cuidados que você vai tomar com a sua segurança. Se você estiver bem preparada, um mochilão sozinha pode ser até mais seguro do que você caminhando sem atenção pelas ruas da sua cidade. Há muitas mulheres mochileiras por aí que são provas vivas de que viajar é seguro. Caia na estrada e você vai conhecer muitas delas!
11 dicas para fazer um mochilão solo seguro
Para te ajudar a se preparar para sua viagem sozinha, eu fiz um checlist de ações para te dar mais informação e preparo. Vem comigo:
1) Não faça nada que você não faria na sua cidade. Isso é básico: não andar sozinha na rua a noite, não deixar sua mochila encostada na parede em por 1 segundo e não andar de biquíni em praça pública.
2) Pesquise sobre seu destino no Wikitravel. O site oferece informações gerais importantes e é uma ótima primeira leitura.
3) Entre no couchsurfing. Você não precisa entrar para se hospedar na casa de estranhos, na plataforma você pode apenas trocar mensagens com locais. Foi assim que conheci a Najla que me apresentou a sua cidade, Marrakech, e me ajudou muito a entender o Marrocos.
4) Procure na internet por relatos de viagem para seu país de destino, de preferência de mulheres nas mesmas condições que vocês. Quem cai na estrada está sempre aberto a ajudar outros viajadões e são estas pessoas que vão te dizer exatamente o que é e o que não é seguro.
5) Se for sua primeira vez mochilando sozinha, então escolha um país onde você saiba falar a língua. Entender o que estranhos ao seu redor estão falando te deixa mais tranquila.
6) Se hospede em hostels. Se tem um lugar no mundo onde você vai encontrar pessoas na mesma situação que você, dispostas a te ajudar e até a te fazer companhia, vai ser no hostel. E acredite: 99,9% dos viajantes de hostel têm boa índole, então pode se aproximar sem medo.
7) Tenha um apito de assédio. Isso é uma coisa comum em alguns países. Nos Estados Unidos, as calouras de universidade que moram no campus, ganham um apito destes. A ideia é você sempre estar com ele e se algum cara tentar te assediar, você apita. Isso é um sinal para a polícia ou alguém próximo te ajudar.
8) Se você tem o costume de andar com spray de pimenta na bolsa, apenas confira se você pode ter este tipo de objeto com você. Em alguns países alguns objetos são ilegais. Por exemplo, em Israel um simples canivete é considerado arma e você pode ser presa por ter um na bolsa (aconteceu comigo, depois conto como foi).
9) Não confie em todo mundo que se aproximar, não aceite caronas de estranhos e adicione no Facebook quem você queira descobrir se é realmente quem ele fala que é.
10) Confie no seu instinto. Nós, mulheres, temos uma coisa que os homens não têm e que a estrada nos ensina muito a usar: o sexto sentido. Escute o que seu coração diz sobre alguma situação e pessoa e você vai ficar mais tranquila.
11) Só dê ouvidos para quem tem experiência no assunto. Alguém que nunca viajou te dizendo que viajar é perigoso é a mesma coisa que me ouvir falar de neurocirugia (sou formada em publicidade, ok). Então peça opinião para quem tem autoridade no assunto.
Pronto! Você não precisa ter mais medo para desbravar o mundo.
Não há nada mais sexy do que o espírito livre de uma mulher viajadona. Ela não se preocupa com o cabelo, com a unha ou com a maquiagem. Ao natural, ela vai aprendendo em cada nova estrada que sua beleza não precisa de retoques. Segura, ela caminha pelas mais diversas existências sem perder o que faz dela ela mesma. Na verdade, quanto mais a viajadona caminha, mais certeza ela tem do seu horizonte. É se preocupando apenas com o próximo destino que ela encontra o quê o destino tem para ela.
A viajadona fala a língua que for preciso. Sua inteligência não é apenas a dos livros, é a da empatia, a da curiosidade. Seu papo me leva por todos os assuntos do mundo. Além de inteligente, ela é forte sem perder a capacidade de se abrir para o mundo com a doce sensibilidade que só uma mulher tem. Carrega sempre um brilho no sorriso, não nos olhos. Afinal, o olhar tem sempre que estar nítido para ver tantas belezas do mundo. Mas o sorriso tem um brilho de gente que é livre, inteira no coração e acesa por dentro.
