claricethefirst:
Eram atípicos os momentos em que alguém como Clarice, muito bem treinada para manter total controle sobre pensamentos e emoções, se visse consumida por tais questões de tal maneira que sequer conseguira recuperar o corriqueiro ar de impassibilidade. A ex-corvina sentia-se desconectada de si mesma e do ambiente em que se encontrava, como se fosse o personagem de um programa televisivo finalmente se dando conta que nunca, jamais, tivera controle sobre qualquer aspecto da própria existência - sentia-se especificamente como Truman ao descobrir que toda sua vida era uma farsa em O Show de Truman. Ela apertava a varinha segura em sua mão esquerda, e que veementemente se negara a ceder ao chegar ao lugar daquele maldito jantar, com um pouco mais de força do que seria necessário fazendo-a liberar pequenas faíscas que eram apenas uma singela amostra das emoções calamitosas que avolumavam-se em seu peito. Seu semblante refletia seu estado de espírito quando suas bochechas tinham um tom a mais de vermelho, que se combinava com a vermelhidão em seu pescoço, seus lábios estavam pressionados em uma linha fina e seus grandes olhos amendoados não escondiam a raiva que aquele maldito evento havia gerado em seu âmago. Vivia a porra de um pesadelo. O pior de todos. Seu inferno pessoal. Se normalmente já detestava estar vinculada a máfia italiana pela figura ausente de seu pai naquele instante simplesmente abominava por completo aquela instituição criminosa e queria ser capaz de implodi-los sozinha, entretanto, apesar do calor do momento e do combo de emoções negativas que vinham consumindo-a, ainda possuía consciência de que era diminuta perante o império construído por seu genitor e que ele a esmagaria sem dó algum para manter o que conquistara. Uma respiração profunda lhe escapou numa tentativa de tentar recuperar o controle sobre as emoções destoantes embora parecesse impossível, especialmente naquele instante em que se dera conta novamente que não estava sozinha, mas na companhia de seu fucking pretenso noivo; Lorenzo. A possibilidade de casar-se já parecia esdrúxula em situações normais, afinal, o que trazia de benefício para a vida de uma mulher heterossexual estar presa a um homem? Nada, era o que acreditava. Entretanto a ideia de ser obrigada a casar-se, por um acordo de matrimônio que fora feito muito antes de sequer saber escrever o próprio nome, era ainda mais ultrajante. Fazia com que se sentisse na idade média, ou como uma pobre coitada advinda de família purista que precisava manter a pureza do sangue. Naqueles poucos minutos após a notícia tentava racionalizar a respeito e a única ideia plausível em sua mente era que seu pai visava ter Lorenzo como futuro sucessor a frente dos negócios, como não possuía herdeiros homens, e aquele era um ramo majoritariamente masculino, restava usar a filha que mal mantivera contato como meio para um fim e tal percepção apenas inflamava sua revolta - o que mais uma vez refletiu-se nas faíscas na ponta de sua varinha que dessa vez riscaram o impecável piso de porcelanato branco. - Já pedi para não me chamar assim. - pontuou, mais ríspida que de costume, claramente incomodada com o uso da palavra Donna. Com um movimento de varinha, dessa vez proposital, Clarice tratou de fechar as cortinas ao redor do ambiente em que ambos se encontravam, trancar as portas, e tornar impossível para alguém de fora escutar o que seria tratado do lado de dentro. Podia estar fora de seu controle habitual, mas ainda era uma auror e obviamente havia percebido que estavam sendo vigiados por aqueles malditos soldados que reportariam a seu genitor o que se desenrolava dentro daquela sala. - Muito me impressiona que você tenha senso de humor, Lorenzo. E uma pitada de romantismo, uh? Treinando para o nosso futuro enlace? Uau! Ligeiramente cafona, mas combina com a estética. Vou ter que me esforçar para ser comparável. - bradou assim que o fitou sentado do lado oposto ao que se encontrava. Mais uma vez respirou profundamente em uma tentativa de manter-se não só sob controle como de analisar a linguagem corporal do outro. - A propósito, acho House of Gucci muito preciso no retrato das exacerbadas e descontroladas relações entre italianos. Cafona, sem dúvidas. Agora que falou a respeito, talvez me inspire no exemplo de Patrizia. - resmungou, com um revirar de olhos que deixava claro que não falava sério a respeito. Embora desgostasse da companhia de Lorenzo não possuía qualquer intenção homicida, ao contrário do