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Ser apologético era uma das características mais marcantes de Thomas. O tempo todo, pedindo desculpas para sua mãe por ser um fardo, pedindo desculpas à seu falecido pai por não conseguir ajudar mais sua mãe, pedindo desculpas à seus irmãos de fraternidade por não ser o Omega padrão. Em resumo, Thomas era apologético sobre si mesmo: sentia a necessidade de se desculpar pela pessoa que era. Tinha um sentimento constante de incômodo consigo mesmo, que era suprimido por algumas poucas coisas sobre si próprio que eram dignas. Futebol, notas altas. Só. Sabia como era horrível a sensação e nunca a desejaria pra ninguém, principalmente alguém como Mimi, que realmente não precisava pedir desculpas sobre quem era - Não precisa se desculpar comigo, nunca - Enfatizou a palavra nunca, sorrindo de canto para Mimi.
- Psicologia do Desenvolvimento? - Thomas perguntou, interessado. Diferentemente do que a maioria das pessoas pensava, ele não era um gênio. Ele tinha facilidade e paixão com números, gostava de estudar e de conhecimento, e era esforçado. Essa combinação resultava em notas altíssimas, mas as notas altíssimas não eram certificado de que ele sabia de tudo. Pecava na área de literatura, onde seu campo se limitava a livros teóricos e O Pequeno Príncipe. E logicamente, em psicologia, e ficaria feliz de aprender algumas coisas sobre o assunto com Mimi. Porque até pra não gostar de algo, ele tinha que conhecer, certo? - O meu? Bem, apresentei meu seminário de estatística. Pensei que eu ia surtar com tanta atenção, mas acho que ser social chair está ajudando com o problema de falar em público - Deu de ombros - Consertei umas bagunças no departamento de eventos. E tive um teste também, de Economia em Políticas Públicas. Acho que fui bem na parte economia e miserável na parte das políticas - Riu baixo, antes de virar-se para Mimi novamente - Então, agora é esperar.
Depois de alguns minutos de silêncio, avançando passos no campus da Cyprus-Rhodes, Thomas lembrou-se de algo que gostaria de compartilhar com Mimi. Era estranho querer compartilhar algo e mais estranho ainda, algo específico para alguém específico. Mas talvez fosse o clima ou o dia cansativo, que o fez ponderar pouco sobre isso em sua mente - Ah, graças a você, agora eu descobri que eu tenho uma banda favorita - Sorriu, animado, como se contasse a melhor notícia do século. E estava prestes a contar pra Mimi sobre sua nova paixão (ou obsessão saudável) com Oasis, quando deram de cara com o jardim do prédio da reitoria, quase na saída do campus. Era um belo gramado, cheio de flores coloridas que chamavam a atenção até de alguém como Thomas. Flores coloridas que chamavam a atenção de abelhas - Wow - Murmurou, fazendo uma careta, ao ver a concentração de insetos.
A forma com que Thomas dizia aquelas palavras dava a impressão para Emily de que ele não tinha pretensão de tira-la de sua vida tão facilmente assim, e a fez dar um sorriso bobo. Podia até estar considerando-a como amiga, mas ela agradecia ao fato de que teria Carpenter em sua vida sem data para ir embora. – É, é uma das matérias que eu mais gostei até agora, tudo bem que está só no início, mas é a que eu tenho mais facilidade. – Começou a falar, e de fato era a que mais lhe agradava. Voltada para o desenvolvimento do ser humano, a matéria chamava a atenção da ruiva por esse motivo, poderiam analisar as mudanças de uma personalidade humana através dos anos. – É esplêndido ver como um ser humano pode mudar tanto e por tão poucos motivos. – Disse sem dar muitas explicações sobre a matéria. Thomas era de exatas, não queria saber dos mistérios da mente humana, ou queria? – E nessa matéria, é possível ver a formação da identidade e da personalidade de uma criança. Se ela tiver um trauma provavelmente vai ser diferente de uma pessoa que não teve. – Parte daquela sentença era tida como experiência pessoal, Emily teve uma infância conturbada e pelo excesso de cuidados que tivera ao longo de seu crescimento tornou a garota mais insegura em relação aos desconhecidos, por isso era tão difícil se relacionar com outras pessoas.
