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@reclusivo
eu encontrei alguém que gosta de se sentar em meio ao vazio e observar as estrelas, encontrei alguém que coloca os planos no papel antes de amassa-los e sair em busca de algo melhor. eu encontrei o amor nos pequenos detalhes e nunca esperei que ficasse, mas ficou e fica todos os dias, mesmo quando minhas inseguranças me torturam e quando minha pele arde de medo de errar novamente, ela se aproxima e acaricia cada ferida, cada cicatriz e diz: somos um todo, somos o que passamos e o que causamos, somos a busca pelo melhor e pelo perdão, nós somos novas versões, seguindo.
Lembro de dias mais antigos onde eu achava que sabia tanto de tudo, hoje em dia sinto cada vez mais saber menos. De nada. É um sentimento conflituoso que ainda não decidi como lidar muito bem. A rotina tem me apertado tanto. Sufocado tanto. Repartido tanto. Asfixiado tanto. Que a cada dia que passa me sinto afogar cada vez mais no mesmo. Não possuo mais uma unidade completa de mim. Fui segmentando ao poder invariável do tempo sem escolha voluntária que me mantivesse ao menos intacto. Deixando partes e pedaços de mim, quase inteiros, diga-se de passagem, pelos escombros dessa história obstinada que me tanto tem tirado, acrescido já não sei. Estou exausto. Meus olhos ardem. as pontas dos dedos doem de tatear os papéis, as mesas, e qualquer outra superfície que ofereça alívio instantâneo à essa ansiedade que me consome. As palavras, que antes serviam como refúgio à esse caos, hoje, corroboram com o mesmo, numa tentativa árdua de me diminuir e não sei como proceder. Não consigo identificar nada que me traga paz, não consigo perceber e entender coisas que antes me faziam bem, porém agora são meus gargalos. A vida tem me tirado a graça de vive e já não encontro mais riso nos meus dias. Não meus. Os outros me olham como se eu não estivesse mais ali, e acredito que eles tem razão... Aos poucos vou sumindo, e de tanto me doar, acabo por me perder. Não existe mais nada aqui. As portas estão fechadas. As luzes apagadas. Favor não evocar sentimentos ruins.
Eden Victor
“Após uma semana do seu afastamento repentino, notícias ainda não invadiam minha caixa de e-mail, nem minha secretária eletrônica. Eu achei que você pudesse estar sem sinal, sem vontade, sem qualquer coisa. Mas nunca pensei que você pudesse estar sem amor. Quando quinze dias se passaram, eu decidi procurar por você. E sem, ao menos, termos brigado, descobri que você estava feliz com outra. O meu mundo desabou. As lágrimas rolaram soltas por trinta dias consecutivos. Eu agradecia à Deus por estar de férias e não ter que explicar meus olhos inchados para ninguém. Quando me reergui, achei que fosse querer dar o troco, conhecer gente nova, encher a cara, sair com outros trinta caras - só para compensar os trinta dias chorados. Mas eu não fiz nada disso. Quando eu me reergui, foi quando a ficha caiu. Você já não era mais meu. E eu, burra, tentei ser sua ainda. Achei que eu pudesse te fazer mudar de ideia. Trancafiei-me no quarto e fui inteiramente sua. Eu ligava e você não atendia. Eu escrevia e você não lia. Eu chorava e você nem tomava conhecimento. O meu reerguimento não foi forte. Foi apenas uma luz que me mostrou que não adiantava eu tentar fingir que você não era nada. Porque, por mais que eu não quisesse, você sempre seria tudo. O meu tudo. E você ainda é muito importante, não posso negar. Mas aquele gigantesco amor passou. O choro passou; a alma acalmou. Chegou gente nova, de mala e cuia para o meu coração. Chegou gente educada, pedindo licença e querendo me ganhar aos poucos. E você, se contrapondo, foi me perdendo aos poucos. Mesmo amando outra, você me procurava vez ou outra, só para ser cuidado. Porque você sempre soube que eu largaria tudo para te cuidar, te mimar, te amar. Você sempre soube que eu faria tudo para ver um sorriso no seu rosto. E, antigamente, você também faria qualquer coisa para me ver sorrindo. Antigamente, você me ligava só para recomendar bons remédios para dor de cabeça. Agora, veja só o que restou de nós dois, querido. Nada mais somos além de dois meros conhecidos. Sem ligações noturnas, sem preocupações, sem planos, sem futuro conjunto. Somos duas metades avulsas, que nem com reza brava, conseguirão se unir novamente. Não somos mais compatíveis. Eu tentei te fazer voltar a ser meu por mais de 7 meses. E você só soube me ignorar, enquanto outra te amava. Agora as coisas mudaram. Eu estou amando outro. Estou envolvida, encantada. E ele é diferente, juro. Não é feito você, que logo na primeira semana já me trocou por meia dúzia de mulheres bonitas e uma caixa de cerveja. Ele não parece usar máscara. E eu confio nele - tanto quanto confiava em você. Mas, ao contrário de você, ele demonstra o que sente. Ele acaricia meu cabelo, beija minha testa e meus olhos. Ele é o cara que toda mulher sonha. E eu o tenho. Então, mesmo que tivesse restado amor entre nós dois, eu não trocaria algo certeiro como ele, por algo duvidoso como você, me desculpe. Eu aprendi a amá-lo. E, aos poucos, pretendo aprender a te esquecer.”
