Quem é aquele RESIDENTE EM EMERGÊNCIA correndo por ali? Para estar com pressa assim, tenho certeza de que é RESIDENTE no GREY-SLOAN. Olhando assim, bem que parece BENJAMIN SANTIAGO, sabe quem é? Dizem que é bastante DILIGENTE E SIMPÁTICO, mas as más línguas dos corredores adoram dizer que é ANSIOSO E SARCÁSTICO. Enfim, pode ser só fofoca, não é? Igual aquela que contavam sobre se parecer muito com MICHAEL CIMINO. Seja como for, espero que tenha um ótimo plantão!
benjamin santiago nunca quis ser médico - não, esse era o sonho de camila, sua irmã mais velha, que passava horas lendo sobre anatomia e narrando tudo o que aprenderia quando entrasse para a faculdade de medicina. mas camila nunca chegou lá. leucemia mieloide aguda, eles disseram, mas o benjamin aos 11 anos não entendia exatamente o que aquilo significava, só sabia que aos poucos sua irmã, sua pessoa favorita, deixava de ser ela. foi na missa de sétimo dia que, com um oco em seu coração e sem mensurar o tamanho do peso de sua fala, fez a promessa aos pais que definiria o resto de sua vida: ele realizaria o sonho de camila.
nascido em 13 de setembro de 1998 e criado no bronx, nova york, em uma comunidade de porto-riquenhos, benny sempre foi o filho que fazia tudo certo. a pressão de não decepcionar os pais, por ele e por camila, era maior do que qualquer desejo que tinha - estudar gastronomia? nem pensar, benny seria um médico. entrou para a faculdade de medicina movido pelo luto, mas, apesar das dúvidas constantes, descobriu que tinha talento. professores e mentores enxergavam potencial nele, fruto de um esforço tremendo, e recomendavam-no para áreas como cirurgia e neurologia. mas benjamin recusou todas - porque benjamin tinha medo de matar alguém.
a escolha de seguir residência em emergência partiu daquilo - em sua cabeça, ali, seu papel seria estabilizar, manter o paciente vivo até encaminhá-lo para um especialista. ele podia ser rápido, preciso, meticuloso—mas nunca o responsável por uma decisão irreversível em uma mesa de cirurgia.
a mudança para seattle também foi colocada na conta de camila, o maior objetivo dela era chegar ali, mas o santiago precisava admitir para si mesmo: estar longe da expectativa constante dos pais era um alívio. aos 26 anos, benjamin só ia para o sétimo andar do hospital quando extremamente necessário, e cada passo que dava dentro do grey-sloan memorial hospital era uma lembrança de sua promessa - no fim, só esperava que camila estivesse orgulhosa.
“ — segundo ano.” confirmou, a voz saindo mais contida do que pretendia. a mão passou distraída pelo rosto, como se quisesse varrer a exaustão junto. “ — se continuar falando isso, vou acabar ficando convencido.” tentou disfarçar o embaraço - ele deveria sentir mais do que isso, certo? deveria estar empolgado, entusiasmado com o que conseguiu, talvez até cogitando se jacob estava certo. mas tudo o que sentia era alívio. a verdade era que ele ainda sentia os ecos da tensão correndo pelo corpo, o medo latejante de que qualquer mínimo erro teria sido fatal. e se tivesse sido? “ — bem, realmente me deu coisas para pensar, doutor sutherland.” era completamente sincero na fala. “ — obrigado por hoje.”
assentiu com a cabeça ao escutar a confirmação dele, fazendo questão de gravar a informação em sua mente. “então eu vou ter que continuar falando, porque não aceito ver o seu potencial não vindo ao lugar certo.” pouquíssimos residentes de segundo ano teriam conseguido realizar o procedimento sem uma base prévia em neurocirurgia, e benjamin não o havia deixado duvidar por um instante de ter a capacidade de colocá-lo em andamento com o devido cuidado. e jacob era exigente, então, se estava satisfeito com o resultado do santiago, era por enxergar o verdadeiro potencial nele que não gostaria de ver desperdiçado. considerando como uma pequena vitória para o seu dia, curvou os cantos dos lábios em um sorriso cordial para o rapaz em sua frente. “e espero que pense bem nelas, santiago.” falou, a seriedade em suas palavras presente. “no que puder te ajudar, pode me procurar.” poderia não ser o mais acessível dos atendentes, mas fazia o possível quando identificava um futuro como aquele em um dos residentes. “vai lá, deve estar cheio na emergência hoje. não vou ocupar mais do seu tempo.” por ora, já estava satisfeito com o resultado da conversa deles.
starter call, open para trabalhadores do hospital — 9º andar, pós plot drop
— Como é?! — A mulher bem vestida de blusa social preta, calça de alfaiataria e scarpins piscou alguma vezes em direção ao enfermeiro - completamente paramentado contra contaminações - que a dava instruções para que ocupasse um dos quartos disponíveis para os profissionais que foram colocados em quarentena. O tom de voz da mulher demonstrava toda a expressão de completo horror e descrédito ao receber a notícia. Apesar de trabalhar no hospital, Cameron detestava passar mais do que quinze minutos fora do andar de administração - pelo menos ali não dava para perceber se tratar de um hospital, de fato.
