Consumindo melhor
Já falei aqui um pouco sobre consumir menos, mas ainda não cheguei a falar sobre consumir melhor. Pois bem. Até pouco tempo atrás, roupa boa pra mim era a que cabia, a que eu tinha e a que eu podia pagar. Com o crescimento do meu poder de consumo, começou a se tornar uma questão pra mim pensar nos tecidos dos quais eram feitas as roupas que eu comprava.
Por que eu tinha uma camiseta da C&A que já tem bem uns dez anos e permanece (quase) como nova, enquanto algumas outras peças que eu havia comprado duas lavagens atrás já estavam se desfazendo? Parte da culpa era da máquina de lavar, mas a blusinha do Mickey da C&A era lavada na mesma máquina e permanecia firme e forte. Outra questão incômoda pra mim era o calor que certas peças me faziam passar e o cheiro de suor que nunca mais saía de outras.
Foi aí que eu comecei a pesquisar sobre o assunto e percebi que as roupas que se acabavam eram de poliéster (de um bem vagabundo mesmo) e a blusinha do Mickey era de algodão. De um algodão de uma boa qualidade, coisa difícil de achar nas fast fashions de hoje.
Pesquisando mais eu percebi que tecidos naturais (seda, linho, lã, algodão) e feitos a partir da natureza (como a viscose) costumam ser mais delicados de cuidar, mas duram mais do que os feitos de plástico (poliéster), além de serem menos nocivas para o meio ambiente. O problema é que esperar a natureza produzir demora, e isso encarece o produto. Uma roupa de poliéster dificilmente vai ser mais cara que uma de linho, mas a segunda vai ser mais fresca e, se você lavar com cuidado, essa pode durar muitos anos com você.
Mas nem só de tecidos de qualidade e bons acabamentos vive o consumo consciente. É preciso pensar em outros fatores como o seu estilo pessoal (isso é uma coisa que eu usaria?) e no seu estilo de vida (quanto eu usaria isso?). Pensando nisso, vale mais investir numa peça mais cara pro trabalho (já que você vai usar muito) do que num vestido de festa (que muitos usam uma vez, depois se desfazem ou deixam mofando no fundo do armário). A relação a se pensar aqui é quantas vezes eu vou usar a peça versus o quanto ela custou. Quanto mais vezes você usou, mais barata saiu essa peça.
Há também que se pensar na origem dessa peça. Não adianta escolher bem e pagar caro numa peça que você vai usar muito se ela foi produzida com trabalho escravo ou exploração de mão de obra infantil, né? Há muita informação na internet e vale pesquisar a loja antes de comprar. Um app que tem me ajudado muito com isso é o Moda Livre, que junta várias informações e categoriza as marcas pela sua transparência nos processos e pelo seu histórico com mão de obra escrava.
Vamos ficar de olho!