— O que restou de nós. Éden Victor. (via reclusivo)
Compreenda que meus olhos ainda tem as suas cores. Que minha pele guarda o seu cheiro. Que meu coração sente teu gosto. E que é verdade que queríamos entrar um no outro naquela noite. Compreenda que eu não posso explicar nossas dúvidas. Que eu não posso discernir nossas questões. Que não faz sentido nosso querer. E que mesmo de todo mal, bem tem nos feito. E se você estiver lendo isso agora, não me julgue por ser urgente. Não me julgue por ser honesto. Não me julgue por ser eu. Mas te dou minhas palavras com a mesma naturalidade e brutalidade com que as ondas quebram na costa em dias de tempestades, fazendo com que assim, me entendas, me ouça, e note que em mim ainda existem nós. Laços feitos e desfeitos. Ainda existem camisas esquecidas em domingos abandonados no calendário de uma história que não teve fim. Ainda existem palavras debruçadas nos papéis embolorados nos quais escrevi sobre nós. Ainda existem os gostos e sensações guardados na imaginação fértil alimentada por um sentimento inebriado. Ainda existe a sua língua colada ao meu palato, existe o seu lábio procurando o meu. Existe o seu corpo no lado esquerdo vazio da cama. Do peito. Ainda existem as tuas mãos. Buscando as minhas no escuro, enquanto ainda estávamos cegos das metralhadas. Enquanto nossos corpos ainda nem tinham o tato. Enquanto nossas vozes ecoavam no vazio. Quando não havia mais chão. Quando chovia em nossas cabeças. Minhas mãos encontraram as suas. Porque existiu e ainda existe a procura. A caça. O encontro. No teu abraço eu encontrei o que eu havia perdido. O amor a mim mesmo e a vida, as pessoas e até ao que eu poderia te dar. No teu braço eu encontrei o frevo, o samba e o carimbó. A Tulipa Ruiz, o Chico Buarque, e o Jorge Ben Jor. Na tua pele, o meu cheiro. E no teu corpo, eu encontrei a mim.
Éden Victor.
‘I tried to paint on canvas: fists were paintbrushes & blood was oil.’ “This piece is actually my first performance. My aim was to use my body as it really is : a material. So I fused a canvas and a piece of waterproof fabric wherein I cut up a circle.”
“Existem milhares de coisas que eu gostaria de te contar e ainda assim eu nem sei por onde começar. Sempre que eu procuro te resumir em palavras, além de me perder em pensamentos, bagunço cada linha sem conseguir encontrar qualquer vestígio que te transpasse exatamente tudo aquilo que você consegue representar em mim. Você conseguiu em questão de minutos, fatos e acasos pôr ordem no meu caos. Você aconteceu diferente, tá sendo diferente e vai continuar assim, porque por mais que eu tente não fantasiar, e traçar metas conjuntas entre nós, os meus sonhos abobalhados, clichês e todas as minhas utopias românticas, divulgam você. Tudo ao meu redor passou a ter traços seus, e eu passei a exalar você em mim por completo sem que precise existir uma troca. Sem que exista uma física, química, ou gramática correta pra te colocar nas mãos toda a aquarela de sentimentos e sensações que perpassam por mim, toda vez que meu mundo grita o teu nome. Você me faz querer te levar ao meu lugar favorito no mundo, e te mostrar como tudo é maior e mágico quando a gente tá junto. Me faz querer ser dois, ser um; ser nós. Nem o Céu seria capaz de explicar o que a gente fez de tão complexo para que a explosão fosse exorbitante do modo como acabou sendo. É como se cada partícula minha, precisasse de cada recanto teu. E eu tô tendo que lidar agora com a intesidade estratosférica do verbo precisar, sem saber onde, nem quando, eu poderei te encontrar. São ínfimas as chances de que meu toque alcance o teu, e ainda assim essa vontade causticante não desata. Eu poderia te enumerar cada motivo, dos milhares, que me fazem acreditar em ti. Poderia te citar cada consequência de cada ato de coragem minha, ao ceder um pouco ao nosso sentimento, eu poderia sim, te mostrar como tudo pode ser visto de um ângulo pessimista, sem que nada realmente consiga dar certo. Mas você não me deixa escolha, senão confiar. Entregar cada ponto e desistir de cada motivo que me faça recuar. Provavelmente até as estrelas tenham chorado, porque não se passou um dia sequer em que eu não tenha implorado para alguma força maior te trazer aqui. Sussurrando quase que em silêncio, e denunciando minha fragilidade ao te pedir comigo. Eu realmente não consigo imaginar no que a vida estava pensando ao nos apresentar; mas eu acredito que ela tenha feito a coisa certa.”