A viajadona tem muitas coisas que admiro infinitamente, mas o tal do sexto sentido eu chego até a ter inveja. Sexto sentido é coisa muito útil na estrada, não importa seu gênero. É dele que vem aquele sentimento da certeza da confiança ou não. O sexto sentido te tira de perrengues e de pessoas que não vão te ajudar. Só de olhar o braço arrepia e ela já sabe que algo não está certo. Às vezes acontece até sem ela saber, ela simplesmente dá um passo atrás, não abre um sorriso, não dá conversa e segue em frente. É por isso que eu amo quando uma viajadona abre um sorriso pra mim. É sinal que passei no teste mais difícil, aquele que vem do coração.
Viajadonas, vocês são lindas, incríveis e admiráveis. Espero ter o prazer de ter no meu passaporte não só o carimbo de um país, mas o sorriso e a história de vocês.
Tour: Estrada da Morte
Local: La Paz, Bolivia
Custo: Baixo
Benefício: Alto
A Estrada da Morte, também conhecida como Camino a los Yungas, é um dos passeios mais radicais da Bolívia. Na década de 90 a estrada foi classificada como a mais perigosa do mundo pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. São 4.650m de descida livre de bicicleta, em uma estrada de 3 metros de largura. De um lado um grande paredão montanhoso. Do outro, precipícios de até 600m.
Parece ideia de maluco descer o Camino a los Yungas, mas na verdade é um passeio seguro se feito com responsabilidade e acompanhado por bons profissionais. É uma adrenalina que você precisa experimentar, principalmente para praticantes de Downhill, um modelo de ciclismo radical em estradas off road.
Como funciona?
Primeiro, você precisa escolher uma empresa que faz a Estrada da Morte. É muito importante você escolher muito bem a agência, afinal, você não deve colocar a sua segurança nas mãos de qualquer profissional. Por isso, antes de fechar o passeio, pergunte para a galera do seu albergue com quem eles fizeram e pegue contato. Pesquise na internet também sobre a empresa. Quando fui eu fiz pela No Fear Adventure. Uma empresa ótima, que eu recomendo e com preço muito bom. Quando desci a estrada da morte, eu fiquei hospedada no Loki Hostel que tem uma agência de turismo interna, lembro que a diferença de preço entre a agência do Loki e a No Fear eram enormes.
A descida começa bem cedo e vai depender das condições climáticas. Se houver muita chuva ou neblina, não há descida. Mas não se preocupe que a sua agência vai avisar você se houver este risco. Às 7h você entra em uma van para subir a montanha. Quando você chegar ao topo (depois de mais ou menos 1:30h), vocês vão descer e colocar todo o equipamento que a agência vai te alugar: capacete, jaquetas e calça térmica, luvas, cotoveleiras. joelheiras e finalmente, sua bike. Então você tem uns 20min para dar umas voltinhas e se acostumar com ela. Você tira algumas fotos e pronto! Começa a descida.
Os primeiros metros são de asfalto, entre o tráfego normal de uma rodovia. Lembro que quando desci estava chovendo e fazendo muiiiito frio. O vento batia forte no corpo e chegou a congelar meus dedos. Foi sangue no olho, mas foi inesquecível. Eram mais ou menos 30/40 pessoas, do meu tour e de outras agências, descendo uma rodovia movimentada de bicicleta. Depois de alguns minutos nós paramos em uma lanchonete, usamos o banheiro e fizemos um lache (já era quase a hora do almoço). Descemos mais alguns minutos pelo asfalto e finalmente chegamos na estrada da morte.
A estrada da morte é estreita, cheia de pedras e demora por volta de 3h para descê-la completamente. Aqui é a sua última chance de deixar qualquer ítem na van: câmera, roupas de frio e o que mais for te atrapalhar na descida. Você só vai ter a van de novo no final da descida. Nas próximas 3h é só você, a sua bike e a água que o instrutor te dar, mais nada. Prepare-se para a adrenalina!
