Quando ouviu a fala dele, chamando-a de criança mimada, Kiki parou imediatamente tudo que estava fazendo e franziu o cenho, chocada com o que ele havia falado. Apesar de ouvir isso ocasionalmente, nunca vinha naquele tom - como um sermão e não uma provocação. Franziu o cenho em silêncio, apertando a própria barriga pela dor do enjoo. “EU NÃO ESTOU M-“ a bronca foi seguida de pedidos para que ela parasse de gritar e, quando ele segurou seu pulso, a Soul realmente parou de gritar, apenas mantendo o rosto fechado. Seus olhos, ainda que marejados, se fixaram aos do rapaz, encarando-o em silêncio. Sentiu os próprios dedos serem pousados sobre o peito dele, podia sentir ele respirando. Pensou em responder que não estava reclamando ou esperneando, que apenas estava com dor! Mas pela primeira vez, Kiki quis ficar em silêncio e apenas escuta-lo, então nem respondeu, apenas balançou a cabeça positivamente, concordando com o que ele pedia. Fechou os olhos por um segundo, e começou a copiar o ritmo da respiração alheia. Ela não era boa naquilo - manter a calma e controlar o que estava sentindo. Podia ser manipuladora em momentos de estratégia, mas quando a emoção passava por cima de si, ela apenas tinha vontade de gritar e chorar. Abriu os olhos mais uma vez, sustentando o olhar alheio por alguns segundos, antes de sentir o estômago revirar mais uma vez - o que fez ela apertar o rosto todo. Assentiu, ao ser perguntada. Queria vomitar. E por isso moveu o rosto mais uma vez, sentindo ele segurar seus cabelos novamente. O ar em sua nuca fazia com que se sentisse menos quente - estava suando frio por conta da ânsia que sentia. Detestava se sentir assim, detestava. E detestava ainda mais que estivesse precisando de ajuda de alguém que mal conhecia. “Desculpa” ela murmurou - algo raro! Kiki Soul não era de se desculpar por nada, mas já estava em uma posição de merda, não era? Ao menos era bom saber que não estava completamente sozinha. Continuava seguindo o ritmo da respiração que ele demonstrara anteriormente e foi assentindo, com a cabeça baixa. A vergonha já estava ali, não adiantava tentar ser menos pior. “Será que você pode não olhar?” Ela pediu, em uma voz mais baixa do que planejava, apertando a barriga de novo. Era questão de segundos, logo acabaria vomitando.
o silêncio que recebeu foi surpreendente. tentava não deixar muito óbvio na expressão, mas estava aliviado por perceber que kiki o escutava — finalmente poderia oferecer algum tipo de conforto e resolução pra toda aquela situação vulnerável que a mais nova se encontrava. continuava não apenas segurando os fios alheios como também respirando um pouco mais alto, assim poderia auxiliá-la no processo mesmo que a mão já não estivesse mais sobre o peito. “ tudo bem, é um momento de estresse. coisas assim acontecem. “ sequer sabia o porquê ela estava se desculpando, porém aceitou de pronto a palavra que, apesar de singela, tinha um peso absurdo ao hopps que até ali só tentou ajudar. não ser próximo da mulher não fazia com que se importasse menos com ela — pelo contrário, apenas queria vê-la bem novamente. e foi por isso que, quando o questionamento veio, desviou o olhar no mesmo momento. não tinha porque postergar o pedido. “ não estou olhando. “ afirmou num murmuro para que ela tivesse certeza, ainda agachado na mesma altura do corpo menor. não demorava até que kiki de fato vomitasse e caelan não se importava em esperar, fazendo questão de proteger os fios que segurava, em silêncio. apenas voltou a procurar pelo rosto alheio quando percebeu que a ânsia não se repetia há alguns segundos: “ você está bem? “ os dedos se desvencilhavam, mas antes de se afastarem completamente, permitiu que uma pequena mecha negra fosse colocada atrás da orelha da soul. a intenção era conseguir continuar observando-a. “ consegue levantar? podemos pegar um copo de água e respirar em um lugar mais aberto do que… bem… o banheiro. “