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Excelente explicação da professora Valeska Zanello sobre a cultura do estupro!
Quando um homem fala que defende o aborto apenas em casos de estupro por ser pró-vida ele não está defendendo a vida. Um feto proveniente de estupro é menos vida que um feto proveniente de uma camisinha furada? Ele apenas defende o aprisionamento de uma mulher na maternidade forçada,como castigo, pois a ideia de uma mulher ser livre em termos sexuais o ameaça profundamente.
não precisa parar de se depilar ou de usar maquiagem da noite pro dia ou se n quiser de forma alguma, só não diga que não é uma imposição social.
O poliamorismo por um viés radical
Quando dizemos que a heterossexualidade compulsória age como regime político, o que isso quer dizer? Quer dizer que, dentro de uma cultura muito bem estruturada, a penetração do pênis na vagina é codificada como natural e desejável. Não apenas devemos louvar e fazer sexo penetrativo baseado no orgasmo masculino, como temos a impressão de que essa é uma espécie de impulso vital que dá ânimo a cada aspecto da sociedade, desde a música até a política no Congresso. Assim, a penetração pênis/vagina (PNV) TRANSCENDE APENAS A CONDIÇÃO DE SEXO, passando a ser uma espécie de atmosfera ou líquido onde as mulheres, especialmente, estão embebidas 24h/dia, ao longo da vida.
Como qualquer regime político, ela está disposta a fazer concessões e negociações diante de ameaças. Uma dessas negociações, a meu ver, é o poliamorismo.
UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL
Eu tinha 18 anos e uma vida confusa. Eu já tinha observado que o corpo masculino não me causava qualquer tipo de interesse. Por outro lado, o casamento dos meus pais estava indo mal, e meus primos e irmãos praticavam um cerco de machismo constante. Eu estava indo mal na escola também. Observando as mulheres ao meu redor, eu percebi que, quando elas queriam se emancipar, se casavam, ou ao menos arranjavam um “namorado fixo”. Foi isso que eu fiz. Foi uma decisão absolutamente racional, sem qualquer motivação sexual ou emotiva. Eu vi um ambiente hostil, encontrei uma saída e a usei.
O cara tinha a mesma idade que eu. Mas logo ele percebeu que eu dependia dele. Que, não importando quão feias fossem as nossas brigas, eu não saía da casa dele (só quando já era de noite, e eu precisava voltar para a casa dos meus pais). Ele, então, foi dando “dicas” de que a gente precisava transar. No começo eram discretas, mas foram piorando com o tempo, até que um dia ele apareceu completamente nu para mim. Disse que eu precisava me acostumar com o corpo dele, já que um dia nós íamos nos casar.
O namoro durou quatro ou cinco meses, e terminou por causa do vestibular. Eu queria uma carreira concorrida, e toda a atenção que ele pedia não era compatível com o tempo livre que eu tinha. Além disso, eu já estava percebendo que ele tinha o hábito de sabotar minha autoestima. Enfim. Sem feminismo nem nada, só por instinto (que mais tarde falhou…), eu fui embora.
Na mesma época, comecei a me envolver com política de modo sério. Ler a respeito, procurar organizações. Como eu já tinha algum envolvimento com a cena musical underground da cidade, não foi difícil chegar ao anarquismo, aos zines, aos coletivos e ao poliamor. E o discurso casou com a minha vida: esses homens querem te sugar através da monogamia! Eles não entendem seu espírito livre! Eles não entendem suas necessidades sexuais! (essa parte me deixava bem cabreira. nem EU entendia minhas necessidades sexuais.) O poliamor surgiu para mim como a promessa de um mundo novo onde não só os homens respeitariam minhas potencialidades, como estariam legitimamente interessados nela, e até dispostos a louvá-la! E eu gostava de homens. Eles eram meus amigos. Meus bróder. Eu estava recebendo um passaporte para o universo masculino. Um passaporte sexual. Mas, segundo estavam me dizendo, poliamor era sobre liberdade para fazer tudo, inclusive para não fazer nada. Eu era virgem e tinha zero vontade de estar sexualmente com homens. Falaram que isso não seria um problema. Eu disse: OK. UM POUCO DE TEORIA Para falarmos adequadamente sobre a falácia do poliamor, temos de discutir, primeiro, duas coisas. A primeira é como funciona a exploração do corpo feminino na sociedade patriarcal. A segunda é como a monogamia se encaixa aí, atravessada por outros fatores, como raça e classe. De maneira geral, o patriarcado É a cultura do estupro. Por um lado, os homens nos colocam em uma atmosfera em que a ameaça de estupro e morte é real. Por outro lado, somos bombardeadas de uma propaganda ideológica dizendo que o amor e o sexo dos homens é inerentemente violento. OU que sofremos violência porque não respeitamos determinadas normas patriarcais. OU porque a essência feminina é masoquista, isto é, existe algo no corpo feminino que nos faz procurar a violência por instinto. A mensagem geral é que precisamos de homens para nos defender de outros homens, ou para que cuidem de nós, que somos loucas histéricas.
