— Eu nunca imaginei que havia praias por aqui pelo Canadá, mas estava errado— falou surpreso observando as pessoas tomarem banho no mar e de sol sobre aquela areia fofa. Embora não considerasse aquilo um verão de verdade, Kobby aceitou o convite de Bea exatamente por ver aquela como uma chance de se aproximar da mulher e de conhecê-la mais, adorava a companhia dela e poder considerá-la uma amiga já o fazia abrir um sorriso — Talvez eu fique aqui sentado só assistindo às pessoas mesmo, estou com medo da temperatura da água...
— Você acha?— franziu o cenho desacreditado— Está exagerando com toda certeza, não acho que cumpro as exigência de modelo... além de que nem sei tirar fotos boas.
send ∎ for your muse to grab my muse’s hand to avoid getting separated in a crowd! ( rudy )
Kobby não estava muito acostumado a encontrar-se com outros homens no que poderia ser confundido com um encontro. Podia ser confundido com um encontro? Ficava um pouco nervoso com aquela alternativa, pois era um verdadeiro inexperiente, além de não saber da opinião dos outros em relação àquilo. Conforme caminhavam por aquele mercado movimentado em busca do restaurante, o estadunidense precisava de cada vez mais atenção para não perder Rudy de vista até decidir segurar o punho dele para que não fossem separados e, com isso, não se perderem. Podia ter segurado a mão do outro, mas parecia intimo demais... e se alguém visse?
Seu olhar permanecia sobre Rudy ajoelhado no chão e seu corpo já tremia antecipadamente como se apenas aquela aproximação entre seu membro e o rosto alheio já lhe causasse excitações. Ter seu pênis estimulado pela língua masculina o fez pender a cabeça para trás e encarar o céu escuro com suas estrelas, todavia, sua atenção não conseguia vagar por aquela bela visão e sim nos toques e brincadeiras que a boca do mais alto fazia com seu membro ereto. Arrepios passavam por sua espinha e suas mãos já não sabiam onde se apoiar ou tocar, então enquanto uma pressionava o concreto da parede próxima, a outra pousava nos cabelos loiros, apertando-os num punho à medida que seu corpo gritava.
Não o culpo, também fiquei puta quando perdi meu dinheiro em uma dessas máquinas. Nem sei porque insisto em tentar jogar essas coisas, sempre me arrependo depois. Quer um pouco da minha bebida? Acho que isso não vai matar ninguém. Ah, prazer, Kobby. Me chamo Penelope.
— Eu não jogo esse tipo de coisa exatamente para não perder o dinheiro que mal tenho, me sinto mais seguro só observando essas pessoas torrarem suas granas nessas apostas. Não mata? Eu tenho minhas dúvidas, o que você está bebendo exatamente? Penelope é um nome bonito, combina muito com você.
Como dizia a tradição, de três em três meses, Jack ia ao bar com alguns amigos da faculdade. Nenhum deles era da Astronomia nem do departamento de física, o que era raro e o que significava que eles tinham vidas normais, diferente de Jack em si. Três cervejas depois e lá estava ele, no auge de sua branquice, com as bochechas coradas e o riso frouxo. Sabia que não estava completamente bêbado, sentia seus braços e pernas, mas já estava naquele estado em que poderia mentir dizendo que estava mais bêbado do que o normal. Por isso, quando Ronald o desafiou a falar com o homem extremamente atraente sentado ao bar em troca de um funko de Poe Dameron, Jack aceitou de peito aberto. Levantou decidido, mas cada passo que dava em direção ao homem, sua coluna se retraía um pouquinho. Ao chegar no bar, já tinha o olhar de cachorro arrependido completamente instalado, mas sentou-se na cadeira ao lado do homem mesmo assim. – Oi… – ele disse, pigarreando em pura timidez – Oi, olha… eu fui desafiado a falar com você por uns amigos e por mais que eu realmente queira te conhecer eu não levo o menor jeito pra isso então me perdoa eu não sei muito o que te falar só finge que você tá interessado no que eu tô falando se puder dar uma risadinha então é melhor ainda meu nome é Jack mas você nunca mais vai me ver na sua vida desculpa te incomodar sério. – ele disparou sem sequer respirar.