— Meu querido, eu serei bem franca com você. — A advogada respirou fundo, apertando as têmporas antes de prosseguir em um tom que parecia sarcástico, apesar de estar falando sério. — Eu não irei ficar presa dentro desse andar. Eu não sou médica, eu não tenho absolutamente nada a ver com essa quarentena e, inclusive, eu estou movendo uma ação contra a empresa que cometeu o acidente e nos fez perder uma máquina de raio-x caríssima. Então, saia da minha frente, você está atrapalhando uma advogada a fazer seu trabalho.
O enfermeiro negou novamente sua saída, indicando um dos quartos destinados a pacientes do andar de infectologia. O rosto de Cameron se contorceu em irritação, o rabo de cavalo em seus fios escuros sacudindo conforme sua voz ia se alterando, e o dedo subia em riste.
— Eu exijo falar com seu superior! Anda! Chame alguém que seja capaz de me explicar que caralhos está acontecendo!
acompanhava a troca de palavras no corredor como uma partida de ping-pong, sem saber exatamente quando - e se - deveria intervir. “ — er…” começou, mas logo a sawyer voltou a falar - era impressionante que o enfermeiro ainda tentasse rebater a didática incrível da mulher. “ — cameron, oi…” resolveu interromper antes que aquilo se tornasse um embate físico - achava difícil, mas sua imaginação era fértil. “ — infelizmente acho que não tem muito o que fazer… você teve contato com todo mundo…” imaginava que o sorriso amarelo que tomava seu rosto não era muito reconfortante, mas o quanto antes a advogada aceitasse seu destino, menos estresse ela passaria.
bar do joe, por volta das 21:00hrs. — open starter.
Depois de um dia particularmente longo de trabalho, Aylin poderia desfrutar de talvez uma garrafa de cerveja, alguns amendoins e um jogo qualquer na televisão do velho Joe, certo? Errado. Um problema de viver saindo sozinha, mesmo que fosse para beber, é que isso dava alguma margem para homens particularmente irritantes abordarem ela. Aylin ouvia um cara qualquer se vangloriando de alguma coisa qualquer mostrando os músculos como se ela fosse uma qualquer. E o pior? Aylin apenas concordava com a cabeça, mas nem prestava tanta atenção no discurso, o que culminou para que ela não bebesse apenas uma garrafa de cerveja e sim três, procurando no álcool um alívio pelo tédio que o Zé Ninguém estava proporcionando naquele momento. Foi então que Aylin viu muse entrando no bar e, rapidamente, fingiu uma expressão de alegria. "Meu amor, meu amor!" Exclamou em um tom muito contente, enquanto se levantava com dificuldade, tropeçando até muse, rapidamente entrelaçando os braços. "Ah! Você demorou tanto! Achei que teria que chamar a polícia para te procurar." Brincou com uma risada forçada, se inclinando em direção à muse. "Finja que somos um casal e te pago qualquer maldito drinque que você queira." Sussurrou num tom meio desesperado, meio ameaçador, tudo para se livrar do cara que havia colado nela.
esticava o pescoço na tentativa de encontrar o grupo de residentes por cima das cabeças espalhadas pelo bar, sem sucesso - nunca mais mandaria que fossem na frente, pois com a sorte que tinha, era capaz de terem mudado os planos e esquecido de avisá-lo. estava a ponto de pescar o celular no bolso para mandar uma mensagem para chloe quando a voz de aylin chamou sua atenção, as sobrancelhas se arqueando em pura confusão para o que ela dizia. “ — eu?” sussurrou, apontando para si - achava difícil que alguém realmente acreditasse que eram um casal, mas não custaria nada ajudar a kaya. “ — claro, querida…” as palavras quase tomaram um tom interrogativo, mas benjamin logo se recuperou, entrelaçando o braço no dela. “ — dia cheio na emergência, sabe como é… vou querer o drinque mais caro.” sussurrou para ela, sorrindo largo.
Não pode evitar o leve tapa que depositou no ombro do jovem, antes de revirar dramaticamente os olhos enquanto caminhava até a máquina de café, enchendo uma das canecas disponíveis e apoiava o quadril no balcão, cruzando os braços.
