“Não sabia que ser educada ao ponto de não te deixar falando com o vento era sinal de que eu me importava.” Retrucou, levemente arrependida de ter se dirigido a palavra com o loiro. Por que ela sempre fazia aquilo? Seria tão mais fácil se apenas o ignorasse e fingisse que nunca tinham se conhecido. “E não me chame de lindinha.” Murmurou entredentes. Detestava aquele apelido. Ou qualquer um que pudesse sair dos lábios alheios. Poderia ser infantilidade, mas Claire tinha seus motivos para tratá-lo daquela maneira e não deixar que criassem intimidade. A começar pelo fato do rapaz ser um completo egocêntrico mimado. Claire odiava qualquer tipo de atitude parecida. Seguiam pelo fato de ele nunca a deixar em paz. Isso desde que ela tinha apenas doze anos, é importante ressaltar. E principalmente, a Landvik odiava, com todas as suas forças, a forma como ele deixava parecer que poderia conquistá-la quando quisesse.
A risada alta e irônica de Claire deixava bastante clara a sua opinião sobre o que ele falava. “Talento?” Arqueou a sobrancelha. “Não sabia que você poderia ter algum senso de humor, Cedric.” Aquela era uma boa. De todas as vezes que jogara contra a casa de Cedric, a morena sempre esteve focada em ganhar dele. Treinos de quadribol com Land eram sinônimos de discussões claras entre os dois. Ao menos, ela discutia, já que Cedric sempre preferia agir como fazia naquele momento. “Um tapa na cara? Essa recompensa você pode ganhar a qualquer momento. Basta pedir, amor.” Fez questão de dizer, levantando-se do banco que estava sentada até então e aproximando-se de Cedric com os braços cruzados. “Então vamos jogar aqui e agora. Ah ops, você machucou o bracinho voando sozinho.” Fez um bico falso nos lábios, direcionando os olhos para o braço alheio que até então ele reclamava sobre. “Acho que resistência não pode entrar na sua lista de qualidades.” Deu de ombros como se aquele fosse apenas um comentário inofensivo e nada provocativo vindo dela.
Sua expressão mudou, no entanto, ao ouvir a fala alheia. Ali estava o que a fazia ficar ainda mais incomodada com Cedric. A maneira como lhe colocava como todas as outras garotas daquela escola que caiam em seus braços em dois segundos. Aproximou-se mais um passo do loiro e o encarou nos olhos. “Você sabe, Romanov, que as coisas não funcionam assim. Aprenda de uma vez. Eu sou demais para o seu caminhãozinho e todos esses anos de falha apenas deixam claro isso.” Murmurou com firmeza, querendo que aquelas palavras apenas entrassem na cabeça do outro de uma vez. “Continue tentando, amor, mas o final dessa história sempre esteve muito claro.”
“Você, educada? Bem, é exatamente essa a razão por você se interessar. Veja, como educação não é exatamente seu forte, tem outro motivo por trás. E todos nós sabemos qual esse é” seu tom se mantinha irritante, e Cedric podia sentir o ódio exalando de Claire. Era óbvio, porém, que tal reação apenas o instigasse a continuar. Ainda se impressionava por nunca ter levado um soco na cara ou algo parecido vindo dela que, sendo bem honesto, estava fadado a acontecer. Claire, assim como ele, não era exatamente uma aluno exemplo de Durmstrang, sempre no meio de confusões. Cedric, por sua vez, não conseguia desviar dos problemas, e, sinceramente, nem ao menos tentava. Admirava a emoção e o fervor de estar em apuros, talvez esse sendo o motivo para tanto aprontar na escola de magia.
Por mais que a provocasse o bastante, tinha de admitir que a garota sabia como retrucar. Falar sobre quadribol e, principalmente, sobre sua participação no jogo, era algo que afetava o Romanov. De todas as coisas presentes em Durmstrang, Quadribol era a única que realmente significava para o loiro. O único compromisso que não faltava, que não se atrasava, que se esforçava. Suas notas não eram péssimas, porém também não eram extraordinárias. Como artilheiro, porém, era indiscutível a boa performance de Cedric. Com uma expressão amarga, o menino sacou sua varinha e, sem pensar duas vezes, exclamou ‘Reparo!’, feitiço que colocou sua mão no devido lugar e, como recompensa, fez com que ele segurasse um xingamento, proveniente da dor. “Cmon, Claire, sei que está se sentindo ameaçada porque eu jogo melhor do que você. Mas, se quer realmente provar isso, podemos jogar aqui e agora, resolver de uma vez. Meu braçinho já está bem melhor agora”. Como ele era burro. Burro o bastante para sugerir algo do tipo com a Landvik! Sabia que, se o resultado não fosse bom para si, a menina tiraria sarro dele pelo resto da vida. Agora, se as coisas fossem contrárias... “Que tal uma aposta?” sugeriu, erguendo suas sobrancelhas em uma expressão sugestiva. Obviamente, ele se aproveitaria muito bem da situação.
“Wait, what? Você é muita areia para o meu caminhãozinho?” ele repetiu, quase engasgando ao meio de suas risadas. “Oh, well, vejamos quem é a metida da história. Sabe, você me acha egocêntrico e arrogante, mas vejo que os papéis podem muito bem estarem trocados” ser comparada a ele certamente seria algo que faria Claire subir pelas paredes, ele pensou. Entretanto, algo que a menina dizia era verdade: por muito tempo, Cedric realmente persistia na Landvik, sempre tentando conseguir algo com ela. Com o passar dos anos, entretanto, tais investidas se tornaram uma espécie de jogo para o Romanov. Não possuía verdadeiras esperanças em ficar com a menina, afinal, sabia que nunca iria acontecer. Ainda sim, desfrutava de situações como essa. “Então, amor, não se preocupe. Uma hora você irá ceder, e vai ver que meu caminhãozinho é muito maior do que pensa”