cupcakxmia:
Era óbvio que Maria sabia sobre os boatos que invadiam os corredores de Hogwarts sobre os alunos que calhavam na Sonserina. Ela sabia que existia uma enorme probabilidade de ser proveniente de uma família purista, porém era esse pensamento quase constante que fazia com que toda sua ansiedade se tornasse ainda maior. Na verdade, a O'Conner sentia um enorme medo de descobrir demais sobre seus antepassados, afinal ela poderia não gostar de todo de sua história. E se seus pais fossem do tipo de pessoas que ela realmente repugnava? Sim, porque a loirinha repugnava todos aqueles que pensavam que só os puristas seriam dignos de usar magia. No ponto de vista da asiática tal pensamento era idiota e ridículo, afinal existiam imensos feiticeiros que não possuíam qualquer tipo de sangue puro. E se ela fosse filha de um dos seguidores de Voldemort? Céus, só esse pensamento fazia com que toda a sua pele se arrepiasse por completo. A sonserina não queria ser ligada ao outro, apesar de em parte o admirar. Na verdade, Mia conseguia perceber o quanto alguém era talentoso, e sem qualquer dúvida que o outro era um feiticeiro ótimo, e a prova disso fora o caos que ele haveria plantado no passado. Talvez até fosse errado admirar alguém tão ruim quanto o mais velho, mas a verdade era que a garota só admirava os feitos mágicos do feiticeiro. E em parte talvez fosse essa admiração que fazia com que a menina pensasse ainda mais que seria proveniente de alguém que fora seguidor do Lorde das Trevas.
A O'Conner sabia perfeitamente que deveria se focar nos seus estudos, contudo muitas vezes era difícil, afinal ela não sabia quem era naquele mundo. E sem dúvida que isso acabava por deixar a sonserina completamente entristecida, afinal maior parte de seu ciclo de amigos conheciam seu passado. Porém, em uma pequena percentagem também existia o medo de descobrir algo a mais. Mas não seria errado de todo pelo menos descobrir um pouco sobre seus antepassados. Pelo menos descobrir qual era de fato seu sobrenome. Isso talvez acabasse por ajudar a garota a se sentir um tanto melhor naquele mundo. Ou pelo menos era isso que ela pensava. E mesmo que escondesse de todos, Maria realmente estava começando uma pesquisa. Ela necessitava de saber mais sobre si. Ela necessitava entender o porquê de ser proveniente de uma família de bruxos, bem como o porquê de amar a música e se sentir realmente mais calma sempre que cantava. No pensamento da asiática aquilo só poderia ser algo biológico. Ou pelo menos ela esperava. Sem dúvida que a loirinha amava descobrir que um de seus familiares biológicos fora um enorme talento no mundo da música. Talvez era esse fato que acabava por mantê-la fiel a toda aquela pesquisa, e sobretudo à música. Na verdade, a sonserina praticamente sentia que alguém proveniente de seu sangue também estava ligado à música. Ela sentia como se a música fosse sua vida, mesmo que a magia acabasse também por lhe trazer um ligeiro gosto. A verdade era que a música era sua verdadeira paixão, e se dependesse apenas dela seu futuro estaria sem dúvida alguma ligado à música.
Apesar de estar ciente que deveria estar atenta aquela aula, afinal era uma aula demasiado importante, Maria não conseguia se concentrar de todo. Seus pensamentos pareciam ser invadidos por uma pessoa em especial. Alguém que acabara por surgir de mansinho, e sem ela perceber acabara por prendê-la. Talvez, a verdade fosse que a O'Conner estava de fato apaixonada pelo lufano. Ou talvez, na verdade, ainda fosse cedo para mencionar tal coisa. Mas a verdade era que a loirinha se sentia cada vez mais presa aqueles traços tão belos no seu ponto de vista. E por mais que a sonserina tentasse fugir de tais pensamentos sobre o outro era praticamente impossível fugir. Ela se sentia completamente presa ao outro, quase como se ele tivesse exercendo uma espécie de força magnética sobre si. Contudo, o que mais preocupava a mais baixa era se o asiático também possuía os mesmos pensamentos que ela. E sem dúvida que aquilo aquietava demais a menina. Ela se sentia um tanto perdida, e a raiva parecia consumi-la sempre que acabava por observar o outro falando com alguém que não ela. E sem dúvida que essa raiva também era uma presença assídua sempre que seus pensamentos voavam para longe, pensando que o Park não a achava tão especial quanto ela o achava. Seria de todo errado aquele sentimento? Na verdade, Maria não sabia. Ela só sabia que queria passar mais tempo ao lado do coreano. Ela só queria saber mais sobre ele, e quem sabe construir um laço demasiado forte, o que na verdade ela já sentia.
