" Ana era feliz. Ana era profunda e intensamente repleta de amor e felicidade. Pelo menos era o que dizia a D. Aurora, que dizia que ela parecia-lhe a mulher mais bem resolvida do mundo. Já a D. Teresa dizia que Deus tinha sido bem generoso com ela e dado tudo. Ana tinha o marido (quase) perfeito, os filhos (quase) perfeitos, a casa (quase) perfeita, o carro (quase) perfeito...a vida (quase) perfeita. Pelo menos era o que dizia o Sr. José, que insinuava sempre que ninguém merecia ter tanta sorte. Mas o certo é que Ana era feliz. O marido era um bárbaro e um grosseiro, mas Ana (diziam) era feliz. Os filhos só a humilhavam e envergonhavam, mas Ana (diziam) era feliz. Sentia- se cansada, saturada, fraca e desmotivada,mas Ana (gabavam todos) era feliz. Ana era tão feliz. E toda a gente queria a felicidade da Ana. Porque todos querem o que se vê à primeira vista. E ela parecia sem dúvida tão feliz..."













