esses teus lábios molhados,
adoçam o âmago dos meus pilares de carne,
e eu, sem nem saber da hora e do lugar,
me rendo.

@theartofmadeline

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let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
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@casuz
esses teus lábios molhados,
adoçam o âmago dos meus pilares de carne,
e eu, sem nem saber da hora e do lugar,
me rendo.
será que o universo gosta de cuspir coisas na nossa cara? porque ele tem me jogado você em todos os lugares. o seu nome (grande desconhecido pra mim) virou o novo nome mais popular brasileiro; encontro-o virando a esquina, na boca de outros, nos dias recém nascidos e em sorrisos antigos. fiquei muito surpresa quando o encontrei ontem, no hospital, enquanto era remediada por uma enfermeira. um ventinho simples passou e, sem querer querendo, derrubou todas aquelas fichas lotadas de pacientes, mandando uma folhinha timida aos meus pés. peguei-a com delicadeza e, só de toca-la, agradeci imensamente ao deus por ter distribuÃdo uma porção de pequenas coincidências que me mandaram adoecida para aquele local; estava lá o número par de letrinhas da palavra tão bonita que compõe seu nome. um frio na barriga me consumiu, o mesmo que sinto quando você passa com passos rápidos por mim no corredor, tornando-me uma refugiada da memória só pelo mÃnimo vestÃgio do cheiro da sua pele. fico tipo: sim, já posso fazer minha oração por ter tido uma segunda feira abençoadissima! acho que o universo te cospe para mim todos os dias, e odeio confessar que não sou a pessoa mais receptiva aos seus sinais, mas só de ter essa pequena porcentagem de você, estampando felicidade no meu dia a dia inútil, viro a mais fiel seguidora.
Pequenas Ofertas
Eu era bem pequena quando ganhei meu primeiro girassol. Todo dia, corria para o quintal, pois queria vê-lo crescer. Mostrava-lhe meus desenhos da escola, os joelhos ralados e os segredos que eu guardava só para mim. Mas ele nem me olhava. Preferia passar o dia inteiro com o peito virado para o sol, me doendo, porque nem minhas histórias, meu carinho e meu cuidado faziam sua face dourada virar-se para mim.
— este foi meu primeiro amor.
eu não sei
quem sou,
quem fui
e para onde vou.
e acho que
nunca vou saber.
(criança idiota!)
mas se eu pudesse ter
seu rosto uma última vez,
para além do reflexo deste copo,
eu saberia
exatamente
onde ficar.
prisão epistemológica.
aqueles olhos estão em mim e não sei se estão abertos ou fechados pois não tenho consciência do que sou. agora os olhos estão a poucos segundos a frente, temo não ter tempo para acompanhar a frequência; será que a cor vermelha que enxergo é a mesma que ele enxerga? ou se divergem? porque se a realidade não se apresenta para nós da mesma forma, como posso garantir que a minha alucinação não é concretamente palpável nesse plano? tudo me parece fugaz ao nascer da manhã; o céu está branco. frio demais. pássaros que não cantam. o meu cabelo anemico cai. será que o mundo existe mesmo? estava acordada de madrugada e não sabia que estava no sonho; minha perspectiva mudou para forma geométrica, como com sangue alcoolizado, mas a minha sanidade era muito maior do que meu peito. se ele e eu não percebemos a existência da mesma forma, o que garante que a conhecemos plenamente suficiente? eu vejo tudo aquilo que minha cabeça consegue criar, e é muito mais real do que tudo que existe e me ilude naquele passado com sua onipresença que se apresenta de maneira fantástica para mim. a memória ri idiota de minha ingenuidade, já que não sei medir lucidez carregada de inexistência. quero que o real tenha contornos; quem determina as limitações do entendimento, me diga? cala a boca controle inútil, expanda sua disciplina para domÃnios longe do meu cérebro. tudo o que quero é encontrar meu coração, que perdi em algum lugar dessa terra e não sei se o que vejo é a coisa em si, em sua totalidade. quem determina os parâmetros da sanidade? o inferno está nos olhos, sim, sim, diabo encardido disfarçado de concepção social. quero correr para longe desse sistema, em um mato que perca todos que o decifrarem.
(texto terceiro do dia; vÃcio inerente
A minha cabeça não funciona como quero;
tenho paz, calma, saudade e turbulência.
A coragem me escapou do peito,
engoli a técnica e a métrica em uma mordida,
mas não consigo digerir capacidade.
Nem sei que dia estamos e em qual paramos.
Lembro-me pouco da partida dessa terra,
mesmo que o cheiro continue sempre igual:
vou parar de beber, prometi, finalmente
mercúrio retrógrado
abri uma gaveta antiga.
para guardar minha revelação:
camisola pintada de renda,
luz de alinhamento nessa revisão.
e se antes o céu estava escuro,
no peito aéreo desse signo,
agora a lua pinta choques escondidos
e me sussurra mudança de percepção.
não conheço mais aquele eu do passado,
já que tenho um novo corpo nesse mundo:
crescimento confuso me presenteia clareza
e segue ressuscitando minha realização.
