A casa que estava vazia entrou em reforma.
A luz parecia em alerta demais, isso atrapalhava a visão de quem entrava. Ao contrário do que muitos pensam e acreditam, a luz não pode estar forte, branca, padrão; tem que estar mais fraca, em modo de leveza, isso te faz perceber que ali tem calmaria depois de um dia cansativo, com alguém pra conversar. De repente a luz ficou assim, decidi reformar algumas coisas da casa, passar a ter cuidado com novos detalhes, lembrar que eles sempre foram os que mais importaram. Mas não os detalhes que faziam mal, que pediam espera, não, os detalhes suaves, que te fazem imaginar possibilidades palpáveis. Engraçado que ela se envolve nesses detalhes sem nem perceber, no sorriso aleatório e alto por bobagens, que eu incrivelmente paro tudo pra compartilhar. Nas palavras calorosas que ela insiste em dizer sempre que temos algo a conversar, discutir, idealizar. No jeito de cuidar, achando aquilo a decisão mais básica e sem imaginar que, na verdade, eu sequer tive dois por cento daquilo. Ou, no meu preferido, os detalhes da forma como ela parece ver o mundo, como se todas as folhas tivessem a mesma importância dos livros altamente complexos que ela lê, como se as pessoas tivessem importância pra alguém e como tudo interage de uma forma diferente e ainda sim interligando algo entre si. Como se a vida dela interagisse com a minha sem que quiséssemos, forçadamente, isso. E de repente, percebi que todos os sorrisos, todas as palavras, os jeitos, as percepções, tudo começou a fazer sentido entre nós.
E portanto, a reforma.














