Parece que CALAHAN LACHLANN, ou como é mais conhecido, CALEL, foi visto pelas ruas de Nova Orleans, como sempre confundido com NIKOLAJ COSTER-WALDAU. Com seus 125 (APARENTANDO 45) ANOS, torna-se difícil acreditar que seja um WARLOCK tão talentoso. Claro, para manter as aparências, finge ser um MEMBRO DA DIREÇÃO DA CALAHAN LACHLANN ACADEMY FOR EXCEPTIONAL BOYS e PROFESSOR normal, esperando que ninguém descubra que RESSENTE O IRMÃO GÊMEO PELO FATO DESTE TER SE TORNADO O ALPHA. Enquanto ele é conhecido por ser SÁBIO e GENTIL, também nota-se quanto é RANCOROSO e MELANCÓLICO, mas o que esperar de alguém em meio à tanta magia?
BIOGRAFIA: Quem conhece os irmãos Lachlann através de suas numerosas conquistas, mencionadas em entrevistas, descrições biográficas ou simples conversas de interesse a respeito dos dois, deve imaginar que esses warlocks, indubitavelmente magníficos e influentes em suas respectivas esferas sociais, sempre foram destinados à grandeza que agora lhes é atribuída, provando-se como seres únicos desde o longínquo dia em que vieram ao mundo. Afinal, é sempre mais interessante pensar que pessoas distintas nasceram assim, como chamas acesas em meio a escuridão, mas a história de Calahan e Devin começa em um ponto bem diferente, e soa muito menos heroica do que hoje os rumores tentam fazer parecer. De naturalidade escocesa, eles foram apenas uma das muitas famílias que migraram para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor, mas então acabaram submetendo-se ao trabalho nas fábricas. Com a jornada diária extenuante e a falta de condições apropriadas para qualquer ser humano em troca de um salário insignificante, Alan e Christine não tiveram escolha a não ser sacrificar a infância e segurança de seus filhos levando os pequenos para as fábricas, tudo em prol da sobrevivência e, mais tarde, para recuperar a fonte de renda perdida quando a mãe foi demitida, tão logo foi descoberto que ela estava grávida.
Calahan ainda pergunta-se como seu Devin conseguiu resistir às tragédias que os atingiu naquela época mantendo a cabeça erguida e o sangue quente… Se alguma coisa, na verdade, tudo parecia afiar seu temperamento ainda mais, enquanto o mais velho, sensível por natureza, sempre chorava o sofrimento dos dois, não apenas pelo fato de perder os pais, mas sim porque estavam sendo abandonado às mãos de um misterioso destino, e o futuro não lhe parecia muito favorável naquela época… E a priori, realmente não foi. Uma vez que voltar ao trabalho nas fábricas estava fora de questão, eles passaram a ir de porta em porta oferecendo serviços gerais, mas eram constantemente recusados.
A esperança surgiu um dia na forma de uma revistaria e um homem chamado Frank Williams, que contratou os gêmeos como entregadores de jornais, ainda que isso tivesse lhe custado o trabalho de ensiná-los a ler e escrever primeiro. Calahan imediatamente apaixonou-se por aquelas práticas, e passou a ler qualquer coisa que lhe era oferecida. De letras às palavras, de frases à textos, e de jornais com simples notícias diárias a livros que descreviam conceitos básicos sobre bruxaria, a transição de ter dois meros garotos resgatados das ruas para dois futuros warlocks [e com potencial imensurável, ainda por cima] que passaram a morar consigo aconteceu de forma bastante natural para o Williams. Alguns anos depois, quando a proposta de continuar os estudos na Arlie Magee Academy for Exeptional Boys surgiu para os gêmeos, foi a primeira vez que seus caminhos dividiram-se de forma significativa. O irmão mais velho, que sempre foi curioso e apaixonado pelos mistérios que rondavam seus recém-descobertos poderes, aceitou a proposta de primeira, enquanto Devin não compartilhava metade daquela animação, tendo criado um tipo especial de apego e planos no que se referia a loja de jornais.
Com a promessa de que um dia iriam se encontrar de novo, quando ambos tivessem realizado seus respectivos sonhos, Calahan mudou-se para Nova Orleans e, pela primeira vez, conheceu outros warlocks. Apesar de ser o que queria, não foi com falta de pesar por aqueles que deixou para trás que ele seguiu com sua vida aprimorando-se nos conhecimentos sobre bruxaria e, também, descobrindo novos limites para seus poderes. O título de Alpha foi de uma simples admiração longínqua e impossível para um futuro a talvez ser considerado, tratando-se de um dos homens mais brilhantes que já pisara naquela academia. Mesmo para os parâmetros fora dela, o Lachlann era uma figura notável, não apenas por seus talentos, mas sim pela atitude tão prestativa para com os outros. Foram naqueles anos, também, que o rapaz, motivado por suas reflexões questionadoras, criou seu próprio clube voltado para os estudos da bruxaria. O assunto? As Seven Wonders, das bruxas, e a Evaluation, dos warlocks. Gostava de apontar que esses dois grupos eram mais parecidos do que os escritos clássicos faziam parecer, e chegou ao ponto de dizer e escrever que, se nenhum warlock havia conseguido realizar algo como o Descensum ainda, era porque faltava-lhes melhor compreensão acerca deste fenômeno e, também, melhor controle sobre seus poderes.