próprio e de qualquer outro membro da máfia. - Kan cehennemi! Você possuía alguma ciência desse fato? De que estávamos sentenciados a um matrimônio compulsório em pleno 2027? Questiono porque me parece muito calmo e conformado com a ideia, o que não faz a porra de um sentido! Ao mesmo tempo, se sabia, o mínimo era tornar nossa convivência agradável e sem dúvidas você é a pessoa mais intragável que conheço. Você me detesta e é mútuo. Você não via a hora de se livrar dessa função insuportável de me vigiar, o que também é mútuo e agora ouviu que vai ser obrigado a casar comigo e simplesmente acatou como mais uma ordem corriqueira. Que merda é essa? Como consegue se manter quase completamente imperturbável, tirando essa porcaria de cigarro, com decisões pontuais sobre sua vida sendo tomadas sem sua anuência? E depois eu quem ganho o apelido de Frozen. - exasperada e irritada elevou as mãos para o ar, entretanto a varinha em sua mão esquerda, sentindo suas emoções exacerbadas, produziu faíscas mais longas que atingiram a prataria logo atrás de si. O barulho do metal indo de encontro ao chão sequer foi capaz de abalá-la porque toda sua atenção concentrava-se em Lorenzo. - Que tipo de servidão é essa que te tiram o direito até de escolher com quem casar? Já não basta tudo o mais? - voltou a questionar e era provavelmente a primeira vez que Clarice se dirigia a ele com nada além de consternação. Não parecia-lhe normal e nem justo que alguém cedesse todos os aspectos da própria vida para o crime, nem mesmo Lorenzo. Seu olhar estava preso ao dele, como se tentasse encontrar respostas que jamais ouviria em palavras, mas logo piscou vezes repetidas quebrando assim o contato visual. Só podia estar mesmo fora do próprio cerne para acreditar que encontraria nele algo além de obediência a famiglia. - Me diga, em qual momento vou poder lutar contra? Melhor que eu sabe que em nenhum. Meu genitor não te colocou na minha rotina à toa. Você deve ter reportado todas as pessoas da minha convivência, então imagino que todas corram certo perigo se eu intentar me rebelar. Por Merlin como odeio esse homem! - voltou a resmungar dessa vez batendo com o punho fechado da mão direita sobre a mesa de madeira ao seu lado. - Como as pessoas fora desse circo de horrores vão acreditar nessa besteira? Todo mundo sabe que nós não nos damos bem! Eu não posso simplesmente aparecer com a porcaria de um diamante imenso e cafona no dedo. Por Merlin, que maldito inferno! - esbravejou dessa vez empurrando de sobre a mesa alguns dos pratos da mais cara porcelana, como se tal ato fosse capaz de apaziguar suas emoções exacerbadas e destoantes, infelizmente não era. Mais uma vez se viu respirando fundo, dessa vez para tentar acalmar o ritmo frenético de seus batimentos cardíacos. Engoliu em seco. - Não tenho certeza se consigo encenar a noiva feliz porque estou furiosa e raramente fico nesse nível de furiosa. Então não espere sorrisos e nem olhares falsamente apaixonados, por hoje o máximo que posso me comprometer é talvez não amaldiçoar ninguém. Bok! Odeio que me tirem do controle da minha própria vida. Odeio ainda mais está a mercê dessa porcaria de organização criminosa. E simplesmente abomino soar como uma maldita adolescente contrariada! Eu entendo a problemática, ok? E não quero gerar consequências que possam atingir as pessoas que gosto e também a sua família, mas o que diabos faremos? Você é todo obedecer e servir e eu certamente prefiro me atirar de uma ponte a ir em frente com essa palhaçada. - exasperou-se ciente de que não tinha alternativas naquele instante e muito menos se Lorenzo quisesse seguir as regras do jogo. Em seu subconsciente sabia que poderia ser pior, ao menos dentre os homens da máfia, apesar de insuportável, Lorenzo nunca lhe faltara com respeito, mas a ideia de perder o pouco de liberdade que tinha era demais para que pudesse aceitar um disparate daquele de um genitor que mal vira durante sua vida. Ao fitar Lorenzo novamente seu semblante ainda carregava seu descontentamento, mas queria acreditar que já não parecia tão descontrolada embora se sentisse por um fio. - Presumo que faça parte de suas obrigações reportar minhas palavras ao seu chefe, o que torna injustificável a minha sana de abrir a boca na sua frente mesmo guiada pela raiva, mas, por Merlin, você não quer essa besteira certo? Se desejar seguir com isso ao menos guarde meu chilique para você mesmo em nome da harmonia do nosso falido matrimônio e da sobrevivência do seu pau frígido.
