I hate to see your heart break @Daire
Apesar de estar decidida a conversar com David, Claire não conseguia deixar de lado a sensação de que estava sendo completamente infantil. E a vergonha iminente de estar se comportando como uma garota boba a deixava muito nervosa e sem saber como agir. Isso nunca tinha acontecido antes. E a irritava em vários níveis. A garota respirou fundo, enquanto tentava manter o mínimo de controle. – Você está me incomodando. – disse, sem pensar muito à respeito, e se arrependeu quase imediatamente. – Desculpe, eu não quis dizer isso, não dessa forma. – tentou consertar, mas falhou de forma miserável. Apertou os dedos de David que estavam entrelaçados aos seus, evitando que ele sequer pensasse em puxa-los. – É melhor sairmos daqui, antes que o professor nos expulse. – Virou de costas para David e rumou para fora da sala, para seu alivio pôde ouvir os passos dele logo atrás de si.
Não precisou ir muito longe, naquele mesmo corredor havia várias salas vazias, e Claire entrou na primeira delas. Enquanto caminhava, tentou colocar seus pensamentos em ordem, e só esperava que fosse capaz de manter uma conversa sem que se arrependesse de cada palavra que saísse de sua boca. Esperou que o garoto entrasse na sala e fechou a porta. Caminhou até ele, e parou a alguns passos de distância. Era provavelmente a primeira vez aquela semana em que se encontravam a sós, e embora soubesse que precisavam ter uma conversa séria, não pôde evitar o pensamento de que trocar uns amassos em uma sala vazia era algo muito mais interessante a se fazer. Entretanto, com o humor que David se encontrava era muito mais fácil crer que ele lhe pediria o ombro para chorar pela morte de Dominique. O silêncio se estendeu por um curto tempo, e sabia que era ela quem deveria interrompê-lo. – Quando disse que você estava me incomodando, me referia ao seu comportamento. – apertou as próprias mãos de uma forma quase obsessiva. Sinceramente, o relacionamento com David ainda lhe levaria a insanidade. – Eu sei que nosso relacionamento mudou um pouco nas últimas semanas, mas acho que ainda sou sua melhor amiga, certo?! – suspirou. – E sei o quanto Dominique era importante para você, e que a morte dela não é algo fácil de encarar. – usou de todo o seu autocontrole para não revirar os olhos. Definitivamente Claire às vezes era uma pessoa horrível. – Enfim, acho que você poderia falar comigo sobre isso, em vez de me excluir o tempo inteiro. – usou um tom de voz muito baixo, afinal sentia-se constrangida em ter esse tipo de conversa.
Conforme o que eu já havia assinalado antes: ignorar Claire foi uma péssima ideia. Como sempre. Entretanto, se eu fosse conhecido pelas minhas boas escolhas, já não estava mais na escola há uns bons três anos – no mínimo. Ainda assim, eu deveria saber melhor, certo? E parecia realmente idiota usar como desculpa para qualquer coisa o luto por uma pessoa que eu não falava – que eu sequer pensava! – há meses.
Respirei fundo, olhando para qualquer lugar da sala vazia, menos para a minha namorada. Não sabia direito como me expressar e, pior do que isso, não tinha certeza do que Claire queria ouvir. Porque, bom, nós dois sabíamos que eu estava agindo desse jeito por causa de Dominique, isso era bastante óbvio. E porque, por Merlin, Claire era uma das pessoas mais complexas – pra não dizer estranhas (no bom sentido, sempre) – que eu conhecia. Ela havia demonstrado tantas emoções diferentes nos últimos cinco minutos que, se eu tivesse uma imaginação um pouco mais fértil, chegaria à conclusão de que ela estava com ciúmes de uma pessoa morta. A possibilidade, é claro, soou tão bizarra nos meus pensamentos que foi prontamente descartada; e eu apenas considerei que ela estava chateada porque eu a excluí.
Percebi que ela ainda esperava uma resposta e, meio confuso, me sentei, dando uns tapinhas do meu lado para que ela se juntasse. – Me desculpa, sério. – Eu estava sendo sincero. – É claro que você é minha melhor amiga, Claire, é só que... – Você também é minha namorada, né? – Passei a mão pelos cabelos, confuso. – E eu achei que seria... Estranho... Chorar a morte da minha ex pra minha atual? – Soltei um suspiro, me sentindo um pouco frustrado. – Sei lá, eu estava chateado e não queria te chatear também, essas coisas... – Voltei a olhar para ela. – Não deu muito certo, hein? Me desculpa. Mesmo. Você sabe que eu sou idiota. – Dei um sorriso fraco para ela. – Mas que não vivo sem você e tal. – Acrescentei, tentando melhorar as coisas.