Mas para ela ver que uma pessoa que, assim como ela, tinha dificuldade em conversar com alguém novo, falar como se fossem amigos de longa data, era algo particularmente excitante. Em alguns momentos ela sequer se lembrava de que ele era Social Chair da Omega Chi, deveria ser bem difícil lidar com tantos problemas da casa e relações entre a Omega e outras fraternidades – principalmente quando a social chair da principal irmandade relacionada à Omega Chi Delta era a ex-namorada dele. Coisas que o cérebro de Mimi não conseguia parar de questionar: o relacionamento dos dois era mesmo estranho como todos pelo campus diziam? E ele ainda realmente a amava? A ruiva balançou a cabeça, em uma tentativa de espantar tais pensamentos. Como uma cabecinha tão pequena podia fazer tantas perguntas em tão pouco tempo sendo que estava em um momento tão bom? – Caso queira, posso te ajudar com políticas. Peguei uma matéria no semestre passado de Relações Políticas e blá blá blá de suas consequências. – Deu uma risada baixa. – Não fui a melhor de todas, mas posso te ajudar a ser melhor do que miserável. – A ruiva deu de ombros, para que Thomas pudesse analisar sua proposta em qualquer momento.
- Imaginei que nos fones de ouvido estavam matérias de Economia. – Mimi deu uma risada baixa, dias antes ele sequer gostava de música e agora já tinha uma banda favorita. E segundo ele, graças a ela. Eram tantos comentários que estavam fazendo seu dia mais feliz. – Mas o que eu tenho com isso? – Perguntou um tanto curiosa. Até porque não tinha recomendado nenhuma banda, comentara sobre The Beatles, mas nem ao menos disse para ele ouvir. Se o rapaz lhe dissesse que estava empolgado ao som do rei do rock por culpa dela faria muito mais sentido. A mente da garota só saiu das músicas ao ver o lindo jardim próximo ao prédio da reitoria, e, infelizmente, os insetos demoníacos que cercavam as flores. Mimi tinha enchido os pulmões de ar para continuar a conversa com Thomas, mas os esvaziou rapidamente. Como impulso parou de andar e sua mão esquerda buscou o braço do moreno que acompanhava sua caminhada. Suas unhas longas e pintadas de tom rubro estavam agora marcando o braço do Omega, Emily respirava fundo e mal conseguia piscar. Não tinha nem mesmo ciência de que podia estar machucando Thomas, só tentava concentrar seus pensamentos em não gritar ou sair correndo na direção oposta.
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Enquanto a melodia agradável enchia seus ouvidos, Thomas refletia sobre como havia passado tanto tempo sem sequer chegar perto de música. Havia algo nas notas perfeitamente alinhadas, na voz agradável, nas letras que combinavam com todos os momentos que ele já havia passado… Uma espécie de terapia, definitivamente melhor que a que havia frequentado na pré-adolescência. Nada conseguiria tirá-lo daquilo, absolutamente nada. Nada, é claro, além da sensação de lábios sendo pressionados levemente no seu rosto. Não tomou um susto, parecia ser uma daquelas coisas que alguém alucinava quando ouvia alguma música muito boa ou algo do tipo. Mas assim que tirou os fones, notou duas coisas. A primeira, que a música em seus fones estava muito alta. A segunda, que Mimi estava bem do seu lado. Assim que a viu, abriu um sorriso - Mimi! Está aí há muito tempo? Perdi totalmente a noção de tudo com esses fones - Balançou a cabeça negativamente, sem graça. Enrolou os fios e enfiou-os no bolso da calça, juntamente com seu celular - Desculpe, mesmo. E… Oi - Para Thomas, falar mais de duas frases de uma vez já era falar demais. E claro, ele adorava quando as outras pessoas faziam, era ótimo pra ele não ter que falar muito. Mas quando Tommy acabava se sentindo confortável e falando um pouco mais que o normal (e isso é, bem menos do que sair falando deliberadamente), ao perceber isso, um sentimento profundo de timidez tomava conta dele. Um recurso perfeito para alguém que não queria deixar ninguém mais se aproximar.