— He-he, nunca viu palavras mais bonitas... abusato. — Resmungou como uma velha, que não negava ser, terminando por uma palavra em sua língua natal. Levou a caneca aos lábios, bebendo um generoso gole do café quente, antes de prosseguir. — Primeiramente, as férias de residentes são alocadas por período, então não teríamos como juntar todos. Além disso, quem disse que eu tenho como pagar para todos vocês? Já os hospedo aqui na América, vou carregar essas malas sem rodinha para Napoli também?
sorriu largo para a cirurgiã - não tinha jeito, tinha uma carinho muito grande pela mulher. a forma calorosa com a qual a italiana agia lhe trazia conforto, quase lhe deixando a vontade para deixar seu lado portoriquenho aparecer. cogitou levantar de onde estava para acompanhá-la no café, mas ao mesmo tempo que estava cansado, não sabia se seu corpo aguentaria mais uma dose de cafeína - suas mãos logo começariam a tremer. “ — bem, com o meu salário de residente eu não consigo ir nem até o outro lado do rio, quem dirá na itália.” comentou, atuando uma feição amuada. “ — vai dizer que eu e a chloe não seríamos excelentes companheiros de viagem? se a gente se organizar, dá certo…” em seus sonhos, pelo menos.
Sarah colocou uma mão contra a boca, dando uma risadinha baixa e abafada, negando com a cabeça. "O apelido é tão fofo, poxa." Brincou entre os risos. "Mas o banho é sempre a melhor escolha. Ainda mais depois de um plantão." Disse, encolhendo os ombros. Provavelmente ela própria faria aquilo quando tudo acabasse. "Ai não, quebrei a primeira regra do hospital. Não se fala sobre o Clube da Luta." Suspirou um suspiro extremamente dramático, fingindo pensar o quanto aquilo era um problema, apesar de… Não ser um problema de fato. A enfermeira enfim sorriu, concordando com a cabeça. "É bom. Ao menos por aqui não tem… muitos gritos." Comentou enfim, olhando para alguns leitos, se lembrando de algumas vezes em que precisou socorrer algum paciente em crise, ou os gritos até mesmo das enfermeiras ou médicos quando alguma coisa grave acontecia. Mas ela sorriu, dando de ombros. "Ah, e precisamos mesmo! Quando foi a última vez que você deu banho em um paciente? Ou limpou um vômito? A parte mais dificil sempre fica pra gente." Acusou em um tom de brincadeira, batucando levemente a prancheta enquanto pensava. "Mas, estou bem. Deixo o descanso para os intervalos ou folgas. Acho que assim minha mente fica mais tranquila." Murmurou em um tom um pouco vago. "Porém, se quiser continuar me acompanhando, não tem problema."
“ — que isso, sarah, acha que o trabalho de um residente de emergência é fácil?” levantou as mãos num gesto dramático de inocência antes de apontar para si mesmo. “ — vivo segurando portas, anotando pedidos de exames e, ocasionalmente, passando um soro.” falou o absurdo com bom humor - ele sabia muito bem que eram os enfermeiros que carregavam o hospital nas costas. “ — e eu limpei vômito na semana passada, tá? foi de um paciente meu e eu me senti culpado? sim, mas ainda conta.” acrescentou, inclinando-se ligeiramente para o lado, como quem compartilha um segredo. o olhar dele desviou para os leitos - mesmo quando não havia gritos, ainda havia aquela tensão no ar: a espera, a incerteza. ele percebeu o tom um pouco mais distante na voz de sarah e decidiu não cutucar, ao invés disso, deu um passo para trás, pronto para deixá-la continuar o trabalho. “ — tá bom, vou te deixar em paz.” olhou para o celular - faltava apenas cinco minutos para seu alarme tocar, avisando-o do fim do intervalo. deslizou um chocolate discretamente para dentro do bolso do scrub de sarah sem fazer alarde - um hábito seu, um jeito silencioso de cuidar das pessoas que gostava. “ — não esquece de comer algo que não seja só café, tá?” — disse por cima do ombro, passando a andar na direção da saída.
um vinco surgiu na testa de jacob conforme escutava as palavras de benjamin, em um tom mais baixo. enxergava potencial nele e queria muito trazê-lo para a neurocirurgia, sentia que um residente com sua dedicação poderia fazer a diferença; entretanto, não conseguia saber o que se passava na cabeça dele. e adoraria descobrir, para que conseguisse ser mais eficiente - havia um limite do que poderia fazer para convencê-lo, se não estivessem ativamente trabalhando juntos na emergência. o questionamento dele, porém, ocasionou um sorriso no neurocirurgião. “você fez o procedimento com bem menos recursos que em uma sala de cirurgia, não?” arqueou as sobrancelhas, perfeitamente ciente de qual era a resposta para aquela pergunta. “e, além de me escutar, conseguiu ter pensamento rápido suficiente para agir em algo que nunca tinha feito. que nem era da sua área, na verdade. então, sim. eu não vejo motivo pra não confiar em você pra isso, santiago.” com acompanhamento e uma mentoria, o residente conseguiria ir longe na área. “e deu, então, deveria se dar os parabéns, valorizar seu feito um pouco. muitos residentes de último ano fora da neurocirurgia nunca encostaram naquilo, e… você está em qual, segundo?”