Nos primeiros 30 minutos de descida o instrutor vai pedir para você ir devagar, para se acostumar com a trepidação. As pedras deixa a bike muito instável e isso exige que você tenha uma força extra nos braços para guiá-la. Ele alerta para o grande motivo das quedas: o freio. “Evite freiar de uma vez”, ele vai dizer. É exatamente assim que os acidentes acontecem. A pessoa vê um obstáculo, freia abruptamente e a bicicleta é lançada pra frente (eu cai assim, já conto pra você). O ideal é freiar devagar, com maciez e deixar a bicicleta passar por cima das pedras, sem medo. Quando você acostumar com isso, aí a brincadeira começa de verdade.
O instrutor vai disparar na sua frente e você vai querer ir atrás. E a sensação é boa pra caralho (desculpa o palavrão, mas é o que define). O visual é deslumbrante, o vento na sua cara é a própria definição da liberdade e a adrenalina é uma delícia. Você ultrapassa rios que cortam o caminho e para em alguns pontos para tirar algumas fotos. Se você der sorte, você vai pegar um instrutor divertido que vai fazer sua descida ainda mais inesquecível.
Eu comecei a ficar confortável e achei que podia voar. Resultado: eu cai feio. (Veja a queda nos últimos segundos do vídeo abaixo). Eu estava com a gopro acoplada no peito e bum! Doeu por alguns minutos, mas depois eu comecei a rachar de rir, me levantei e continuei. Desta vez, mais devagar.
Quando você chega no final da estrada da morte (3h depois) há um vilarejo na região de Coroico com quiosques de lanche, banheiros e opções radicais de lazer como tirolesa. É nesta área que você vai tirar seu equipamento, descansar e almoçar. Você pode até tomar banho se preferir. Depois, você volta para La Paz de van em um trajeto que demora mais ou menos 2h.
Quanto custa?
O valor do seu passeio vai depender apenas de um fator: a bike que você escolher. Na No Fear o passeio custava de 280a 750 bolivianos. 280 sendo a bicicleta mais simples, sem amortecedor, e 750 a bicicleta mais completa. Eu optei por um bicicleta intermediária que custava 450BOB.
Junto destes valores das bikes, a agência oferece todo equipamento: capacete, roupas térmicas (jaqueta e calça), luvas, cotoveleiras, joelheiras e capacetes. Na No Fear, também estava incluso café da manhã, almoço e lanche, mas isso vai depender de cada agência. O transporte, por exemplo, não pegava no hotel, mas direto na sede da No Fear. No entanto , eles oferecem uma camisa mais um cd com fotos e vídeos da descida. Eu gostei muito do trabalho e profissionalismo deles e recomendo!
Dicas Importantes
Vá muito bem agasalhado, mas tire suas roupa de frio e a deixe na van no começo da estrada de pedras. No topo da montanha faz muito frio, mas a medida que você vai descendo faz muito calor.
Evite beber no dia anterior. Pedalar de ressaca pode comprometer até mesmo sua segurança, já que você não estará em boas condições de aguentar 4h de descida.
Não se preocupe em levar nada para comer ou beber. Eles oferecem as refeições que são muito bem servidas.
Use roupas confortáveis. Isso é básico! Você vai fazer muita atividade física por um longo período de tempo. Então vá o mais confortável possível.
Pegue uma bike com amortecedor. Descer uma estrada de pedra vão exigir mais do seus braços e pode resultar em um bumbum bem dolorido.
Não vá na agência mais barata, vá na agência mais bem recomendada. O passeio é perigoso e você precisa estar acompanhado de bons profissionais.
Tour: Sky Tour
Local: San Pedro Atacama, Chile
Custo: Baixo
Benefício: Altíssimo
O deserto do Atacama tem o céu mais limpo do mundo. Lá chove apenas 60 dias do ano. Isso significa que sobram mais de 300 dias de céu sem nenhuma nuvem ou gota de chuva. Isso e os 2400m de altitude, fazem do Atacama o maior observatório astrônomico do mundo.
