@Rosé: Start of something new
🌹} — Cada passo para o fim do cais era um passo para o fim da conversa. Queria muito chegar a seu destino e tomar um banho de ervas medicinais, que comprara com uma curandeira local assim que soube da chegada do Sea’s Dagger no porto. Conhecia muito bem Ikeesha e seus gostos extravagantes. E dolorosos. O clima quente só piorava a situação que se encontrava debaixo das camadas de tecido e bordado de seu vestido. Seu guarda-sol não conseguia dar conta do atípico sol escaldante. Talvez seja exagero da prostituta, que detestava ficar mais de dez minutos ao ar livre.
Ao contrário de Rosé, a pirata parecia estar uma pilha de nervos. Estava agitada e não conseguia parar de soltar risadinhas. Compreensível. Não é todo dia que você entra para a tripulação do famoso líder dos piratas. Ainda mais sendo tão jovem. A francesa analisou a garota novamente, dessa vez sem julgar. Seus olhos azuis eram redondos e brilhantes. Era suavemente mais baixa, apenas alguns centímetros. Como será que ela foi parar na pirataria? Não era do tipo curioso, mas não tinha como deixar de se perguntar.
E, então, ela perguntou sobre Ikeesha. Concordou levemente com a cabeça sobre o fato de conhecê-lo pessoalmente. Não conseguiu segurar o riso quando percebeu a cautela da outra, como se esperasse uma represália a qualquer segundo. Pensou, mais uma vez, em brincar com ela, contudo decidiu não aumentar sua angústia. — Não pense bobagens sobre o seu capitão. Digo, não é como se ele fosse hesitar em punir merecidamente alguém. Tem um jeitão meio carrancudo e brigão, mas tem um bom coração. — Parou de caminhar, pois haviam chegado ao final do porto. Agora deveria seguir sua caminhada sozinha. — Como eu disse antes, seja leal. Aposto que vai gostar dele quando tiver a chance de conhecê-lo melhor.
— Obrigada por me fazer companhia até aqui, Lucy. — O agradecimento era verdadeiro. Sentiu-se mais segura por tê-la por perto durante o percurso. Ao que tudo indicava, a jovem pirata não sabia sua real identidade. Provavelmente pensava que possuía um título de nobreza. Ainda sorrindo para a garota, tirou um pequeno pedaço de papel que continha o endereço de sua residência, escrito à mão pela própria, de seu espartilho. — Gostaria de jantar comigo esta noite? Poderíamos considerar uma comemoração pela sua conquista.
“Digo, não é como se ele fosse hesitar em punir merecidamente alguém. Tem um jeitão meio carrancudo e brigão, mas tem um bom coração.“
Ao ouvir as palavras de Rosé, Lucy imediatamente se recordou da curandeira sangrando no convés do Sea’s Dagger. Por acaso aquela mulher estava sendo punida merecidamente? Ela teve o seu olho arrancado! Rosé podia estar dizendo que Ike tinha um bom coração, mas se havia algum traço de bondade no capitão, ele estava se esforçando para não deixar isso à mostra.
A garota ficou um pouco decepcionada ao ver que as duas chegaram ao fim do porto. Lucy precisaria refazer boa parte do percurso para ir ao Slut Mary pegar seus pertences, mas ela não tinha se arrependido da caminhada. Rosé podia não ser uma integrante da tripulação de Ike, mas agora pelo menos Rosé conhecia alguém em Etheliron.
Quando a mulher mais velha agradeceu pela companhia, Lucy riu sem jeito e sorriu envergonhada. Apesar de ser adorada pelos piratas loucos do Slut, ela não estava acostumada a ouvir pessoas sendo gentis ou educadas.
— Gostaria de jantar comigo esta noite? Poderíamos considerar uma comemoração pela sua conquista.
Lucy ficou sem reação.
Por que uma nobre estava a convidando para jantar? Rosè era refinada e amigável, mas não parecia o tipo de pessoal que gostava de gastar o seu tempo com piratas. Tudo bem que Lucy estava longe de ser uma maruja imunda e sarnenta como a maioria das outras pessoas do mar, mas o convite era extremamente inesperado. Por um segundo Lucy se sentiu uma criança novamente, recordando-se da época em que tinha uma vida de luxo e recebia tudo que queria dos seus pais e irmãos.
Ela sacudiu a cabeça para espantar as memórias e viu que Rosé estava a encarando. Ah, o endereço! Lucy pegou o pedaço de papel e sorriu ao ver a caligrafia bonita que a nobre tinha.
— Sim! - a curandeira respondeu entusiasmada e com um sorriso. Em seguida tossiu e tentou se controlar, não queria assustar a mulher. - Quero dizer, claro! Já fazem anos desde a minha última refeição decente.
Lucy guardou o papel no bolso da calça e parou para reparar na sua própria aparência: calça cheia de manchas, uma camisa branca folgada e amassada. Seu cabelo, geralmente liso e arrumado com cuidado tinha sido bagunçado pelo vento do cais. Enquanto isso Rosé permanecia perfeita por baixo do guarda-sol. Eu não posso ir a casa dela desse jeito.
— Eu realmente agradeço pelo convite, Srta. Rosé - Lucy continuou. - Antes apenas preciso organizar minha bagagem no Sea’s Daggers, mas prometo que logo em seguida irei sem demora até onde você estiver.



