“ — segundo ano.” confirmou, a voz saindo mais contida do que pretendia. a mão passou distraída pelo rosto, como se quisesse varrer a exaustão junto. “ — se continuar falando isso, vou acabar ficando convencido.” tentou disfarçar o embaraço - ele deveria sentir mais do que isso, certo? deveria estar empolgado, entusiasmado com o que conseguiu, talvez até cogitando se jacob estava certo. mas tudo o que sentia era alívio. a verdade era que ele ainda sentia os ecos da tensão correndo pelo corpo, o medo latejante de que qualquer mínimo erro teria sido fatal. e se tivesse sido? “ — bem, realmente me deu coisas para pensar, doutor sutherland.” era completamente sincero na fala. “ — obrigado por hoje.”
“eu não gritei com você… só te mandei ir buscar logo os kits de entubação. em um tom alto. você não me escutou na primeira tentativa.” argumentou, franzindo o nariz em seguida - o que a deixava com uma pequena careta. “nunca podemos botar a culpa na martina. vai que ela resolva nos despejar e a gente precisa ir dividir uma caixa embaixo da ponto. ou morar num daqueles apartamento que parecem cenário de jogos mortais.” um calafrio percorreu seus ombros. poderia adorar filmes de terror, mas, definitivamente, não fazia a menor questão de vivenciar o cenário de um. “dito isso, apoio colarmos uma cópia do cronograma no travesseiro da pessoa.” bebeu mais um pouco da bebida isotônica. “puta merda, a furadeira?” tinha sugerido essa possibilidade, porém, era um pouco mais bizarro escutar a confirmação. “como foi?” indagou, mais preocupada com qual o estado de benjamin seria do que com o procedimento em si. “o que você tá querendo dizer?!” ergueu as sobrancelhas, indignada - embora estivesse perceptível em seu rosto que estava querendo rir. “vou é te estripar se deixar a mesa da cozinha cheia de migalhas de novo.” revirou os olhos e tampou sua bebida. aproveitou, então, para abrir o pacote de salgadinho. “ótimo. até perguntei se a reese queria ir, mas ela vai nos dar um cano. acho que estamos precisando de amigos novos.” brincou.
“ — você me achará dormindo em uma maca desconfortável antes de me encontrar num cenário de jogos mortais... mas a martina não vai conseguir expulsar a gente, olha essas carinhas.” brincou, tocando embaixo do queixo da amiga. deixou que sua expressão - sobrancelhas arqueadas e boca franzida - fossem a primeira resposta para como tinha sido usar a furadeira. “ — deu tudo certo no final, mas custou uns três anos da minha vida.” intensificou a careta - não saia explicando todos os seus problemas para qualquer um, mas a huang sabia de sua situação o suficiente para entender nas entrelinhas. “ — wow, retiro o que disse.” a fala saiu em meio a uma risada. “ — você está no caminho certo para se tornar a próxima estripadora. avisarei para sarah para ela espalhar a notícia.” o esbarro que deu no ombro alheio foi leve, apenas para tirá-la do lugar alguns centímetros enquanto andavam. “ — eu já nem pergunto mais, ela 'tá sempre fazendo outras coisas misteriosas, eu ein. falou com a iolanda?”
"Jamais falaria isso! Mas se for o caso, eu troco seu nome no meu celular pra Quasi." Sarah brincou com uma risadinha, colocando a prancheta em uma mesinha, cruzando os braços. "Bom, dá para você tomar depois que chegar em casa. Sabe, depois de um banho quente e relaxante." Sugeriu com um sorriso enquanto se encostava em uma parede. Particularmente, ela também queria aquilo, não existia nada que Sarah gostasse mais do que um banho quente e dormir, mas parecia um sonho longe da realidade naquele momento. "Acho que ela só não tem muitos amigos. Mas você nem imagina o quanto enfermeiros e farmacêuticos vivem em pé de guerra." Murmurou em um tom de fofoca, dando uma risadinha logo em seguida. Talvez por ser um tanto amigável, Sarah acabava sendo uma quase fofoqueira, sabendo sobre quase todo mundo do hospital. Era bom para passar o tempo, além de ter o que conversar com os colegas durante o almoço. "Ah, não! Você nunca atrapalha, Benny. Por enquanto está tudo bem." Garantiu com um sorriso, o olhar se voltando agora para os leitos. "Vai demorar até a próxima ronda, tenho só três pacientes que precisam de medicação daqui uma hora, mas nada que não consiga lidar sozinha." Deu de ombros, enfim se virando para o amigo. "Precisa de alguma coisa?"
