A INDÚSTRIA CULTURAL HOJE
Uma das armadilhas no estudo contemporâneo da industria cultural esta na facilidade de adotar uma postura moralizante que resulta do impulso, advindo da visão critica, para a lamentação a respeito do valor ou da qualidade dos produtos culturais de massa - citação do livro de mesmo nome do inicio do capitulo - A Indústria Cultural hoje por Antonio Zuin.
Zuin fala sobre a banalização do uso através da postura moralizante proveniente da idéia de massa fazer parecer terceira pessoa, como se o enunciador fosse diferenciado e estivesse fora do popular da massa. Ele fala dos "falsos adornos" que possuem essa postura. Além disso, reforça a idéia de evitar acreditar na teoria da agulha hipodérmica.
Douglas Kellner: a mídia é um percurso histórico cultural até chegar hoje, cheio de transições que não são absurdamente grandes. Ainda não houve uma mudança muito grande no percurso. Ex: aposta que o Bitcoin virará uma moeda mundial sem lastro = causaria uma mudança econômica e social. muito significante. A grande dificuldade é achar que é possível, no mundo de hoje (cultura da mídia), fazer uma separação grosseira dos hábitos com audiência passiva, como o Game of Thrones (menos interatividade, não pausa e não vê outro horário que não o exibido - exceto screaming).
◘ Fan pages com 10 detalhes que ninguém viu = narrativas transmidiáticas (conceito de Jenkins). Vai além da produção GOT e vira milhões de mensagens.
PERCURSO HISTÓRICO CULTURAL:
Antes havia uma cultura erudita
• essa divisão era bem firme, não se misturavam.
Depois cultura popular (no sentido original de uma cultura folclore - uma cultura que emerge das aldeias e ambições culturais. Nã há mais, deve ser estudado em história e antropologia). No Brasil temos saci pererê, etc.
Havia uma classe social intermediária. A do meio (burguesia) mostra que há a possibilidade de ascender de classe (para a burguesia). Os que são da burguesia não se contentam e buscam a cultura aspiracional, não a cultura de tradição e valorização do local de origem.
O dinheiro do recurso financeiro dá acesso a varias coisas, assim como a vivência aristocrática. Os aristocratas começa a intensificar seus hábitos (criar etiquetas), tentando mostrar que para ter dinheiro não basta, para consumir as coisas da tal alta cultura.
Ex: Titanic. Rose começa a ascender a classe e todos a julgam, por ela não ter os hábitos ‘’necessários’’, diminuindo-a.
◘ Pierre Bourdieu (A distinção): Trata do conhaque e fala de não adiantar ter um conhaque dos mais caros, você tem que saber consumir direito, através de hábitos dos aristocratas, que foram criados para distinguir e criar uma barreira na ascensão de classes.
É impossivel todos consumirem a aristocracia = CRIAÇÃO DA INDUSTRIA DA CÓPIA (Kitsch/Midcult), embriões da cultura de massa. Cultura de massa NÃO É CULTURA POPULAR, é originada na cultura burguesa.
Na modernidade, talvez tenha um pouco de cultura erudita e popular, mas bem pouco. A ideia de indústria cultural hoje é absorvida e está dentro da própria cultura enorme da mídia.
A própria cultura da mídia + indústria cultural se somam com um espaço para seus usuários e telespectadores produzirem, inclusive produzir movimentos anti culturais dentro da própria cultura, coisa que não existia na modernidade.
Cultura de mídia = Indústria cultural + Espaço para seus usuários produzir + Consumo.
◘ Tem uma flexibilidade de aceitação - mas também falamos de números e dinheiro. O que está fora com certeza existe, mas não chega as pessoas.
Alternativo é um midiático dentro da mídia = tudo se adapta. A adaptação tem um preço. Ex: Jazz. Quando a mídia engloba tudo, ela acaba englobando até a própria contestação da mídia. Se seu protesto não bomba nas redes sociais, tv, etc ele não vinga. Há movimentos artísticos dentro da web. Nesse contexto, cada vez mais o popular é diminuído.
• Modernidade (cultura de massa) - Sec 19/20 ➱
Adorno acreditava na superioridade da cultura erudita. Ex: não pode ter vinil de música clássica. Hoje em dia essa ideia não faz mais sentido.