Mas por que eles nos estupram? Não existe nenhum tipo de natureza envolvida aí. É tudo social e político. Os homens nos estupram para que façamos uma série de trabalhos para eles sem que eles nos paguem. Resumidamente, esses trabalhos são: parir e amamentar; cuidar de idosos e crianças; lavar, passar, cozinhar; fazer sexo com eles do jeito que ELES querem. Como estamos amedrontadas e gratas, como cada homem pode passar de protetor a algoz num estalar de dedos, fazemos tudo isso sem pensar. E assim a exploração segue. E onde entra a monogamia aí? A monogamia é como cada homem privatiza uma mulher para fazer todos esses trabalhos que ele não quer fazer. Na nossa sociedade, a monogamia está regulamentada por uma instituição prevista na lei, o casamento. Um contrato firmado entre duas partes, mas que só pode ser considerado EFETIVAMENTE firmado na presença de uma relação sexual. Ele é garantido também por toda sorte de discurso romântico, que faz dessa instituição a grande finalidade (e o grand finale) da vida feminina. É o felizes para sempre. É o sossego para uma inquietação da alma feminina, que não pode viver só. Porém, enquanto tudo isso é dito para as mulheres, a masculinidade continua sendo construída sobre os mesmos alicerces de sempre. Em cada pênis temos um agente da colonização patriarcal, que não cessa de se repetir. Poder, virilidade, hombridade, têm por expressão material a conquista violenta de corpos femininos. Desde a conquista “fantasiosa” da pornografia, até a conquista real de maltratar corpos de mulheres. Não se enganem: o sexo é tanto mais erótico quanto mais riscos trouxer ao corpo feminino. E é por isso que temos a erotização de lolitas, “novinhas”, colegiais; exaltação do sexo sem proteção; categorias pornográficas como “estupro facial” e gang bang (estupro coletivo).
Ele, então, vai procurar uma mulher para fazer essas coisas. Geralmente, esta mulher não é sua esposa. Não é interessante manter uma esposa tão fodida que ela deixe de ser funcional, ou ainda pior, fuja. Isso fará com que o homem procure as mulheres “que foram feitas para isso”. As mulheres “fortes”. E numa sociedade patriarcal e racista, essas mulheres serão as prostitutas e/ou as mulheres negras. Daí que exista, desde o princípio do patriarcado, um largo contingente de mulheres a quem a monogamia nunca foi reservada. Pelo contrário, até: um largo contingente de mulheres para quem a monogamia foi NEGADA. Aqui, portanto, a falácia do poliamor começa a ser desfeita: a monogamia não é um fator de opressão para as mulheres, mas uma instituição que tem sido forçada a algumas, e veementemente negada a outras, e controlada por HOMENS.
Até aqui, falamos de patriarcado. Mas dois outros sistemas se tocam, complicando a situação das mulheres: o capitalismo e o racismo.
A família que conhecemos não tinha nada a ver com amor até a década de 1920. Até então, para ricos ou pobres, tratava-se de uma microempresa, em que o homem explorava mulher e filhos exercendo o poder do terror sexual. Na família, diversos produtos eram feitos: roupas, velas, sabão, carnes defumadas, leite, ovos… Porém, no capitalismo, as fábricas começam a fazer os mesmos produtos, em grandes quantidades, e mais baratos. Assim, a família perde uma de suas grandes funções econômicas, e vai ficando cada vez mais óbvio para as mulheres, com o tempo, que essa família não se parece nem um pouco com os sorrisos e a felicidade que encontramos nos comerciais de margarina. Enquanto para os ricos a monogamia fazia parte de transações materiais e preservação do patrimônio, a monogamia para os pobres servia para controlar a prole e a mulher. Prole e mulher são mão de obra. Um filho com pai incerto poderia ser (e foi, no passado) reivindicado como filho de outro homem, portanto tendo de trabalhar para outro homem. Com a industrialização, essa função se perde, e o controle sexual da mulher fica restrito aos trabalhos que já foram citados antes. A monogamia DO HOMEM, por outro lado, passa a representar um problema, já que agora o fruto de seu trabalho, o SALÁRIO, teria que ser dividido entre outras famílias, caso ele formasse mais de uma. Quando começam a surgir leis garantindo o direito das esposas e dos filhos, a liberdade sexual dos homens começa a ficar complicada. Até mesmo comprometida.