benny soltou uma risada curta, sacudindo a cabeça. “ — traidora!” dramatizou antes de continuar. “ — vou considerar sua sugestão...” murmurou, os olhos fechando por um instante. “ — o banho quente, não o apelido ridículo.” comentou, mesmo que tivesse sido ele quem deu a ideia do nome. apesar do cansaço pesando nos ombros, um sorriso de canto ainda brincava em seus lábios. conversar com sarah era assim, fácil, e no meio de todo aquele caos, ela era um dos poucos respiros que ele tinha. “ — ‘tá me dizendo que existe uma versão secreta do hospital onde vocês fazem batalhas clandestinas?” benny sabia que sarah era uma fonte confiável de fofocas hospitalares, e, apesar de não ser do tipo que se envolvia, era divertido ouvir - melhor que metade dos dramas na tv. “ — não preciso de nada, só… um tempinho sem alguém gritando o meu nome como se fosse questão de vida ou morte.” ele brincou, mas ambos sabiam que, na emergência, geralmente era. “ — e você? precisa de alguma coisa? ouvi dizer que enfermeiras também merecem um descanso de vez em quando.”
“maravilha. fechar o hospital e ir pras maldivas com os nossos salários incríveis.” aumentou o absurdo apresentado pelo amigo. “quando foi que eu te dei essa liberdade? quero desfazer.” revirou os olhos e cutucou benjamin com o pé direito diretamente em um de seus tornozelos. o observou enquanto fazia os pedidos na máquina, e não se surpreendeu por um segundo quando esta fez questão de travar justamente na melhor parte - não entendia a razão de não trocarem aquelas máquinas logo. “e nem eu, então é melhor assumir a sua culpa ou terceirizar essa acusação pra outra pessoa.” retrucou, pegando os itens dele e sentindo um sorriso se apresentar em seus lábios com o gesto dele. adorava quando benjamin fazia essas coisas. “medo. deixa eu adivinhar, te fez abrir um crânio? mexer na espinha de alguém? usar a furadeira? ainda bem que ninguém me tirou pra cristo fora da cardio.” apoiou o salgadinho embaixo do braço e colocou o kitkat no outro bolso, então, abrindo desajeitadamente a bebida. “a única pessoa mais assustadora que eu consigo pensar é a jackie estripadora. hoje fui numa cruzada com ela e, por uns segundos, achei que os caras da pneumologia iam sair com o braço enfiado lá atrás. quase molhei as calças, mas queria ser assim.” contou com bom-humor e levou a garrafa aos lábios. “tem chances, vamos lá? e, aliás, ainda tá de pé nossa ida pro sam domingo?”
não segurou a gargalhada, jogando a cabeça pra trás - só a huang pra fazê-lo rir depois do dia que teve. “ — bem, começou na minha primeira semana aqui, quando você gritou comigo.” nunca deixaria chloe esquecer do acontecido atípico que lhe causou uma baita primeira impressão. “ — bem, se não fui eu, não foi você e não podemos jogar a culpa da martina pois ela nos dá um teto para morar embaixo, só sobra uma pessoa…” arqueou uma das sobrancelhas. a resposta inicial para a pergunta da huang foi um arregalar de olhos por parte do santiago, antes de explicar o ocorrido. “ — exatamente. ele me fez usar a furadeira. logo eu, que desenvolvo parkinson toda vez que estou perto do órgão vital de alguém.” dramatizou - era bom no que fazia, felizmente -, mas o ocorrido do dia ainda estava muito recente para que ele conseguisse racionalizar. esboçou um sorriso com o relato da amiga. “ — bem, você sabe que eu mudo de calçada se ver a jackie estripadora por aí, então já é bem mais corajosa que eu… você tem potencial para se tornar uma estripadora também, chloe, basta perder o coração daqui para se tornar uma atendente.” em questão de talento não duvidava da huang, mas na atitude… “ — claro que sim, não vejo a hora de ver arte que não seja os desenhos do livro de anatomia.”
