Fazia apenas alguns minutos que terminara a sessão com o Senhor Roberts, um dos clientes antigos e que sempre pegava o horário mais longo. Três horas. As sessões eram mais caras, mas dinheiro para o homem nunca pareceu ser um problema. Ternos finos feitos sob medida, sapatos caros, sempre brilhando, um bom carro também. Então não, Calypso não sentia-se mal de receber dele quase trezentas libras por semana. A dificuldade era que o homem tinha inúmeros problemas. As primeiras sessões foram difíceis, mas as de agora? Eram mais árduas ainda. De início, havia o fato do homem não aceitar tão bem os toques, seu serviço foi indicado por um colega que é psicólogo do cliente; agora, era quase impossível fazê-lo se separar de si. Mas o carinho não era o que lhe deixava assim, nas últimas cinco semanas, o senhor Roberts começou a falar. A conversar sobre o que o levou a se tornar tão restritivo com toques de estranhos. E caramba, Callie não imaginava suportar um terço do que o pobre homem lidou durante a infância e a adolescência. Quando fechava a porta do pequeno apartamento que ficava algumas ruas longe de sua casa, sentia o peso do mundo em seus ombros. Estava esgotado, nem conseguia sair do sofá para ir para casa. Tirando o celular da gaveta da mesinha perto do sofá, discou o número de River. ’ —— Ei, River, será que você pode vir aqui? O prédio cinza ao lado da sorveteria. Apertamento de número nove terceiro andar. A porta está aberta.’
River tinha acabado de chegar a casa, tinha estado o dia inteiro na oficina, e pelos vistos, com mais trabalho que o normal, especialmente por ter quase todos os outros mecânicos de folga, então o trabalho acabava caindo em si. Ainda tinha algumas horas até pegar Chloe da escolinha e a pedido da menina, hoje iria pegá-la mais tarde já que estava havendo uma festa de aniversário e ela queria aproveitar mais tempo de brincadeira com os amigos, o que lhe dava algum tempo sozinho em casa. Já tinha tomado um banho e tirado de si toda a sujidade do dia de trabalho, finalmente. Assim que se sentou no sofá, ouviu o celular, o nome de Cassie aparecendo no ecrã. Sem tempo sequer de o cumprimentar apenas atendeu ao pedido. “Hey, claro, número nove terceiro andar.” Repetiu apenas para não se esquecer, não era longe de casa, por isso não demoraria. “Dez minutos e estou ai. Até já.” Disse antes de desligar, rapidamente calçou os sapatos e pegou as chaves antes de sair. Pela voz do mais novo, algo parecia ter acontecido. Uns minutos depois, estava no local, batendo na porta aberta, e a fechando assim que entrou, se encaminhando até à sala onde viu o moreno no sofá. “Hey, você está bem?”















