You can dance, you can jive, having the time of your life! See that girl, watch that scene, diggin' the Dancing Queen! | @Pandora & @Clara
yourdearwats0n
Apesar de o Ledbury ser um restaurante nacionalmente conhecido e referência até mesmo entre turistas, eram poucas as pessoas que tinham conhecimento de quem estaria por trás dos pratos que eram lá servidos. Além disso, Clara assumira o cargo de chef há pouco menos de três meses, de modo que nem todos os clientes estavam a par da mudança. Às vezes, ela saía da cozinha para cumprimentar algumas figuras importantes que frequentavam o local e acabava ouvindo de outras pessoas diversos elogios a respeito de seu cardápio. Assim, ia pouco a pouco fazendo o seu nome no meio culinário. “Muito obrigada. De verdade.” Sorriu agradecida pelas palavras de Pandora. Era reconfortante ouvir uma opinião sincera, já que Clara ainda possuía certa insegurança em relação aos seus dotes com as panelas. “Apareça por lá essa semana, vou ficar honrada em te servir pessoalmente. Por cortesia da casa e ao seu critério.”
As duas entraram na pequena lanchonete e a ex-bailarina escolheu uma das mesas mais próximas para se sentar. Puxou uma cadeira e esperou que Pandora fizesse o mesmo. “Para ser sincera, eu cozinho profissionalmente há uns quatro anos apenas. Fiz uma porção de cursos para me especializar na área e o Ledbury é o meu segundo emprego fixo.” Clara trabalhara em milhares de restaurantes como estágio, mas, na época, ainda estava longe de alcançar o seu prestígio. Agora é que realmente começava a se tornar uma chef de renome. “Eu conheço realmente muitos lugares.” Riu, pegando o cardápio que a garçonete trouxera para escolher qualquer coisa que a deixasse razoavelmente satisfeita pelas próximas horas. “Mas acredito que ainda falte uma infinidade. E, se você quer saber, o pior tipo de pessoa a se servir são os críticos. Esses sim me dão frio na barriga até hoje.” Confessou, balançando a cabeça negativamente.
“Ah, por nada. É legal quando reconhecem o trabalho da gente, né? E o seu trabalho deve depender um tanto da opinião dos outros, certo?” Pandora chutou. Nunca tinha tido vontade de trabalhar com comida justamente por não poder ser inconsistente... Além disso, a cozinha de um restaurante sempre lhe pareceu estressante demais, e dependente dos outros demais. Eram um time, certo? Pan nunca se deu bem em um grupo grande. “Ah, eu adoraria!” Por passar bastante tempo entre estranhos, em lugares de passagem como cafeterias, restaurantes, praças, estações e shoppings, ela própria conhecia vários lugares... Na verdade conhecia vários nichos, vários tipos de ambientes diferentes. Era o que fazia para treinar sua percepção humana, sua percepção das pessoas que viviam em Londres. Clara servia todo tipo de gente... Bom, não todo tipo, mas muitos tipos. Afinal, ela poderia encontrar gente em parque que não pudesse ir para restaurantes finos. O que lembrava Pandora que tinha que acrescentar mais lugares sujos e bares à sua lista de pontos. “Você foi razoavelmente sortuda, não? Ser cozinheira do próprio restaurante com só quatro anos de experiência... Quero dizer, conheço muita gente com mais de dez anos de experiência ainda no velho café de sempre servindo bolinhos!” De muitos modos Clara era como ela. Nova, já bem sucedida, com a mesma paixão pela dança, a mesma ambição, quem sabe... Era mais fácil falar com gente que entendesse o que era ambição do que falar com gente que não tinha um objetivo na vida, Pandora achava. “Infelizmente as avaliações que temos nunca são completamente verdadeiras. O que você cozinhou um dia pode não ser o mesmo que outro e etc.” Pan pediu um suco de laranja e um macaron de nozes.














