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Stand by me. 1986.
Toph- the greatest earthbender
Hunter X Hunter. PERFEITO
Margaret Keane. Artista.
O Serviço de Entregas da Kiki. 1989. Animação fofa do Studio Ghibli.
É sempre no passado aquele orgasmo, é sempre no presente aquele duplo, é sempre no futuro aquele pânico. É sempre no meu peito aquela garra. É sempre no meu tédio aquele aceno. É sempre no meu sono aquela guerra. É sempre no meu trato o amplo distrato. Sempre na minha firma a antiga fúria. Sempre no mesmo engano outro retrato. É sempre nos meus pulos o limite. É sempre nos meus lábios a estampilha. É sempre no meu não aquele trauma. Sempre no meu amor a noite rompe. Sempre dentro de mim meu inimigo. E sempre no meu sempre a mesma ausência.
Poema O Enterrado vivo, Carlos Drummond de Andrade.
A Ghost Story (2017) dir. David Lowery
Eu conhecia essas duas pessoas. Elas eram apaixonadas uma pela outra. A garota era muito jovem, uns 17 ou 18 anos, eu acho. E o rapaz era bem mais velho. Ele era meio desleixado e selvagem. E ela era muito bonita, sabe... E juntos, eles transformavam tudo em uma espécie de aventura. E ela gostava disso. Até uma simples ida ao supermercado se tornava uma aventura. Eles sempre riam de coisas bobas. Ele gostava de fazê-la rir, e eles não se importavam muito com mais nada, porque tudo o que queriam era estar juntos.
Eles estavam sempre juntos... Sim, eles eram muito felizes. E ele a amava mais do que jamais imaginou ser possível. Ele não suportava ficar longe dela durante o dia, quando ia trabalhar. Então, ele pedia demissão só para ficar em casa com ela. Depois, arrumava outro emprego quando o dinheiro acabava, e aí pedia demissão de novo. Mas logo, ela começou a se preocupar... Com dinheiro, eu acho. Não ter o suficiente. Não saber quando o próximo salário cairia. Então, ele começou a..." Ele se sentia dividido por dentro... Bem, ele sabia que precisava trabalhar para sustentá-la, mas também não suportava ficar longe dela... E quanto mais tempo passava longe, mais perturbado ficava, só que agora, ele estava realmente perturbado. Começou a imaginar todo tipo de coisa. Começou a pensar que ela estava se encontrando com outros homens às escondidas. Ele chegava do trabalho e a acusava de ter passado o dia com outra pessoa. Gritava com ela e quebrava coisas no trailer... Sim, eles moravam em um trailer...
Enfim, ele começou a beber muito e ficava fora até tarde para testá-la... Para ver se ela sentiria ciúmes. Ele queria que ela sentisse ciúmes, mas ela não sentia. Ela apenas se preocupava com ele, o que o deixava ainda mais irritado... Porque ele pensava que, se ela nunca sentisse ciúmes dele, ela não se importava de verdade com ele. Ciúmes eram um sinal de amor. E então, uma noite, ela lhe contou que estava grávida. Ela estava grávida de uns três ou quatro meses, e ele nem sabia. E então, de repente, tudo mudou. Ele parou de beber e conseguiu um emprego estável. Ele estava convencido de que ela o amava agora, porque estava carregando seu filho. E ele ia se dedicar a construir um lar para ela. Mas uma coisa estranha começou a acontecer... Ele nem percebeu no início. Ela começou a mudar. Desde o dia em que o bebê nasceu, ela começou a se irritar com tudo ao seu redor. Ela se irritava com tudo. Até o bebê parecia uma injustiça para ela. Ele continuava tentando fazer tudo dar certo para ela. Comprando coisas para ela.
Ele a levava para jantar uma vez por semana. Mas nada parecia satisfazê-la. Por dois anos, ele lutou para reaproximá-los como eram no início, mas finalmente percebeu que não daria certo. Então, voltou a beber. Mas dessa vez a situação ficou crítica. Dessa vez, quando chegava tarde em casa, ela não estava preocupada com ele, nem com ciúmes, apenas furiosa. Ela o acusou de mantê-la em cativeiro, obrigando-a a ter um filho. Disse que sonhava em escapar. Era só com isso que sonhava: escapar. Ela se via correndo nua à noite por uma estrada, atravessando campos, correndo por leitos de rios, sempre correndo. E sempre, quando estava prestes a fugir, ele estava lá. Ele a impedia de alguma forma. Simplesmente aparecia e a detinha.
