"Era para mexer sozinho. O fato de estar correndo é uma surpresa." Não era uma invenção revolucionária. Já tinha visto milhares de espanadores mexendo sozinhos. Greta apenas estava tentando entender o mecanismo por trás do feitiço. Sua intenção era criar uma versão temporizada ou que atendesse móveis específicos em vez de passar em qualquer superfície. Observava com as mãos nos quadris enquanto o objeto corria pela mesa do Salão Principal. Tinha desistido de tentar pegá-lo por achar engraçado como as pessoas se assustavam quando passava. "Era para tirar a poeira, não caçar a poeira. Mas uma vitória é uma vitória, não acha?"
Roger, o irmão mais velho de Greta, tinha passado o verão com a família pela primeira vez anos. Seus pais quiseram fazer algo especial e acabaram em uma casinha de campo que tinha um bom espaço descampado. Greta e o irmão aproveitaram para jogar Quadribol. Foi muito bom, porque queria retornar confiante para o time. Mas com a proibição e toda a história dos castelos, a confiança foi ficando em segundo plano junto com o próprio quadribol. Agora que podiam transitar pela área externa novamente, via outros jogadores ansiosos para voltar a jogar, treinando. E, apesar de sentir-se da mesma forma, Catchlove via em alguns um pouco mais do que ânsia. "O quão rápido acha que consegue pegar o pomo quando voltarmos a jogar?" Perguntou, enquanto observava o batedor da Sonserina agitando o bastão. "Estou com o leve pressentimento que vão tentar nos matar, se for possível."
Desde que os castelos apareceram, Hogwarts tinha se tornado um lugar insuportável para alguém como Gilderoy Lockhart. Todo mundo parecia preso na mesma conversa havia dias, a mesma baboseira de barreiras mágicas, teorias temporais e possíveis colapsos dimensionais, como se metade daqueles alunos realmente soubesse do que estava falando. As pessoas estavam tensas, abatidas ou obcecadas demais com o mistério e Gilderoy achava aquilo um desperdício de uma crise tão grande. Se Hogwarts insistia em se transformar em um drama coletivo, pelo menos alguém precisava garantir que aquilo fosse interessante. Foi exatamente por isso que um enorme cartaz mágico apareceu naquela manhã perto das escadarias principais. A caligrafia impecável, os detalhes encantados nas bordas e o título exageradamente dramático, assinaturas suas. O Clube de Teatro anunciava audições abertas para uma nova peça autoral de um dos alunos: Hogwarts School Musical. Segundo o texto, excepcionalmente todos os alunos poderiam participar, inclusive aqueles sem talento aparente ou experiência, já que o momento exigia inclusão emocional. Naturalmente, metade das pessoas que passavam parava para ler. E naturalmente, Gilderoy estava por perto para assistir. Sentado em cima de uma das mesas do saguão, ele acompanhava as reações com interesse. Quando percebeu alguém se aproximando do cartaz outra vez, Gilderoy ergueu os olhos imediatamente, sorrindo daquele jeito charmoso e convincente. “Então, está considerando nos dar o prazer de uma audição?”
O cartaz capturou sua atenção. Dificilmente não o faria. Greta tinha o hábito de assinar sua participação em qualquer atividade que fosse tirá-la da sala de aula só pelo prazer de estar fora de sala. Mas teatro era algo que nunca tinha pensado em fazer por exigir coisas que não se sentia capaz de dar. Decorar falar, posições, ter coordenação motora para interagir com outros em cena. Fora a atenção em si, a deixaria totalmente sem jeito. A aproximação de Lockhart a assustou, mas acabou rindo logo em seguida. "Só se você for meu par romântico." Respondeu com o tom bem humorado. "De jeito nenhum. Vocês ia me chutar para fora depois da primeira linha."
𝐨𝐩𝐞𝐧 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐚 𝐭𝐮𝐫𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟕𝟔 [𝐮𝐩 𝐭𝐨 𝟓] "Ai porque os castelos e as linhas temporais e o garoto que parecia o Weasley e a Prewett... Que tal vocês calarem a porra dessas bocas?" Visivelmente alterada por uma quantia absurda de álcool, Bellatrix discutia com uma dupla de alunos mais novos da Sonserina. Encolhidos, os pré adolescentes trocavam olhares entre si - como se avaliassem o melhor momento para fugir - e ao mesmo tempo encaravam a varinha na mão da monitora, com medo do que poderia ser conjurado pela língua afiada e fora de controle, conhecida por ter histórico. "Querem saber o que realmente é uma merda? Descobrir que a camisinha furou e o cara que você estava pegando era um sangue ruim." Ela fez um floreio com a mão que segurava a varinha, assustando ainda mais as crianças, mas antes que pudesse realmente soltar um feitiço impulsivo ou continuar dando detalhes da sua vida sexual em alto e bom tom no meio dos corredores, a presença de outra pessoa a distraiu, libertando os mais novos da sessão de tortura. Eles saíram correndo e Bellatrix se voltou para a nova companhia com um revirar de olhos: "O que é que você quer?"