“duvido muito, você age bem rápido. e não parece que tá competindo nas olimpíadas cirúrgicas quando vai fazer seus procedimentos.” achava simplesmente pavoroso o tipo de residente que fazia as coisas agindo no impulso para resolver de uma vez e sem realmente pensar por um minuto no que já havia acontecido, na medida correta a tomar e em suas consequências. precisava ser rápido, mas não ir em um ritmo que pudesse piorar tudo para o paciente. de algum modo, benjamin parecia encontrar um equilíbrio perfeito - embora jacob nunca fosse imaginar a razão do santiago tomar todo aquele cuidado extra. “se não confiasse nas suas habilidades hoje, nem teria te deixado fazer aquilo sozinho. não precisa ficar sem graça de assumir os seus méritos, nenhum dos seus colegas teria.” acrescentou, mantendo o olhar no residente. normalmente, acharia terrível se algum dos outros atendentes fosse rodear os seus residentes atrás de puxar um para a sua área, mas jacob enxergava potencial demais em benjamin na neurocirurgia para ficar parado enquanto este apenas o deixava para trás. “até o momento, nenhuma piora. ainda vai ficar em observação no final de semana, mas acredito que demonstrou sinais positivos para melhora.”
as palavras de jacob ecoavam em sua cabeça, cutucando lugares que ele preferia não avaliar de perto naquele momento. se não confiasse em você, não teria deixado fazer sozinho. o santiago prendeu a respiração por um segundo antes de soltá-la devagar - era bom ouvir isso. ele não gostava de admitir, mas… gostava quando o reconheciam, quando alguém como jacob sutherland dizia que ele era bom, ele só nunca sabia o que fazer com isso. “ — é um alívio saber que ele está respondendo bem.” a voz de benjamin saiu mais baixa do que o esperado, e incerto do que deveria responder ao resto, optou por passar a mão pela nuca, desviando o olhar por um instante antes de soltar um riso curto. “ — e teria me deixado fazer sozinho se eu fosse pra neuro?” era uma provocação leve - benny não queria cirurgia, ele estava certo disso, mas então por que as palavras do sutherland lhe criavam uma pulga atrás da orelha? ajeitou o jaleco e voltou a encarar jacob, dessa vez com um olhar um pouco mais seguro. “ — de qualquer forma… obrigado. por confiar. eu só queria que desse certo.”
Paciente: FJS, sexo masculino, 36 anos, esquizofrenia;
HDA: vitima de colisão carro moto, passageiro do banco de trás. Paciente vigil, desorientado, apresentando clavícula esquerda deformada, turgência jugular, MV ausentes ausentes em tórax esquerdo, com percussão maciça, sinal do cinto de segurança. PA: 100x60; FC: 110; SatO2: 90%;
As sirenes das ambulâncias que se aproximavam do Grey Sloan soavam continuadamente em alto e bom som. Parecia que os feridos simplesmente não paravam de chegar. Estava escalada na emergência aquele dia, o que em uma tragedia, significava que aquela altura, havia perdido as contas que quantos atendimentos já havia realizado. Ela estava exausta.
Na maca a sua frente, Franklin Jr, sabia dizer seu nome, idade, mas falava sobre viagens espaciais e como ele tinha descoberto ser um enviado céus para ajudar a humanidade, havia sido fisicamente contido, caso contrário acabaria saltando dali e se machucando ou agravando a situação de algum paciente. Iolanda tentou explicar com paciente como estava ali para ajudá-lo e, mesmo relutante, o homem acabou sedento. Respirou fundo realizando a analgesia com morfina para realização do procedimento inicial necessário mas, ficava difícil se concentrar em uma drenagem de tórax enquanto a atenção verbal por parte do paciente era constantemente exigida e ele ainda movimentava o tronco. Foi quando viu a silhueta a sua frente. — Benny! Graças a Deus! Preciso da sua ajuda! — Retrucou. — “Viu, doutora, eu disse que estava aqui para salvar… mas meu nome é frank. Eu posso ajudar mais, se você me soltar” — dizia o homem.
a sensação era que tinha corrido uma maratona, e o dia não parecia estar nem perto de terminar. ainda tremia levemente do procedimento que acabara de realizar com o doutor sutherland e passava meio andando, meio correndo pelos leitos, observando as pulseiras de triagem quando ouviu seu nome ser chamado, fazendo-o virar cento e oitenta graus no próprio eixo a fim de encontrar iolanda. não demorou para se aproximar da neurologista, os olhos escaneando o paciente rapidamente, focando nos números - taquicardia, saturação caindo… hemotórax? “ — hey, frank, certo?” sorriu para o homem, tentando acompanhar a fala sobre a viagem especial que fazia. “ — foca aí, io.” abaixou o tom de voz com o objetivo que apenas iolanda o escutasse, voltando a atenção para o paciente. “ — frank, preciso que me ajude agora, tá? tem que respirar fundo e ficar o mais quieto possível, porque a doutora albuquerque precisa consertar um problema no seu peito. se você se mexer demais, ela não vai conseguir.” falou firme, mas ainda com certa calma enquanto trocava as luvas para auxiliar iolanda na drenagem. “ — vamos lá, só mais um pouco. a gente cuida disso, e você continua sua missão de salvar o mundo depois, combinado? devo preparar o raio x?” voltou a abaixar a voz, aguardando o ok de iolanda.