Mimi não era má pessoa. Na verdade, se ele tivesse que escolher uma melhor pessoa naquele tempo, com certeza seria Mimi. Mas nunca havia feito parte dos planos de Thomas deixar alguém se aproximar. Desde pequeno, sua personalidade crítica ferrenha e seu olhar pessimista o fizeram sentir um certo desconforto nas convenções sociais. Mas eventualmente, sem exatamente querer, superou isso e aproximou-se de algumas pessoas na universidade, principalmente Mason, Mitchell e Tiffany. E no final das contas, só uma dessas três pessoas haviam realmente sido de alguma valia.
Como um bom economista, Thomas trabalhava com estatísticas, e sendo que duas de três pessoas haviam resultado em desapontamento profundo e princípios de depressão, sua mente havia calibrado que deixar que pessoas entrassem em sua vida sempre resultaria em desastre. Topar um drink no Joe’s com Mimi era algo simples e que ele aceitara sem ficar desenvolvendo teses sobre o assunto. Mas com Tiffany e Mitch havia sido assim também, e Thomas realmente não queria mais um desapontamento em sua vida, mesmo que a situação fosse completamente diferente. Forçou-se a parar de ficar inventando razões para se boicotar naquela saída, iria tomar uma cerveja gelada, conversar, simples e fácil - Eu nem perguntei se está tudo bem - Condenou-se, enquanto levantava-se do banco, rindo baixo - Então… Como foi seu dia? - Perguntou, assim que começaram a fazer o caminho para o bar.
O comentário do rapaz causara certo estranhamento em Emily, se qualquer outra pessoa tivesse falado sobre os fones de ouvido seria algo normal, mas Thomas lhe dissera que não ouvia música e agora parecia inundado pela canção que vinha pelos seus fones. – Acabei de chegar, na verdade. Pensei em te chamar, mas imaginei que não escutaria. Desculpe ter beijado seu rosto... Foi idiota. – As bochechas da garota se encontravam de mesmo tom que seus cabelos, e ela tinha uma leve vontade de chorar de tão sem graça que estava. Precisava aprender a controlar seus sentimentos e, principalmente, a agir com as pessoas. Apesar de que já conseguia formar frases completas, isso já era um avanço tremendo para Emily Stevens. A ruiva colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha, sorriu quando o garoto lhe falou ‘oi’ e apenas acenou em correspondência, juntamente com um sorriso lateral em seus lábios.
Era impossível para ela definir a quão nervosa estava, se sentia com quinze anos novamente, na noite que tivera seu primeiro encontro da vida. Mimi não era a garota mais experiente do campus, na realidade, podia ser uma das menos experientes. Tivera um namorado durante toda a vida, e a fase de encontros românticos e diferentes durara dois meses. Ela se lembrava de sentir a palma de sua mão suando, do enjoo que não largava de seu estômago e da vontade de sair correndo e chorando cada vez que tomava uma atitude que considerava errada ou falava algo embaraçoso. Talvez felizmente, Thomas era completamente diferente de seu ex namorado. Enquanto o anterior era extrovertido, Thomas compartilhava da mesma personalidade tímida da Delta, com o mesmo jeito de dizer poucas palavras e, quando arriscava algumas a mais, enrolava-se e elas o atropelava. A voz do rapaz soou novamente em sua mente, e mais uma vez Mimi se sentiu invadida pelos sentimentos. Respirou fundo e não deixou que as palavras se embolassem enquanto eram ditas.