Kobby não era uma pessoa que costumava frequentar bares graças ao histórico do próprio pai com as bebidas e tinha certo medo de se tornar como ele, mas estava tão cheio de preocupações nos últimos dias que ir no estabelecimento beber algumas cervejas se tornara necessário. Não tinha horário para voltar para casa uma vez que combinara com Constance para que cuidasse de Addae naquela noite, então encontrava-se mais livre para fazer o que desejasse. Enquanto bebericava a cerveja diretamente da garrafa de vidro, observava as pessoas ao redor conversando e se divertindo e aquilo foi suficiente para deixá-lo um pouco mais soturno que o normal. Até um rapaz desconhecido se aproximar inesperadamente com palavras rápidas, fazendo-o soltar uma risada confusa. — O meu nome é Kobby... — apresentou-se sem demora achando graça naquela situação — Eu estou bastante sozinho aqui, então acho que qualquer coisa que me diga será interessante.... você está bem?
Kobby tomava cuidado com a forma que reagia diante daquela situação não tão comum em sua vida, pois não queria que regredissem com o que fazia e nem acabar assustando o outro com algum mal entendido. Não protestou de forma alguma quando sentiu as mãos do outro tratando de abaixar suas calças e, na verdade, sentir seu membro liberto daquela peça foi um alívio. — Sim... — respondeu com sua voz rouba e trêmula antes de retribuir o beijo. Não era uma completa novidade para o estadunidense, mas por ter acontecido há tanto tempo considerava-se um verdadeiro inexperiente naquilo. Arrepiava-se com os lábios masculinos descendo pelo seu corpo sem medo de arrancar a cada toque algum pedaço de pano para sentir a sua pele negra e quente, o mais baixo precisava controlar a própria respiração para não transparecer sua ansiedade para que o outro continuasse e, mordendo o próprio lábio, tratou de buscar apoio na parede próxima a fim de se equilibrar com mais eficiência diante das suas futuras reações. Sua cabeça balançava positivamente várias vezes para responder a pergunta silenciosa que Rudy fazia com o próprio olhar.
Acho… – Começou a responder mas antes que pudesse complementar ou fazer o que estava com intenções, foi surpreendido pela atitude do outro, mais rápida que a dele. Foi inevitável segurar o suspiro pesado diante dos beijos e mordidas, sentindo os pelos de seu pescoço se arrepiarem. – Tá afim de sair de seca, Kobby? – Perguntou num tom baixo e levemente rouco, levando ambas as mãos até a calça alheia, tateando os dedos pelo cinto dele, abrindo devagar e puxando o mesmo para tirá-lo, em seguida mexendo no botão de sua calça, mas ao invés de abrir, passou a mão sem qualquer vergonha, apalpando o membro alheio, soltando uma risada baixa. – O que acha? Nós somos os únicos não se divertindo nessa festa… Até agora.
À medida que encostava os lábios e os dentes na pele branca do homem, exalava o forte e agradável perfume alheio, fazendo-o ficar em êxtase e esquecendo das próprias palavras proferidas anteriormente. Sentia-se cada vez mais livre naquele instante mesmo com algo tão simples quanto aquilo, embora soubesse que após saírem da varanda, voltaria a habitar a mesma cela emocional de antes. A voz enrouquecida de Rudy arrepiou o estadunidense no mesmo segundo e desejo de continuar com aquela liberdade era alta — Sim... — respondeu com certa manha enquanto um sorriso sacana brincava em seus lábios. Estava bêbado com aquela boa e estranha sensação. Kobby apenas permitiu que o outro arrancasse o seu cinto e sua expectativa para o que estava prestes a acontecer era suficiente para que seu sangue se deslocasse para o próprio membro que apenas enrijeceu mais ao sentir o toque alheio sobre a peça escura. A própria cueca parecia já estar apertada para seu pau permanecer ali. — Acho que estamos precisando de um pouco disso, huh? — se permitiu falar após o arrepio percorrer seu corpo.
“The road is long
With many a winding turn
That leads us to who knows where
Who knows where
But I'm strong
Strong enough to carry him”
DON HENLEY - THE BOYS OF SUMMER
“I never will forget those nights.
I wonder if it was a dream.
Remember how you made me crazy,
Remember how I made you scream.