Em nenhum momento Lorenzo se preocupou em interromper o rompante de raiva de Clarice. Chegara até se perguntar onde estava a própria raiva em função daquela situação, mas ainda se sentia parcialmente catatônico. Sem contar que, a cada movimento da ex-corvina, outras preocupações ganhavam autoridade, como não deixá-la se arriscar em algum tipo de estupidez. Nem por ele, mas mais por ela e pelas pessoas que, feliz ou infelizmente, sabia que prezava. Em contrapartida, sentia certo deleite em vê-la perder a compostura, refletindo-se em ondas pelo ambiente, seja pelas faíscas da varinha ou pelos itens arremessados a cada reclamação da parte dela. Um deleite incoeso, pois, ao longo da sua experiência na famiglia, sabia que raiva era um grande motor para realizar as mais abruptas decisões. Era encantador, no mínimo, ainda mais da parte de uma mulher que, até onde acompanhara, nunca fora tácita, porém, não perdia o temperamento. Além de ser totalmente distante, a parte que os equiparava. Todo seu convívio era masculino e sabia de cor e salteado como os homens da máfia se comportavam uma vez consternados. Não se considerava dono de tais modos, especialmente quando fora afunilando o próprio modo de operação assim que compreendera o fundo do poço que era a máfia. Logo, delineando a própria personalidade. Limitada. Unilateral. Contida. Reservada. Racional. Não podia negar certa elegância da parte da ex-corvina até na raiva e era essa a parte que secretamente o entretinha. Rendendo novas tragadas no cigarro, que continuava a lhe oferecer ondas de relaxamento, enquanto sua atenção era completa na figura feminina pelo hábito de agir depressa em casos de contenção de danos. - E você quer que eu te chame como? Posso manter o Frozen? - ele perguntou, ignorando a rispidez de Clarice. Bateu, novamente, o cigarro no cinzeiro, observando-a tornar o ambiente à prova de som. - Você não convive comigo o suficiente para saber que, às vezes, consigo ser engraçado sem me esforçar. - e a afirmação saiu sem o esboço de um sorriso. Um olhar penetrante da sua parte foi direcionado à mulher irrequieta. - Aliás, seu sangue tem uma pitada de italiano e acho que terei que conferir o filme novamente, visto que você está justamente honrando a péssima atuação da Lady Gaga. Exacerbada e descontrolada. Acho que, em termos de cafonice, estamos quites. - ele devolveu a provocação oriunda da piadinha sobre a aliança. Foi naquele instante que esboçou um raro sorriso, moldado em presunção, que se apagou no instante que tragou o cigarro. - O que te faz pensar que eu sabia dessa maracutaia? Quando, de certo, eu esperava que, hoje, fosse o dia da minha libertação? - não havia um dia sequer que Lorenzo não esperara uma libertação da vigia de Clarice. E agora percebia a realidade de que a vigia se transformara em um matrimônio do qual nunca fora informado em toda sua vida. Era um treinamento e isso o fez sentir uma onda breve de consternação, pois começava a se dar conta de que tinha sido enganado. Como um soldado calejado, sabia que aquele não era o ambiente para expressar emoções. Tampouco expressá-las. Aprendera bem demais a aplicar indiferença. - Emendando todas as suas questões: você gostaria que eu reagisse como? Dando tiros pelas paredes? - ele perguntou, com a mesma calmaria que parecia inflamar mais os nervos de Clarice. Manteve-se em silêncio, pois, de fato, ela não pararia até soltar tudo que tinha para soltar, dando-lhe tempo de encerrar o cigarro. - Caso lhe fuja da compreensão, minhas escolhas não são minhas desde que ingressei na famiglia. Não é necessariamente uma novidade, a não ser o contrato com nossos nomes no meio dessa caótica situação. Disso, Frozen, não sabia. - ele se atraiu pelas faíscas mais longas da varinha dela e franziu a testa assim que o estrondo contra as pratarias atingiu o chão. Suavemente, deslizou a língua pelos lábios, antes de se oferecer o resquício de água da taça. Moveu-se na poltrona, de um jeito rígido. Não havia "tudo mais" quando o assunto era ser integrante de uma máfia conhecida internacionalmente e a mente de Lorenzo se educara muito bem para não ver além daquilo. Nunca se deu ao trabalho de