Para você ter ideia, o maior projeto astronômico já concebido está lá, o ALMA. Um observatório desenvolvido em parceria com a Ásia, Europa e América do Norte para monitorar o céu com 66 antenas de alta precisão instalado a 5000m de altitude.
Então, se você está no Atacama, você precisa fazer o tour astronômico. São passeios diários que te levam para pequenos pontos de observação onde você, além de ter uma aula de astronomia, vê estrelas, a lua e até planetas. Quando fui eu vi os anéis de Saturno. É incrível! Vem comigo que eu vou te explicar como é o tour<p
Como funciona o tour astronômico?
Não vá esperando ver um telescópio gigante no meio do deserto, a produção é mais simples. Você chega em uma casa com um terraço com alguns telescópios menores. Você vai achar que é uma furada, mas não é. Os telescópios mostram muita coisa e o guia te ensina muito só com a observação do céu a olho nu. Pode confiar que é incrível. Mas lembre-se de perguntar se o seu guia tem alguma certificação em astronomia. O meu guia era certificado pela NASA e deu uma puta aula. Foi incrível.
Você chega no terraço e está tudo completamente escuro. O guia explica que você não pode ligar a luz do celular ou flash de câmeras, pois a luz vai atrapalhar seu olho a se adaptar a baixa luminosidade. Depois, com a ajuda de um laser, ele usa o céu como um canvas e vai apontando o que é cada ponto. O que você vê vai depender da época do ano, afinal o céu não é o mesmo todos os dias (lembre-se das aulas de ciências!). Quando fui, Saturno estava quase no alto do céu. Ele nos mostrou onde estava e depois, através do telescópio, vimos os anéis de Saturno. Foi muito foda.
Depois de pouco mais de 2h de explicação e observação, eu fui para o andar de baixo onde tiramos mais dúvidas com o guia e fizemos um lanche. Depois, a van nos levou de volta para San Pedro de Atacama.
Quanto custa o tour?
O tour astronômico com transporte, observação com telescópio, explicação/aula e um lanche no final da experiência custa entre 12.000 e 15.000 pesos chilenos. Se você estiver em grupo, pode pedir um desconto que eles dão.
Onde fechar?
Existem centenas de agências em San Pedro e 99% delas oferecem o tour astronômico. Muita agências diferentes, levam os turistas para o mesmo tour com um mesmo guia. Você pode fechar com qualquer uma delas desde que ela oferece um guia certificado, transporte e um valor entre 12.000 e 15.000.
Dicas para o tour astronômico
1) Vá muito bem agasalhado. No Atacama os dias são muito quentes, mas as noites são extremamente frias e o tour é inteiro a céu aberto.
2) Se você não tiver um tripé e uma câmera profissional, nem tente tirar fotos. Lá não haverá luz, ou seja, suas fotos de celular ou câmera automática será um grande quadrado preto.
3) Faça um alongamento no pescoço. Você vai passar muito tempo olhando pra cima.
4) Prepare-se para uma verdadeira aula de astronomia. Não hesite em fazer perguntas.
5) Pergunte para sua agência se seu guia tem algum certificado astronômico. O meu guia era certifica pela NASA e nos ofereceu uma experiência incrível.
Começando 2015 na estrada: reveillon na Ilha do Mel
A Ilha do Mel fica no litoral do Paraná e é um dos lugares mais mágicos que já conheci. Neste post aqui eu conto como chegar lá, o que fazer e o que esperar. Hoje, eu vou contar como é a virada de ano na ilha. Eu estive lá no Reveillon deste ano e foi um dos mais incríveis da minha vida. Vem comigo.
Chegando na Ilha
Eu desci no aeroporto de Curitiba e peguei o conexão que passa pela rodoviária por R$12. De lá, eu peguei um ônibus para Pontal do Sul, a cidade mais próxima da ilha (só se chega lá por via terrestre). A viação que faz o trecho Curitiba-Pontal se chama Graciosa e faz venda de passagens online aqui. Comprar as passagens antes foi a melhor coisa que fiz, pois chegando na rodoviária a fila da viação Graciosa estava quilométrica.