I don't understand what happened to our love”
MIKE & THE MECHANICS - LET ME FLY
“None of us is born to be prisoners
But some of us end up in a cell
What if we were born to be a witness
Living is the only way to tell”
LAUV - THE OTHER
“Back and forth now I'm feelin' guilty
Cause I just can't stop this pendulum in my head
Though I know that our time is ending
I'd rather lay forever right in this bed”
LOGIC - AMERICAN
“Fight the power, fight the power
Fight for the right to get up and say fuck white power
Everybody come and get up, get on
And no matter what you fighting for I promise that it’ll live on”
GEORGE HARRISON - MY SWEET LORD
“I really want to see you
Really want to be with you
Really want to see you, Lord
But it takes so long, my Lord”
GABRIEL, O PENSADOR - FÉ NA LUTA
“Hoje eu me vi sorridente
Escovando os dentes na frente do espelho
E a minha imagem me disse hoje é dia de luta
Escuta o conselho
Entra com foco no ringue
Não perde o suingue, protege a cabeça
Guarda o que é bom no seu peito
E o que for ruim ou suspeito, esqueça”
TWENTY ONE PILOTS - STRESSED OUT
“We used to play pretend, give each other different names
We would build a rocket ship and then we'd fly it far away
Used to dream of outer space but now they're laughing at our face
Saying, "Wake up, you need to make money"”
Rudy suspirou baixo assim que o beijo foi partido, aproveitando daquele instante para respirar e prestar atenção no que seria dito pelo menos alto, achando graça em seu discurso, mas segurando a risada para não deixá-lo desconfortável. – Faz tempo que você não beija alguém ou um homem? – Perguntou por curiosidade, deixando as mãos deslisarem até a gravata dele, afrouxando a mesma. – Se fazendo um tempo você beija assim… Rapaz… – Soltou uma risada baixa, aguardando pela resposta dele para dar continuidade ao que gostaria, respeitando o espaço alheio.
Assentiu com a cabeça em resposta à questão dita pelo Rudy enquanto concentrava-se em tentar permanecer calmo para desfrutar aquele repentino momento, mas seu corpo estava levemente enrijecido de constrangimento. Tinha estragado tudo com toda certeza, o loiro acharia aquilo ridículo e sairia pela mesma porta que entraram fingindo que nada havia acontecido e... O toque em sua gravata e o silêncio fazia-o ansioso até tudo se quebrar ao ouvir a tranquila risada alheia junto com as próximas palavras do colega. — Você acha isso mesmo? — deixou escapar a dúvida em sua mente antes de abrir um sorriso puxando-o para mais perto através da cintura para depositar beijos e mordidas no pescoço masculino com certa diversão e leveza.
❛ — You’re adorable. ❜ Sorriu para si, por um momento achando graça da forma como o outro reagia aos seus assuntos, era admirável toda a aparente timidez do homem, que parecia ser completamente alheio aos meios mais fáceis e sem escrúpulos de procurar por possíveis parceiros nos dias atuais. Era uma raridade as pessoas que se desligassem do que a tecnologia tinha a oferecer. ❛ — It’s easy. I teach you. ❜ Afirmou divertida, lançando um sorriso travesso para o moreno, logo lembrando suas últimas palavras e caindo em uma dúvida crucial. ❛ — Eu disse mulheres, mas… é mulheres ou homens? ❜ Questionou sorridente, tratando o assunto de forma natural, pois não era como se fosse um tabu para si que era homossexual assumida. ❛ — Or both? ❜ Semicerrou os olhos na direção de Kobby, observando-o com curiosidade em uma tentativa falha de adivinhar suas preferências, ocupando seu tempo livre ao distraí-lo do que realmente fazia ali. ❛ — What? Acha que sou algum guru do sexo? Você que pensa. Algumas mulheres são difíceis. Não da nem pra contar quantos foras eu já levei. É um risco. Em compensação eu me dei bem na mesma medida. É bom namorar. Quem não gosta, não é mesmo? ❜ Perguntou de maneira retórica, arriscando a realmente ganhar uma reposta que era quase obvia. ❛ — Seus pais devem estar em uma pilha de nervos com essa distância… Eu estaria. ❜ Fez uma careta, pensando na agonia de permanecer longe de um filho doente. Não era mãe ainda, mas convivia com muitas e tinha uma sensibilidade em si. ❛ — Muito mais energia do que coragem. Viva ao café e energético. Desanimo e depressão? Nem pensar. Mas eu gosto dessa agitação, eu sou meio maluca mesmo. ❜
