You can dance, you can jive, having the time of your life! See that girl, watch that scene, diggin' the Dancing Queen! | @Pandora & @Clara
“Ah, por nada. É legal quando reconhecem o trabalho da gente, né? E o seu trabalho deve depender um tanto da opinião dos outros, certo?” Pandora chutou. Nunca tinha tido vontade de trabalhar com comida justamente por não poder ser inconsistente… Além disso, a cozinha de um restaurante sempre lhe pareceu estressante demais, e dependente dos outros demais. Eram um time, certo? Pan nunca se deu bem em um grupo grande. “Ah, eu adoraria!” Por passar bastante tempo entre estranhos, em lugares de passagem como cafeterias, restaurantes, praças, estações e shoppings, ela própria conhecia vários lugares… Na verdade conhecia vários nichos, vários tipos de ambientes diferentes. Era o que fazia para treinar sua percepção humana, sua percepção das pessoas que viviam em Londres. Clara servia todo tipo de gente… Bom, não todo tipo, mas muitos tipos. Afinal, ela poderia encontrar gente em parque que não pudesse ir para restaurantes finos. O que lembrava Pandora que tinha que acrescentar mais lugares sujos e bares à sua lista de pontos. “Você foi razoavelmente sortuda, não? Ser cozinheira do próprio restaurante com só quatro anos de experiência… Quero dizer, conheço muita gente com mais de dez anos de experiência ainda no velho café de sempre servindo bolinhos!” De muitos modos Clara era como ela. Nova, já bem sucedida, com a mesma paixão pela dança, a mesma ambição, quem sabe… Era mais fácil falar com gente que entendesse o que era ambição do que falar com gente que não tinha um objetivo na vida, Pandora achava. “Infelizmente as avaliações que temos nunca são completamente verdadeiras. O que você cozinhou um dia pode não ser o mesmo que outro e etc.” Pan pediu um suco de laranja e um macaron de nozes.
"Eu sempre trabalhei com o público." Deu de ombros. "Depender da opinião dos outros pode ser bastante estressante, mas com o tempo fica mais fácil de se lidar." Sorriu. Clara fora criada para ser a melhor em tudo o que fazia. Na Bolshoi, não poderia ser só mais uma bailarina medíocre, pelo contrário, era sua obrigação ser a melhor. Caso contrário, logo perderia a sua bolsa. "Além do mais, são tantas críticas negativas que você acaba aprendendo a valorizar muito mais os elogios." A ambição estava enraizada em seu ser e, de muitas maneiras, ela gostava de ser assim.
Quando a garçonete se aproximou, pediu um brioche recheado com chocolate e um café com leite. Sabia que o recheio do pão deixaria a bebida com um gosto um tanto sem graça, mas era algo que a agradava. Desde que começara a cozinhar, aprendera a se deliciar com sabores que algumas pessoas sequer conseguiam identificar. "A vida sempre foi um pouco engraçada comigo, sabia?" Seu tom de voz não era amargurado. Pelo contrário, por mais que sofresse por ter sido obrigada a abandonar uma das suas maiores paixões, sabia que outras surpresas muito agradáveis lhe tinham sido reservadas. "Com a mesma mão que ela tirou, também me deu. Um tempo atrás eu... fiquei desempregada, por assim dizer. E foi aí que descobri meu dom na cozinha." Deu uma risada baixa com a própria menção da palavra "dom". Era engraçado saber que aquilo estivera todo o tempo guardado dentro de si e ainda assim demorara vinte e três anos para descobrir. "Depois disso, alcancei meus objetivos muito rapidamente. Parece que o destino nos prega peças, não é?"
Recostou-se na cadeira, deixando apenas as mãos apoiadas na mesa. Estava de frente para a Pandora, de modo que podia fitá-la conforme conversavam. "Mas já chega de falar de mim... Há algo sobre o seu trabalho secreto que você possa me contar?" Não queria pressioná-la a dizer nada, mas caso a jovem não pudesse seguir com aquele assunto, que pelo menos tomassem outro rumo.