– Está tudo bem sim, foi só mais um dia normal. – Deu de ombros, como se seu dia não tivesse sido o mais atípico possível. – Tive um teste em Psicologia do Desenvolvimento, fiquei meio nervosa a princípio, mas me lembrei que estudei tanto essa matéria quando poderia então me acalmei em seguida. Estou esperando a nota agora, e... – Ao perceber, já estava falando mais do que deveria, e gesticulava tanto quanto. Uma risada tímida cortou sua garganta e Emily parou de falar, colocando mais uma mecha detrás de sua orelha. Andava com passos lentos, verdade seja dita, queria que aquela noite demorasse e muito para terminar. Virou-se para o Ômega, dando um sorriso lateral. – E o seu dia, como foi? – Estava realmente entusiasmada de conversar com Thomas mais uma vez, tiveram três conversas ao longo do tempo que se conheceram, mas três memoráveis conversas. Ela podia até estar extremamente bêbada em uma delas, mas se lembrava de ter sido longa e ótima. Os olhos da ruiva miravam hora o caminho e hora seu acompanhante, já estavam juntos há alguns bons minutos e a companhia de Thomas já não lhe soava tão surreal, podendo respirar de forma calma e normal.
como se o tommy fosse algum dia te dar bola né se toca fofa
Eu não acho que o que eu e o Thomas temos, ou deixamos de ter, seja do interesse de qualquer outra pessoa que não nós mesmos. Desculpe.
Em quem o seu personagem confia?
I don't want the world to see me @aaron & mimi
Aaron não era muito bom em conversa fiada, ou em introduções, ou praticamente todo e qualquer tipo de interação humana. Seus momentos preferidos eram passados sozinho e ele só conseguia se abrir de verdade com gente que conhecia há pelo menos alguns meses, mas ele não era exatamente um recluso. Pelo menos era isso que sempre gostava de reafirmar para si mesmo. Ele estava se esforçando bastante para não se atropelar enquanto falava com Emily (agora Mimi), mas a tarefa era árdua considerando o quanto ele se pressionava para fazer uma boa impressão. Ele tinha a esperança de que ela mal se lembrasse da conversa dos dois na noite anterior e ele tivesse a chance de reconstruir sua imagem, mas provavelmente não estava fazendo um papel tão melhor agora. Deu outro gole no chá. Estava muito, muito bom. Talvez tivesse achado um bom candidato para sua cafeteria favorita, afinal.
- É Mimi com certeza, então - ele riu nervosamente, puxando uma cadeira e se sentando. Fez um gesto positivo para ela, confirmando que ela podia se juntar a ele, embora isso provavelmente isso tenha acarretado numa corrida insana de seus batimentos cardíacos. Por que ele estava tão nervoso só em conversar com uma garota? - Não sei se serve de consolo, mas você ainda está mais bonita do que qualquer coisa que eu vi em The Walking Dead - ele brincou, mesmo que seu cérebro lhe dissesse que era a pior piada que ele poderia sequer imaginar em sua vida inteira. Parecia que todos os seus órgãos estavam conspirando para deixá-lo ainda mais ansioso.
Mimi não parecia o tipo de garota que costumava encher a cara no Joe’s semanalmente, mas ele também não parecia o tipo de cara que já fora designado como mulher, então Aaron não gostava de presumir coisas sobre as pessoas. Ela podia beber um absinto por dia que não haveria nada de errado com isso (a não ser, possivelmente, um colapso de seu fígado). Ele não era particularmente fã de bebidas alcoólicas, mas talvez isso só fosse porque ele nunca tinha experiência com nenhuma. - Bom, caso você faça isso de novo, sempre estarei disponível para te acompanhar a uma cafeteria e desviar as atenções das pessoas de você para a minha beleza ofuscante - ele riu da própria piada enquanto sugava mais chá pelo canudo e corava furiosamente. Ele normalmente fazia piadas quase naturalmente, mas, aparentemente, brincar (ou falar, ou respirar, ou existir) perto de Mimi fazia com que ele se tornasse ansioso e consciente.