Espreguiçando-se sobre o sofá da sala de descanso do Grey-Sloan, Martina concordou com o residente soltando um grunhido de dor ao esticar a coluna. Ela estava completamente morta de cansada, e imaginava que os residentes também estariam depois de um dia tão difícil. O que ela ainda estava fazendo no hospital? Diria que apenas vigiando seus pacientes e nada mais.
A médica se levantou do sofá, caminhando pela sala até parar atrás do jovem médico, apoiando ambas as mãos em seus ombros e dando um leve aperto caloroso.
— Também dormiria, ragazzino, mas o dever nos chama. Falta muito para terminar seu plantão? Posso te dar uma carona para casa. E podemos pedir pizza, apesar de detestar isso que chamam de pizza aqui na América. — A médica ponderou por um momento, suspirando pesadamente de forma nostálgica. — Vocês realmente precisam visitar a Itália.
a reclamação saiu arrastada ao passo que o santiago apertava a própria cabeça - suas têmporas latejavam e ele conseguia visualizar a enxaqueca lentamente tomando posse de sua cabeça. tinha vivido muitos dias intensos durante sua breve carreira como médico, mas nada como aquele dia - jurava que conseguia ouvir suas juntas rangendo a qualquer mínimo movimento.
“ — umas duas horas, ainda…” respondeu a pergunta de martina após olhar o relógio em seu pulso, pronto para começar mais uma rodada de drama quando a fala de italiana lhe arrancou um sorriso. “ — nunca vi palavras tão bonitas saindo da boca da minha senhoria.” brincou, arrumando a postura. “ — e cabe a você, ó grande martina di palma, nos levar para a itália nas férias.”
closed starter for @bennysantiago and I said to him: “ take it easy. ”
∴ ─── Finalmente de volta ao hospital, Olívia estava começando a sentir o cansaço bater, se encostou em uma das paredes respirando fundo e fechando os olhos por um momento, como se naqueles pouco segundos pudesse recuperar as horas de sono. Ouviu um barulho a sua esquerda, se virando para ver Benny indo de cara em uma das pilastras. " hey, take it easy . are you okay? "
benjamin - e metade dos outros residentes da emergência - já poderia ser escalado para o próximo spin-off de the walking dead, tamanha era a semelhança com zumbis. o santiago andava olhando o prontuário em sua mão, sem prestar atenção no caminho que seguia, quando foi bruscamente parado pelo encontro com a pilastra. " — porra!" deu dois passos para trás no efeito rebote, levando a mão até a testa para massagear o local. momentaneamente desnorteado, só notou olivia falando consigo depois de alguns segundos. " — opa liv, acho que sim..." se sentia um pouco tonto, mas aquilo poderia ser resultado da quantidade absurda de café que tomara e não de uma possível concussão. " — 'tá vermelho?" perguntou, arregalando os olhos para a colega de apartamento.
Sarah sorriu, deixando de lado a situação sobre os irmãos. Ela havia lido em algum lugar, ou talvez ouvido, que era bom ignorar um pouco a dor de vez em quando, só assim poderia continuar o trabalho, já que não podia simplesmente se dar ao luxo de se afastar do emprego. Quanto mais cedo ela voltasse a normalidade, melhor. Era ao menos isso que dizia para si mesma todos os inícios de plantão. "Bem, isso significa então que o quadro por aqui pode encher também." Disse em um tom um pouco relutante, enquanto voltava a atenção para os leitos. Era sempre assim, a UTI de um jeito ou de outro ficaria cheia, mas com o acidente, era quase certo que todos ali ficariam sobrecarregados. Além de significar que teria de se lembrar de mais nomes, memorizar rostos e talvez acalmar parentes. Os olhos se arregalaram de preocupação por Benny, automaticamente se inclinando para tocar nas costas dele. "Precisa ter cuidado para não ficar corcunda! Mas se estiver muito dolorido, posso tentar pegar um relaxante muscular na farmácia do hospital." Sugeriu com um sorriso gentil, apesar da mente já viajar levemente ao se lembrar da farmacêutica. "Claro que você vai ter que me ajudar se quiser. A farmacêutica é um pouco chata e tenho pra mim que ela me odeia." Contou como se fosse a pior coisa do mundo. Ok, talvez Sarah fosse bem irritante quando queria, já que tentava fazer com que as pessoas gostassem dela, fosse oferecendo ajuda ou com o tom ligeiramente animado que não deveria ter, ao menos na concepção de alguns dos funcionários do hospital. "Você acredita que ela já brigou comigo porque precisei ir três vezes trocar um medicamento que ela me deu errado." Prosseguiu ao se lembrar do ocorrido, que Sarah tinha certeza absoluta que a farmacêutica só havia começado à desgostar dela por conta do episódio, e não pelas outras coisas que, indiretamente, Park fez.
