Querência de cor
Queria ser uma cor
onde a luz tocasse
e despertasse
todas as nuances.
Onde a luz não tocasse
e mesmo assim
me alcançasse
e através das sombras,
eu ainda a enxergasse.
(Janeiro/2021)
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Querência de cor
Queria ser uma cor
onde a luz tocasse
e despertasse
todas as nuances.
Onde a luz não tocasse
e mesmo assim
me alcançasse
e através das sombras,
eu ainda a enxergasse.
(Janeiro/2021)
Ventania
Inquieta anda minha mente
Não sabe onde as respostas estão
Cada pensamento vindo é em vão
Vão pra longe do meu presente.
Dos olhos uma lágrima é rente
Encolhe sem ar o pesado peito
Inspira todo o rarefeito
Teme e quer o que é displicente.
Tenho sido de certezas carente
Meus pés não pertencem ao chão
Sempre voou livre o meu coração
Junto do que de mim é diferente.
Podem surgir certezas reluzentes
Que meus olhos cegam com tanta luz
O brilho de coragem se reduz
Escuro iluminado à frente.
Olha-me então a dúvida sorridente
Com quem tanto tenho lutado
Inimiga que tenho tanto amado
De quem eu sempre fui decorrente.
E inquieta continua minha mente.
(Junho/2020)
Guerra silenciosa
Os olhos revelam tudo
E assim foram os meus
Viu sofrimento,
Viu contradição,
Uma guerra intensa dos eus.
Meu peito rasgou-se
Diante de toda essa batalha
Mal bate,
Mal sente,
Envolto está numa mortalha.
E minha garganta travou-se
Vários nós ela tem carregado
Mal passa o ar,
Mal passa a voz,
Silenciada por aquilo
ainda a ser desvendado.
(janeiro/2021)
Paciência
Sua voz toca meus ouvidos,
entra suavemente,
assim como é seu timbre.
Aos poucos alcança alturas,
que ecoam em meus abismos,
e reverbera revelando,
meus velhos eufemismos.
Máscaras que mascaram
A dor.
Seu som preenche meus sentidos,
silenciando meus ruídos.
Sua harmonia esclarece a minha,
e suas notas notam o que sou.
Com seus acordes eu acordo,
e percebo que não concordo,
no rumo tão certeiro
e derradeiro,
que os meus pés tomou.
(outubro/2020)
Milonga
Ouço a milonga
Meus pelos põem-se de pé
Pressentem o chegar de algo
Algo além do que penso que é.
O grave toca minhas sombras
Convenientemente adormecidas
As embala com o grave do silêncio
Cheio de som em toda sua medida.
Doce é o repouso do breu
Caminho sem luz, reconfortante
O agudo enfim toca o obscuro
As sombras gritam então delirantes.
Loucura causada pelo brilhar
O não sabido que se apresentou
Milonga dos Anjos que me fez escutar
Àquilo que sequer um dia se aparentou.
(Julho/2020)
Enxaqueca
De novo o pulsar
Algo há, e quer sair
Talvez as fumaças da implosão
Talvez os entulhos da razão
Uma dor que não sei
se já senti.
É dor estranha
Daquelas que não tiram a paz
Parece que o choro eu quero
Mesmo ele não vindo, eu espero
São lágrimas secas,
que não virão jamais.
(março/2021)
Dupla
Há duas aqui,
Duas:
Uma boa,
a outra obscura.
Uma que ama,
a outra que é dura.
Uma doente,
a outra que é cura.
(novembro/2020)