Emily notava o gosto que o garoto tomava seu chá, e arrependeu-se um pouco de não ter pedido um para si mesma. Mas de fato aquela manhã pedia um café dos fortes e quem sabe, mais tarde, pudesse retornar ali e tomar alguma cafeína mais suave. Diversos motivos faziam a ruiva se arrepender de ter escolhido brincar de shots com o Kappa Tau na noite anterior, e um simples chá gelado era um desses motivos. Era possível, para a garota, notar pela forma com que Aaron discursava, ele era tão tímido quanto ela. Suas palavras também pareciam sair na ordem errada, rosto corado e principalmente as piadas que poderiam ter sido melhor elaboradas por uma pessoa diferente, mas isso, estranhamente, a fazia se sentir tão confortável ao lado dele quanto poderia estar. Precisava de mais pessoas como ela ao seu lado, pessoas genuínas e tão ingênuas quanto ela, que a entendessem. Ficou feliz com a confirmação de que podia se juntar ao rapaz em sua mesa, então com a aceitação do rapaz, Mimi tomou seu lugar à frente dele e lhe sorriu, dando mais um longo gole em seu café. – Muito obrigada. Mas eu realmente espero que isso inclua todos os personagens, e não só os zumbis. Se você está dizendo que eu só estou melhor do que zumbis, eu ainda estou mal. - Cada segundo ao lado do Ômega a deixava mais confortável em relação à ele, menos preocupada com a cabeça e o corpo que doíam, com o estômago que revirava com o cheiro das rosquinhas e mais focada na conversa agradável que os dois compartilhavam naquele momento. Ele era, de longe, uma das pessoas mais agradáveis que tivera o prazer de conhecer naquela universidade. Bom, Emily não era uma daquelas que conhecia todo mundo, na verdade, conhecia pouquíssimas pessoas, mas os poucos que tivera contato não eram tão boas companhias quanto Aaron – talvez algumas, como Leah, Mason, Amber. Parando para pensar dessa forma, Emily conseguira conquistar uma boa frota de amizades, não era um grande número, mas eram ótimas pessoas. – Nota mental: trazer o Aaron comigo na próxima ressaca, sua beleza estonteante tirará os olhos de todos em minha volta. – Mimi falou como se estivesse conversando consigo mesma, e deu uma boa risada direcionada ao rapaz. Seu corpo insistia em dar sinais de que ainda não estava completamente recuperado, e com um movimento quase involuntário, deitou-se na mesa que dividia com o garoto. – Posso te confessar uma coisa? – Apesar de ter feito essa pergunta para o rapaz, não ia aguardar a resposta para começar a falar. Apenas apoiou seu rosto em suas mãos, virando-se para Aaron. – Eu nem gosto assim de beber. Um cosmopolitan uma vez ou outra é legal, mas esse tanto de álcool que as pessoas consomem... Não é pra mim. Nem apoio as atitudes que essas pessoas tomam e depois colocam a culpa na bebida. – Revirou os olhos e levantou a cabeça, dando mais um gole no seu copo.
Dia dos favoritos! Qual é o sabor de sorvete favorito do seu personagem? Cor? Música?
O que? Como assim o Eminem morreu? Ah, você tá brincando comigo.
Sexo na arquibancada, óbvio. E sexo na cozinha da Omega Chi. E sexo na sala da Delta. De repente, a gente transava o tempo todo, lembra? Ei, essa foi cruel! Eu vou consertar minha coluna e todo o resto e aí quem não vai conseguir ficar muito tempo naqueles degraus vai ser você. E lembrando que na cama ou no tapete da sala eu continuo 100%, quer testar?
