OMS: Filantropia, lentilha e fake news
Por: Layssa Gabriela Tavares Ferreira
Genebra, 16 de julho de 2022
Vacinas, fake news e ampliação. Essas foram as palavras mais ouvidas durante a primeira sessão da OMS no dia de hoje. Após a delegada dos EUA informar que as doações de vacinas para COVID-19 foram dadas para ajudar a população mundial, o delegado da Rússia afirmou que o seu discurso era “meramente demagogo” e que a nação americana não faz nada por bondade, mas sim porque há algo bilionário envolvido.
“Não é filantropia, não é bondade, os Estados Unidos só não querem perder dinheiro”, afirma o delegado russo. Dando continuidade, o referido delegado, objetivando contrapor a delegação norte-americana, que seria contrária ao “desenvolvimento” dos países em subdesenvolvimento, anuncia algumas soluções para a problemática debatida, tais como: investir em pesquisas e em vacinas, distribuindo-as por grupos, priorizando os minoritários e estruturar os países subdesenvolvidos para produzirem seus próprios insumos.
O delegado da Palestina, por sua vez, concorda com os argumentos apresentados pela Rússia, afirmando que seria “muito melhor do que dar, seria ensinar a pescar”. Tal fala gerou um certo impacto durante a reunião, à vista disso a delegação canadense, como de costume, tentou apaziguar a situação.
Diante disso, a delegação da Rússia se manifestou novamente afirmando que não se deve pensar que há apenas dois lados no mundo, ou seja, “a caixinha do certo e a caixinha do errado”, como bem disse a delegada de Israel. Continuando com o tema da vacinação, as delegações dos Estados Unidos e da França dizem durante a sessão que “talvez” a vacina não chegasse na Síria devido a uma certa desorganização interna e aos constantes conflitos que a região convive.
A delegação americana, no que lhe diz respeito, afirma que criar um fundo de investimentos para países em desenvolvimento é algo “fora da realidade”, enquanto a delegação russa insiste em investir fundos em tecnologias para ajudar os países menos favorecidos.
Durante os debates, a Índia afirma que há três pontos a serem analisados no seu país: a escassez de postos nas áreas rurais, a baixa adesão às vacinas por falta de informação e criação do site de vacinação por parte do governo, mas que se encontrava em inglês, o que diminuía as chances de acesso à informação, já que a maioria da população não tinha acesso ao idioma.
Já o delegado canadense, em sua defesa, afirma que a Rússia deveria prestar atenção na sua nação, declarando que aquela “flerta” com a censura, e que o delegado tem inclinação a acreditar em narrativas, pouco se atendo aos fatos. Em seguida, o delegado diz que o presidente do Brasil tem um comportamento parecido com o da Rússia e que ambos os casos de fake news vêm se agravando.
A Índia, por seu turno, a fim de incentivar e ampliar as ações vacinais no seu país, dava lentilhas às pessoas que tomaram a vacina. À vista disso, grandes potências como EUA, Rússia e Brasil se posicionaram de forma contrária a esses “incentivos”, alegando que isso funcionaria como uma espécie de “suborno”. Finalizando o debate, a China se opõe a essas potências alegando hipocrisia por parte dos EUA, já que estes fizeram muitas “ações” incentivando os seus cidadãos a tomarem a vacina.