Eu tinha medo absurdos. Na verdade, todos já tiveram ou ainda tem medos absurdos. Eu tive medo do escuro e de fantasmas. Eu tenho medo de sapos e de baratas. Absurdos tá vendo! Acontece que os os medos absurdos são inúteis perto de tantos outros. Eu tenho medo do mundo. Ele é o verdadeiro monstro. O mundo é o verdadeiro fantasma que devemos temer. Eu tenho medo de me olhar no espelho e esse eu adquiri por causa do mundo. Quem tem medo de olhar no espelho? Talvez eu tenha medo das risadas, dos cochichos, dos apelidos e de todas as sentenças que eu ouvi direcionadas a mim e, olhar no espelho desencadeia tudo isso. Eu tenho medo de mim. Medo de não conseguir ser útil. Medo de não conseguir parar de repetir o discurso que eu ouvi a vida toda. As vozes me disseram que eu nunca iria conseguir alguém e eu tenho medo. Eu tenho medo de ficar sozinha porque eles disseram que eu iria. As vozes estão certas, não? Pelo menos é o que eu digo a mim mesma. Eu tenho medo de quem me cerca. Eles nunca iriam me aceitar com ela. Eles querem um ele e eu não. Eu não quero o pronome masculino, eu não quero um ele. As vozes me disseram que eu sou um resto que pode ser substituído por qualquer pecinha. Eu tenho medo das vozes. Eu tenho medo do que elas disseram, gritam, falam. E não, eu não sou medrosa por isso. Na verdade, as vozes são covardes. São elas contra uma só voz que, com toda a crueldade de suas falas perdeu sua força.