Obrigado, eu fico feliz que minha esposa tenha paciência pra ouvir minhas “chatices”. E Oasis vai voltar sim, não tente me dissuadir. Nós ainda vamos num show deles, eu estou te falando. É porque é simplesmente melhor banda do universo. E você adora me ouvir cantar no chuveiro, pode admitir.
Nós passamos dos quarenta, Eminem já tinha passado dos sessenta! E pior, ele levava aquela vida cheia de drogas e tudo mais... Não é fácil sustentar muitos anos daquele jeito.
Meu preferido ainda é sexo no banheiro da ZBZ. Mentira! Meu sexo inusitado favorito foi o vestiário em dia de jogo. Eu jurei que seríamos pegos naquele dia. E isso é tão engraçado, em um dia nem falava com você e logo em seguida estávamos transando em qualquer lugar do campus... Acho que o problema todo é que você esperou tempo demais pra começar, e quando começou, não teve mais como parar.
Arrume sua coluna antes de me fazer promessas. Estou louca pra ver se nós dois vamos aguentar mais de quinze minutos na arquibancada... Mas enquanto isso, eu topo a cama ou o tapete.
Você é chato e eu te amo assim, mesmo atrasado nas tecnologias e tudo mais. Ok Tom, nós vamos para o show do Oasis... Tenho bons pensamentos sobre o ano que vem, quem sabe eles não voltam, huh? Eu gosto do quarentão sarado nu e molhado, e não das músicas e da voz.
Rap, rap, rap, hip hop, e mais rap. Ele vai virar o Eminem.
E depois de um tempo vinha a sacanagem, claro. Ou você não quer falar de sacanagem porque nosso filho pode ouvir? Ah, nós até já tivemos a conversa com ele.
O amor super até as barreiras da antisocialidade, você sabe. Reclamar é o meu dom, você se casou com um reclamão e sabia disso.
Ok, tenho ainda mais uns quinze anos antes de me tornar avô ou sabe-se lá o que, quem sabe até lá o Oasis não volta.
Amor, o Eminem já morreu há alguns anos... Você devia pegar umas dicas da atualidade musical com o Mason, pra pelo menos fazer umas boas piadinhas.
Qual tipo de sacanagem você está falando? As mãos dadas nos primeiros encontros ou o sexo na arquibancada depois de certo tempo que estávamos juntos? Aliás, ainda não acredito que fizemos aquilo. Deveríamos tentar de novo. Se bem que com seu ciático como anda, você não conseguiria ficar muito tempo naqueles degraus.
Reclamar você sabe bem mesmo... Não acho de todo ruim, ás vezes eu gosto de ouvir suas chatices. Mas aceite, Oasis não vai voltar. Ainda não entendo sua fixação com essa banda.
Pelo menos isso eu melhorei em vinte anos, né.
Eu queria usar o meu mapa, mas ele ficou falando no meu ouvido por meia hora e ele é o garoto mais persistente que eu já vi. Definitivamente, isso aí veio de você. E é culpa do Mason, se ele não tivesse dado pra ele esse iPod ou sei lá que nome tem aquela coisinha, isso não estaria acontecendo. Mas eu não usava perto de você! Afinal, a gente sempre tinha coisas mais interessantes pra fazer…
Nem me lembre que ele tem quinze anos, meu nervo ciático lateja só de pensar nisso. Eu estou velho, Mimi, quando foi que isso aconteceu?
O problema do Mason não foi dar o iPod, foram as músicas que vieram nele... Nem tive oportunidade de ensinar meu filho sobre o rei do rock, ele já estava muito entretido nas músicas atuais. Nunca perdoarei ele por isso.
Tínhamos com certeza, eu, por exemplo, tinha que ficar corada sempre que olhava nos seus olhos e você tinha que remendar qualquer frase que falava comigo.
Eramos dois jovens engraçados, nem sei como conseguimos sair de desconhecidos para um casal. Você deveria parar de reclamar tanto, Tom, estamos aproveitando todas as fases da nossa vida... Ainda temos uns bons quinze anos pela frente antes de virarmos velhos de fato.