questionar, nem mesmo ver uma chance para ter as próprias escolhas. Ainda assim, se viu meio incomodado com aqueles apontamentos. - Como disse, donna, não tenho escolhas desde que nasci. Isso não me abala nem um pouco. - ele retribuiu o olhar atento, líquido de honestidade que duvidava muito que Clarice acreditaria. Se detestavam mutuamente e poderia fazer a apresentação da vida e ela continuaria a questionar. O arrastar da poltrona anunciou que se levantaria. Passou por ela a fim de organizar com a própria varinha o caos que a ex-corvina causara no ambiente. Sendo clínico, como se limpasse a cena de um crime. - É bom quando você sabe das próprias respostas, pois não tem meios para você lutar contra. Isso do pressuposto que seu papà é quem comanda a famiglia, então, automaticamente, você é parte dela. Querendo ou não. E, sim, reportar quem faz parte do seu convívio é trabalho de praxe. Tanto pela possibilidade de serem elementos de outras máfias quanto porque podem ser meramente ilustrativos. - falar sobre a máfia não era um tabu diante de Clarice, porque ela sabia da verdade. Ela sabia das próprias origens. No entanto, não significava que podia distribuir informações aprofundadas, pois não era leal a figura que se mantinha em estado de alerta, extremamente irritada e pronta para quebrar a varinha ao meio se assim quisesse. Indo contra todas as suas regras pessoais, Lorenzo se aproximou, coicindindo com o timing do punho dela atingindo a mesa de madeira. Delicadamente, como se a pele dela fosse tão frágil quanto a prataria, retirou a varinha de sua posse e a colocou sobre o mesmo ponto atingido. Com um breve aceno de cabeça, indicou para que voltassem aos seus respectivos lugares. Ignorando o formigamento nos próprios dedos em efeito de tê-la tocado sem permissão. - Clarice, pare um segundo! - ele pediu, quase implorando, com o dedo indicador em riste para desviar a atenção dela. - Quebrar objetos não vai mudar a realidade, capisce? - a constatação, de certo modo, o atingiu sutilmente. Não pelo alarde do casamento arranjado, mas porque as informações sobre não ser capaz de mudar ou coordenar a própria jornada queriam tomar conta do seu organismo. E isso o faria oscilar quando não era o objetivo. O objetivo era controlar a ex-corvina. - Senta. - ele pediu, dando a volta na mesa para abrir a única garrafa de vinho lacrada. Por via das dúvidas, era sempre melhor beber alguma coisa para apaziguar o caos de dentro. Elegantemente, destampou-a e serviu dois dedos do líquido tinto em uma taça limpa para Clarice. - Você realmente soa como uma adolescente e estou fazendo de tudo para controlar meus nervos. - ele se pronunciou assim que serviu-se do mesmo vinho. - Ninguém precisará se atirar da ponte, não seja dramática. E também não posso colocar em discussão como você se sente. Por isso mesmo te pedi caridosamente que não se manifestasse e mantivesse a compostura. Agora, sei que você é temperamental e um perigo à sociedade. - ele argumentou, sentindo um mínimo prazer palátavel do vinho de origem italiana. - Eu disse, na primeira vez que a vi, que não posso dar um passo sem você. Então, creio que a única pessoa que pode me dizer como isso funcionará é você mesma. Afinal, para sua infelicidade, eu sei atuar. Como também sei manter as aparências. Ao menos nesse pedaço, o noivado será anunciado como se tivessem encontrado o coração do oceano da velha do Titanic. Quanto às pessoas ao nosso redor, podemos blefar. Não me importo de ser o canalha que largou a esposa e te pediu em casamento. Ou que éramos amantes até minha esposa morrer e eu herdar toda a herança. Não sei por quais motivos você se preocupa com essa parte, quando a humanidade é trabalhada para dar desculpas esdrúxulas e que são facilmente digeridas. Trabalhamos com construção e desconstrução de cenários. Logo, isso será a parte mais fácil. - um sorriso forçado aliviou as finas linhas de cansaço da expressão de Lorenzo só de pensar na cara de Elissa e de Ravi ao anunciar que de repente noivo. E de Clarice ainda por cima. Respirou fundo de novo, quase bufando. Checando se havia outro risco de rompante de raiva para conter. Apesar de ser completamente