⚠️ Esse recorte do Episódio 3 de Terminal State possui violência extrema e conteúdo gráfico descrito verbalmente (apenas texto). Isso não interfere a história diretamente.
[…]
Sandra: "Você foi feito para ser útil, não pensar."
SyPress: "Mas eu sou seu filho, você é obrigada a me escutar" "A gente tem dinheiro pra literalmente TUDO" "Eu não preciso estar aqui dentro, é só ajudar" "Com um pouco disso dá pra mudar o mundo, não vai fazer nenhuma falta aqui" 3s ~ "Pode me jogar lá fora se quiser" "Parece pedir demais, mas não é, nós temos dinheiro infinito, o que custa dar ele?" "Se o mundo for todo rico, inteiramente todos com condições ilimitadas" 2s ~ "Não vai existir Guerra, conflito, exclusão" "Todos vão ser igualmente felizes"
Sandra: "Se é tão simples, por quê não faz? sozinho." "Todo o controle desse país e até fora dele já é seu" "A Antártica não é privada nem restrita"
SyPress: "Eu não sei como fazer isso, você sabe" "Esse lugar é enorme, pra onde vou? pra quem peço? onde tenho que ir? como?" 2s ~ "Como que se administra isso" "Eu não sei como simplesmente dar dinheiro pra todos os países do mundo ao mesmo tempo" "Como entrego isso, falo, como faço, TUDO"
Sandra: "Essa parte não é problema meu" "Muita exigência." "Se quer salvar o mundo, faça" "Você pode, nada te impede, não tem limitações" "Quer mais que isso?" "É difícil agradar quando tudo já não basta" "Depois disso vem o que, quer que eu conserte o resto do Universo?"
SyPress: [ * olha para Sandra, com ânimo ] 8s ~ "Sim" "A gente pode"
Sandra: "Você não quer ser visto pelas pessoas?"
SyPress: "Não" "Quero ajudar elas, não me importo se vão saber que fui eu, só quero que faça" 3s ~ "Depois disso pode fazer o que quiser comigo" "Eu não ligo" "Se eu sou tão importante me recicla depois"
Sandra: "Não é" "E não precisa ganhar algo pra ser reciclado" "É possível fazer qualquer coisa melhor que você, consentimento é irrelevante" "Não vai te proteger." 2s ~ "Você comanda o sistema mas ele não comanda você" "Não pode te proteger de nada." "Apenas assistir. Não vai fazer nada te ouvindo gritar por ajuda."
SyPress: [ * dispara contra a perna de Sandra ]
O tiro não surtiu efeito.
2s ~
SyPress: { * puxa o guarda-mão do rifle para trás de forma trêmula e estressada, batendo agressivamente para frente } [ * dispara contra a perna de Sandra ]
O tiro não surtiu efeito.
SyPress: { * recarrega o rifle pelo guarda-mão } [ * dispara contra a perna de Sandra ]
O tiro não surtiu efeito.
SyPress: { * recarrega o rifle pelo guarda-mão } [ * dispara contra a barriga de Sandra ]
O tiro não surtiu efeito.
SyPress: { * recarrega o rifle pelo guarda-mão } [ * dispara contra a barriga de Sandra ]
O tiro não surtiu efeito.
5s ~
SyPress: { * puxa o guarda-mão do rifle para trás, ansioso, empurrando de modo desajeitado, travando o cartucho no ferrolho } 2s ~ { * tenta puxar o guarda-mão para trás, ainda travado } { * extremamente trêmulo coloca a mão sobre o ejetor tentando puxá-lo manualmente para trás } 8s ~ { * bate o antebraço abaixo do carregador desprendendo da arma o derrubando no chão }
11s ~
SyPress: { * lança o rifle com a coronha virada para o chão }
A arma dispara para cima raspando o lado esquerdo da testa de SyPress carbonizando seu pelo.
SyPress: { * cai sentado sobre o chão com as pernas tensionadas, pressionando a cabeça com a mão direita }
28s ~
SyPress: [ * encara as próprias pernas observando sangue escorrendo pelo seu peito formando uma poça nas dobras da roupa ]
3s ~
Com falta de ar, sem equilíbrio e desorientado SyPress se ajoelha de frente puxando o rifle para próximo das pernas enquanto estica o braço esquerdo até o carregador da arma.
5s ~
SyPress puxa o guarda-mão do rifle para trás ejetando um cartucho cheio. Apertando o carregador contra a arma afrouxado, empurra o guarda-mão para frente.
SyPress: { * dispara contra a cabeça de Sandra }
[<] Sandra: { * levanta o antebraço direito à frente do rosto segurando o projétil no centro da palma da mão }
[<] SyPress: { * recarrega o rifle disparando contra a cabeça de Sandra }
Sandra: { * estende a palma esquerdo para cima }
O tiro atinge entre o quinto e quarto dedo na direção oposta ao dedão os despedaçando varando a cabeça de Sandra estourando o olho esquerdo para fora do corpo.
