If you wanted me 𝐝𝐞𝐚𝐝,
you should've just said
Nothing makes me feel more 𝒂𝒍𝒊𝒗𝒆.
𝐈𝐑𝐈𝐍𝐀 𝐘𝐔𝐒𝐔𝐏𝐎𝐕𝐀, filha do segundo casamento do czar Alexander Yusupov com a ambiciosa grã-duquesa Maria, cresceu cercada por intrigas, fogo e expectativas imperiais. Tornou-se herdeira do trono russo após a queda do meio-irmão Gustav, deserdado por influência da mãe — uma decisão que manchou sua ascensão com suspeitas de usurpação e aprofundou o abismo entre os herdeiros. Dotada de pirocinese, dom raro visto como sinal divino por uma ala radical do clero, Irina consolidou sua posição como futura imperatriz. Racional, disciplinada e estrategista, ela não se submete às vontades maternas, tampouco se ilude com o peso da coroa: vive entre jogos de poder, alianças frágeis e o desejo genuíno de ser justa.
Filha do segundo casamento do czar Alexander Yusupov, Irina nasceu cercada por expectativas, suspeitas e fogo — tanto literal quanto metafórico. Sua mãe, a grã-duquesa Maria Yusupova, é uma mulher de olhos frios e ambições afiadas, cuja influência sobre o czar moldou os caminhos do império com mãos invisíveis. Foi ela quem, em manobras discretas e calculadas, convenceu o marido a deserdar Gustav, filho do primeiro casamento real, sob o argumento de que o primogênito não estava à altura do trono — nem em sangue, nem em espírito.
Assim, Irina tornou-se a herdeira oficial de toda a Rússia. Mas o título veio manchado por controvérsias e um povo que nunca esquece. A Casa Yusupov é tida por muitos como uma linhagem oportunista, e usurpadores dos verdadeiros Czares, a familia Romanov. A popularidade da família real está por um fio, e Irina sabe disso.
Contudo, ela não é uma marionete de sua mãe, nem tampouco uma figura decorativa. Irina é racional, disciplinada e estrategista. Cresceu ouvindo que o poder precisa ser conquistado — não herdado — e essa doutrina se cravou fundo. Seu poder de pirocinese, raro e intenso, foi visto como um presságio divino por parte do clero incendiário de São Malek Thorne, e foi esse mesmo dom que selou sua posição como herdeira.
Irina vive em guerra com seus irmãos, especialmente Gustav, que representa o trono que “deveria” ter sido seu. Mesmo entre os filhos do mesmo pai, a união é frágil e marcada por jogos de poder. A jovem princesa não confia em quase ninguém. Entre acordos e reuniões, carrega uma frieza estratégica herdada da mãe, mas tenta constantemente se reconectar com o que acredita ser justo para seu povo. Porque, no fundo, ela quer ser melhor. Quer ser a imperatriz que a Rússia precisa — e não apenas a que lhe foi imposta.
Mas fazer isso sem se tornar a imagem da mulher que a criou pode ser o maior desafio de sua vida.
PODER:
Pirocinese
INSPIRAÇÕES:
Emily (O Conto da Aia), Sissi (A Imperatriz), Elphaba Thropp (Wicked), Daenerys Targaryen (Game of Thrones)
@cedricversion said “so casually cruel in the name of being honest”
O jantar tinha um sabor amargo para a grã-duquesa russa. Não pelo sabor da comida, mas pelo que o evento representava. Irina era uma boa líder; organizada, correta, inflexível mas previsível. Aquilo era um prato cheio para acordos internacionais. Mas como mulher, era falha — e sabia disso. Lhe faltava a delicadeza, a feminilidade e a suavidade que príncipes procuravam em suas parceiras; e talvez por isso havia vivido o desprazer de ter sido comprada pelo próprio irmão. Queria colocar um fim naquilo: casar, sair dali e começar a trabalhar no seu ofício. Mas quando ouviu o proferir do príncipe de Mônaco, parou imediatamente o que estava fazendo e cravou os olhos claros nele. — Cruel? — Repetiu, tentando absorver as palavras; e balançou a cabeça em negativa. — Não sou cruel, Cedric. Vocês são sensíveis demais, essa é a verdade. — Tinha alguma ideia de que o outro não havia passado por pouco; mas todos ali tinham problemas, dificuldades e questões. Alguns piores do que outros, mas não dava carta branca para pena. Essa palavra não existia no mundo deles. — Apoio externo você tem comigo e sabe disso. Não me acuse de crueldade de novo. — Era naturalmente direta, grosseira as vezes. Talvez isso a fizesse impopular no reality, mas ser outrem, atuar, jamais fora seu forte.
