You have no idea what I would do if something happened. —— Benjamin Selwyn & Greta Catchlove [Pós-PT]
Greta ainda estava assustada depois do ataque, não havia se machucado seriamente, apenas alguns ralados, cortes e arranhões porque sair daquele local sem se machucar nem um pouco era quase impossivel. Na verdade ela poderia ter simplesmente apartado pra qualquer lugar, até mesmo para casa dos pais, mas tinha Raví. Eles haviam se perdido e ela não ficaria tranquila enquanto não o encontrasse, ou se sentiria culpada se alguma coisa acontecesse com ele. Ele era o único com quem ela estava preocupada porque seus outros amigos estavam salvos, já que não foram ao festival. Ela ainda sentia a sensação de alivio por ter conseguido encontrar com ele e agora estavam a salvo em Hogwarts.
Queria saber noticias de seus outros amigos, aqueles que ela não tinha certeza se haviam ido ao festival, ou até mesmo os que foram no banquete, só conseguiria se sentir totalmente aliviada depois que tivesse certeza que todos estavam bem.
Tinha passado na enfermaria, apenas para limpar os machucados. Ver todas aquelas pessoas ali muito piores do que ela, fez com que ela se sentisse mal, por não saber o suficiente e não ter conseguido ajuda-las. Não conseguiu ficar lá por mais tempo que o necessário, era horrível ver rostos conhecidos ali. Caminhou lentamente até a sua sala comunal, as pessoas que vagavam pelo castelo pareciam tão assustada ou desesperada quanto ela. Era obvio que aquele momento de terror iria assombrar a todos por muito tempo. Greta precisava mandar algo para seus pais, precisava avisar que estava bem, mesmo que eles não soubessem que ela havia ido ao festival. Sabia que eles ficariam preocupados só de pensar na possibilidade dela estar lá e não sabia nem por onde começar a se explicar.
Era estranho o fato dela não saber o que fazer naquele momento, então foi até seu dormitório e pegou um dos seus livros, voltando a sala comunal e sentando no canto mais afastado da porta de entrada. Aquele lugar estava um caos, lotado. A loira implorava que conseguisse ler para tentar esquecer todas as cenas que tinha visto mais cedo. Ela tentava se concentrar nas palavras ali escritas, mas não conseguia…Estava aérea, seu pensamento estava longe e não era capaz de absorver o que estava lendo. Respirou fundo, largando o livro no canto e passando a observar a sala, mesmo que não estivesse realmente prestando atenção no que estava ocorrendo ali. Ainda conseguia ouvir os gritos desesperados e se fechasse os olhos, conseguia ver todas as cenas em flashes. Seria difícil dormir naquela noite.
Saiu do transe, assim que uma figura alta e loira entrou na sua frente, que fez com que ela levantasse os olhos em direção ao garoto e ao reconhecer a pessoa, acabou soltando um sorriso de alivio por saber que Benjamin estava bem. Mas ela não viu sua expressão ser refletida no rosto do garoto e o tom preocupado dele, fez com que ela franzisse o cenho não entendendo muito bem. Talvez alguma coisa ruim tivesse acontecido e ele não sabia como contar. — Eu não deveria ter ido, mas sim eu estava no festival. E foi horrível, Ben. Todas aquelas pessoas correndo e gritando, coisas explodindo…Ainda consigo ouvir os gritos e as cenas vem como flashes na minha cabeça, foi tudo tão rápido. — Disse em um tom que beirava ao desespero, por mais que ela tentasse controlar, ainda estava muito mexida com o acontecimento. E a expressão dele não conseguia tranquiliza-la naquele momento. — Você não estava lá, né? E nem o Jaime, certo? Tenho quase certeza que vi vocês saindo para o banquete.
O relacionamento de Ben, Jaime e Greta era estranho. Os três viviam implicando um com o outro e geralmente aconteciam algumas brigas bobas, mas o laço entre eles era forte. Afinal, mesmo que negassem, eles realmente se gostavam como irmãos, apesar do orgulho bobo típico de membros da Slytherin. E ver Greta tão abalada daquele jeito apenas serviu para torturar Benjamin um pouco mais. Já havia feito muitas coisas ruins em sua vida, mas daquela vez realmente passara dos limites. Não sabia como conseguiria conviver com aquilo. Havia se tornando um monstro e nada do que Autumn lhe dissera parecia aliviar aquele peso em suas costas. Teria que viver com isso pelo resto de sua vida. Mas nada parecia tão apavorante quando a possibilidade de perder seus amigos, de qualquer maneira que fosse. Greta nunca fora a favor dessas manifestações de purismo e Benjamin costumava evitar expor seus pensamentos perto dela, mas de uns tempos para cá ficava cada vez mais difícil. A garota sabia como ele fora criado e que não seria simples abdicar daquela maneira de viver, mas também não poderia culpa-la por não aprovar nada daquilo. Greta era a mais inteligente entre os amigos. Por que nunca a escutara?
Ben não se segurou. Suas mãos agarraram os braços de Greta e ele usou um pouco de sua força para puxá-la do sofá onde estivera sentada. O livro que estava lendo quando o garoto chegou caiu aberto entre seus pés com um estrondo. Com certo desespero, como se quisesse verificar que a garota estava realmente bem, Benjamin entrelaçou seus braços em volta do corpo pequeno dela, trazendo-a para perto em um abraço apertado. A força não seria o suficiente para machuca-la, mas enquanto os fios de cabelo de Greta faziam cócegas em seu pescoço, o rapaz sentiu a pressão do arrependimento tomar conta de seu peito. O que ele diria á ela depois daquela cena? Eles raramente compartilhavam toques carinhosos, muito menos um abraço. Certamente Greta ligaria um ponto a outro e perceberia que havia algo errado. Como não iria? — Eu sei, eu sei que foi horrível. Fiquei tão preocupado com você. Eu não... — Queria dizer a ela como os gritos e as cenas de horror também não se desprendiam de sua memória, mas no momento seu único desejo era mantê-la segura. Decepcionar sua melhor amiga nunca estivera em seus planos. E Jaime... Por Merlin, o que eles iriam pensar de Ben depois daquilo tudo?
— Não era para você estar lá, Greta. — Ben afastou a garota, mas não conseguiu olhar em seus olhos. Com um suspiro de desistência, soltou suas mãos dos braços dela, deixando seus ombros caírem. Se ele pudesse voltar no tempo, jamais teria feito aquilo. Como algumas pessoas conseguiam se sentir tão bem matando e torturando? Vira Elen, sua noiva, tão satisfeita, como se tivesse nascido para fazer os outros sofrerem. Ela era especialista naquele espetáculo, algo que ele jamais seria. E nem mais queria, também. — Nós fomos ao banquete. — Como uma desculpa, Ben abaixou-se e resgatou o livro que havia caído, fechando-o e então segurando-o entre suas mãos como se aquele pequeno objeto fosse o único capaz de lhe manter firme ali. Sabia que haviam vários de seus colegas a sua volta, não queria acabar se descontrolando e trazer qualquer tipo de suspeita para cima dele ou de alguém com quem se importava. Precisava proteger Autumn, Jaime e Greta e, se para isso fosse necessário continuar com toda aquela farsa, não iria hesitar. — Mas depois... Eles estavam planejando algo... Eu não sei... Acabei lá e... Eu sinto muito, Greta. Eu sinto muito mesmo...