Oposição de Zuin: Diz que hoje não discutem mais a questão da aura e da cópia, estamos na cultura do excesso dos usos e das imagens, que nos conduz a situações como essas:
FOTO MONALISA SLIDE MATTA
• Contemporâneo (hoje) desde 1970/80
Zuin fala do percurso histórico, que faz a Monalisa sair além do quadro. Não é ter uma Monalisa na cozinha e sim ter ela deslocada. A indústria cultural agora não é mais da cópia, é do sufoco imagético e sonoro.
Mcluhan: acreditava que, nos anos 50, entraríamos em uma atrofia auditiva. Simbolicamente é uma sociedade que houve muito pouco, principalmente as histórias do outro. O som virou apoio ao visual (videoclipes etc).
Se bem que, hoje, o barulho substituiu o som. O barulho num ponto de vista de sons que não conversam entre si. As coisas em excesso (que tentam se superar aos que se destacam mais) geram poluições visuais que acabam não significando nada.
Livro Iconofagia: dialoga com a semiótica da cultura européia e a teoria da imagem. Fala sobre a compressão feita pelas imagens. Tudo tem logo, cor, símbolo, etc. Cidades com ruído visual naturaliza isso na mente dos seus habitantes. Em um lugar sem isso, há mais tranquilidade.
• Nós não aumentamos nossa capacidade de apreensão no contemporâneo, mas achamos que sim pela constante recepção de informações.
Relação com o produto midiático
O produto midiático se relaciona com o percurso histórico relatado a cima, com base nas teorias de Mcluhan, principalmente à função dos sentidos, na medida que exemplifica o fato da sociedade escutar muito pouco, o que tornou o som um apoio do visual, mesmo no caso de uma personalidade de grande sucesso ligada a música, como Beyoncé.
Em seu último álbum, ‘’Lemonade’’, Beyoncé lançou 12 videoclipes, um para cada faixa do disco, junto ao lançamento oficial das músicas em um especial para o canal de TV HBO. No Tidal, aplicativo de música, a descrição diz que o álbum é um “projeto conceitual baseado na jornada de autoconhecimento e cura de todas as mulheres". Além disso, é classificado como ‘’visual álbum’’.
Isso evidencia o papel essencial do visual no contemporâneo, o que deixa a música, que era o mais importante anteriormente, em segundo plano. Este é o segundo "álbum-visual" consecutivo de Beyoncé. O anterior, com o mesmo nome que a cantora, foi lançado em 2013 e contou com 14 músicas e 17 vídeos. Para ela, música vai além do ‘’escutar’’.
Além disso, a artista também serve de exemplo na explicação da composição da cultura de mídia (indústria cultural + espaço para seus usuários produzir + consumo).
Na Indústria Cultural, assim como exemplificado no capítulo anterior, a lógica cultural foi substituída pela industrial, o que gerou a produção em série e a banalização da cultura.
No contemporâneo, devido à esse espaço de produção dos usuários, tudo que esteja ligado à ela, seja de sua vida pessoal ou profissional, gera conteúdo instantaneamente. Quando ela anunciou sua segunda gravidez, de gêmeos, com o cantor Jay-Z, seu nome já virou Trending Topic no Twitter (que anuncia os assuntos mais comentados, ou seja, que possuem o conteúdo sobre o assunto produzido) e, no mesmo dia, alcançou a marca de mais de 3,2 milhões de curtidas no post do Instagram que fez o anúncio. Algumas semanas depois se tornou a mais curtida da história do Instagram com mais de 7 milhões de reações, desbancando um clique de Selena Gomez com uma garrafa de Coca-Cola. Alguns exemplos dos conteúdos feitos por usuários e fãs de Beyoncé são:
Em relação ao consumo, o produto midiático transforma seu nome e popularidade em, cada vez mais, novos produtos que podem ser consumidos na sua loja online http://shop.beyonce.com/ por seus fãs. Esses produtos variam desde perfumes até roupas íntimas, que não estão ligados a produção artística do produto midiático, ou seja, existe apenas pelo consumo da cultura de mídia em que Beyoncé se insere. Muitos dos compradores, inclusive, justificam os preços mais caros com o motivo da artista ser considerada uma marca atualmente, que simboliza um status perante os outros indivíduos da sociedade.
Portanto, a cultura da mídia é formada por todos esses elementos que se mostram explícitos no estudo de um produto midiático como Beyoncé.