Por mais que tivesse uma jornada a qual se esperaria ser cansativa por atuar em dois empregos, Amanda vez ou outra tinha seus picos de energia inexplicáveis. Isso acontecia especialmente quando tinha tido uma noite agitada, recheada das atividades que mais gostava: beber, cantar, dançar e transar. Estar no centro das atenções e se sentir desejada tinham o incrível poder de fazê-la se sentir energizada e isso sempre acontecia quando cantava ou dançava. Estava tão eufórica quando chegou em casa, que somente tomou banho e passou um café antes de seguir para a outra jornada, sem ao menos sentir um pingo de sono sequer. Acabou chegando mais cedo na Reader’s Landing e fazendo uma boa faxina no lugar antes de poder abrir o espaço aos clientes. Havia prendido os cabelos em um coque frouxo acima da cabeça e se apoiava sobre os joelhos e uma das mãos ao limpar o rodapé de uma das prateleiras, quando ouviu a porta se abrir para anunciar a chegada de alguém. Somente teve tempo de sentar-se sobre os calcanhares antes de ver a figura de @colxnsmmns e exibir um sorriso animado. — Collinzinho, querido! Já chegou? — Abandonou o pano sobre as coxas somente para bater palminhas alegremente e abarcar a livraria com ambas as mãos. — Estava dando uma geral aqui! O que você achou? — Como se respondesse sua pergunta, um miado baixo e preguiçoso se fez ouvir atrás do balcão onde uma Doris sonolenta observava a nova movimentação pelos olhos amarelados. — Ah! Eu acabei trazendo ela comigo hoje, para não ficar sozinha desde cedo… Espero não haver problemas… — Franziu as sobrancelhas em uma leve súplica, levantando-se do chão para poder ficar de frente ao homem enquanto meio sem jeito brincava com o pano entre seus dedos. — Doris é bem tranquilinha, não faz nenhuma bagunça e eu posso deixar ela em casa agora, se preferir.
Tomou um pequeno susto quando girou a maçaneta e a percebeu aberta. Depois do incidente da semana anterior, sempre temia voltar e descobrir que a livraria tinha sido roubada mais uma vez. Tinha uma caixa na mão, mas a pousou sobre uma cadeira ao entrar e reparar que era a Amanda que estava dentro. “Aparentemente.” respondeu, em um tom de afastamento que lhe era típico. “Por que tão cedo hoje?” Foi quando olhou ao redor e viu que grande parte de seu trabalho secretamente lhe tinha sido poupado. “Estou impressionado. Fazia tempo que não via essa prateleiras com esse brilho. Não sabia nem que era possível de novo.” Falou, não evitando um pequeno sorriso despropositado lhe aparecer nos lábios. Foi quando ouviu o barulho. E foi quando, dois segundos depois, seus olhos se fecharam em descrença. “Amanda, por favor, me diga que não trouxe uma gata para a livraria.” Mas ergueu ambas as mãos, ainda de olhos fechados, em sinal de paz “Eu definitivamente desisto de você.” Então seguiu até o balcão, colocando a caixa em cima dele. “Acho que os clientes iriam preferir que não tivesse uma gata arranhando os livros e...” foi quando tirou um instante para reparar na gatinha, que parecia calma e tranquila olhando os dois terem aquela conversa. Olhou-a desafiadoramente, como se esperasse que ela fosse se manifestar em sua própria defesa. “Um livro arranhado e essa gata vai parar na Europa.”
















