Um sexo casual ali, outro aqui, nada que envolva compromisso. Mas que envolve troca. Troca de prazer, troca de orgasmos, de toque, de alma. Não é estranho sentir tanto a energia de outrem e não criar um laço sequer? Eis a minha confissão: eu crio. Crio laços, mesmo que o outro não sinta, não saiba. Crio porque não sei trocar energia sem trocar almas. Mais que sentir prazer, eu gosto de conhecer o outro, de entender, saber o que o leva a pensar da forma X e quais os somatórios de equações que o levam a agir de tal maneira - característica de quem super analisa as circunstâncias, talvez. Eu passo uma noite ali, e mesmo sem dizer nada - tamanha a minha introspecção - eu interiorizo tudo. E se eu acho que fulano é um ser humano bacana, eu desejo fortemente seu bem. Mais que isso, eu sinto um carinho tão grande, o qual sinto não ser recíproco. Por quê? Porque as pessoas objetificam o outro para satisfazerem suas necessidades sexuais. Ali eu vejo uma alma, um ser humano interessante o qual decidi trocar uma energia. No entanto, o fulano me vê como um corpo, um poço a ser despejado suas ansiedades expressas de forma puramente sexual. Sendo assim, por vezes me sinto usada. E analisando a forma como o sexo casual funciona, comigo e com tantas outras pessoas, chego a conclusão de que não nasci pra ter relacionamentos vazios, superficiais, puramente carnais, e aquele que deseja usufruir da minha carne terá que aprender a apreciar o meu espírito. Eu nasci pra ser profunda, sensitiva, espiritualista. Se emano boas vibrações ao outro, não aceito menos que isso. Não aceito ser tratada como se nunca tivéssemos trocado uma intimidade. Cada um é de um jeito, não é mesmo? Felizmente, pra mim, eu sou assim! E me aceito assim. Aprendi que sentir tudo de maneira profunda não é defeito, é característica de quem tem o coração grande demais.