@sergeiyusupov said “if you’re coming in my way, just don’t”
Cercada por vestidos brilhantes e herdeiros sorridentes, Irina odiava pensar que era ela quem estava destoando dos demais — uma clássica estraga prazeres. Não era sua intenção, e era aquele um dos motivos do porquê insistirem tanto para que ela sorrisse mais. Conversasse mais, até flertasse. Tudo aquilo parecia distante demais de quem ela realmente era. O pensamento de não querer ser ela mesma era pesado demais para que ela pudesse suportar, principalmente quando estava cercada por câmeras. Mas não esperava que aquilo fosse confirmado por Sergei quando ela foi em sua direção na pista de dança. — Com licença? — Arqueou a sobrancelha ao ouvir o proferir do gêmeo. — Acha que vim te criticar? Aqui, na frente de todos? — Não era um pensamento absurdo. Ela era mestre em julgar demais, e não estar satisfeita com nada.
@vaicatalatinha said “I think he did it but I just can’t prove it”
Tendia a respeitar as tradições, mas confessava que era um trabalho árduo tentar compreender alguma delas. Por exemplo, todo o ritual do Althara; era mais do que claro que não havia uma alma ali que se importava com os Vermelhos. Então porque servir de entretenimento para eles ao invés de encontrar um noivo no privado? Quando ouviu o pronunciamento de Catalina, sabia exatamente de quem ela estava falando — não precisava sequer citar seu nome. — Não é fácil provar nada quando se trata de Gustav. — Confessou, lutando contra o próprio orgulho de irmã mais jovem. — Mas se ele quer me vender naquele leilão, eu não vou brigar. Esse é o jogo, afinal. — ‘E o trono russo ele não vai ter nem comigo a sete palmos do chão’, pensou. Mas evitaria proferir aquele tipo de coisa. Voltou o olhar pra Catalina; conseguia ver a princesa catalã com clareza, mesmo com a iluminação fraca da lareira. Não hesitou em lhe direcionar um discreto sorriso; cultivava alguma admiração pela princesa da Catalunha, e pensava que podiam ser aliadas no futuro. — E você? O que está achando? — se referia ao evento.
so tell me everything is not about me
but what if it is?
𝐭𝐚𝐬𝐤 𝟎𝟎𝟏.
⚜ DOSSIÊ CONFIDENCIAL DE INTELIGÊNCIA
Departamento de segurança do Magisterium — Castelo de Treatan
RESTRIÇÃO ABSOLUTA – Reprodução ou vazamento deste arquivo implicará em execução sumária por crimes contra a segurança mundial. Arquivo elaborado sob autorização direta do Chefe de Segurança.
✦ 𝒊𝒏𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂𝒄𝒐𝒆𝒔 𝒃𝒂𝒔𝒊𝒄𝒂𝒔
Nome completo: Irina Aleksandrovna Yusupova
Reino de origem: Rússia.
Título/Posição: grã-duquesa.
Idade: 24 anos (31 de agosto)
Status atual: solteira.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒑𝒔𝒊𝒄𝒐𝒍𝒐𝒈𝒊𝒄𝒐
Irina Yusupova ainda não ascendeu ao trono, mas já se comporta como quem governa. Silenciosa, racional e extremamente controlada, ela observa mais do que fala, calcula antes de agir, e raramente expõe emoções. A herdeira demonstra senso de responsabilidade acima da média, e um entendimento precoce das engrenagens políticas que a cercam. Nunca pediu poder, mas age como se já soubesse que ele será inevitável. Não confia com facilidade. Não se distrai. Nunca relaxa. Seu autocontrole é impressionante, mas preocupante: ainda não foi colocada à prova real, e não sabemos até onde vai sua resistência sob crise extrema. A ausência de vínculos pessoais profundos torna difícil prever reações emocionais caso sua estrutura seja rompida. Não apresenta sinais de instabilidade ou rebeldia — ao contrário, é disciplinada ao ponto da rigidez. Mas há uma tensão constante no olhar: ela sabe que está sendo observada o tempo todo. E usa isso como escudo.