29 de junho.
O saltador
vermelho sangue,
desejo
e chocolate.
escutei cativada sua melodia,
rosto de felino sob comando enfeitiçado
enquanto escuta silencioso meu anseio:
me presenteia com tua bagagem de criança,
prÃncipe limiar das forças humanas
atendendo meu querer tão bem querido.
gratidão imensa nesse hino,
(agradeço, agradeço, agradeço);
meu santo me protege dos perigos,
me faz ser terra grande-mansa com sentido,
correu do céu com teu poder até esse plano
e aceitou bondoso o meu lirismo.
para desvendar prazeres enterrados,
ofereço-te meu canto só de letra
e meu organismo templo do seu intermédio,
para que dele me faça ter algum motivo,
e realizas, como sempre, o meu pedido.
tu te abeiraste da praia;
meu querer absurdo me faz fugir
sonho coragem, mas temo tentativa.
não busco sábios, nem ricos
somente quero te seguir.
tu não me olhastes mais nos olhos,
revelou tanto quando me viveu:
escondo covardia nessa teia de cinzas,
e a cigana finalmente cantou
com a violência de cartas que não mentem:
mate sua culpa logo criança idiota!
porque ele continua salvando o desejo.
meu deus meu deus por que nos abandonaste?
continuo fragmentada quando bebo aquele torso
chorando universo pela transição clara que está vindo
nessa distância segura para manter aparências,
mantenho o peito na expectativa para o buquê
já que a carta do anel é o sÃmbolo da ativação
e o chicote pinta o desgaste naquele passado.
meu deus meu deus então não nos abandonou?
o caminho ainda está aberto, claro
mas toda mágica tem a sua limitação.
a Carta saiu duas vezes:
passaremos, passaremos, passaremos.
(sobre noemi, joão jaques e roberto)
tenho ausência: acordo, arrumo minha cama e compro pão na padaria para o café. quanta ausência! continuo reparando em coisas mÃnimas; o cheiro da chuva sem aviso, as músicas da esquina e a luz atravessando pela janela antes da tarde sumir. sinto sua ausência; o mundo não para e gosto de me entregar bastante ao seu leito irreal, com suas contas vencidas, dias comuns que nascem e meu riso caÃdo de coisas bobas. sinto tanta ausência, e me encontro bastante com outros, consigo amar em todas as manhãs para despedir minha boca de olhos doces. tenho namorado muito uma canção que prova existir vida antes da morte, e se algum dia vivi antes da sua ausência, vivo igual estou vivendo hoje. e por mais que eu sinta ausência, só me tornarei um ausente se em algum dia transformar sua falta em uma religião. enquanto isso não acontece, sua ausência é minha saudade, e minha saudade é a sua mais linda presença.
se só por acaso você cair em mim nos seus pensamentos, não desvia o caminho não. quero saber se o vento aà fora sopra a meu favor ou se o céu continua fechado. caso o meu rosto aparecer na sua memória enquanto esquenta o café, deixa o orgulho um pouquinho de lado e dá um sinal de vida. pode dizer que foi só um estalo, um reflexo no espelho, mas diz que eu passei por lá. caso for aquela lembrança tÃmida, que dura o verso mÃnimo de uma música e logo foge, me avisa também. conta do seu jeito único e risonho que quase digitou meu nome, que o dedo escorregou na tela, que o impulso quase venceu a distância e que, por um fio, a tarde não voltou a ser um dia quente de abril. se algum dia você passar por aquela rua deserta, desacelera um pouco; não precisa voltar e nem tirar foto, só reparar se a garganta apertou por um segundo. e se o meu espaço aà dentro só estiver no esquecimento, não tem problema, vou inventar uma história muito bonita em que você atua muito bem em fingir que não se importa, e sigo admirando a sua habilidade de seguir sem olhar para trás, guardando o peito trancado a sete chaves. à s vezes olho para o relógio e me pergunto se o nosso tempo corre na mesma velocidade. estava aqui perdida, como sempre estive, e quis saber se ainda conto as horas, esperando, já que conto os dias. recebi um tampinha nas costas de Deus e, com um sorriso triste, já que ele sabe das coisas, escutei que os dias sempre passam rápidos, e ruim mesmo é quando contamos até os segundos. só então percebi que a distância tem mecânica; não estou paralisada em cada tique taque, mas fico pesada como uma âncora ao entardecer. se a sua saudade for dessas que só vêem de vez em quando, num sábado chuvoso ou terça feira nublada, não guarda só para você não. me conta . só para eu guardar um pouquinho de paz nesses meus dias inúteis. quem sabe assim habitamos o mesmo pensamento.
inspirado em um texto de bruno fontes
inacabância
dia trincado de frio quieto,
o vento ensaia uma voz que não tenho
e ele vem, inevitável
com mãos sábias sem promessa
e boca cheia de possibilidades.
