A primeira reação do príncipe ao ver Bash com a carta foi de certo alívio. Sabia que poderia confiar no rei e que ele era o mais próximo de um melhor amigo que seria capaz de encontrar em Illéa, porém ao ver a expressão do homem, Ryan fechou os olhos com força, tentando se preparar para o que viria em seguir. "Você não deveria ter lido a carta" disse enquanto a pegava da mão de Bash e então o seguia até um lugar afastado dos jardins, um lugar onde mais ninguém seria capaz de escutá-los.
"Sei o que deve estar pensando, mas preciso lhe dizer que meu pai teve seus motivos. Minha relação com Jane nunca foi… Bash, não tenho ideia do que está se passando na sua cabeça nesse momento, queria apenas a confirmação de que o conteúdo dessa carta vai continuar entre nós. Ninguém mais pode saber de tal informação ou todo o reino da Austrália estaria em risco por causa de um romance entre adolescentes o qual meu pai não aprovou." Não havia mais nada que Ryan pudesse fazer além de continuar olhando para o nada e tentando controlar sua raiva para com o pai. Não havia mais nada que ele pudesse fazer para salvar Jane, seu corpo já estava enterrado há dois anos, mas ainda havia esperanças para o resto de seus amigos.
"Não, eu não deveria", assentiu, seguindo o príncipe até um local onde poderiam conversar mais sossegadamente. "Tem ideia da merda na qual nós dois nos meteríamos caso isso caísse em mãos erradas? Tenho certeza de que Aaron teve seus motivos, Ryan, mas nada justifica um assassinato. Jane era uma garota brilhante e... Escute. Nada do que eu li vai ser jogado no ventilador. Não se preocupe. Eu só não consigo acreditar que seu pai se tornou nesse tipo de pessoa", massageou as têmporas, a cabeça estourando como nunca. Lá se fora a sua tranquilidade. Agora não só tinha os próprios problemas, como tinha que ajudar Ryan a sair daquela enrascada. Ter laços de afeição com as pessoas as vezes o irritava, de uma forma que Sebastian não conseguia verbalizar. "Eu não falarei nada, como eu já disse. Eu só sugiro que você pare de ficar jogando cartas importantes janela afora, ou eu vou ter que te dar mais lições de moral do que eu me sinto confortável", respirou fundo, tentando ficar calmo. "A Austrália não estaria em risco, Ryan. O governo do seu pai estaria e, consequentemente, você, também", completou, andando de um lado para o outro, buscando uma solução.
Bufou, voltando o seu olhar para o príncipe australiano. "Eu sei que você não quer fazer o que o seu velho está pedindo, e eu sei também que você quer proteger os seus amigos", começou, tentando encaixar todas as peças dentro da sua mente antes de terminar sua fala. "Ofereceria refúgio na Suíça para eles, mas provavelmente Aaron ficaria levemente irritado com a minha intromissão", divagou, sério. "Eu não sei que tipo de conselho poderia dar a você, a não ser que se case e deponha ele logo, antes que acabe com mais sangue nas mãos. Me desculpe, Ryan", completou, pesaroso. Ele realmente gostava de Aaron, mas, só de pensar em vê-lo como o antigo rei australiano, Sebastian sentia que estava prestes a vomitar. Ele precisava que o amigo voltasse ao normal. O poder cegava as pessoas, afinal de contas. "Ou que apenas reclame o trono como seu, se for da sua preferência."