Foi por acaso que Greta passou e presenciou a cena. Distraída como era, passou reto primeiro e só depois percebeu que algo parecia estranho. Recuou devagar e gastou alguns minutos apenas avaliando o que via. O evidente estado alterado da Monitora, a varinha em sua mão, os pobres jovens em sua mira. Não parecia um posição agradável de se estar. Parte sua sabia que era uma péssima ideia se envolver. A outra parte não ficaria em paz, se não fizesse nada. Assim, Catchlove foi se colocando entre a varinha e as crianças com muita cautela para não atrair atenção logo de cara, sinalizando para que recuassem. Não olhou para trás ao ouvi-los correr, por estar mais preocupada com quem estava a sua frente. "Te avisar que está fazendo um papelão." Respondeu com evidente, e um tanto descabido, atrevimento. "Eu diria que ninguém está interessado na sua vida sexual, mas do jeito que as coisas andam, toda fofoca é bem-vinda. Então cuidado, viu? Vai ser o próximo assunto da semana."
ㅤㅤ keep playing my heartstrings faster and faster. you can be just what i want, my true disaster .
﹙ ⎯⎯ ⋆ 𝐇𝐎𝐍𝐄𝐘 𝐇𝐀𝐕𝐎𝐂⠀ ⠀⸺⠀ ⠀)⠀ ⠀aquela é greta frances catchlove , de dezenove anos. ela é membro da casa lufa-lufa em hogwarts e está cursando o nono ano. além disso, você pode encontrá-la no quadribol, jornal da escola, sociedade de estudos de criaturas mágicas, sociedade de pesquisa mágica experimental e clube de feitiços, em seu tempo livre.
﹙ ⎯⎯ ⋆ 𝑷𝑬𝑹𝑺𝑶𝑵𝑨𝑳𝑰𝑻𝒀⠀ ⠀⸺⠀ ⠀Greta é aberta, amigável e genuinamente interessada nos bem estar dos outros. Está sempre disposta a ajudar, seja com um problema sério ou uma tarefa simples e raramente espera algo em troca. Tem uma curiosidade prática sobre o mundo e prefere aprender através da experiência do que dos livros, o que a torna muito mais observadora do que muitos imaginam. Embora suas notas nunca tenham sido extraordinárias, Greta é criativa, adaptável e possui um bom senso crítico. É o tipo de pessoa que encontra soluções inesperadas para problemas comuns e que consegue manter a calma quando os outros começam a entrar em pânico.
Seu maior defeito talvez seja a falta de direção. Greta costuma se interessar por muitas coisas ao mesmo tempo e tem dificuldade em decidir onde concentrar seus esforços. É facilmente distraída, procrastina mais do que deveria e frequentemente subestima a importância de planejamento e organização. Também tende a evitar conflitos sempre que possível, guardando incômodos por mais tempo do que seria saudável antes de finalmente expressá-los. Por trás da personalidade descontraída existe a sensação de que está sempre cercada por pessoas mais inteligentes, mais talentosas ou mais ambiciosas do que ela. Embora raramente admita isso em voz alta, às vezes se preocupa em nunca descobrir exatamente qual é o seu lugar no mundo devido à sua ânsia de explorá-lo.
﹙ ⎯⎯ ⋆ 𝑩𝑰𝑶𝑮𝑹𝑨𝑷𝑯𝒀⠀ ⠀⸺⠀ ⠀Greta cresceu entre dois mundos. Seu pai era um bruxo, sua mãe uma trouxa. E nenhum dos dois jamais tentou convencer os filhos de que um mundo era mais importante que o outro. A magia fazia parte da rotina da família tanto quanto as compras de sábado, os jantares em família ou os passeios pelo centro da cidade.
Desde pequena, Greta foi uma criança inquieta. Gostava de explorar, subir em árvores, desmontar coisas para descobrir como funcionavam e voltar para casa muito depois do horário combinado. Enquanto outras crianças passavam horas sentadas com livros, ela preferia estar em movimento. Era curiosa, sociável e raramente conseguia ficar parada por muito tempo.
Seu irmão mais velho recebeu a carta para Hogwarts quando Greta ainda era muito nova. Durante anos ela ouviu histórias sobre o castelo, os professores e o quadribol. Cresceu sonhando com o dia em que também pisaria nos corredores da escola.
Quando finalmente chegou a Hogwarts, descobriu rapidamente que não era o tipo de aluna que impressionava professores com notas perfeitas. Greta nunca teve dificuldade para aprender, mas tinha pouca paciência para decorar páginas e páginas de teoria. Suas notas costumam ficar na média: boas o suficiente para passar sem problemas, mas raramente brilhantes.
Fora da sala de aula, porém, é uma história diferente.
Greta participa de praticamente tudo que desperta seu interesse. Clubes, eventos escolares, atividades extracurriculares, competições amistosas e qualquer oportunidade de passar menos tempo presa a uma carteira. Também desenvolveu uma paixão enorme pelo quadribol, tanto como espectadora quanto como participante, encontrando no esporte o mesmo entusiasmo e liberdade que buscava em quase todas as áreas da vida.
Embora não seja considerada uma das alunas mais inteligentes de sua turma, possuí uma inteligência prática admirável. Muitos colegas recorrem a ela quando precisam de ajuda com situações complicadas, especialmente aquelas que exigem improviso.
Sua criação entre o mundo mágico e o trouxa também lhe deu interesses pouco convencionais. Greta sempre demonstrou curiosidade por tarefas domésticas, culinária e pelos pequenos encantamentos que tornam a vida cotidiana mais fácil. Enquanto alguns colegas sonham com carreiras grandiosas no Ministério ou em áreas acadêmicas prestigiadas, ela se interessa por coisas muito mais simples e, para muitos, muito mais estranhas.
Ainda não sabe exatamente o que vai fazer depois de Hogwarts. Mas tem certeza de uma coisa: não pretende passar a vida inteira atrás de uma mesa. Existe um mundo enorme lá fora, e Greta está determinada a descobrir o que pode fazer com ele.