Agora imagine isso: as mulheres não são burras, nunca foram. E não por acaso, esse descontentamento foi crescendo até eclodir na década de 1960, na forma da segunda onda do movimento feminista. Bem diferente do “meu corpo, minhas regras” que conhecemos hoje, a segunda onda feminista foi marcada por muita raiva. Por muita insatisfação. Por uma revolta larga e profunda, que ia desde o padrão de beleza até a revolta contra estupro e morte de mulheres. Era um movimento poderoso. Era um movimento destemido. E elas estavam bastante atentas à falácia dos relacionamentos abertos, poligamia e poliamor. Estavam atentas para o fato. Não adianta alargar, oficializar ou incentivar o acesso irrestrito dos homens aos corpos femininos. Sabem por que? Porque é exatamente esse acesso que caracteriza o patriarcado.
Mas os homens se reorganizaram e responderam. Surpreendentemente, essa reação hoje é retratada pela grande mídia e está no imaginário popular como uma revolução, quando na verdade ela estava dando os primeiros passos para remodelar o patriarcado, dando forma ao regime sexual que conhecemos hoje. Seu lema era “sexo, drogas e rock n’ roll”. Seu método era criar uma juventude cuja revolta fosse dispersada no uso de drogas, sexo heterossexual (não raro com meninas jovens demais para consentir) e música também heterossexual. É bastante impressionante o fato de que a “revolução” tenha deixado por legado homens roqueiros riquíssimos e pornógrafos bem sucedidos. Revoluções são sobre libertar coletivamente. Sobre destruir as raízes da desigualdade, e não sobre dar um novo rosto a um sistema opressivo. Este traço, isoladamente, já seria o suficiente para que compreendêssemos a tal “revolução sexual” como, na melhor das hipóteses, uma reforma. Mas ela foi pior que isso. Foi um avanço, no qual a relação entre racismo, capitalismo e patriarcado apenas ficou mais íntima.
UM POUQUINHO MAIS DE TEORIA.
As ideias de poliamor, poligamia e relacionamentos abertos estão vastamente ligadas à obra do pensador Wilhelm Reich. Basicamente, Reich vê o sexo como uma energia vital, sem forma definida, à qual a humanidade precisa dar vazão. Faz parte da natureza, mas a sociedade controla e direciona essa energia para outras coisas, tal como o trabalho capitalista. Mas a sociedade também reprime essa energia. Sabe quando você quer espirrar sem fazer barulho? Você tampa o nariz e sente uma pressão nos ouvidos, o ar se deslocando, correto? Para Reich, a energia sexual é mais ou menos assim: se você reprime, ela vai ser colocada em outro lugar, de outra forma. De forma violenta. Estupro, guerra, assassinato, todo tipo de caos social deriva dessa manutenção equivocada da energia sexual. Uma vez que nós libertássemos essa energia, através do sexo propriamente dito, as mazelas da sociedade estariam resolvidas. Fácil, né?
Mas isso tem implicações bem diferentes para homens e mulheres. O patriarcado, como já foi dito, se caracteriza pela disponibilidade inquestionável do corpo feminino para usufruto sexual masculino. Vivemos um estado de atrocidade, de terror sexual. Em que nosso corpo pode ser reivindicado por qualquer homem, a qualquer momento, e nada acontecerá a esse homem, enquanto NÓS seremos empurradas para a marginalidade. Para a maior parte das mulheres que conheço, a sexualidade é um terreno deveras complicado. Um terreno que queremos guardar para alguém (ou alguéns, por que não?) em quem confiamos, porque, via de regra, nós já fomos violentadas. E nós não queremos ser violentadas de novo. Qualquer teoria que demande mais disponibilidade não faz favor nenhum a mulher alguma.
UM POUQUINHO MAIS DE EXPERIÊNCIA PESSOAL
Até os vinte e seis anos eu estive em relacionamentos monogâmicos e não-monogâmicos. Todos fracassados, basicamente porque eu não conseguia me manter emocionalmente ligada a homens por muito tempo. No entanto, aos 26 anos, eu concluí que meus relacionamentos ruins tinham uma causa. Eu havia namorado homens que não faziam parte efetivamente de movimentos poliamoristas, e que se utilizavam de uma ideia rasa desse tipo de conduta. Eu decidi então pesquisar, estudar, me organizar politicamente. Levar aquilo a sério.
