you're gonna be the one that saves me @thomimi
O corpo de Emily ainda tentava se acostumar com a presença de Thomas, as mãos gélidas dentro do bolso de seu casaco para serem esquentadas, o sorriso no rosto constantemente sendo controlado para não parecer uma retardada. E as borboletas no estômago? Bom, aquelas pareciam não querer ir embora, na realidade, só sabiam se fazer mais presentes a cada vez que ouvia a voz do rapaz. Depois de ter passado uns bons minutos falando sobre sua matéria favorita na psicologia, sem sequer gaguejar, notou que se sentia confortável ao lado de Thomas de uma maneira que não se sentia com ninguém há tempos… Não que fosse de qualquer importância para ele, mas para ela significava muito. Era alguém que não revirava os olhos, e que, apesar de deixa-la mais nervosa do que 90% da população, não causava nela o efeito ruim do nervosismo. Colocou uma mecha do cabelo de trás da orelha, quando o rapaz a empurrou com o ombro e a chamou de Professora, sentiu as bochechas corarem e deu uma risada fraca.
– Não é pra tanto, acho que nem sou boa me expressando, quem dirá dando aulas. – Riu mais uma vez, sendo completamente franca com ele. – Mas acho que sou o suficiente pra te ajudar. – Mimi entendia muito bem como Thomas podia ir tão bem em matérias exatas e falhar miseravelmente em humanas - ela passava pelo mesmo drama, mas ao contrário: suas notas nunca eram suficientemente boas em exatas, apenas passava. Bom, na verdade, em quase todas as matérias, exceto física. Ela tinha uma facilidade com física quântica que nunca tivera com estatística. No fim das contas, sabia que se Thomas ignorasse cada vez que gaguejasse ou congelasse diante dele, ela poderia ensinar a matéria de maneira proveitosa para aumentar sua nota, nem que fosse pouco.
Deu uma boa gargalhada sobre os áudios de Economia, tinha feito uma brincadeira mas sabia que tinha um fundo de verdade ali. – É bom que você ouça as aulas, eu por exemplo sou mais visual. Então desenhar, e copiar a matéria várias vezes me ajuda. Agora você pode ser mais auditivo, que escutando a matéria algumas vezes te faz associa-la de melhor forma. – Naquele ponto Emily já se odiava, não conseguia focar em outro assunto que não matérias, estudos, livros… Ugh. Para ela estava ótimo, mas imaginava que Thomas devia estar entediado, e deveria. Ele era um Omega Chi, estava acostumado com as garotas da ZBZ e essas nunca falavam dessas chatices que eram seus cursos. Pensou até em se desculpar mais uma vez, mas não houve tempo pra isso.
Seu corpo e seu cérebro congelados pelo medo, ou melhor, pânico, de um inseto tão pequeno. Ela, que costumava sempre ter o controle de tudo, estava apavorada e sem saber o que fazer. Até conseguiu ouvir a voz de Thomas, e entender que ele queria que ela caminhasse, mas seu corpo simplesmente não obedecia a parte com razão de seu cérebro. Só se deu conta do que aconteceu quando estava do outro lado do portão do campus, abriu os olhos e viu-se perto demais de Thomas. Tudo o que respirava era o perfume do rapaz, tudo o que via era seu rosto e, apesar daquela proximidade toda, apenas se sentia aliviada por ter passado por aquele enxame sem ser atacada. Emily deu um sorriso tímido, e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, olhou para baixo por alguns segundos e fitou os olhos de Thomas sem seguida. – Obrigada, você é meu herói. – Disse um tanto tímida com a situação.
Emily era pequena. Não de altura, ela não era muito mais baixa que ele - talvez dez centímetros? Mas ela era pequena, ainda sim, de uma forma diferente. Não inferior, mas do tipo que cabia perfeita e confortavelmente entre os braços dele. E ela tinha cheiro de alguma coisa muito boa... Não era perfume, talvez fosse shampoo ou amaciante, e ele não lembrava-se de ter sentido antes. Mas assim com ela tão perto, esperando que ela abrisse os olhos, começou a perceber muitas coisas que não havia notado antes. Pequenas sardas nas bochechas, também. E quando ela abriu os olhos, notou que ela tinha olhos absurdamente bonitos. E quando ela os desviou, sentiu como se alguém estivesse o chacoalhando e o chamando para o mundo real. Piscou algumas vezes, confuso. Ainda estava segurando Mimi em seus braços e ela provavelmente já estava começando a achar que ele era algum tipo de tarado. Mas antes que ele pudesse soltá-la, ela levou o olhar até ele de novo e ele foi praticamente capturado pelos olhos verdes de Emily.
Eles estavam muito perto. Perto de um jeito que fazia Thomas se sentir altamente ameaçado, altamente despreparado. De um jeito que ele conseguia sentir a respiração dela, de um jeito que ele enxergava só Emily e mais nada. Sem abelhas, sem campus, sem Oasis. Só uma garota ruiva de olhos verdes, que havia acabado de dizer que ele era seu herói. Não podia deixar de sentir a ironia da situação. Thomas Carpenter nunca tivera um grande momento de heroísmo e aquele talvez fosse o mais próximo de seus cinco minutos heróicos. Mas não teria problema de transformar essas poucas ocasiões em mais minutos de heroísmo para Emily, se o resultado fosse o mesmo daquele. Ele estava tão perto, mas tão perto… Se Thomas se inclinasse mais um pouco…Juntou suas forças e o que sobrava de concentração pra soltar uma risada baixa - Uh... Sempre que precisar - Respondeu, enquanto suas mãos ainda a envolviam.
E cada vez estava mais difícil se concentrar, e ele sentia como se seu sistema nervoso estivesse derretendo as poucos. Tinha que falar alguma coisa, qualquer coisa, antes que aquilo tudo ficasse esquisito demais. Mas afinal, por que estava esquisito? Ele só era um amigo ajudando uma amiga a escapar de um enxame de abelhas. Exceto que Thomas queria o beijo da mocinha. Mas ele não era um herói. Ele era só Thomas Carpenter, corno, social chair vergonhoso e nerd do futebol. E havia algo muito errado naquela equação toda, no final das contas. Mas contas não importavam muito naquela hora. E se importassem, Thomas teria um grande problema, porque toda aquela equação Thomas + Mimi havia resultado num… Beijo. Ele não soube dizer o que foi, mas foi. Estava prestes a dizer algo sobre ir para o Joe’s quando ao invés disso, acabou com a distância entre ele e Mimi, selando seus lábios nos dela. Morango. Ou talvez fosse cereja. Ou algodão doce? Bem, ela tinha um gosto adocicado nos lábios e Thomas não se incomodaria de beijá-la pelo resto do dia.
E as coisas pareceram certas por um minuto. Corretas. Como um A+ em estatística, porém não tinha nada a ver com isso e… Ele não saberia explicar nem se quisesse. Não conseguia explicar nem o que acontecia no emaranhado de pensamentos de seu cérebro, como explicaria o que estava acontecendo no emaranhado do seu coração, se é que o que estava acontecendo eram coisas do coração?