A viagem de Curitiba até Pontal dura em média 2:30h, mas em períodos de feriado não há tempo de estrada definido. Para você ter ideia, meu ônibus demorou 5:30h para chegar, já uma amiga levou 9h para voltar para Curitiba. Como disse, o tempo de viagem vai depender do tráfego na rodovia, que costuma ficar bem congestionada nos feriados.
Chegando em Pontal é preciso pegar a balsa que sai de meia em meia entre 8h e 20h. O bilhete de ida e volta custa R$30. Você compra os dois juntos e um deles você guarda para a volta. Cuidado para não perder!
Hostel Encantadas Ecologic
Desta vez eu fiquei em um dos hostel da Ilha, o Encantadas Ecologic. O espaço é bem legal e aconchegante, mas os quartos são um pouco apertados e bem quentes e abafados. No entanto o café da manhã foi um dos melhores que já tomei na vida. Sempre servido com 5 opções de fruta, iogurte, granola, leita, chá ou café e um pão na chapa com queijo. Muito bem servido.
O que mais amei no hostel foi o ambiente de lá. A galera que frequenta é muito simpática e fizemos ótimos amigos de todos os cantos do mundo. Já o dono tem suas fases. Uma hora é super agradável e na outra é um pouco ranzinza, mas o saldo dele foi positivo. O único contra é que o staff conta apenas com ele próprio e uma ajuda que ele consegue em cada temporada. E ele não fala inglês. Havia dois estrangeiros hospedados que estavam tendo problemas em comunicar-se por lá.
Farol, Brasília e Praia da Fortaleza
Neste post aqui eu já comentei sobre a gruta e disse que a melhor maneira de conhecer a ilha é a pé ou de bicicleta (não há asfalto ou outro tipo de transporte). Desta vez eu também conheci Brasília, o Farol e a Praia da Fortaleza.
Brasília é um outro vilarejo da ilha bem charmoso, mas pelo que ouvi falar a noite de lá não é muito agitada. A melhor noite é na praia das encantadas mesmo. Para chegar até Brasília basta pegar a balsa, por R$15 ida e volta, no trapiche da Ilha das Encantadas. É fácil e rápido.
O Farol fica em Brasília e tem a vista mais bonita de toda ilha. Do topo você vê a Praia da Gruta, Praia do Miguel (essa praia é ótima! Recomendo.), a Praia de Fortaleza e o continente. É um visual lindíssimo. Na praia da Fortaleza você conhece a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres, construída entre o ano de 1776 e 1770 pelo rei de Portugal Dom José I para proteger a região de piratas e espanhóis. É uma estrutura incrível com canhões, salas antigas e um mirante com uma vista linda da praia.
A virada e a Casa da Lua
Todos os anos rola um show de fogos de artifício na Ilha do Mel e em Pontal. Na ilha, todos se reúnem na beira do mar de dentro (mar de dentro é o mar que dá para o continente e mar de fora o que dá para o oceano) para ver os fogos que acontecem no continente. O show foi bem bonito. Nós ficamos na beira da praia, estouramos nosso champanhe, entregamos nossa oferenda para Iemanjá e partimos para curtir o resto da noite em um lugar incrível chamado Casa da Lua.
Lá na Ilha não existe essa história de festas de reveillon com ingressos caríssimos e bebida liberada. O que rola na ilha é o que sempre acontece todos os dias. Os bares e as baladas abrem as portas depois da meia noite pelo mesmo preço de sempre. Os lugares mais badalados lá são o Cavalo Marinho e a Toca do Raul. Mas o lugar mais incrível da ilha, na minha opinião, é a Casa da Lua.
A Casa da Lua é um espaço cultural, um camping, pousada, teatro e o que mais você imaginar. A dona de lá é a Cris, uma pessoa iluminada que abre as portas da sua casa (só em alta temporada) para reunir os amigos ao som de uma música ao vivo de primeira qualidade. Rola muito forró e também muito rock and roll.
Ni Salles, uma menina miúda de vozerão, cantando na Casa da Lua.