e parada ali, na beira de mim,
dividida como um prato quebrado
já que posso me derramar inteira
ou endurecer para não esparramar.
se não pulsa eu nego,
porque se não canta, não sangra
mas é meu músculo quem vacila
quando meu seio aprende a despedir
de uma ideia que insiste em ficar.
meu choro vem inadequado
quando perco o eu que não sei procurar
o espelho nunca me deu uma certeza
só uma interrogação no lugar das pálpebras.
ele vai chegar em um mundo não mudado
enquanto eu continuarei sem promessa de ser:
peço licença para me esconder atrás do que nunca fui
e finjo aprender o que nunca vou fazer.
abandonar o medo exige devaneio e santidade
para encarar a ânsia do que não se viveu
e deixar o ar puro entrar exigindo
um espaço pequeno entre o vão e o vidro.
manual para dias comuns
Tô indo do meu jeito. Meio torta, meio intensa, sem sorrisos fora de hora e silêncios repentinos. Gosto de um café das seis da tarde até madrugada, ideias grandes que morrem pequenas e promessas de mundo que me entreguem só uma terça-feira qualquer. Não tenho pressa. Nem urgência. Só falta.
Se você preferir, eu espero. Dez, onze anos. Espero o tempo necessário para as coisas deixarem de ser ensaio e sim, finalmente, apresentação. Só não posso garantir que, no meio disso, as memórias não comecem a se embaralhar. Às vezes tento forçar a lembrança, mas ela vem com detalhes borrados, como fotografia esquecida ao sol. Tem coisas que eu juro ter vivido com intensidade, lembro do cheiro, da música ao vivo e da frase dita no ouvido, mas quando paro para pensar, já não sei se aconteceram mesmo ou se foram construções sensibilizadas da minha cabeça, tentando preencher lacunas. Tenho a estranha sensação de que criei versões melhores do que foi, e suspeito que apaguei o que doeu demais. Acho que a mente é esse lugar que a verdade negocia com a saudade até os dois se tornarem indistinguÃveis.
Mas vou seguir com meus dias, então. Sem juramentos, sem datas marcadas no calendário do peito. Tenho encontros mal combinados, escrevo tarde da noite e danço numa sexta qualquer. Se a vida resolver surpreender, que surpreenda. Afinal, o que quero mesmo é ser feliz, mesmo que a felicidade seja diferente da propaganda.
disfarce
Joane abriu a gaveta emperrada do armário e a encontrou: a velha camiseta deixada para trás. Esquecida acidentalmente — ou de propósito, só para encher a garota de trabalho. O tecido já estava batido e nem guardava mais aquele cheiro, mas ainda tinha a forma habitual. Joane a olhava e não conseguia deixar de pensar em como aquele misto que sentia era uma peça de roupa que ficara grande demais em sua fisionomia. Ela vestia aquela ausência que sobrava nas mangas, arrastava no chão e a fazia tropeçar no meio da sala. Tem gente que joga fora, que queima e que doa, pensou. Ela guardava. Porque, no fundo, continuava esperando pelo dia em que a camiseta deixaria de ser esquecida — seria lembrada com uma batida na porta e a voz conhecida dizendo que veio buscar o que é seu. Joane riria e teria que explicar que o que daquela voz pertencia, agora, era seu espaço inteiro.
presença difusa
seu cheiro
assume minha figura
em todos os lugares
e me ocupa como água
que toma forma de quem a abriga.
cozinha minha vontade,
devorando meus preceitos,
e ainda brinca com
minha saciedade.
derrama-se
nessa lágrima em fuga
borbulhando nos altares
como fenômeno em reforma
tocando-me sem textura.
cÃclico
sonho bonito
com o céu opalino
de dias comuns
(joelhos no chão,
esquecimento
impossÃvel.)
ouvidos de menina,
lendas antigas
pescadas no rio
nesse mundo pequeno demais.
e dessas histórias mais preciosas
meu vô entendia mais;
ouros perdidos na mata,
criaturas misteriosas,
segredos de seus tempos jamais,
encaixados agora no ciclo natural
da sua meta-mudança de plano,
inevitável caso humano
do destino e seus pontos vitais.
mas ainda não aqui-lá
vou lembrar das tuas histórias
que ainda vivem na memória
sem se transformar.
e transformando o rito de passagem
de uma vida pra outra
presença na ausência,
partida sem partida;
porque enquanto cantarei teus causos,
à beira dos mesmos rios,
seguirás vivendo
no sonho que deixou comigo.
inÃcio
fim.
chega.
pare.
palavras demais.
tento evitar
e espero:
vira verso
contra mim.
mente falha
desmonto assim.
consciência abrupta
você entra.
saia já
equação
grande demais.
penso — desmorono.
como
eu quero.
é tanto que não fico.
tanto que só espero.
te olho? — não.
(cada vez que invades mi espacio,
intento contenerte con palabras.
fracaso.