✦ Análise complementar recomendada para perfis emocionalmente instáveis.
✦ 𝒑𝒐𝒅𝒆𝒓 𝒓𝒆𝒈𝒊𝒔𝒕𝒓𝒂𝒅𝒐
A herdeira Irina manifesta habilidades de pirocinese com alto grau de controle e discrição. A capacidade parece estar diretamente ligada ao seu estado emocional, embora permaneça latente na maior parte do tempo, sugerindo domínio significativo sobre o gatilho e a manifestação da habilidade. Fontes internas relatam incidentes isolados — abafados com eficiência — em que a temperatura ambiente se alterou subitamente em momentos de estresse extremo, além de evidências de combustão espontânea localizada sem origem física visível. A natureza da habilidade, somada à personalidade autocontrolada da herdeira, representa uma combinação rara e potencialmente perigosa: ela tem poder letal, mas sabe esperar para usá-lo. Em situação de ameaça real, presume-se que seu uso será preciso, silencioso e definitivo. A capacidade não deve ser provocada.
Nível de controle: medio a alto.
✦ 𝒆𝒔𝒕𝒂𝒅𝒐 𝒆𝒎𝒐𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 𝒐𝒃𝒔𝒆𝒓𝒗𝒂𝒅𝒐
Irina mantém um estado emocional estável à superfície, com expressões controladas e respostas comportamentais friamente calibradas. A ausência de explosões ou reações viscerais visíveis, contudo, não indica neutralidade emocional, e sim repressão sistemática. Registros mostram sinais de tensão constante: mandíbula cerrada, insônia leve, longos períodos de silêncio reflexivo, e rigidez corporal mesmo em ambientes seguros. Ela internaliza conflito — pessoal e político — sem buscar suporte externo, o que sugere risco de sobrecarga psicológica. A pressão por perfeição, somada à vigilância contínua a que está submetida, tem gerado acúmulo emocional crônico.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒄𝒐𝒎𝒑𝒐𝒓𝒕𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒂𝒍 𝒆𝒎 𝒄𝒓𝒊𝒔𝒆
Em situações de crise, Irina Yusupova responde com contenção extrema e foco absoluto. O comportamento torna-se ainda mais metódico: fala pouco, observa tudo, e toma decisões rápidas com base em dados e probabilidades, não emoções. Não entra em pânico, não demonstra hesitação visível, e não delega responsabilidades críticas — assume pessoalmente o controle, mesmo quando isso a coloca em risco direto. Mantém postura firme, contato visual contínuo, e tende a ignorar ferimentos ou fadiga até que a situação esteja resolvida. É comum que outros membros da equipe ou figuras políticas recorram a ela instintivamente, mesmo que ela ainda não esteja oficialmente no poder. Após a contenção do evento, permanece em silêncio prolongado, processando consequências sozinha, raramente compartilhando angústia ou desgaste.
✦𝒑𝒂𝒅𝒓𝒐̃𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝒊𝒏𝒕𝒆𝒓𝒂𝒄̧𝒂̃𝒐 𝒔𝒐𝒄𝒊𝒂𝒍
Irina mantém círculo social extremamente restrito e de função majoritariamente política. Apresenta forte aversão a interações superficiais e lisonjas vazias; ignora tentativas de aproximação baseadas em simpatia, aparência ou tradição de sobrenome. Prefere alianças com indivíduos que demonstram competência real, discrição e lealdade silenciosa. Costuma se aproximar de conselheiros técnicos, estudiosos, estrategistas e figuras discretas da burocracia — especialmente aqueles com reputação de eficiência e reserva. Evita alianças com nobres vaidosos, figuras impulsivas, aduladores, e qualquer um que busque projeção pessoal por meio da proximidade com ela. Também mantém distância de líderes militares excessivamente ambiciosos ou religiosos fanáticos. Não tolera traição, mas também não recompensa obediência cega — valoriza inteligência, firmeza e independência compatível com a estrutura.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒑𝒐𝒍𝜾́𝒕𝒊𝒄𝒐 𝒓𝒆𝒍𝒊𝒈𝒊𝒐𝒔𝒐
Irina mantém presença religiosa pública conforme exigido pelo protocolo da Casa Real e pelas expectativas da aristocracia tradicional. Frequenta missas e cerimônias da Fé Anil desde a infância, participa de festividades religiosas e utiliza vocabulário espiritual em contextos cerimoniais. No entanto, trata-se de adesão formal, não devocional. Internamente, Irina demonstra ceticismo moderado a elevado. Não conta com o divino, não apela para a fé em momentos de crise, e raramente faz menção pessoal à espiritualidade fora do dever público. Não hostiliza a religião, mas a vê como ferramenta de estabilidade simbólica, não como fonte real de consolo ou intervenção.
