A limitação do pensamento, as autoridades mentais e a Verdade
Acredito ser este um assunto importante como primeiro post, pois se não compreendeis tal questão não poderemos seguir em frente juntos. Nossa mente é um depósito de experiências, todas elas, obviamente, baseadas no passado. Afinal de contas, você só sabe algo que já aprendeu, e o aprendizado é sempre baseado em vivências anteriores. A memória é resultado da experiência, portanto, é limitada pois toda a experiência é limitada. Nossos pensamentos estão o tempo todo a relacionar experiências e memórias. Nosso cérebro funciona de maneira reativo-associativa, não é verdade? Todas as nossas ações, nosso modo de falar, de vestir, de tratar os outros, de agir, de comer, tudo é guiado pelo nosso passado, pelas nossas experiências, pela tradição, pelo costume, por esse caráter associativo e reativo da mente.
Visto isso, é preciso agora penetrar mais fundo. Se todas as nossas experiências são limitadas, e, portanto, nosso pensamento é limitado, tem as idéias, ideologias e crenças tamanha importância e significação? Afinal, o que são as idéias além de pensamentos, de associações, todas elas, sem exceção, baseadas em algo aprendido, algo que vos foi dito? Se compreendeis que toda a experiência é limitada, naturalmente compreendeis que todo o pensar é limitado. Não há a Verdade em idéias, ideologias ou crenças, pois todas as idéias podem ser combatidas com outras idéias. Você pode ter uma “opinião” sobre alguma coisa e alguém te apresentar ótimos argumentos que façam você mudar sua opinião. Portanto, se uma idéia pode ser mudada, tem ela tanta importância? Quando falo idéia aqui, estou me referindo a tudo: crenças religiosas, nacionalismos, preconceitos, opiniões, ideologias de todo e qualquer tipo. Desde tempos imemoráveis existem guerras: indivíduo contra indivíduo, semelhante matando semelhante, e pelo quê? Sempre a favor de uma idéia, de uma crença, de um preconceito ou ideologia que, como já vimos, não passam de meras abstrações. Se você vê a significação das palavras que estou dizendo com certeza vê também o absurdo e infantilidade de todas essas atrocidades que sempre estiveram presente na vida do homem e que trazem tanto sofrimento, dor, aflição…
Toda essa sucessão de sofrimento que ocorre no interior de cada um de nós e que se externaliza das formas mais várias possíveis se dá pela autoridade mental que criamos de acordo com nossas insignificantes e inválidas ideologias. Nos identificamos com algo que nos foi ensinado e o tomamos como verdade absoluta: passamos a defendê-lo. Assim, nasce a autoridade interior. A autoridade exterior é resultado da interior e é facilmente percebida. É também facilmente percebido tudo aquilo que ela implica, que é a violência e o medo. Todo e qualquer tipo de autoridade gera violência e medo. Por isso, é imperativo que nos libertemos da autoridade, tanto interna quanto externa. Você pode facilmente rejeitar as autoridades externas: não aceitar imposições sociais, políticas ou religiosas. Não aceitar o que dizem os padres ou as pessoas de prestígio social. Mas nada disso possuirá significação se, interiormente, você estiver preso às suas próprias autoridades: suas crenças, suas opiniões, seus desejos de vir-a-ser algo, e etc. A autoridade mental é sutil e dificílima de ser percebida, porém não é menos malígna do que a autoridade exterior. Se tens qualquer tipo de autoridade interna, isso lhe dá sensação de poder, de superioridade, e assim, te separa do resto da humanidade, o que causa, naturalmente, inúmeros conflitos. Vendo o perigo da autoridade, como uma chama que arde e fere, continuarás a pregar e a lutar por defender suas idéias, crenças e opiniões? A Verdade não é baseada em nenhuma idéia. Não há um caminho ideológico que leve à Verdade. Apenas a autovigilância constante do que VERDADEIRAMENTE somos nos leva à compreensão, e tal compreensão leva a uma mente calma, tranquila, e, portanto, capaz de enxergar o que é verdadeiro. A Verdade não é minha ou sua, ela É. Pois ela pode ser vista por todos: é um fato. Idéias podem ser combatidas com outras idéias, mas os fatos não podem ser combatidos: eles apenas SÃO. Você pode, baseado em seu autocentramento, não gostar de um fato, querer mudá-lo ou, pelo contrário, gostar dele e louvá-lo. Mas nada disso muda o que É. Não importa o que você pense sobre o que é, aquilo não deixará de ser. A importância está, pois, em vermos aquilo que é, aquilo que verdadeiramente somos e o que implica vivermos nossas vidas de tal maneira, pois a observação constante e imparcial que leva a compreensão do que é TRANSFORMA o que é. Se desejais viver com paz, felicidade e alegria é imprescindível que haja em tua vida a consciência da importância do autoconhecimento, pois é só através dele que há a verdadeira transformação, é só através dele que se encontra a Verdade e a libertação de todas as nossas aflições.