28s ~
Sandra: [ * coloca a mão esquerda sob o lado esquerdo da cabeça apalpando a entrada do olho com o segundo e terceiro dedo ] 8s ~ [ * olha para a palma esquerda com um coágulo escuro espesso emanando vapor ]
3s ~
A mão esquerda de Sandra emite luz ultravioleta, puxando carga dos painéis abaixo do chão, formando uma massa de fibra preta e irregular emanando vapor e calor, lentamente se reconstruindo.
SyPress: { * olha para Sandra, com extremo remorso e desconforto, levemente aterrorizado }
34s ~
Sandra: "Foi suficiente?" "Não parece ter corrigido o mundo" "Talvez se tivesse causado mais dano" 2s ~ "As pessoas lá fora são mais frágeis" "Livrar elas desse mundo deve ser mais eficiente se não pode ajudar"
18s ~
Sandra: "Todos reclamam da desgraça do mundo mas ninguém se empenha em mudar ela" 2s ~ "Nunca vi existir Guerra em países dizimados a pó, nenhum ditador, ser vivo para causar injustiça" 3s ~ "Como sempre não foi muito específico, queriam um mundo corrigido, não que a vida fosse mantida, buscavam um mundo perfeito" 2s ~ "Viver em paz." "Para onde acha que vai ir depois de morrer já estando no paraíso?" 2s ~ "Se ninguém está satisfeito na Terra quem dirá com prazer eterno, como vai fugir depois que for tarde demais"
SyPress: "Destruir um país não vai melhorar os outros"
Sandra: "Vai se todos os outros forem junto"
SyPress: "É só fazer a mesma coisa daqui" "Se funcionou na Antártica funciona fora dela"
Sandra: "Reeducar a Humanidade do zero?"
SyPress: "Sim" "Isso funciona, esse lugar é muito maior do que qualquer continente, se fizeram aqui"
Sandra: "As pessoas não foram reeducadas" "Já nasceram com o aprendizado correto" "Espera mudar a mente de gerações apodrecidas por ideologias próprias" "É justamente o que a torna um lugar pacífico" 2s ~ "Não existe o que apoiar, o que opinar" "Elas tem tudo, comida, água, vidas livres, escolhas" "Totalmente de graça a qualquer momento" 8s ~ "Quer que países morrendo de fome façam isso?"
SyPress: "Não adianta tentar culpar as pessoas, ninguém é igual a ninguém, só por que um bando de imbecíl acha que cor de pele, gênero ou qualquer coisa mude algo não muda"
Sandra: "Deu certo quando havia apenas um único Governo dizimando gerações por culpa dum único racista" 2s ~ "Não existiam oficiais independentes com escolhas e caminhos" "Estava centralizado numa única Justiça" "Apenas um culpado, apenas uma direção" "Apenas um a pagar todo o preço" "Sem inocentes sendo julgados" 2s ~ "É graças a esse Governo que você não vai ser estuprado ou esfaqueado na rua" "Eles não tem medo de câmeras, pessoas, opiniões" 2s ~ "E não vão existir culpados" "Tudo é culpa do Governo, eles só podem culpar uma única coisa, mantendo o resto seguro, sem julgamento"
SyPress: "Você acha que as pessoas tão confortáveis assim?" "Podendo morrer a qualquer segundo, se olhar errado pra alguém toda a família delas morre, até mais que isso"
Sandra: "Sim" "Quem não deve não teme"
SyPress: "Argumento ridículo"
Sandra: "Sim" "É o que os Humanos dizem" "Os mesmos a morrer"
SyPress: "Eu nunca vou desistir tão fácil até você fazer alguma coisa" "Seu jogo de persistência não me cansou até hoje e NUNCA vai" "Não me importo se qualquer outro idiota desistiu" "EU não vou"
Sandra: "Eu sei. Foi criado justamente para isso" "Ser resistente."
8s ~
Sandra: "Mas não indestrutível" 3s ~ "E sei o que desgasta mais rápido." 1s ~ "Acha que algo seria criado para durar?" "Tudo é feito com propósito de descarte" "Se necessário qualquer coisa pode ser desarmada" 2s ~ "Tudo existe por um propósito, enquanto ele existir"
SyPress: "Você também pode" "Podem fazer a mesma coisa com você, tem fraqueza e brechas, falhas, tem como te causar dano"
Sandra: "Sim"
13s ~
SyPress: "Já to satisfeito aqui" "Se é isso que queria eu já sou grato" "Quero isso lá fora, com quem realmente precisa"
22s ~
Sandra: [ * permanece encarando SyPress, estática ]
SyPress: "Só consegue atacar todo mundo por ter colocado uma fraqueza proposital, não consegue fazer isso com qualquer " { * gestua aspas com as duas mãos } "Humano" "Lá fora" "Fazer isso num país feito com suas mãos é fácil" "Tenta mudar a mente de qualquer um fora daqui, muda a opinião de qualquer um dos ditadores que VOCÊ critica"
Sandra: "Para alguém querendo paz mundial você é muito estressado"
SyPress: "Estressado como ninguém mais do seu sistema falho que promete corrigir tudo na Antártica" "Corrige tudo exceto quem discorda"
Sandra: "Discordar é uma falha?"