Assim que recebeu novamente o bilhete com a resposta, seu coração disparou numa batida completamente descontrolada. Seu corpo parecia estremecer de nervosismo, e fora inevitável que a loirinha não soltasse um breve suspiro. Maria abriu o pequeno pedaço de papel, e sem conseguir entender o motivo de tal uma dor completamente agoniante se fizera presente em seu coração. Ela voltou suas íris âmbar para o rosto delicado de Hei Shou, e com um breve sorriso triste assentiu para o outro voltando novamente sua atenção para o papel na sua frente. Pegara na sua pena e começou escrevendo uma vez mais, porém dessa vez, sua letra parecia estar saindo mais tremida que o normal.
“ Não precisa se desculpar por isso, sweetie pie. E bem….sobre se nos divertimos acho que cabe a você responder a tal, sabe? A…pessoa especial é você. Hum…ainda bem então, não é mesmo? Não sei se aguentaria ver você passando mal, não. ”
As palavras acabaram por sair por mero impulso, e antes que se arrependesse por ter escrito algo, Maria entregara o bilhete ao asiático. Seu rosto acabava por tomar um tom completamente rosado, contudo ela não poderia controlar as vontades e os desejos de seu coração. E céus, como ela desejava querer ser especial para o Park.
Bem, levando em consideração que seus primeiros anos em Hogwarts ja haviam sido dificeis por si só apenas por conta da barreira do idioma talvez não fosse assim tão surpreendente que até hoje em dia ele sentisse um pouco afastado do restante; ainda que recentemente a diferença não estivesse mais assim tão gritante. Ou pelo menos ele conseguia interagir normalmente com colegas de outras casas sem acabar trocando palavras e criando situações embaraçosas. Era essa a razão que ele daria, provavelmente, caso lhe perguntassem o porque dele se sentir meio estranho as vezes, apesar de hoje em dia ter quase certeza sobre pertencer a Hogwarts. O que o prendia ou o queria fazer se esforçar para se encaixar ali era apenas sua mãe, e saber que essa era sua unica chance de ficar próximo a mais velha. Hoje em dia conhecia pessoas que tornaram aos poucos o ambiente menos e menos hostil aos seus olhos. E mais uma vez estava direcionando para uma interação inusitada: não entendendo muito bem, mas se sentindo bastante ansioso com o rumo que a conversa dos dois estava rumando. Sua respiração, na medida que seus pensamentos criavam cenarios imaginarios em sua mente, ficava descompassada. E assim ele ficava cada vez mais alheio ao ambiente a sua volta, sentindo quase como se a sala de aula juntamente com sua percepção estivessem nitidamente menores, os sons externos resumindo a um zumbido desconexo de fundo. Porque isso importava tanto ? Desviou o olhar para o próprio caderno buscando se acalmar, tentando retomar o controle. Eram tantas coisas que ele precisava fazer, assim como se concentrar na aula manter as notas. Não deveria estar tão perturbado com um relacionamento que mal acabara de começar. Que obviamente para ela não deveria fazer sentido algum. Respirou fundo algumas vezes fechando demoradamente os olhos, deixando que o sentimento tomasse conta de si mesmo por alguns instantes. Seu punho estava cerrado com força quando, algum tempo depois ele percebeu que Mia estava passando o bilhete na sua direção mais uma vez, por muito pouco não o deixando cair no chão mais uma vez. Mesmo temendo um pouco a resposta que receberia, e buscando ao máximo conter-se a expectativa era tão alta que tão logo quanto recebeu o bilhete Hei ja o estava lendo quase que desesperadamente. Precisou reler algumas vezes para que finalmente absorvesse totalmente o recado da sonserina, um sorriso contente espalhando-se pelos seus labios sem que ele pudesse de fato se dar conta disso. Talvez ela pudesse ter sentido alguma coisa,e estava sendo apenas gentil com ele ? Se perguntou quando, instantes depois ele estava se preparando para escrever a resposta. Fazia sentido, pensou tornando a se sentir um pouco triste e decepcionado com isso. Desviou o olhar para a pena que tinha em mãos, lembrando-se mais uma vez da maneira positiva que Sunee lidava com situações como essa. O que ela lhe diria em um momento como esse provavelmente algo como apenas seja você mesmo. O que importa é o que é verdadeiro no final das contas, e se ele realmente se importava com ela como acreditava que sentia naquele instante... Então estaria la por ela, mesmo que não... “ Eu...” começou a escrever quando, um pouco tarde demais ele percebeu a professora se aproximando de onde ele estava sentado, mal dando tempo para que ele escondesse o pedaço de papel que tinha sobre a carteira. Estava com medo mais por Mia do que de fato por ele, apesar que levando em conta como ambos quase não causavam problemas seria apenas injusto os punir por algo tão pequeno. Hei apenas manteve seu olhar fixo em sua carteira, sem palavras. - Quero uma palavra com ambos depois da aula, por ora peço que a senhorita O'Conner troque de lugar com o senhor Potts. Se encontrar algo parecido com isso serão convidados a se retirar. - e com um aceno de varinha destruiu o pedaço de papel que tinha em mãos, voltando a lecionar sobre sua matéria. Hei nãos e atreveu a olhar na direção de Mia o restante da aula, com medo de a colocar em ainda mais problemas.








