proesia
despropósito é te querer sem ao menos saber o motivo do traço sair todo tremido só de pensar em você e as palavras mais salientes os versos cheios de prosa bem livres e desimpedidos de qualquer crítica ou desdém.
Elisa Bartlett
Game of Thrones Daily
Misplaced Lens Cap

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proesia
despropósito é te querer sem ao menos saber o motivo do traço sair todo tremido só de pensar em você e as palavras mais salientes os versos cheios de prosa bem livres e desimpedidos de qualquer crítica ou desdém.
Elisa Bartlett
Kamala. Pushkar, Rajasthan, India. Maciej Dakowicz.
Joseph Akel
Curvo-me ao destino que risonho me garante: não sou sua dona. Não há como aceitar de forma que não me doa o estômago que as pessoas se vão independente do que eu possa querer dentro das minhas entranhas. Não sou sua dona. Nunca serei. Por outro lado, penso na minha liberdade em toda a sua consumação e jamais poderia deixar de desejá-la a aqueles que de alguma forme superaram as barreiras impostas pelo que sou: abismo. Uns por pouco não pularam e outros, por mais pouco ainda nem por perto ousariam passar não fosse a melancolia que me atraiu e fez insistir em ter tais olhos descansando sobre os meus. Ainda que insistir seja preciso existe em mim algo que me impede de ir além do profano e banal. Sou impedida de tentar conhecer a fundo as masmorras em qie seus verdadeiros conflitos internos residem. Só de pensar no quão superficial isso nos obriga a ser meus olhos lacrimejam. Quero.as as dependências não sou só minhas. Porém ignoraria, se fosse você, qualquer possibilodade de mergulho. Não tenho fim. E se o tenho, eu mesma nunca o alcancei. Não sei o qie esperar dessas relações prometidas que por infeliz motivo ou glória, fracassam no mais tardar dos meses. Porque é sempre possível resumir em meses. É sempre possível em vezes. Não teria possibilidade de retribuir, ruiria , d. Surtada e melancólica, sempre me lembrando do passado e suas mazelas sobre as costas da minha alma. Sempre me lembrando dos olhos alheios. Esse seria um jogo de azar. De perdedores. E desculpe admitir, tenho perdido coisas demais. De mim e dos outros. Os outros. E principalmente a poesia que um dia me trouxeram e a fiz minha. Desculpe me aproveitar do seu silêncio pra dar mais desculpas, mas não sei me explicar. Não sei onde o erro está e não sei se quero descobri-lo, pois saber e não conseguir consertar me destruiria por dentro. As pessoas tem me afetado mais do que eu gostaria e me tornei mais humana. Não gosto muito do que me tornei. Consisto em pedaços de todos os afetos e me amo mais. CDM. 19/01/2015
Os padrões foram para as alturas. O seu cheiro e olhos inpregnaram todo o meu ser durante anos. Anos. Nunca me vi como o tipo de pessoa que perde o ar quando bate os olhos em alguém, nunca havia baixado a guarda ao ponto de me dar conta de que tudo sobre a minha frieza era passível de mudança repentina. Eu não sei como dizer isso sem tremer de medo, mas aquela sensação sempre me acompanha quando você descansa os seus olhos nos meus e me engana falando alguma bobagem e me confunde e irrita. Nunca havia acreditado em nada do que senti. A forma abrupta com que o furacão passou não me deu tempo pra refletir sobre que espécie de sentimento era aquele, a iminência dos seus olhos... Eu entrei na barca sem saber a duração ou destino. Eu me dispus. Eu me dispus e acompanhei o balançar durante os dias até que chegasse a um suposto fim. Até que eu tivesse que descer enquanto você seguia viagem. Passarinhamos ambos. E os anos nos acompanham como linhas paralelas, e eu ainda não entendo uma porção de coisas. E eu não consegui embarcar em outros furacões, porque não eram fortes o suficiente. Porque não havia me recuperado do primeiro. Porque depois daquilo, temi. Temi que pudesse