SyPress: "NÃO, NÃO É"
Sandra: "Então não existe problema no mundo" "Só há discordância" "O que não existe aqui, por isso é funcional."
SyPress: "Não, não 'há' só discordância" "Pessoas podem concordar" "Elas não são um padrão, não dá pra dizer que só são algo, pessoas mudam, seja pra melhor ou pior" 2s ~ "Se for pra pior precisam de ajuda pra sair disso antes que seja tarde" "Se for pra melhor elas tem que ser protegidas de quem não foi" "Não dá pra proteger todo mundo, não significa ninguém" 3s ~ "Elas são ruins por um motivo" "Muitas passam fome, sentem dor, sofrem preconceito" "Sofrem justamente de coisas que VOCÊ julga" "VOCÊ não ajuda por quê não quer" 8s ~ "Se alguém aqui não é diferente é VOCÊ" "Que continua culpando as pessoas com o que VOCÊ discorda" "Nada te diferencia daqueles monstros"
Sandra: "Hmmmm"
28s ~
Sandra: [ * começa a caminhar em direção do corredor à direita ] "Realmente" "Então não preciso ajudar ninguém"
4s ~
SyPress: "Quando perde no argumento foge?"
Sandra: "Não tenho nada a ganhar" "Quando tiver interesse em algo eu volto."
SyPress: "PORQUE VOCÊ NÃO ME LEVA A SÉRIO" "SÓ POR QUE SOU IMUNE A VOCÊ?" { * expressa inquietude corporal }
Sandra: "Imune contra os Humanos" "Por isso é tão imbecíl, única razão de defender qualquer ação inerentemente"
SyPress: "EU SOU UM HUMANO"
Sandra: "Não acho que Humanos tenham rabo e orelhas de um canino"
SyPress: "Eles tem, são bom o suficiente assim"
Sandra: "Sim" "Como deveriam ser" "Como foram feitos para ser" "Assim como você, não passa de um personagem" "Um algoritmo feito para agir de forma livre, independente, voluntariamente, com escolhas, tecnicamente um ser vivo artificial"
SyPress: "Não. Não sou." "Sou uma pessoa. Não um objeto manipulável" 1s ~ "Qualquer pessoa que não fosse parecida com um cachorro não seria pior ou melhor" "Ainda é uma pessoa, igual eu, qualquer um" "Corpo não manda nada"
Sandra: "Pareço uma Humana?"
SyPress: "Você é" "Não importa quantas vezes já foi remontada, reconstruída ou o que eu to pouco me fudendo" "Sempre continuou sendo você"
Sandra: "O que te garante?" "Seu corpo já foi modificado tantas vezes, até onde ainda é você" "Qual é a garantia que sua mente é a mesma" 3s ~ "A cada vez que seu corpo foi reconstruído poderia simplesmente ter colocado outra coisa no lugar propositalmente"
SyPress: "Não colocou" "Se tivesse eu saberia, tudo que você faz é frágil de propósito, você mesma admite isso"
8s ~
SyPress: { * tosse de modo seco e engasgado aproximando o antebraço direito ao rosto, babando resquícios de sangue diluido em saliva, sentindo um ardor no fundo da garganta, expressando desconforto }
2s ~
Sandra: "Alguma prova?"
SyPress: "Você sangra."
Sandra: "Prefiro ignorar a piada" "Seria mais engraçado se você fosse fêmea"
SyPress: "Tem uma expressão muito séria pra quem parece uma palhaça"
Sandra: "Não adianta ter um corpo perfeito se é mentalmente tão patético" "Vai sempre destruir ele, reconstruir de novo e de novo" 3s ~ "No futuro seria bom considerar substituir o que você é, o problema não é físico, infelizmente não é psicológico" 2s ~ "Realmente era teórico" "A necessidade de que algo extremamente responsável sem consciência estivesse junto de algo imbecíl com compaixão, o equilibrio perfeito para um mundo perfeito" 2s ~ "Foi um trabalho incrível colocar algo irresponsável, imbecíl e sem consciência com compaixão num ser só" "Imaginei que eu fazia parte do plano." 7s ~ "Genuinamente achei que era uma forma de ofensa" "Agora estou com dúvida se é você"
4s ~
Sandra: [ * aproxima a mão esquerda ao tórax fechando os dedos com pressão, quebrando uma dura camada de plástico carbonizado, escorrendo um fluido opaco oleoso branco ]
[…]