E quando ela lhe contou esses sonhos, ele acreditou. Sabia que precisava impedi-la ou ela o deixaria para sempre. Então, amarrou um sino de vaca no tornozelo dela para poder ouvi-la à noite, caso tentasse sair da cama. Mas ela aprendeu a abafar o som do sino, colocando uma meia dentro dele e se arrastando para fora da cama, adentrando a noite. Certa noite, ele a pegou quando a meia caiu e ele a ouviu tentando correr para a rodovia. Ele a alcançou, arrastou-a de volta para o trailer e a amarrou ao fogão com o cinto. Simplesmente a deixou lá, voltou para a cama e ficou deitado, ouvindo-a gritar. Depois, ouviu o filho gritar e ficou surpreso consigo mesmo, pois não sentia mais nada. Tudo o que queria era dormir.
E pela primeira vez, ele desejou estar bem longe. Perdido em um país vasto e profundo, onde ninguém o conhecesse. Em algum lugar sem idioma, sem ruas. E ele sonhou com esse lugar sem saber seu nome. E quando acordou, estava em chamas. Havia chamas azuis queimando os lençóis de sua cama. Ele correu através das chamas em direção às duas únicas pessoas que amava, mas elas haviam desaparecido. Seus braços ardiam, e ele se jogou para fora e rolou no chão molhado. Então correu. Ele nunca olhou para trás, para o fogo. Ele apenas correu. Correu até o sol nascer e não conseguir mais correr. E quando o sol se pôs, ele correu novamente. Por cinco dias, ele correu assim até que todo sinal de presença humana tivesse desaparecido.
Eu costumava conversar a sós com você depois que você partiu. Eu costumava falar com você o tempo todo, mesmo estando sozinha. Conversei com você por meses a fio. Agora não sei o que dizer. Era mais fácil quando eu apenas o imaginava. Eu até imaginava que você me respondia. Tínhamos longas conversas. Só nós dois. Era como se você realmente estivesse comigo. Eu o via, sentia seu cheiro. Eu podia ouvir sua voz. Às vezes sua voz me acordava. Acordava-me no meio da noite, como se você estivesse no quarto comigo. Depois, isso foi lentamente acabando. Já não podia mais imaginar você. Tentei falar em voz alta com você como sempre fazia, mas não havia nada lá. Já não podia mais ouvi-lo. Então eu apenas desisti. Tudo acabou. Você simplesmente desapareceu.
Paris, Texas. 1984.
Um dos monólogos mais lindos do cinema.
Paris, Texas. 1984.
Orpheus, filled with grief, journeys to the underworld to take her back. He charms this three-headed dog, Cerberus. He beguiles Hades until finally… he’s allowed to take his love back with him to the world of the living but… under one condition. She must follow behind him, and he must not turn around to look at her. Now, as they begin their ascent, Orpheus can’t hear her footsteps, so he listens… and listens and listens and listens. But all he can hear is the sound of his heartbeat. And the rest is silence. And as he approaches the gates of the underworld… he can’t contain himself any longer. He turns around to look at her, and she is… trapped in the underworld forever.
Hamnet (2025) dir. Chloé Zhao
5 centimeters per second. Makoto Shinkai. 2007.
My guilt is my own and that I carry with me. It is my present and my future. It has damned me well beyond this short life of mine.
Penny Dreadfull. Vanessa Ives.
Para onde fugiu o visionário brilho?
Onde está agora…
A glória e o sonho?
Penny Dreadfull.
Ode: Prenúncios de imortalidade recolhidos da mais tenra infância
Houve um tempo em que a relva, a fonte, o rio, a mata
E o horizonte se vestiam
De uma luz grata, — Visto que assim me pareciam —, E da opulência que nos sonhos é inata. Hoje está sendo tal como foi outrora; — Seja o que for, eu, Na luz ou breu, Eu não verei jamais o que se foi embora.
Mas há uma árvore, de tantas, uma
Um único campo para qual uma vez olhei
Ambos falando de algo que sumiu
O amor-perfeito em meu pé conta o mesmo conto de novo
Para onde fugiu o visionário brilho?
Onde está agora…
A glória e o sonho?
William Wordsworth. 1807.