✦ 𝒓𝒊𝒔𝒄𝒐 𝒅𝒊𝒑𝒍𝒐𝒎𝒂́𝒕𝒊𝒄𝒐
A probabilidade de Irina se envolver em escândalos públicos é extremamente baixa. Ela é meticulosamente consciente da própria imagem e do impacto político de suas ações, adotando postura exemplar em cerimônias, negociações e relações oficiais. Não se envolve em comportamentos impulsivos, não se deixa levar por provocações públicas, e jamais expõe conflitos pessoais ou fragilidades diante da mídia ou diplomatas estrangeiros. Sua conduta é rigidamente protocolar.
No entanto, o risco latente está na repressão prolongada de aspectos pessoais potencialmente controversos, como sua orientação sexual não declarada, sua aversão ao casamento forçado, e sua independência moral frente a alianças impostas. Caso um desses pontos venha à tona de maneira não controlada — especialmente por vazamento interno ou manobra oposicionista — o impacto seria significativo. A postura fria e reservada que normalmente a protege poderia ser interpretada como frieza, desdém ou duplicidade em contextos adversos.
Classificação: baixo.
✦ 𝒓𝒆𝒍𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒆𝒔𝒕𝒓𝒂𝒕𝒆́𝒈𝒊𝒄𝒂𝒔
Hakon de Hesse @dehvsse, possível aliado, relação fria e política, mas harmoniosa.
Sergei Yusupov @sergeiyusupov , irmão e provavelmente único amigo.
Sofia Romanova @sofiyadaputa, relação espinhosa. Manter em observação..
✦ 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒂𝒅𝒐𝒓𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝒂𝒎𝒆𝒂𝒄̧𝒂
Menção a deserdar ou roubar o seu posto.
Menção a maternidade é uma das poucas coisas que a tiram do serio.
Questionamento da sua competência..
Para uso interno da segurança em protocolos de contenção.
✦ 𝒊𝒏𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒔𝒆𝒏𝒔𝜾́𝒗𝒆𝒊𝒔
Há indícios não confirmados, mas fortemente suspeitos, de que Irina tenha desenvolvido laços emocionais intensos com uma figura feminina próxima durante a juventude. A relação, embora jamais oficializada ou tornada pública, apresenta características consistentes com envolvimento afetivo profundo, possivelmente de natureza romântica. A ligação foi abruptamente interrompida por motivos não registrados — possivelmente pressão familiar, risco político ou autossupressão. Desde então, Irina mantém distância controlada de vínculos íntimos, especialmente com mulheres próximas emocionalmente. A experiência parece ter deixado marcas significativas, contribuindo para o isolamento afetivo atual e o endurecimento de sua conduta interpessoal.
Essa informação não é compartilhada com nenhum setor diplomático, religioso ou da corte, sob risco de crise de imagem e exposição emocional grave.
✦ 𝒃𝒐𝒂𝒕𝒐𝒔
Circulam boatos persistentes sobre Irina que tocam nos pontos mais delicados de sua imagem: sua frieza, seu controle extremo, sua suposta falta de fé e até possíveis segredos do passado que jamais vieram à tona oficialmente. Nas entrelinhas, sussurra-se que ela não é tão impenetrável quanto parece — apenas alguém que aprendeu cedo demais a esconder rachaduras atrás de disciplina. A maioria dessas histórias carece de provas, mas continuam vivas nos corredores da corte porque ela nunca as nega — tampouco as explica.
principais alegações recorrentes:
“A herdeira não sente nada” – circula entre cortesãos que ela seria incapaz de afeto verdadeiro, até mesmo com a própria família.