Para chegar lá você precisa seguir a orla da praia das encantas até a lua azul acesa. Depois, seguir o caminho de margaridas adentro da mata atlântica. Parece linha de poesia, mas essa é a verdadeira instrução para chegar até a Casa da Lua. Lindo, não é? Pois chegando lá tudo fica ainda mais delicioso. A energia do lugar é incrível, as pessoas que estão ali estão sempre sorrindo e você se apaixona com tudo no lugar. É uma lindeza só.
Por volta das 4h a Casa da Lua encerrou a música e então seguimos para o outro lado da ilha, na Praia da Gruta para um luau que sempre rola na virada. Uma galera estava tocando um forró arretado. O sol começou a nascer, a gente começou a dançar e, de repente, a gente se viu dentro do mar. O primeiro banho de 2015 foi dos mais incríveis. Álias, a virada inteira foi inesquecível.
A Ilha do Mel é uma mistura incrível de simplicidade, felicidade e energia boa. A beleza de lá deixa a gente deslumbrada, as pessoas nos deixam encantadas e ir embora dá um aperto agudo no coração. O mais lindo de tudo é que você sempre volta de lá renovada: com novos amigos, novas ideias, nova vontade de viver mais feliz. A Ilha do Mel é uma delícia. Se eu fosse você eu ia pra lá rapidinho. Tenho certeza que você vai amar. (E quando você for, me chama!)
Super dicas para a virada na Ilha do Mel:
1) Compre sua passagem de ônibus com antecedência, de preferência no site para evitar fila.
2) Compre sua volta com bastante folga do horário do seu voo ou ônibus de Curitiba. A estrada Pontal- Curtiba fica muito congestionada em feriados e uma viagem que dura 3h pode durar 9h!
3) Leve muito repelente. Muito mesmo. Pernilongo lá é mais que mato
4) Prepare-se para a chuva. Lá sempre chove, mas também faz muito sol.
5) Se você comprou sua passagem online na Viação Graciosa, você precisa emitir os bilhetes na rodoviária. Sem eles você não embarca.
6) Leve sua champanhe. Lá as opções são poucas e na beira da praia você vai querer estourar um bom champanhe.
7) Se você quer comer bem sem gastar muito, vá para o restaurante/bar/sinuca Eclipse, bem de frente para o trapiche onde você desembarca. A salada de lá é incrível, serve bem e todas as outras opções do menu me deixaram com água na boca. Recomendo. E se você for passar lá, manda um beijo pra Jana e o Rafa, diz que foi os “trem coisado” que mandou oi.
8) Siga a luz roxa no final da Praia das Encantadas. Depois, siga o caminho das margaridas. Então, dê um beijo e um abraço apertado na Cris por mim. Você vai amar a Casa da Lua. Certeza.
Vista do restaurante Eclipse na Praia das Encantadas.
Fotos: Isabel Otoni, Vanelly Ferreira e Viajadona.
A travessia mais bonita do mundo: do Atacama ao Salar de Uyuni
Tour: 3 dias do Atacama ao Salar de Uyuni
Local: San Pedro Atacama - Uyuni
Custo: Baixo
Benefício: Altíssimo
Ainda não fiz todas as travessias que existem no mundo, mas com certeza será muito difícil qualquer uma delas ser mais bonita do que a travessia do Deserto do Atacama no Chile até o Salar do Uyuni na Bolívia. E se você acha que tirar uma foto super criativa no Salar é o ápice dessa viagem, você está muito enganado. O Uyuni é só a pontinha do iceberg de uma sequência deslumbrante de lugares que só o altiplano andino tem.
Mas antes de falar dos lugares mais bonitos que já vi na vida, vamos falar sobre como é a travessia. Você fica 3 dias em um veículo 4x4 cruzando terras intermináveis entre flamingos, vulcões, desertos e outras coisas incríveis. Dorme uma noite em um hotel de sal, passa um dia com banho frio e sem energia elétrica e vê o sol nascendo no salar no último dia. O trajeto completo da travessia é esta aqui em rosa:
O que você vê em cada dia da viagem?