Minha vida definitivamente começou quando você entrou nela, Mimi, disso você pode ter certeza.
Menos atrasado? Semana passada eu fui parar em outra cidade porque não sei usar o GPS, lembra? E seu filho no banco do passageiro usando aqueles fones de ouvido o tempo inteiro. Eu vou cortar aqueles fios, é sério.
Você sempre tem as coisas mais lindas na ponta da língua.
Mas ao menos aceitou ligar o GPS do seu carro. Um avanço, ponto para o Tom. E o seu filho tem apenas quinze anos, deixe ele com seus fones de ouvido... Se eu bem me lembro, quando você aprendeu a escutar música, você não tirava os seus.
Vinte anos depois, Oasis ainda não voltou, minha coluna dói e como se fosse possível, as coisas ficaram ainda mais… Tecnológicas. Quem disse que a vida começava aos 40 mentiu.
Vinte anos depois, continuamos juntos, seu filho é que te causou dores nas costas e aos poucos você está ficando menos atrasado na tecnologia. Não encare as coisas de formas tão negativas.
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Thomas Carpenter não gostava de música. Entre sua adolescência conturbada por estudos e uma personalidade levemente antissocial, e sua juventude em que ele já não era apenas um estudante, mas um universitário no programa de honras de Economia, um frat boy, um social chair, um meio campo no time de futebol, não sobrara nenhum tempo pra música. Claro, ele ouvia aqueles barulhos do rádio e decorara algumas canções de Mariah Carey (de quem sua mãe era uma grande fã), mas música nunca significara nada demais pra ele. Era um monte de barulho com palavras misturadas, e só. Mas a conversa com Emily - quer dizer, Mimi - naquela manhã na Delta, lhe deixara levemente curioso pra saber que tipo de música seria seu tipo. Com certeza, não o tipo de música que Mason ouvia. Nem o tipo de música que fazia sucesso na Omega Chi. Era leigo em questões de internet pra pesquisar, então resolvera alugar alguns CDs na biblioteca. Pegara os que tinham uma capa bonitinha. Acabara odiando oito dos dez CDs que escolhera, mas dos dois escolhidos, tinha um que Thomas escutava umas três vezes por dia.
Oasis. Uns desarrumados do britpop, não era exatamente pra ser o estilo de Thomas. Mas aparentemente, música não precisava fazer sentido. Ele não sabia se era porque ele precisava de algum tipo de rebeldia em alguma vertente da sua vida, ou porque as letras eram geniais, ou porque a melodia se encaixava perfeitamente com tudo… Talvez fosse tudo isso, mas o que importava era que ele simplesmente ouvia o tempo todo. Pedira à um dos garotos da fraternidade para colocarem as músicas em seu celular, - nem isso Thomas conseguia fazer, muito complicado - encontrara um fone de ouvido começou a se perder diariamente nas melodias. Acordava com os fones berrando Morning Glory, ia pra aula cantarolando Cast no Shadow, almoçava ouvindo Lyla, treinava mentalizando Hello e voltava pra casa na calma melodia de She Is Love.
A saída para o Joe’s com Mimi viera no momento perfeito. Ao fim da semana caótica e da discussão terrível com Frances, tudo que ele precisava era de uma cerveja e uma boa conversa. Combinaram de se encontrar no começo da noite na fonte principal do campus, que já era meio caminho andado até a saída. Depois de se arrumar e colocar todos os pertences nos bolsos, saiu pela porta da Omega Chi com seus fones no ouvido tocando o álbum What’s The Story no aleatório. Quando chegou até a praça, sentou-se num dos bancos para esperar Mimi, deixando que os fones e o celular fizessem seu trabalho. Tendo finalmente alguns minutos para pensar, Thomas percebeu que estava genuinamente aliviado e feliz por ter conseguido um tempo sair com Mimi. Apesar de não terem conversado tanto assim, as poucas vezes (inclusive aquela em que ela estava bêbada, fora definitivamente uma das melhores) que se falaram foram tão descomplicadas e divertidas, bem diferente da maioria das conversas que tinha durante sua rotina. Sorriu quando começou a tocar Wonderwall. Não era a melhor música da banda, mas ele gostava bastante da melodia. Deixou-se levar pelas palavras de Noel Gallagher, pelos acordes do violão, e ficou distraído o suficiente para cantarolar, batendo seu pé no chão de acordo com o ritmo - I said maybe you’re gonna be the one that saves me… And after all, you’re my wonderwall.
