Com as botas gastas e sem blusa de frio, esperando se esquentar com cachaça ou com o abraço de um bêbado...
Se sentia crônico e em metástase, porque é doença atroz transformar lágrimas em aquarela e sorrisos banguelas em coisas belas e impulsos em poemas sem rima. É doença atroz querer que a vida valha a pena e que o homem seja homem num mundo de metal. Não se pode olhar por essas janelas vermelhas.
Te vendam e te vendem, te dão um sedativo e te arrancam a alma, te cortam as cordas e tiram a voz, te ensinam a sorrir para o patrão e isso já destoa de tudo. Mas precisa comprar o pão e o café, e por isso aceita...
Para quem se sente sem destino não faz diferença a direção. Não se trata de estar perdido, mas de não ter outro caminho.
Vagava vagaroso, sem pressa nem muito dinheiro, mas tinha um poema na cabeça e uma memória de mosquito.











