Entrevista - Tainá Félix (ONG Jogos pela Educação)
Ao saber que Papo & Yo era um finalista no BIG Festival, a Minority Media Inc., criadora do jogo, optou por retribuir a atenção brasileira doando seus prêmios à uma ONG nacional. Em sua busca por uma ONG que aliasse tecnologia (games, de preferência) ao desenvolvimento social, encontrou a Jogos Pela Educação, focada em transmitir conhecimento e valores através dos videogames.
Jaderson Souza e Tainá Félix, os dois criadores e administradores da ONG, estiveram presentes na cerimônia de premiação do BIG Festival 2012, onde Papo & Yo ganhou nas categorias de Melhor Narrativa (R$2.000) e Melhor Jogo - Escolha do Público (apenas troféu).
O BIG, em sua primeira edição, procurou demonstrar para pais e educadores, além dos próprios jovens, que videogame possui um caratér sério, agrega valores quando utilizado de maneira consciente e responsável, além de fazer parte de um mercado muito promissor na área de entretenimento.
A Jogos Pela Educação possui valores muito parecidos com os do BIG, então, nós buscamos um diálogo, tanto por curiosidade quanto admiração ao que fazem. Nessa entrevista, falamos com Tainá Felix, diretora da ONG.
Foto: Tainá Félix, Tali Goldstein (da Minority Media Inc.) e Jaderson Souza, segurando os prêmios que Papo & Yo recebeu.
Quando a ONG foi criada? Por qual motivo?
A ONG Jogos pela educação foi criada em 2010 a partir de uma pesquisa acadêmica que aborda a questão das possibilidades de produção de conhecimento com os games. Com o desejo de contribuir com os processos de aprendizagem, a ONG nasceu com o objetivo de trazer uma nova abordagem na relação entre os jogos e a nossa sociedade.
Em nossa concepção, acreditamos que os jogos são objetos repletos de possibilidades, as quais desembocam de várias formas na produção de saberes. Apoiados em diversas pesquisas realizadas no Brasil, e também em trabalhos internacionais, acreditamos nos games como objetos capazes de produzir legítimo conhecimento por si próprios. Para exemplificar, podemos citar o treinamento cognitivo (atenção, memória, capacidade de resolução de problemas), desenvolvimento motor e, porque não dizer, a promoção de reflexões acerca de si mesmo e o mundo que habita.
Qual o seu papel na ONG?
Atualmente, me encontro no cargo de diretora da instituição. Como somos apenas duas pessoas que cuidam dos processo de administração e criação na ONG – eu e Jaderson Souza, atual presidente da Jogos e pesquisador da área de games -, acabamos por acumular todas as funções vitais da ONG: pesquisa, criação e produção dos projetos, captação de recursos, fechamentos contábeis, documentação, etc.
A quem vocês atendem?
Atendemos um público bastante diversificado, apesar de nossas ações normalmente contarem com a participação de crianças e jovens, em sua maioria. Dentre os locais que atendemos com oficinas culturais, temos o Criança Esperança, as unidades do SESC e ações em locais públicos. No ano de 2012, pudemos atender cerca de 3.000 pessoas. Particularmente, gostamos muito de atender o público mais carente, o qual demonstra um aproveitamento e alegria muito grande em participar de nossas experiências.
Por que os Games fazem parte da ONG?
Na verdade, a pesquisa que realizamos com os games desembocou na abertura da ONG. Aqui, temos um dos pouquíssimos locais em que os games são tratados como objetos puros e repletos de sentido, capazes de mover gerações e fazer com que as pessoas se tornem melhores. É claro que há casos e casos, e é também por este motivo que estamos aqui. Nosso lado entusiasta é muito forte, mas também acreditamos que muitas das experiências com games requerem mediação, além de um trabalho sério e honesto.
Como foi a história entre vocês e a Minority? Como se deu esse encontro? O que a Jogos pela Educação e a Minority têm em comum?
“Um feliz encontro”, daquelas poucas e ótimas ocasiões que temos em nossas vidas! Ao tomarem a nobre e honorável decisão de doar todas as premiações em dinheiro que pudessem ser vencidas por Papo & Yo no BIG Festival,Tali, produtora da Minority, procurou uma empresa cuja visão e trabalhos fossem semelhantes a da Minority. Após nos encontrar no Google, Tali nos enviou um e-mail muito carinhoso, e voilá!
Ao conversarmos um pouco e conhecermos melhor os trabalhos, percebemos o quão nossa visão acerca dos games é semelhante. Games, além do treinamento cognitivo, podem fazer com que as pessoas vivenciem experiências, enfrentem seus medos, reflitam sobre as mais diversas situações.
Eles estão na vida de muitas de nossas crianças, e podem fazer com que elas encarem os problemas de cabeça erguida. Eles indicam que a vida pode não ser tão dura, que podemos errar e tentar novamente, e que mesmo assim o jogo não exclui a seriedade (diferente do contrário).
O que achou do BIG? O Festival tem a ver com a visão de vocês?
BIG Festival foi um evento incrível. Ficamos muito felizes com o convite em participar e, confessamos, com muita vontade em podermos contribuir mais. Afinal, como pode-se verificar, não nos contentamos em escrever e pesquisar: também queremos fazer parte da prática! Tivemos a felicidade de conhecer jogos independentes incríveis, e que muitos deles certamente farão parte do acervo que acreditamos ser bons títulos para a ONG apoiar.
Como os interessados podem colaborar com a sua ONG?
A ONG se mantém através das contribuições mensais de seus mantenedores, pessoa física e jurídica. A partir de pequenas quantias, todos os os interessados em contribuir com nosso trabalho podem tornar-se mantenedores. Certamente o leitor desta matéria é interessado em games; ficaremos muito felizes em contar com você! Atualmente, o grupo de mantenedores é menor do que se imagina, não suportando o mínimo que devemos ter como receita para trabalhar. Esperamos que todos os envolvidos compreendam a importância do trabalho da Jogos pela Educação e, no quanto este trabalho de campo é novo e difícil – tão quanto o trabalho de desenvolvimento de games independentes. Para tornar-se um mantenedor, acesse nosso site ou envie um e-mail: [email protected]
