flashback
O cenho masculino se contraiu em curiosidade ao vê-la interessada em ajudá-lo naquele aspecto, pois não era uma coisa que as pessoas pareciam se importar sobre si. Talvez por sua vida amorosa ser praticamente inexistente e tudo que mais se preocupava era com Addae. A pergunta feminina o pegou de surpresa, não que aquilo não fosse esperado já que estavam naquele assunto, mas porque não estava acostumado a falar sobre isso a ninguém — É... — pigarreou precisando de um pouco de coragem para dizer em voz alta, embora não fosse um big deal para a outra com toda certeza — Os dois — responder desviando o olhar brevemente como se quisesse se certificar de que ninguém estava perto suficiente para o ouvi-lo. Um riso escapou dos lábios masculinos com a pergunta divertida da mulher, era estranho imagina-la levando algum tipo de fora. — Sim, é bem complicado... e nem sequer eles podem vir para cá por falta de condições, mas mando notícias todos os dias — balançava a cabeça brevemente enquanto falava. Se era difícil para Kobby suportar aquilo, quem dirá os pais? — Tem que gostar mesmo para trabalhar tanto dessa forma. Deve ser bom isso...
O beijo se iniciou tímido, afinal de contas não queria assustá-lo se fosse sua primeira vez ficando com um homem, muito menos desrespeitá-lo. Conforme o corpo alheio correspondia, o beijando de volta e segurando sua cintura, foi para mais perto automaticamente e permitiu que sua boca se entreabrisse, afim de aprofundar o beijo entre eles, enquanto uma de suas mãos desceu para o pescoço alheio. Estava impressionado de ter conseguido um feito daqueles, considerando que seus últimos crushs estavam longe de acontecer, não conseguindo segurar muito sua empolgação com aquilo.
flashback
Tentava acompanhar o beijo da melhor forma possível, mas se sentia um tanto constrangido por não saber se estava fazendo da maneira correta ou não, afinal, fazia um tempo considerável que não beijava alguém e aquela experiência com o rapaz estava sendo a primeira em anos. Embora estava realmente gostando daquilo, a insegurança de Kobby gritava em sua mente e isso foi o suficiente para que ele interrompesse o beijo. — Me desculpa — disse ainda com o rosto próximo do mais alto, aproveitando o momento para recuperar a respiração — Faz tempo que não faço isso — riu baixo constrangidamente. Encarando os olhos de Rudy enquanto suas mãos ainda pousavam na cintura dele, esperava por alguma palavra ou algo que transmitisse tranquilidade sobre aquilo, não podia continuar com o que fazia na incerteza. Talvez tenha estragado tudo? Provavelmente.
Penelope não pôde deixar de observar o homem diante ela, seu olhar concentrado nos braços alheios por alguns segundos antes de voltar a focar em seu rosto. Era um homem atraente, não podia negar. “E você só fica aí observando? Não pode nem beber um pouquinho? Aliás, qual o seu nome mesmo?”
flashback
— É... também fico caminhando por aqui para ver se acho alguém fazendo algo errado. Ainda bem que até agora não vi nenhum problema, tirando o fato de um cara ter ficado muito puto com uma dessas máquinas e ter começado a bater nelas — riu baixo ao relembrar daquela visão, mas também tranquilo por não ter sido um problema impedi-lo — Não posso, mas não vou mentir dizendo que não queria.... Ah, meu nome é Kobby — falou apontando para uma espécie de pequeno crachá prata costurado em seu terno — E o seu?
“Non, ça ne peut pas être… Merde. Hoje não deve ser meu dia de sorte! Meu carro está com defeito, tomei um banho de chuva, uma aluna desistiu das aulas e agora…Ceci. Uma mosca no meu café.”
— É, seu dia não parece estar sendo muito bom... — lamentou juntamente com o homem, mas logo tentou abrir um curto sorriso para destruir aquela negatividade — Mas o dia não acabou ainda e você só precisa encontrar a solução para as coisas. A mosca no café podemos tirar com uma colher e fingir que nunca aconteceu, sobre o carro talvez eu possa ajudar e sobre a aluna: acredito que você vai encontrar outra... por que ela desistiu?