can you feel the love tonight
heishouparkk:
Desde quando era ainda bastante novo, e ele se via esperando pela chegada do pai do serviço sentado junto a alguma janela, Hei sempre havia achado o período noturno muito mais inspirador. Havia começado apenas com pequenas cartas, que escrevia para si mesmo afim de reconfortar a solidão que ocasionalmente sentia. Ocasionalmente ele sentia vontade de desenhar ou colorir alguma coisa, ou simplesmente observava o lado de fora cantarolando alguma melodia inventada. Nunca havia compreendido muito bem de onde vinha tanta inspiração, ou porque se interessava por esse tipo de coisas. Hoje em dia ele se sentia mais inclinado a pegar seu violão e escrever músicas. Em geral elas retratavam seus sentimentos, e seu ponto de vista a cerca de coisas que observava no seu cotidiano. No entanto, de uns tempos para ca as melodias vinham se tornando gradativamente mais doces e calmas. As letras que vinham a sua mente acabavam sempre por se voltar para um lado mais romantico, na medida que o rosto da mesma pessoa vinha a sua mente. Sempre aos poucos, de maneira que ele sempre se perguntava quando havia começado a pensar nela. Ou quando não estava, para ser mais especifico. Era surpreendente como a sonserina parecia insistir em voltar aos seus pensamentos, o fazendo se sentir estranho. Ficava subitamente consciente de si mesmo, e era quase que engraçado como ele ficava atrapalhado diante dessas sensações novas.
Naquela noite em particular não estava sendo diferente. Tomando bastante cuidado para pegar suas coisas e não incomodar seus colegas Hei pegou seu violão e seguiu em direção ao salão comunal, onde começou a dedilhar a mesma melodia que vinha trabalhando fazia alguns dias. Começava de maneira lenta e ia progredindo para uma melodia doce e suave, a qual havia trabalhado apenas até um certo ponto. Sentia que faltava alguma coisa para que a música ficasse inteiramente concluída. E desta vez por mais que se esforçasse não conseguia pensar em uma letra que combinasse com a melodia, apenas o rosto de Mia lhe vinha a mente. Quase como se estivesse externalizando o sentimento que tinha quando se aproximava da mesma. Estava tão cocentrado em sua tarefa que não percebeu que estava aumentando gradativamente o volume até um colega aparecer e o encarar de maneira irritada. Desculpando-se então Hei sorrateiramente saiu pelo quadro em direção ao corredor. Não queria interromper seu momento de inspiração assim como não queria continuar atrapalhando os colegas que estavam descansando. Continuou seguindo cuidadosamente até encontrar um lugar que sabia que não teria problemas com o zelador. Era aberto o bastante para não chamar atenção com sua música, apesar do silencio do castelo. E ainda tinha a cobertura de algumas arvores. Aproximando-se do lugar assustou-se ao escutar a voz alheia, chegando até mesmo pensar que estava imaginando coisas enquanto se aproximava. Mas ela estava realmente ali. Buscando não chamar atenção para si Hei apenas sentou-se um pouco mais a frente, a admirando silenciosamente enquanto escutava sua canção. Sua voz era extremamente doce e o deixava calmo, quase como se estivesse flutuando.
Desde bastante nova que Maria sempre amara ficar observando o céu pela noite, especialmente porque ela sentia que as estrelas sempre tinham as melhores respostas aos seus problemas, bem como a faziam sentir uma espécie de calmaria única. Era como se uma noite estrelada lhe trouxesse a paz que ela sempre haveria desejado, especialmente após descobrir que era adoptada. Ter descoberto tal fato estava sendo demasiado doloroso para a O'Conner, afinal ela não conhecia praticamente nada sobre si. Ela não sabia quais eram suas origens, e por mais que tentasse entender seus pais adoptivos era difícil demais. A loirinha não conseguia simplesmente esquecer o que eles haveriam lhe contado, afinal ela precisava de saber quem era. Ela necessitava disso. Era quase como se fosse um desejo essencial demais, algo que fizesse com que a sonserina se sentisse finalmente em casa. E talvez até pudesse ser egoísta da sua parte em pensar daquele jeito, porém ela não poderia negar o que ia dentro de seu coração, bem como da sua mente. Ela não poderia negar suas vontades, afinal eram suas vontades e seus desejos que acabavam por fazê-la criar um rumo em sua vida. Eram essas vontades e esses desejos que acabavam por ajudar a asiática a conseguir construir um caminho na sua vida. Contudo, para conseguir construir esse caminho, ela precisava entender seus antepassados. Ela precisava entender o porquê de ser daquele jeito, mesmo que no fundo isso acabasse por machucá-la.
Nos últimos tempos, a mente da sonserina parecia se preencher de um certo rosto em especial, a fazendo se sentir ligeiramente tonta, e um certo formigueiro em seu estômago. Seria aquilo o que falavam de amor? De fato, Maria não sabia, porém ela se sentia cada vez mais presa ao Park. Era quase como se o mesmo tivesse uma espécie de força magnética sobre si, e mesmo quando não estava presente o garoto conseguia surgir em seus pensamentos. Era um tanto estranho para a asiática se sentir daquele jeito, especialmente porque ela nunca se vira se apaixonar tão cedo. Contudo, de uma coisa que a O'Conner tinha certezas era que a vida sempre acabava surpreendendo. As coisas pareciam surgir quando menos se esperava, e sem qualquer dúvida que aquele sentimento estava sendo uma dessas coisas. As íris achocolatadas da coreana continuavam fixas no céu negro, observando o quanto o mesmo era iluminado pelo brilho das estrelas e da lua, e de fato, ela não conseguiu evitar a comparação entre si e Hei Shou. Ele era um brilho intenso na escuridão que era sua vida. Esse pensamento fizera com que um sorriso surgisse nos finos e delicados lábios da loirinha. --- " And can you feel the love tonight, how it's laid to rest? It's enough to make kings and vagabonds, believe the very best... " --- a garota continuou cantando baixinho enquanto mantinha seu olhar fixo sobre as estrelas. Porém, por algo que ela não soubera explicar a razão seu olhar acabou por recair sobre a figura do Park ali sentado mais à sua frente. Suas bochechas tomaram uma coloração extremamente rosada. Seria mesmo o garoto ali? A sonserina balançou sua cabeça para ambos os lados e mordeu seu próprio lábio ao constatar que era mesmo ele ali. --- " Sweetie pie? "