" — é... provavelmente." permitiu-se esboçar uma pequena careta. quando os pacientes saíssem de suas cirurgias de urgência, provavelmente parariam ali, fazendo companhia para a park - naqueles momentos reconhecia ainda mais o trabalho do sarah, mal lembrava do próprio nome depois de um dia tão cansativo, mas a outra parecia não esquecer nada sobre os pacientes. não segurou a risada, que felizmente saiu baixa - não queria perturbar quem dormia nos leitos. " — não fale isso na frente das meninas, ou elas vão começar a me chamar de quasimodo." brincou, mas sentia que apenas naquele ano sua postura tinha piorado consideravelmente. " — sendo sincero contigo, estou precisando sim, mas..." levantou um dedo. " — sinto que se eu relaxar um pouquinho que seja, caio duro dormindo. vou precisar aguentar a dor até o fim do plantão." findou, dando de ombros. cerrou os olhos, acompanhando o relato de sarah. " — ih, pra te odiar tem que ser meio amargurado. se precisar de alguém pra dar um susto nela..." bateu continência de forma jocosa - não se considerava muito ameaçador, mas poderia fazer um esforço. " — estou te atrapalhando muito?" ele estava em seu intervalo, mas ela não, e o movimento na uti parecia aumentar.
normalmente, jacob não costumava gravar o nome dos residentes que não estavam na neurocirurgia ou mais avançados na residência. entretanto, existiam as suas exceções, e benjamin santiago era um deles. a oportunidade que teve de observar o trabalho dele, em emergências durante o último ano, fora o suficiente para que tivesse se considerado impressionado e, em sua opinião, completamente certo que o rapaz tinha tudo para se dar muito bem trabalhando em sua área. a partir desse momento, teve um objetivo: trazê-lo para a neurocirurgia. e, honestamente, daria de boa vontade pelo menos dois de seus residentes para nina kelly, em troca de um tão eficiente quanto benjamin.
após um dia longo, uma cirurgia de madrugada e outra de urgência relacionada ao acidente, seu turno alcançava o seu fim. já estava quase certo de encontrar fletcher no bar para um descanso merecido de ambos - bem, não era todo dia que precisava agir em conjunto com o amigo para levar um carro e puxar uma pessoa debaixo -, e só estava revisando o prontuário do paciente encaminhado para um dos seus residentes, quando avistou benjamin surgindo no corredor. “santiago!” chamou, antes de percorrer a curta distância entre ambos. “bom trabalho hoje… você consegue se virar bem por conta, não?”
passou tanto tempo em modo alerta para não acabar fazendo nenhuma besteira que ali, parado em frente ao quadro de avisos sem de fato ler nada, benjamin não sabia o que fazer. normalmente usaria seu intervalo para tirar um cochilo na sala de descanso, mas com a descarga de adrenalina ainda correndo por seu corpo, não conseguiria pregar o olho, nem mesmo no estado cansado em que se encontrava.
estava perdendo tempo ali parado, e passou a caminhar lentamente pelo corredor enquanto pescava uma bala de café do bolso, jogando-a na boca - aquela merda não servia de nada, mas pelo menos era algo em que poderia focar. travou os sapatos no chão ao enxergar o neurocirurgião vindo do outro lado do corredor, ponderando se deveria dar meia volta e sair correndo, mas não, jacob já tinha o visto. " — doutor sutherland." saudou. o santiago respeitava muito o neurocirurgião, mas não conseguia deixar de sentir-se acanhado quando este tentava fazê-lo mudar de especialidade - o sutherland nunca entenderia o medo paralisante que sentia dentro de uma sala de cirurgia. " — obrigado... não diria que foi por conta, sem a sua ajuda eu ainda estaria lá, tentando estabilizá-lo." e tremendo, não iria complementar. ainda se perguntava como tinha conseguido realizar o procedimento - definitivamente fora de sua alçada - sem surtar. mérito seu, pelo menos. " — está tudo certo com o paciente?" perguntou, apertando as mãos em uma leve ansiedade - o paciente tinha sido encaminhado ao atendente depois que o santiago o estabilizou.