desconectado de suas próprias emoções, era fácil notar que ela se abalara com aquela nova informação que os condenavam um ao outro. Lidara com várias viúvas depois de seus crimes. Não que Clarice fosse uma, mas ela poderia ser analisada como tal na sua mente para que elaborasse um pouco mais de empatia. - Como você é auror, domina estratégia, e a prioridade a partir de agora, donna, não é mais como você se sente. São as pessoas que você se importa. Por essa parte, mi dispiace davvero. - apesar de Clarice já ter as próprias conclusões sobre sua pessoa, ele estava sendo honesto de novo. Tinha uma família e sabia que teria que pensar além do que normalmente já pensava para que sua posição não respingasse nas poucas pessoas que importava. Contrafeito, ele deslizou a mão na testa. Sentia-se agitado. - Sei que não confia em mim, do mesmo tanto que não confio em você, mas, neste primeiro momento, essa é a melhor forma de externar o fato. Depois, torná-lo mais adequado ao que você precisa, visto que não sou a parte mais importante da equação. Pela lógica da famiglia, você é meu mais novo produto, o acessório, e gosto de andar sozinho. Não tenho a menor intenção de te transformar em oferta de zoológico. - o olhar atencioso de Lorenzo podia dizer muitas coisas, mas a principal delas é saber que todas as pessoas ao redor de ambos acabaram de ter um alvo nas costas caso vacilassem. E era importante que ela se sentisse segura ali. Não necessariamente com ele, já que era uma bomba desembrulhada. - E como ainda temos um pouco de humanidade para querer que ninguém morra por nossa causa, é bom que alinhemos um plano eficiente, em que você não precisará sorrir o tempo todo, e nem se comportar como uma adolescente apaixonada por mim. Creio que, nesse primeiro momento, você ainda consegue exigir algumas coisas e imagino que queira privacidade. É um benefício que você pode usar, como a futura noiva. - ele se anteveu ao novo movimento dela e, por reflexo, segurou-a pelo pulso suavemente. - Essa é a hora mais importante da sua vida, onde é possível barganhar. - o sussurro era um alerta que ele esperava que Clarice entendesse. - Assim como você, eu também não quero isso. A parte calamitosa é que teremos que pensar nisso juntos até que chegue algum momento que esse trato não seja mais necessário. - ele a soltou, confiando de que ela não quebraria mais nada. Ajeitou a postura e as abotoaduras douradas da camisa azul-claro. Serviu mais vinho para os dois, resignado. - Tratos não duram para sempre. Em algum momento, eu posso ser dispensado da função. Se você estivesse no cerne da famiglia, poderia indicar um noivo mais adequado. Ou, quem sabe, você pode indicar seu novo affair, Patrick Dickinson Lupin, para mantê-la dentro do reinado italiano. - as sobrancelhas dele se arquearam minimamente em sinal de deboche. - Se queremos que esse pseudocasamento funcione, não tenho motivos para reportar suas palavras ao seu papà. A não ser que sejam extremamente alarmantes. O que não é caso. É uma situação que dá para resolver. Veja bem, Clarice, você pode pedir uma grande casa em que possamos dormir em quartos separados, porque você é instável de manhã e não fala com ninguém até a hora do café. - ele sugeriu, com um Q quase omisso de entretenimento. Elegantemente, apoiou os cotovelos sobre a mesa e nivelou o olhar, como se fosse dar a última palavra de esperança. Definitivamente, não era o caso. - Eu não posso te controlar. Só seu papà pode, de certo modo. E reconheço que, se fui imbuído nessa situação, é porque ele já projeta um futuro para a famiglia e, provavelmente, saberei mais adiante. Já que você abriu tanto seu coração, nada como dar informação em troca para que tenhamos um nível frágil de confiança: nunca foi minha intenção ser nada mais que um conselheiro. E, ao contrário da passividade que você acredita que tenho, uma hora pode ser que você me veja brigar. - ele bateu o maço na palma para pegar um novo. - Enquanto isso, se preocupe em estourar o cartão de crédito. Garanto que isso será divertido, donna. E não se preocupe com meu pau frígido também, ele não tem a menor intenção de reagir na sua presença.