Para alguns, as ideias de Calahan tornavam-lhe um grande visionário não apenas dentro de sua própria facção, mas também entre as outras, já que gostava de comparar e equiparar os grupos entre si, quase como se estivesse a propor uma forma de união; mas há quem diga que ele soava apenas sonhador. De todo modo, seus resultados na Evaluation falavam por si mesmos que, não importava o quão absurdo pudesse ser às vezes, o que não faltava-lhe eram talentos, e a ideia de ter um Alpha que não apenas quisesse representar a facção, mas também levá-la adiante, marcou aqueles corações com uma pontada de esperança.
Calahan via o rosto de seu irmão em jornais e revistas como as quais eles distribuíam quando eram crianças, e sabia que o momento de reencontrarem-se estava próximo. Havia passado na fase Stiricidium, e já fizera todas as devidas preparações para continuar em direção a última etapa, quando a academia foi invadida pelos caçadores da Delphi Trust. Um warlock de seu nível poderia, é claro, ter escolhido fugir para salvar a si mesmo naquele momento, mas não podia e tampouco conseguia deixar os outros para trás. Destruiu quantos inimigos surgissem a sua frente, protegeu quantos companheiros corressem ao seu encontro e, quando chegou a hora, morreu com a resolução de um heroi, mas tratado como um monstro. Nas mãos dos caçadores, foi torturado tanto por vingança ao sangue que havia derramado quanto na espera de que ele cedesse a uma falsa promessa de mantê-lo vivo caso desse mais informações sobre a sua ou as outras facções, mas ao notar-se que aquilo não chegaria a lugar algum, finalmente deram um fim à sua vida.
Seus últimos momentos de consciência foram repletos de tristeza, ao pensar que, daquela vez, seria Devin quem iria sofrer pelos dois… Enquanto não arrependia-se de qualquer um de seus atos até ali, sentia-se decepcionado consigo mesmo por não ter alcançado o futuro que um dia sonhara, então esperava que ao menos o caçula conseguisse realizar tal feito, seja lá qual fosse.
No mais, Calahan logo descobriu que quem descreve a morte como um “descanso eterno” certamente não poderia tê-la experienciado.
Já dizia o filósofo mortal Friedrich Nietzsche que, ao lutar-se com monstros, deve acautelar-se para não tornar-se um também. E quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha de volta para você. Apesar de ter sido ressuscitado com sucesso no ritual de Vitalum Vitalis feito pelo irmão, Calahan não sabe ainda o quanto daquele homem que ele um dia foi de fato existe hoje. Incapaz de dizer se perdeu uma parte irrecuperável e insubstituível de si mesmo, ou se foi marcado pela morte de tal forma que acabou trazendo algo dela consigo, o warlock mal consegue enxergar-se como um ser completamente vivo às vezes. Talvez a energia vital de Devin tenha impedido sua carne de definhar ao longo dos anos, mas o espírito não tivesse alcançado o mesmo tipo de salvação. As sombras que o perseguem hoje não seriam outra coisa senão manchas atreladas à sua existência errônea, intrusa no plano atual… O Lachlann escreve e leciona sobre tudo isso, em forma de diários ou livros que são estudados a fundo por teóricos mágicos. A informação que se tem de alguém que reviveu depois de muitos anos é valiosa demais para ser mantida em segredo, e se ele tiver que tornar-se um experimento para elucidar e ajudar alguém que realize esse tipo de ritual em alguém cujas condições equiparem-se às suas, que assim seja.
Pela primeira vez, alguém entre os vivos pode falar pelos mortos.
Apesar dos danos emocionais, Calahan continua a ser um warlock que inspira demasiada admiração por conta de sua personalidade, intelecto e poder. Não seria por nada, aliás, que outrora ele esteve a um passo de tornar-se o Alpha, ou que até hoje tem sua posição confundida com a de seu irmão. E embora Devin tenha todo o direito de frustrar-se com isso, o mais velho também ganha sua própria dose de rancor cada vez que é lembrado que não alcançou o futuro por qual tanto se preparou, e tê-lo perdido para alguém que um dia escolheu herdar a loja de jornais de Frank Williams ao invés de comparecer à escola de bruxaria lhe é sentido com um amargor que não se apaga. Mas a única coisa que pode rivalizar com esse sentimento tão inescrupuloso é o próprio amor que ele tem pelo caçula, por isso não hesita em ajudá-lo da forma que puder.
PERSONALIDADE: Calahan tem os interesses e os valores mais simples que um homem pode ter, e ainda assim são sobre os quais ele se mostra completamente passional. Guiar e ajudar jovens warlocks como um dia seu irmão e ele foram ajudados, protegê-los, oferecer-lhes uma boa educação, e manter o equilíbrio entre as facções são apenas alguns dos objetivos que o fazem envolver-se nas questões políticas e burocráticas que poderiam acabar sendo ignoradas pelo irmão. No exercício de sua profissão, se adequa muito ao estereótipo de “professor amigo”, pois além do sorriso simpático e da personalidade convidativa - sem contar o conhecimento esbanjado em suas aulas -, acaba tomando a frente em muitas situações que ultrapassariam os limites de sua função, porque sente-se responsável pelos estudantes da Academia. No entanto, é bom não tomar essa atitude gentil e até mesmo paternal para com os alunos como totalidade, porque se a mão que afaga é a mesma que fere, ele também não hesitaria em tornar-se impositor e até mesmo cruel diante de quem não merece sua boa vontade.