Com o rosto encostado na testa do mais velho, Pedro pensava sobre o que ele disse e em como se sentia da mesma forma. Poderia ser a pessoa mais insegura e confusa do mundo, mas quando estava ao seu lado era como se as coisas começassem a fazer sentido e já não tivesse tanto medo assim. Pois sabia que poderia contar com ele sempre que precisasse. “Cayleen…” chamou baixinho, sabia que havia passado pouquíssimo tempo para que o outro já estivesse dormindo. Não tinha exatamente o que dizer, porque não era bom com as palavras. Em sua mente elas ficavam perfeitamente organizadas, e ele sabia oque queria, mas quando abria a boca para dizer não saía nada. Talvez fosse cedo para aquilo, talvez não fosse o momento certo e ele estivesse sendo egoísta em ficar pensando no que sentia e nem tanto no que o amigo estava passando. Mas não conseguia ignorar aquela vozinha em sua cabeça que dizia que ele iria se arrepender depois se não o fizesse. Agora que o mais velho havia atendido ao seu chamado, sentia como se seu coração estivesse prestes a explodir de tão rápido que batia. Os únicos momentos em que não olhava nos olhos do amigo, era quando estava olhando para seus lábios. Já sentia a respiração alheia tocando sua pele, quando no ultimo segundo de coragem, encerrou a distancia entre os rostos selando seus lábios nos do mais velho. Era um beijo singelo, somente um encostar de lábios a princípio. Não era seu primeiro beijo, mas parecia o contrário. Porque mesmo que tivesse tido coragem para realizar tal ato, ainda tinha medo do que aconteceria depois.
Com o aroma do brasileiro adentrando em suas narinas, seu corpo parecia entender que relaxar ali era possível, era seguro. Poucas eram as vezes que sentia-se daquela forma, ainda mais depois de um pesadelo tão vívido; depois de uma tempestade tremenda dentro de si, o sol finalmente dava as caras e o ruivinho não ia negar que preferia assim, dias ensolarados era o que estava acostumado. Mesmo que consideravelmente mais tranquilo e até realmente deixando de lado as lembranças, o braço que mantinha sobre Pedro não afrouxava o domínio, não o solta por nada, começar a ficar bem não queria significar que ele estava disposto a sair do aconchego dos braços alheios. Exceto que, ao ouvir seu nome sendo chamado e nada mais acrescentado depois, o ruivo tirou o rosto de onde o escondia com uma relutância incrível já que podia dizer que era um de seus locais favoritos para ficar. Os olhos amendoados buscaram os do outro rapaz e um zumbido fraco ele soltou na intenção de mostrar que estava prestando atenção. O problema é que o amigo nada falava, apenas o fitou, deixando-o extremamente confuso e, quando já ia tornar a deixar a face escondidinha, a distância pequenina que havia entre suas faces foi quebradas e… céus, era real? Cay não fazia mais ideia se estava tendo um sonho bom após o pesadelo ou realmente aquela era a realidade. Por via das dúvidas, seus lábios não se afastaram dos de Pedro, muito pelo contrário, esticou o pescoço para pressioná-los com um pouquinho mais de firmeza enquanto, de um jeitinho hesitante, subia a mão para a bochecha dele. Embora não quisesse soltar sua cintura com receio disso ser um sonho e assim deixá-lo escapar, Cay precisava sentir a textura macia daquela face contra seus dígitos; mas saber o que fazer, isso sim seria outra história. Nunca tinha beijado ninguém antes, só que a vontade falava mais alto e a pureza do contato, depois de tê-la deixado perdurar por alguns segundos, foi cortada com seu arriscar; assim que sentiu um espacinho, tornou a juntá-los apenas para que a língua escapasse de modo quieto para testá-lo, deslizando brevemente sobre o lábio inferior do mais novo, recolhendo-a antes que fizesse algo de errado e isso o afastasse. Era a última coisa que queria ali.