nome: calliope bellevue sardothien
apelidos: callie
idade: 28
casta: três
ocupação: jornalista
extras: bissexual - escorpiana - 1.64cm - 54kg
about:
É correto afirmar que Illéa é um país de riqueza abundante — indubitavelmente mal espalhada, sim, mas abundante; e os Sardothien podiam ser considerados um dos maiores exemplos daquele fato (e praticamente a personificação da desigualdade do país). Calliope pode não ter nascido no berço real, mas crescera rodeada de riquezas tal qual fosse uma nobre. Da mesma forma que conhecera o luxo e o privilégio cedo demais, também conhecera a indiferença e o egocentrismo, cortesia de sua mãe. Johanna nascera como uma jovem da casta cinco, uma atriz. Sem escrúpulos ou limites, qualquer um a seu redor atestaria que estava destinada à muito mais do que palcos empoeirados e apresentações ridículas em festas sazonais. Oh, não, Johanna estava decidida a ter Illéa em sua mão, e nada poderia impedí-la. Foram anos trabalhando no plano minucioso de conquistar o herdeiro de alguma riqueza, transformando-se na dama que qualquer homem gostaria de ter a seu lado. Bonita, fina, gentil. Ah, sim, provavelmente o seu maior papel de todos fora o da dama boazinha e complascente que conquistara o coração de Travis Sardothien, herdeiro de uma das principais empresas de construção civil do reino. Após o casamento, no entanto, fora questão de tempo até a máscara de Johanna cair – e não era como se ela não tivesse capacidade de manter a personagem, não; ela apenas não mais precisava. Com o título de casta três e a riqueza agora partilhada, não havia nada capaz de entrar em seu caminho. Mas Jo não queria apenas o conforto de uma estabilidade financeira; queria poder, influência. Queria tudo. Aproveitadora e calculista, soube exatamente o que fazer para que a revista fundada por ela (que levava, claro, o seu nome de solteira) se tornasse uma das maiores do país. Acordos sujos elevavam seu status, promessas de jamais sujar o nome da coroa a permitiam suceder sem problemas, e logo a Bellevue Magazine era reconhecida em todos os cantos do lugar como a mais confiável fonte de informações.
Claro que, vendo cada vez mais claramente com quem realmente havia casado, Travis eventualmente propôs o divórcio. Calliope foi uma tentativa de impedir as ideias insensatas de Sardothien de findar o casamento, afinal, que credibilidade Johanna teria caso algo do tipo se espalhasse? Mas mesmo com a criança, o homem não tinha intenções de permanecer no matrimônio. E não havia sido uma grandesíssima sorte então que, apenas semanas após a ameaça do divórcio, o homem adoecera? Não havia sido difícil o acesso ao veneno que aos poucos matava o marido por dentro, nem mesmo encontrar um profissional que vendesse sua integridade pelo preço certo. Foram dois anos agonizantes para o homem que definhava aos poucos sob os cuidados da esposa e do médico, e quando Callie tinha apenas quatro anos o sofrimento chegou ao fim. O caso ainda lhe concedeu várias semanas como a notícia mais interessante da mídia, apenas alavancando mais o seu nome e o seu negócio. Calliope tem poucas memórias do pai, mas recorda-se do carinho vindo dele de uma maneira que jamais havia recebido da mãe.
Desprezo e indiferença eram os principais sentimentos provenientes da progenitora para com a jovem, que crescera com a necessidade latente de preencher aquelas lacunas e o vício de fazê-las das formas mais indevidas. Tornou-se egoísta como a mãe, e dona de uma confiança excessiva e, na realidade, superficial. Aprendeu que a única coisa que importa é o poder, a beleza, a influência, o dinheiro. Mas ao mesmo tempo em que o complexo de superioridade está diretamente atrelado àquilo, a insegurança que tenta esconder no fundo conecta-se à falta de amor e apoio de todos durante o seu crescimento, acima de tudo de sua mãe. Palavras reforçavam como ela nunca seria tão esperta quanto Johanna, e atos diziam que nunca seria querida. Talvez aquele fosse justamente o ponto mais importante para a formação da sua personalidade: ela sabia que jamais seria, de fato, querida por alguém. Sentimentos bons não haviam sido feitos para pessoas como ela, então para que contar com aquilo? Era idiota tentar ser uma pessoa boa quando a única maneira de atingir seus objetivos era mandando à merda a ética e os valores, e era definitivamente ilógico a busca por qualquer coisa com base no carinho e respeito quando sabia muitíssimo bem que não era digna daquele tipo de coisa. Dentre os inúmeros aspectos que herdara de Johanna, Calliope acredita que está destinada a algo grandioso. E o que poderia ser mais grandioso que a coroa? Sua ida ao palácio não apenas busca provar a sua mãe que é a melhor jornalista do país, mas também para buscar a maior e melhor oportunidade de sua vida. Que as Selecionadas representavam um certo obstáculo, bem, era um mísero detalhe. Não havia a palavra “falhar” no vocabulário dos Bellevue.