O dia de Emily não poderia ter sido melhor, acordara logo cedo para sua aula de Psicologia do Desenvolvimento e, enquanto respondia o questionário de cinquenta questões do professor mais chato da psicologia, recebia mensagens de Leah para que as duas se encontrassem na Delta mais tarde naquele dia – ela precisava da outra ruiva para lhe ajudar. Finalmente Mimi tivera coragem para chamar o rapaz de seus sonhos para um encontro, e não conseguia imaginar como ficaria mais nervosa do que aquilo. Colocara o pensamento de lado por alguns instantes, ainda tinha vinte questões restantes e apenas trinta minutos no relógio. Ao entregar suas páginas, a ruiva correu para buscar alguma comida em um fast-food próximo ao campus, seu carro estava mais sujo do que o chão da arquibancada de futebol, mas passava pouquíssimo tempo preocupada com o estado estético de seu carro e muito mais ocupada tentando manter aquele motor – tão velho quanto ela – funcionando. E definitivamente aquele dia não era para pensar nisso.
Com o rosto sujo de molho, recusou a ligação de Leah, provavelmente a amiga já estava em sua casa e ela, ainda, disfrutando de seu hambúrguer dentro do carro. Poucos minutos depois já estava em seu quarto, com sua melhor amiga, escovando e alisando os longos fios avermelhados. Mimi fazia questão de respirar fundo de poucos em poucos minutos, e manter seu foco na nota de Psicologia que receberia no dia seguinte. Ao notar que em seu relógio faltavam apenas quinze minutos para o encontro com o rapaz, despediu-se da amiga e colocou seu vestido, sapatilhas, bolsa... Estava bem diferente do que as pessoas costumavam ver pelo campus, mas por um ótimo motivo. Seus passos em direção à fonte eram lentos, apesar de já estar no horário, não queria aparecer muito cedo e correr o risco de passar imagem de desesperada – Emily tinha esse tipo de medo.
A meia luz vinda da lua somada à vinda do poste iluminavam perfeitamente o Ômega sentado em um dos bancos. Cada passo seu, dado em direção ao rapaz, era acompanhado de uma longa respiração e todas suas forças eram usadas nos músculos de seu rosto, para que não desse um sorriso semelhante ao Coringa. Estava bem próxima de Thomas, e ele ainda não notara sua presença, mas ela notou algo diferente, ele estava com fones de ouvido, o que causou na garota uma certa dúvida. Estaria ele ouvindo alguma matéria de economia em pleno encontro? Se sua dúvida fosse real, aquilo não seria um encontro como ela imaginava, e sim dois amigos se encontrando para uma bebida juntos. Ela não devia ter usado um decote tão profundo. Era tarde demais para correr até a Delta e mudar sua maquiagem? Não era necessário. Mesmo ainda distante, ela conseguia ler os seus lábios, e ele cantarolava alguma música – não conseguira identificar, mas era música. Seu nervosismo aumentara em 90% naquele momento, já estava a pequenos passos de distância. Inclinou-se para ficar mais próxima de Thomas e lhe depositou um beijo no rosto, sorrindo em seguida.
Tem algum momento ou evento que o seu personagem deseje apagar do seu passado? Qual e por quê?