Estou cansando de escrever sobre você, J. Meu acervo de palavras está se esgotando, e não sei se quero desperdiçar minhas últimas sílabas com você. Não tenho certeza se meus últimos segundos merecem ser gastos ao seu lado. E eu sei que não possuo motivos reais para pensar assim, mas o que posso fazer? É como me sinto e me é tão confuso lidar com isso sem saber lidar com isso. Você é o meu mundo inteiro, J, enquanto sou apenas uma figurante sem rumo no seu. E todas as suas palavras me atingem como uma bala perdida, mas que infelizmente não conseguem acertar o verdadeiro alvo e arrematar meu coração. Você não me parece convincente ao sussurrar com todas as letras, ditando cada sílaba pausadamente, proferindo que me ama. Nada do que você diz me oferece um alicerce seguro pra descansar, J, e eu não sei o porquê de eu me sentir assim, e de você não conseguir me enganar assim. Meus olhos são seus, enquanto te observo no carro entreolhar pra meio mundo. Minhas mãos são suas enquanto não sei por onde as suas andaram tateando. E sinceramente? Eu prefiro não saber. Você é o meu melhor momento, enquanto sou apenas mais um ocorrido pra você. E de tudo isso, o que consigo retirar de positivo, é que eu vejo que realmente me tornei mais impermeável, e minha armadura continua mais espessa para pseudo-canalhas feito você. Eu não sei qual o seu objetivo ao me dizer tantas coisas doces e enjoativas, J. Eu realmente não consigo entender o porquê de você selecionar sempre as melhores palavras na intenção de me impressionar - o que acontece à primeiro momento - , mas sem total fundo de verdade. Me desculpa, J. Eu posso até tentar acreditar que a sua vontade seja realmente me fazer feliz, ou metade do que sua boca profana por mim. Mas é que quando a gente cresce o coração tende a diminuir, e não posso culpar você por não conseguir acertar no que anda me causando. Eu confesso que se não fossem metades das paranoias que me circundam, a gente poderia viver algo simples e sincero. Confesso também, que se eu confiasse mais em mim, e no que eu posso fazer; caso eu acreditasse mais no meu potencial pro amor, quem sabe, eu conseguiria me desprender desse medo obstinado e dessa insegurança sem freios Mas eu não consigo, J. Não consigo deixar você adentrar meu peito com força total, e não consigo me permitir deixar levar assim, se deixar assim, ser levada assim. Eu não consigo acreditar que você realmente consiga alimentar o que diz (pra nós) no peito, eu não consigo. E por favor, não grite dizendo que não foi por tentativa, ou que falhei ao trabalhar meus defeitos, como prometi a você que o faria. Considere que apenas - ou tudo - isso sou eu. E não consigo abrir mão do que me compõe tão fortemente. Não consigo ser segura, não consigo acreditar, não consigo entender, J. Eu sei que no começo estava tudo tão bem, e que repentinamente acordo encontrando tudo do avesso. Mas é que do avesso sou eu, J. E eu não consigo permitir que você consiga arrumar minha bagunça com sua falácia de conquistador barato dos anos 60, e não vai adiantar o quanto você continue falando algo, e fazendo diferente. Porque caso eu me desfaça desses defeitos que nos atrapalham tanto, eu teria que me desfazer de mim. E isso, J, eu não estou disposta a fazer por você.