acontecer de novo e de novo. Temi que não acontecesse jamais. Tentei recuperar os eixos e entender melhor toda a minha relação com o mundo afetivo. As pessoas ao redor amam e desamam como quem pisca, expira e retira de si a presença do sentimento. E inspira para si a lembrança. O engraçado e sentir na boca do estômago aquela sensação engraçada que eu senti aquela noite no bar. E todos os encontros que sucederam aquela noite tem sido regados pelo mesmo frio na barriga. Depois de um tempo percebi que as coisas duram um determinado tempo sem que percebamos. Mas quem faz as determinações sobre isso eu desconheço, assim como desconhecia esse sentimento e essa causa. Aquele mês me mostrou de forma escancarada que eu não sabia de nada e hoje menos ainda. O furacão veio pra bagunçar meu âmago de certezas e me dizer baixinho ao pé do ouvido “mal sabes…”. Mal sei… O que realmente temo é que o furacão só passe uma vez. Não gostamos da mudança. É difícil admitir, mas eu não sei como terminar. Nem o texto, nem o raciocínio, nem eu mesma e a lembrança que se faz tão presente. Tudo aquilo serviu para desalinhar os meus preceitos e reavivar as crenças que eu pensei nunca ter. Eu não sei como lidar e cada passo me encaminha para uma esperança descabida. É difícil admitir, mas eu não sei como terminar.
Tu me travas. Tu me travas o coração.
CDM. 18/02/15
Difícil é concluir-me, com o passar dos anos e amores, cada dia mais, efêmera. Difícil é, com essas artimanhas do destino e os dissabores frequentes lebados ao paladar da alma, deixar-me levar pela inspiração que tanto me pressionava a desafogar mágoas e cavar mais fundo, mais fundo. Em busca de mim e dos outros, em busca dos padrões que me faziam retornar aquele amor cujos olhos…. Não é um tributo ou melancolia, não é saudade, não é tristeza. Às vezes sinto que perdi o tato literário ou apenas a vontade de apalpa-lo. Por mais sádico que possa parecer, a dor não tem sido grande ao ponto. É assustador sentir-me como os apáticos, os lividos, as runas, os tarôs, o azulejo português ignorado ou qualquer coisa que represente o desuso. Existem os que não se incomodam em ter uma vida regada á camomila: um chá e um amor, por favor. Mas não iluda-se ao pensar que já não sei ir… Nunca imaginei que a pele e a alma, marcadas, se exauririam tão logo quanto o amanhã. Nao me venha com chás quando o que me toca a boca do estômago e vibra é tequila e um amor forte. CDM. 22/05/15
Waterton by Jeremy Weber
O amor só chega ao fim para descobrir que é infinito.
Essa minha secura, essa falta de sentimento, não tem ninguém que segure, vem de dentro.
Vem da zona escura donde vem o que sinto.
Sinto muito, sentir é muito lento.
LEMINSKI, Paulo. “Parada Cardíaca”
Há um pássaro azul em meu peito que quer sair mas sou duro demais com ele, eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja. Há um pássaro azul em meu peito que quer sair, mas eu despejo uísque sobre ele e inalo fumaça de cigarro, e as putas e os atendentes dos bares e das mercearias nunca saberão que ele está lá dentro. Há um pássaro azul em meu peito que quer sair, mas sou duro demais com ele eu digo, fique aí, quer acabar comigo? Quer foder com minha escrita? Quer arruinar a minha vida? Há um pássaro azul em meu peito que quer sair, mas sou bastante esperto, deixo que ele saia somente em algumas noites quando todos estão dormindo. Eu digo, sei que você está aí, então não fique triste. Depois o coloco de volta em seu lugar, mas ele ainda canta um pouquinho lá dentro, não deixo que morra completamente. E nós dormimos juntos, assim, com nosso pacto secreto e isto é bom o suficiente para fazer um homem chorar, mas eu não choro, e você?
Charles Bukowski. (via velhocaos)
Gustav Klimt - A Virgem, 1913
inspirar as nuvens bem fundo até sentir chover dentro do peito
Geraldo de Barros