Não se deixe enganar pelos meus versos alegres e contornados de asas vermelhas Pelos meus refrões, por rosas amassadas e tristes
Não se engane
Não se engane pelo meu lirismo Não se engane pela porta aberta Pela ausência de sangue, de perfume e de cor Não se engane pela música que toca Mesmo se for sua canção preferida
Eu fiz um desenho com giz amarelo Em um chão solitário de verniz Era abstrato, igual minhas noites
O vinho acabou, terei que comprar mais
Não se engane com frases de efeito Com o efeito que lhe causei É tudo ilusão, sonhe menos Não se engane com as letras em caps lock Não se engane se eu te passar a senha Se eu passar por ti sorrindo, não se engane Não se engane se eu virar poeta, se meu livro de ilusões for vendido na biblioteca da tua rua
Não se engane
Fiz um poema com o sangue que saia de meus dedos, comecei arrastando as unhas pelas paredes, até ficar na carne viva. Os anjos pulsavam e pulavam. Enquanto a parede desmoronava na cabeça de uma menina que passava
Eu nem vi, eu nem vi
Não se enganem, meu espelho é sábio Hoje de manhã ele me disse "Você é um grande filho da puta!" Eu concordo, e eu concordo Até acrescentaria mais um ponto de exclamação, ou três
Droga! Estraguei a poesia. E o coração da menina que passava. E meus sonhos
(J Dierlein)








