see what i see;
Josephine tivera a vida completamente diferente por conta dos lobisomens. Um grupo cruel e sádico atacara sua família e o vilarejo onde nascera, não se importando com nada além de destruição, caos e morte. Tivera a sorte de ser resgatada antes de ser morta por um grupo de vampiros com muitos anos de vida, e mais sorte ainda de ter sido acolhida pelos os mesmos. Seria eternamente agradecia pela nova chance que ganhara ao lado da espécie, tinha a plena noção do fato e isso era algo que a mulher não tinha problema algum para lidar.
E exatamente por esse sentimento de gratidão era que ela se aperfeiçoara durante vinte e nove anos, treinando para ser a melhor no que fazia; proteger a cidade, os vampiros e a si mesma da ameaça vinda dos lobos. Convivendo com vampiros a tornara uma quase expert no assunto sobrenatural, embora não soe muito real para os incrédulos da cidade. Josephine era capaz de conhecer um vampiro de longe, claro, tendo sua margem de erro algumas vezes, mas nada comparado ao inverso. Por esse conhecimento aperfeiçoado, ela abaixou sua arma apontada para a mulher no meio da escuridão, soltando calmamente o ar que segurava. Não era Jack, muito menos os seres abomináveis. Era uma vampira, até então desconhecida por ela.
“Me desculpe. Não devia ter aparecido assim.” foi o que respondeu por fim, relaxando os ombros. A arma ainda estava em suas mãos, Jose não pretendia guardá-la tão rapidamente. Estavam ambas no meio da rua deserta, numa escuridão repleta de ameaças. Toda precaução seria pouca naquela situação. “Hey, não se preocupe. Não vou te machucar… eu pensei que era um lobisomem, ou o Jack.” continuou Josephine, dando um passo incerto para perto da mulher. “Eu sei que é uma vampira. Cresci ao lado de muitos, é fácil reconhecer um.”
Surpreendeu-se com a reação que recebera em resposta. Não compreendia o que acontecia ali, aquele pedido de desculpas a fazia se sentir extremamente confusa e desconfortável. Talvez se tratasse de uma mulher igualmente assustada com a possibilidade de ser atacada pelo Estripador e que simplesmente agira de maneira impulsiva? Essa ideia não lhe parecia tão absurda, mas ainda se tratava de uma mera hipótese. Por isso, permanecia com os olhos atentos a cada movimento da outra enquanto permitia que seus braços se abaixassem, acompanhando-a. Apesar de aparentar não estar mais rendida, sabia que era necessário permanecer alerta a qualquer possível ataque surpresa, por isso seu corpo continuava tenso e preparado para defender-se caso o pior viesse a acontecer.
Era possível ver que a desconhecia continuava armada, o que a deixava ainda mais certa de que um novo ataque aconteceria. Talvez ela não esteja sozinha?A possibilidade daquele ser um ataque em grupo, e que estava sendo distraída para que uma ofensiva fosse mais efetiva surgira em sua mente, e agora se tornara necessário manter-se atenta a qualquer movimentação que pudesse vir a acontecer pelas proximidades. “Não vai me machucar? Essa é uma promessa difícil de se acreditar vinda de alguém que ainda segura uma arma.” Seus olhos se estreitaram, lançando um olhar severo em direção a mulher. Queria respostas, não um simples pedido de desculpas e ações que não condiziam com o mesmo.
Teria ficado um pouco mais tranquila ao ouvi-la confirmar a melhor de suas hipóteses, contudo uma palavra a impossibilitara disso. Um lobisomem? A expressão em seu rosto denunciava toda sua confusão. Antes mesmo que pudesse questioná-la sobre aquilo, fora pega de surpresa por sua fala seguinte. Não conseguia compreender como era possível ela conhecer seu segredo, e temia as consequências disso. Ao perceber que havia se aproximado, seu um passo para trás. Agora, mais do que nunca, era necessário se defender. “Vampira? Não faço ideia do que está falando! Ora, apontando armas para desconhecidos no meio de ruas desertas para acusa-las de um absurdo como esses? Que insanidade!”Respondeu, fingindo indignação. De maneira alguma confirmaria aquela acusação tão facilmente. “Vampiros e lobisomens?” Questionou-a, parecendo genuinamente descrente da existência de tais criaturas.














