saturday night ~ braxie
dirtydxx:
Novamente, sentia suas pernas serem quebradas. Um nó formou-se em sua garganta e seus olhos começaram a marejar, quase imediatamente ao ouvi-lo dizer aquelas palavras. Aquele era um assunto ainda muito delicado para a mulher, provavelmente jamais deixaria de ser, e o fato de ser Haynes a trazê-lo à tona tornava tudo ainda mais delicado. Um de seus maiores medos ao pensar na possibilidade de reencontrá-lo, era ter que responder as suas perguntas e falar sobre sua vida, principalmente sobre as escolhas que fizera. Temia que ele acreditasse que havia feito aquilo calculadamente, como uma maneira de comovê-lo e reconquistá-lo através da compaixão. A confiança que tinha em Dixie havia sido quebrada, e não o culparia caso desconfiasse de suas razões e questionasse sua capacidade de manipulação. Também temia que, uma vez que a verdade fosse revelada, que ele a odiasse da mesma maneira que ela o fazia, que a enxergasse como o monstro que havia se tornado. Seus maiores temores haviam se concretizado, e a morena apenas procurava por uma saída. Ao mesmo tempo em que queria ser sincera, sentia-se receosa. Contar sua história para Leon havia sido mais doloroso do que esperava, pois era como se suas palavras tornassem seus atos ainda mais concretos. Sabia que o sentimento seria ainda mais avassalador se tratando do amor de sua vida.
Ela não estava pronta. “Eu não me preocuparia com isso se fosse você.” Disse, enquanto virava-se de costas para Braiden, incapaz de encará-lo. Sabia que ele perceberia qualquer insegurança e hesitação que pudesse vir a sentir, pois ele sabia ler suas expressões e seus olhos como ninguém, e não havia muito que pudesse fazer para esconder o que se passava em sua mente e em seu peito. Ora, ele até mesmo preverá sua resposta, sabia que ela insistiria continuar com aquilo e o asseguraria que sabia se cuidar, logo descartando aquele argumento. Aquilo a fez soltar um riso fraco enquanto acenava negativamente com a cabeça. Nem mesmo a distância seria capaz de mudar aquilo. “Sério, isso não será um problema.” Finalmente fora capaz de reunir forças para encará-lo novamente, virando-se para lhe oferecer um sorriso pesaroso enquanto esfregava sua nuca nervosamente. Gostaria de lhe passar segurança, sem realmente lhe dizer a verdade, sem precisar revelar nada. Mas aquela era um tarefa complicada. “Mas se tiver desconfortável com isso ou qualquer outra questão, não se preocupe, eu posso conversar com o Leon. Eu tenho que fazer isso, mas acredito que você não.” Da mesma maneira que ele demonstrara ainda zelar pelo seu bem-estar, Dixie se preocupava com o dele. Não o forçaria a continuar com aquela parceria contra sua vontade, afinal fora ele quem decidira dar um fim ao relacionamento e se afastar, e tinha todo o direito de permanecer daquela maneira.
Os acastanhados olhos estreitaram-se, analiticamente, ao ouvi-la e ao vê-la se virar. Os anos próximos a ela fizera com que Braiden pudesse notar o que quer que fosse em seu comportamento. Embora já não conseguisse ver sua expressão, seu gesto dizia que ela escondia algo. Não importava por quanto tempo permanecia afastado dela. Que fosse um mês ou um ano, se a visse novamente, saberia quais as suas necessidades, seus anseios, seus sentimentos. Era algo que não podia controlar, que já fazia parte de si mesmo. E logo, ela o olhava novamente. Não será um problema, ela dizia. Ver a mão dela percorrer a nuca havia sido um sinal claro para ele, confirmando o que havia pensado. Com a ciência de que ela escondia algo a rondar a mente, trincou o maxilar e desviou os olhos para longe dela, visivelmente aborrecido. Será que ela não havia aprendido nada? Sem mais segredos. Não importava se ficaram afastados ou próximos, sem mais segredos. Agora, nutria o sentimento de que aquelas palavras não valiam mais nada para ela.
Mas ainda valiam para ele.
Ver que Dignal insistia em esconder segredos dele era algo que o magoava ainda mais. Não conseguia entender o por quê ela não esforçava-se para ser mais honesta com ele, mesmo sabendo o que os segredos causaram a relação de ambos. Será que ele não era mais digno de sua confiança? Será que encontrara outro confidente? Ou melhor, será que ela havia sido vítima das armadilhas do coração e havia visto em Hecto alguém com quem pudesse contar? Aquilo quase o sufocava. Tais pensamentos faziam com que ele sentisse que Dignal escapava por entre seus dedos como areia. Mas ele não deixaria ela esconder mais nada dele. Nada.
O olhar - frio e impetuoso - permanecia focado nela, sem demonstrar sequer um pouco do que sentia. A expressão austera demonstrava um homem completamente impassível com o que ela dizia, pois ele tinha certeza de que havia acontecido algo e ele não descansaria até arrancar a informação dela. Inabalável, levantou-se e caminhou para longe da cadeira na qual havia sentado. Sua boca fora capaz de pronunciar apenas uma palavra - esta envolvida em um completo e firme tom de ordem:
“Sente-se.”