A maioria das empresas fazem o mesmo percurso e passam pelos mesmo lugares. Se você optar por fechar um tour exclusivo, só para você, este trajeto pode variar pois você pode definir com seu motoristas os lugares que quer visitar. Mas todos eles saem da cidade de San Pedro do Atacama no Chile e chegam até Uyuni.
Existe também a possibilidade de você fechar o tour de 4 dias, no qual você vê tudo que está descrito abaixo e no 4ª dia volta para San Pedro do Atacama. Como eu iria viajar até o Peru, então eu optei por não retornar ao Chile e segui viagem para Potosí, Bolívia. Se você quiser voltar, você vai pagar mais ou menos 25.000 pesos chilenos a mais.
Dia 1: Laguna Blanca, Laguna Verde, Deserto de Dali, Termas de Polques, Geiser de Sol de Mañana, Lagunas Coloradas. Noite em um hotel de frente para as Lagunas Coloradas.
Dia 2: Árvore de Pedra, Lagunas Antiplânicas (Cañapa e Hedionda), Mirador Vulcão Ollague, povoado Colchani. Noite em um hotel de sal no começo do Salar do Uyuni.
Dia 3: Salar de Uyuni, Isla Incahuasi, Ojos de Sal, Museu de Sal, Cemitério de Trens e Uyuni.
Quanto custa e onde fechar?
Em San Pedro do Atacama existem inúmeras agências de viagem que fazem este tour. Se você pretende já chegar em San Pedro e sair para a travessia no dia seguinte, recomendo agendar o tour com antecedência. Mas se você tem alguns dias em San Pedro, você pode chegar e resolver o tour lá mesmo. Vá de agência em agência e barganhe. Se você tiver com algum amigo, peça desconto.
Eu fechei, em outubro de 2014, o tour com a Sônia Knight da Andes Salt Flats. Foi o melhor preço que encontrei: 75.000 pesos chilenos por pessoa com hospedagem, veículo 4x4 e todas as refeições. Outros tours ofereciam as mesmas coisas e variavam de 80.000 até 110.000.
O tour com a Andes Salt Flats foi ótimo. Nosso motorista, o Jesus, era super bem preparado e gente boa. O carro no qual viajamos estava em ótimas condições e foram 5 pessoas nele confortavelmente. As refeições foram muito bem servidas. Muitas dicas falam para você levar sua própria comida, mas isso é bobagem. Você pode sim levar alguns snacks para o caminho, mas não precisa exagerar.
Só uma dica: leve músicas em um pen drive ou CD para tocar na viagem. Caso contrário, você corre sérios riscos de ficar três dias ouvindo o mesmo CD de músicas bolivianas em looping.
Os 75.000 pesos chilenos pagam o carro, a hospedagem e as refeições, mas é preciso levar no mínimo 180 pesos bolivianos para a travessia. Existem algumas entradas que precisam ser pagas e alguns serviços que não estão inclusos. Dá uma olhada:
Este valor é de San Pedro de Atacama até Uyuni. Se você fizer o contrário, de Uyuni para o Atacama, você vai pagar um pouco mais barato. O tour será o mesmo, mas com o trajeto começando pelo Salar e vai custar por volta de 700 bolivianos (±R$264). A diferença de preço não é absurda, mas para quem está na estrada, qualquer economia pode significar mais um dia de viagem.
Leve dinheiro para o Atacama.
Vou repetir em caixa alta: LEVE DINHEIRO PARA O ATACAMA.
Se você puder trocar os bolivianos antes de chegar em San Pedro, faça. Lá as taxas de câmbio são bem altas e você vai precisar da moeda boliviana para fazer a travessia.
Outra dica muito importante: LEVE DINHEIRO EM ESPÉCIE PARA SAN PEDRO DO ATACAMA. A cidade tem apenas 3 ATM (caixas de saque internacional) que são recarregados poucas vezes na semana. Quando estive lá quase fiquei presa pra sempre na cidade, porque não havia dinheiro pra sacar em lugar nenhum. E, pasmem, nenhuma agência de turismo e pouquíssimos hotéis aceitam qualquer tipo de cartão.