Os fatos e frases documentados a seguir são fruto da minha experiência vivida. Ela não é absoluta. Por outro lado, pode ser que tenham se assemelhado à experiência de outras mulheres. Eu gostaria de ouvi-las. 1) Materialmente, a não-monogamia não era diferente da monogamia. Era mais como um adultério autorizado. Havia sempre uma relação central. Esta era apresentada para a família, para os círculos sociais. Com esta, geralmente, os homens construíam lares. Ou seja: um casamento do qual extrais trabalho não remunerado de mulheres. Ao passo que havia, em torno destes, relacionamentos que chamo de “satélite”. Eu cheguei a ser apresentada a esses satélites, e apresentava os meus também. Esses relacionamentos “secundários” geralmente funcionavam como sustentação para o relacionamento central. Ou na forma de catarse (passar um tempo com a amante para “esquecer” os problemas) ou na forma de chantagem emocional, que os homens manejavam muito bem, fomentando a rivalidade feminina. 2) Os relacionamentos poliamoristas eram menos sobre amor do que sobre sexo. Para legitimar a masculinidade, que requer dos homens um número grande de parceiras sexuais, os homens “oficializavam” os relacionamentos sexuais que tinham com as mulheres. Isso servia, basicamente, para deslegitimar a acusação de que isso era apenas machismo predatório e objetificador. Como se pode acusar um homem de estar objetificando mulheres quando ele até “reconhece” estar em uma “relação” com elas? 3) Ainda sobre o tópico anterior, ninguém se apaixona na primeira foda. Desculpem a sinceridade. Quando um cara diz que quer sair porque quer “conhecer outras pessoas”, ele não quer dizer “se apaixonar perdidamente por pessoas novas”. Isso não acontece numa noite, num bar. O que ele está querendo dizer é que deseja diversificar o seu paladar sexual. Iss é objetificação.
4) Chantagem emocional é uma constante. Muitas mulheres são aliciadas para poliamor, poligamia, relações não-mono, pela coerção dos caras. Geralmente, eles se dizem muito apaixonados, e que ficar com outras mulheres não tira a seriedade de um relacionamento em particular. Dizem que vão ficar tristes, arrasados, destruídos, entre outras coisas. Isso quando não dizem que a monogamia os oprime - o que é grave, pois coloca mulheres que desejam relacionamentos exclusivos como opressoras de homens, tirando o direito das mulheres de negar sexo.
5) O assédio é constante. Com frequência, homens acusam as militantes de serem menos livres caso manifestem dúvidas ou neguem sexo. Existe uma atmosfera de que dizer sim ao sexo SEMPRE é algo revolucionário. Se você não diz sim SEMPRE, então você está emperrando a revolução.
6) Falsificar a história das mulheres, dizendo que a opressão do sexo feminina consiste em negar que as mulheres façam sexo. Isto ignora toda a história de casamentos infantis, casamentos arranjados, estupros como arma de guerra e colonização, a história de prostitutas. A opressão que sofremos tem a ver com o sequestro da nossa sexualidade e da proibição da sexualidade lésbica.
7) Fetichização aberta de lésbicas e bissexuais.
CONCLUSÃO
O casamento é uma instituição patriarcal por excelência. Ele sacramenta uma relação de trabalho através do sexo e é um dos pilares do patriarcado. Através dele, o homem obtém trabalho sexual, laboral, reprodutivo e emocional, controlando integralmente a sexualidade feminina. Na prática, ele geralmente inclui o uso ininterrupto de controle hormonal (castração química pela pílula), ou então a esterilização pela ligadura das trompas. A camisinha é abolida na maior parte dos casos, deixando as mulheres expostas a DSTs. Por outro lado, o homem continua “pulando a cerca”, e colocando a saúde da mulher em risco. O casamento, resumindo, só é monogâmico para a mulher.
Por outro lado, a não-monogamia não representa uma alternativa de fato. Porque o controle sexual das mulheres enquanto classe não se exerce pelo casamento, mas pelo estupro. Sem estupro, as mulheres sequer veriam no matrimônio uma instituição útil ou desejável. A não-monogamia é o mero reconhecimento de uma conduta masculina milenar, que demanda um enorme número de mulheres “comidas” para validar a masculinidade do macho. Faz com que mulheres se sintam conservadoras e ridículas ´por desejarem segurança, respeito a seus afetos e corpos. Exalta objetificação. Resumindo, não é revolução, é reforma, ou, em tempos como os nossos, em que a violência masculina só faz crescer e pornografia violenta são a norma, a não-monogamia está no bojo de uma reação patriarcal anti-feminista.