— Éden Victor. (via reclusivo)
“Se um dia me perguntarem se sou feliz, direi que sim. E se em seguida me questionarem o porquê, direi que sou um livro escrito pela metade. Um rascunho inacabado do que há de vir. Disseram-me que ninguém é feliz sozinho, mas ninguém está disposto a dividir essa “felicidade”. As pessoas costumam sim serem felizes sozinhas, porque são egoístas, não dividem nem repartem, assim a felicidade não acaba tão rápido. Não invejo a felicidade de ninguém, apenas tenho um olhar inverso de tudo isso. Talvez apenas eu enxergue tudo isso, talvez meu ângulo notório da felicidade veio um tanto alterado. A falta de alegria, eventualidades, a falta de notícias boas, a falta de amizades verdadeiras, não me frustram, nem um pouco, não é um tipo de azar, nem falta de sorte, sou apenas uma exceção no meio de tanta gente igual. Se não satisfeitos estiverem, e me perguntarem se tudo isso veio de uma desilusão amorosa, responderei que talvez. E se me pedirem para ser mais clara, serei breve, direi que gostei na hora errada de alguém, que estive na hora errada e no lugar errado quando o conheci, e que não foi nada além de uma história previsível, clichê. Conheci alguém, me apaixonei, me dediquei, o amei, cuidei, ele foi embora, chorei, me machuquei, assim, me deixou enormes prejuízos comigo mesma. Aprendi que nunca ninguém mais poderá me fazer tão feliz, porque não espero isso de mais ninguém a não ser de mim mesma. Aprendi que felicidade é uma questão de escolha, e não uma situação. Alegria é o trem, felicidade é a estação.”
— Éden Victor.
Me faça sentir. Pegue-me a alma na fibra e me acelere o peito. Me permita o mais sincero calafrio, a mais quente troca de olhares, que se rompa em um fluxo sentimental assustador. Preciso que me tire o chão, me remova o ar dos pulmões e que cada batimento cardíaco me faça sentir a exultação de estar viva. A pulsação descontrolada do que é sentir. Peço que não me cruze o caminho sem que me permita uma entrega receptiva do que é recíproco. Sem que me conceda uma gargalhada solta, um riso frouxo, a barriga dolorida por achar graça nas voltas que nossas causas dão. Não quero que me apareça sem que toque, sem que me retoque, recorde, me traga luz, ou a mais profunda e desconhecida penumbra. Sobrevivo para sentir. Por sentir. Do sentir. E sem sentir, me converto em nada. Arranque de mim as mais sinceras palavras; os mais ardentes desejos; os mais remotos escritos: as cartas que rasgadas estarão no fim de cada discussão abobalhada debruçada na mesa de um bar, ou na esquina de um motel barato, cercados na fumaça densa do cigarro que costumo dividir. Mas não aconteça indiferente. Não me cause indiferença. Peço que me permita por menor que seja, uma fração requisitada de viver. Me faça sentir. Me tire do sério. Do tédio. Da rotina. Do cotidiano. Do corriqueiro. Me coloque na mais turbulenta montanha russa e vendada. Faça de mim a mais colorida aquarela explodindo em cores Almodovarianas, ou faça de mim o mais melancólico e solitário cinza. Só não me tire de mim. Não me negue o sentir. Não me negue a ti. Porque sentir, sentir não é escolha. É dádiva. Benesse na qual aceito sem pestanejar. Porque sentir sou eu, e sem ti apenas sou. Metade solitária do conjunto de um só.
Éden Victor.
Hoje eu quero voltar sozinho, (2014).