O que eu fiz? Graças a dica da Sônia da Andes Salt Flakes, eu fui até um posto de gasolina que passava cartão de crédito e devolvia em dinheiro, mas cobrava 7% sobre o valor. Um roubo, mas a única opção já que estava sem dinheiro em espécie para pagar qualquer coisa na cidade. Parece surreal um lugar tão turístico não aceitar cartão e ter tão poucos ATM, mas é a mais pura realidade.
Dicas importantes para a travessia
1) Leve um galão de água de 5l por pessoa.
2) Abuse do filtro solar.
3) Leve umidificador para os olhos e o nariz, o Atacama é o deserto mais seco do mundo.
4) Mastigue folhas de coca ou tome o chá. Na travessia você vai chegar aos 4.500m de altitude nas Lagunas Coloradas e você pode sentir náuseas, fatiga extrema e até dor de cabeça. A folha de coca ajuda a amenizar os sintomas da altitude.
5) Leve dinheiro em espécie para San Pedro: o bastante para você pagar tudo como albergue, alimentação e todos os tours.
6) Leve música para ouvir dentro do carro na viagem.
7) Prepare-se para não tomar banho no primeiro dia. O hotel tem chuveiro, mas a água é fria pois a energia solar dura só 2h por dia. E dependendo da época do ano vai estar muito frio. Então acostume-se com a ideia de fazer a francesa.
8) Carregue todos seus eletrônicos e faça-os durar por dois dias inteiros. Na primeira noite a energia elétrica dura 2h por dia, ou seja, não tem onde carregar sua câmera ou celular.
9) Leve alguns snacks (biscoitos, frutas), mas não precisa exagerar. As refeições são muito bem servidas.
10) Tome cuidado com o que você come. Intoxicação alimentar na América Latina é comum, então dê uma boa olhada antes de colocar qualquer coisa na boca.
11) Se você é de beber, leve sua bebida para a viagem. Lá vai ser difícil encontrar opções para comprar e o hotel que vende bebidas tem os preços mais caros do mundo. Mas lembre-se: sentiu os sintomas da altitude, não beba.
12) Leve bíquini ou calção de banho para usar no Termas de Polque.
Bolívia: um país surpreendente.
Eis uma verdade incontestável: a Bolívia é um país muito mais bonito do que você imagina. E não adianta eu te encher de palavras para descrevê-la, você precisa ver com os próprios olhos. O melhor mesmo é você ir ver pessoalmente, mas enquanto este dia não chega, vem comigo conhecer os lugares mais bonitos que já vi na vida (as fotos estão na ordem do tour):
Fronteira Chile-Bolívia
Os veículos 4x4 que fazem a travessia:
Laguna Blanca:
Laguna verde:
Deserto de Dali (porque lembra esta obra do Salvador Dali):
Termas de Polques (aqui você paga para entrar na piscina):
Na segunda-feira, dia 1 de dezembro, a KLM zerou a internet com uma mega promoção de passagens aéreas para a Europa. Os trechos saiam do Rio de Janeiro e Brasília em direção a Paris, Madrid e Amsterdã por apenas R$332. Lá na página da Viajadona no Facebook, eu até divulguei a promoção e teve gente comentando que era mentira. Não foi mentira.
As passagens realmente foram oferecidas por este preço e eu até consegui comprar um trecho Rio-Amsterdã por R$591 através da decolar.com, está aí em cima a prova. Só que não foi uma promoção da KLM, foi um erro do site deles. Durante um período de tempo o site emitiu passagens com preços muito baixos, mas a KLM já veio ao público confirmando que vai honrar com todas as passagens emitidas (veja o comunicado completo no fim do post). Ou seja, se você recebeu seu bilhete de embarque, sua passagem está garantida. Pode começar a planejar sua trip.
Importante: se você apenas recebeu um e-mail de confirmação de pedido, pode ser que sua passagem não esteja garantida. É preciso receber seu bilhete de embarque. Se você não o recebeu, entre em contato com a KLM ou com o site onde você comprou a passagem e pergunte.