Não é a erotização da imagem feminina que perturba, mas sim o fato de que é erotizada para ser apropriada, para um sexo assumir uma posição superior, comprador para mercadoria. Muitas mulheres são repelidas ao verem seus corpos tão apropriados ou transformados em mercadoria. Nenhuma de nós pode fazer mais que tentar ver claramente e dizer o que vemos. E o que não podemos falhar em ver é o ódio dos homens às mulheres e a canibalística psique masculina. As mulheres que analisam ou retratam essa psique masculina geralmente são acusadas de “atacar os homens”. Uma sociedade complacente com imagens femininas negativas torna-se absurdamente censurante quando mulheres atacam valores, comportamentos e imagens masculinos.
Marilyn French, The War Against Women
Não importa como você seja, você é linda!!!!
VOCÊ É TRANSFOBICA/TERF!!!!
Vejamos aqui a definição de transfobia ("A transfobia pode também ser definida como aversão sem controle, repugnância, ódio, preconceito de algumas pessoas ou grupos contra pessoas e grupos com identidades de gênero travestis, transgêneros, transexuais, também denominados população trans.") podemos perceber que a transfobia parte da mesma premissa que a homofobia! Ficou claro que transfobia é o ÓDIO para com pessoas transsexuais. Agora me pergunto eu, seria justo chamar mulheres de transfobicas apenas por divergências politicas-sociais?
Quado alguém me chama de transfobica eu só consigo pensar nos homens que acreditam na existência da MISANDRIA (é o ódio, aversão, preconceito ou desprezo a pessoas do sexo masculino.) Quer dizer, ou você me deixa ter voz aqui ou eu crio um termo/definição para te demonizar/diminuir. Tendo dito isso, não aceito ser chamada de transfobica. Não aceito ter a minha opinião politica-social sendo equiparada a ÓDIO. Eu não desejo a morte de nenhum transsexual. A unica coisa da qual eu posso ser acusada é de não aceitar que um homem, com biologia masculina e socialização masculina venha me silenciar dentro de um movimento criado por mulheres para libertar mulheres!
- Terf é um acrônimo do inglês para Trans-exclusionary radical feminism (Feministas Radicais Trans-Excludentes) dito isto, vamos fazer uma analise deste termo, que tem como objetivo demonizar, intimidar e silenciar MULHERES. Ou seja, terf é a mulher que exclui o transsexual das pautas FEMINISTAS. Seguindo essa linha de raciocínio eu me sinto uma terf, pois eu não enxergo onde as pautas das FEMEAS se alinham com as pautas de MACHOS que se sentem no corpo errado.
Cada um pode ~se sentir~ o que quiser. O que não tem como mudar é a realidade da socialização, a pessoa pode sim "se sentir uma mulher" (e o que é SER MULHER afinal?), mas a biologia dela não é a biologia que sofre com a maternidade compulsória e a socialização delas não tem como base a submissão.
São realidades que tem diferenças ESCANCARADAS. O ~se sentir~ não lhe torna algo! Seria como eu acordar um belo dia e dizer "Eu me sinto negra." ué Carol mas você é branca!!!!! Tá mas eu me sinto negra e eu quero entrar no movimento negro e reclassificar as mulheres negras, vou criar também um termo para "punir" as mulheres negras que não aceitarem o meu ~se sentir~. Mulheres foram criadas para ter medo de classificações, a mulher sempre teve medo de ser vista como "mal falada" "essa não é pra casar".
Agora estamos vivendo o momento do medo de classificações dentro dos movimentos politico-sociais.
Eu converso diariamente com inúmeras meninas mais jovens que me abordam dizendo que adoram o feminismo radical, mas que tem MEDO de se denominarem radicais e serem chamadas de TERF/TRANSFOBICA.
Um feminismo que deixa mulheres com medo de expressar suas opiniões? Estaria o feminismo andando pra trás?
Texto de Caroline Momberg
Em maio, “buceta” foi censurada em evento no Piauí. Imprensa se esquivou de usar a palavra em assédio de brasileiros na Rússia.
Documentário produzido pela aluna Mariah Villanova, sob orientação da docente Adriana Santana, como projeto de conclusão do curso de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. O tema central do projeto é a violência psicológica em relações “afetivas” entre homem e mulher.
Por Evelina Giobbe Tradução Laryssa Azevedo Este texto faz parte do livro The Sexual Liberals and the Attack on Feminism, editado por Dorchen Leidholdt e Janice G. Raymond, publicado em 1990. Parte…