Murmúrios sobre sua pirocinese falam de episódios secretos em que Irina perdeu o controle — incluindo a destruição de uma sala inteira durante a adolescência, abafada por ordem direta do pai.
✦ 𝒐𝒃𝒔𝒆𝒓𝒗𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒂𝒅𝒊𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒊𝒔
Irina Yusupova é uma figura moldada pela expectativa. Desde cedo, foi treinada para reinar, tanto por vocação quanto por por necessidade histórica. Filha de uma linhagem marcada por instabilidade política e reputações divididas, carrega nos ombros o fardo de restaurar a ordem sem demonstrar fraqueza. Seus métodos são silenciosos, sua presença é firme, e sua palavra raramente é dita em vão. Ela opera em meio à desconfiança de uma corte que a teme tanto quanto precisa dela. Apesar da juventude, tem postura de veterana: observa antes de agir, retém antes de revelar, impõe respeito sem erguer a voz.
A maioria dos que a cercam a vê como enigma — mas os que realmente prestam atenção entendem que Irina não é fria por natureza, e sim por defesa. Seu olhar é marcado por cansaço silencioso, como quem já perdeu mais do que o permitido antes mesmo de herdar o trono. Não confia com facilidade, não sonha com leveza, e evita qualquer tipo de vulnerabilidade que possa ser usada contra ela. Entre arquivos e relatórios, ela já é considerada uma futura monarca funcional.
▌ASSINATURA: T.N.S. Chefe de Segurança do Castelo de Treatan Após análise, favor encaminhar ao setor de vigilância mágica e comportamental.
Era como se embrenhar em território inimigo – nada com que ele já não estivesse habituado. Hakon sabia se manter firme mesmo quando estava experimentando de algum temor, graças aos anos de prática, e naquele momento pode-se dizer que ele estava, sim, temeroso da reação de Irina. Dentre todos os pretendentes presentes na Althara, ela não devia estar esperando que alguém como ele capturasse seu medalhão, e seu semblante mostrava isso, assim como as palavras secas. ' Sorte de vossa graça. Estava especialmente desagradável ' ele não costumava ser tão formal, mas sentia que era necessário, exigido, quando se tratava da Yusupov, por haver algo de régio em torno dela, assim como ele sentia que havia em torno do pai. A maneira direta com que o abordou pegou Hak de surpresa – por pouco, não recuando um passo no lugar em que estava. ' Concordo que pode ser bom pra nós dois ' e não estava mentindo, afinal, era para isso que ele estava ali. Não conteve o breve riso, contudo, ao ouvir a acusação. ' Se eu estivesse em condições de espionar e prejudicar alguém, não seria você, alteza. Tenho pendências a resolver em meu reino, como deve saber ' acabou por revelar à contragosto, talvez um pouco mais do que deveria, os olhos baixando para o chão. Em seguida, endurecendo um pouco o tom, já que ela havia o ameaçado. ' Mas sugiro que não continuemos com as ameaças. Elas não vão facilitar a comunicação ' se ela iria estabelecer uma postura mais firme na conversa, então era porque esperava o mesmo dele, e o consideraria fraco se recuasse. ' Tenho motivos para acreditar que podemos trabalhar juntos, e nos beneficiarmos mutuamente ' ele mais do que ela, possivelmente, mas ele estava ali para vender seu peixe. ' Está incomodada pelo fato de eu ter encontrado seu medalhão? ' a julgar pelo local em que havia o achado, ela não queria ser encontrada.
Não era de sua natureza agir com soberba — era prática o suficiente para pensar pouco em si mesma, e demais nos seus deveres. E por mais que Irina amasse suas obrigações para com o reino, essa era a parte mais fácil do trabalho. Mesmo diante de centenas de câmeras, ainda era ameaçada, descaradamente, mesmo por quem não tinha poder — sequer um plano — para remove-la da linhagem. Não era tão fácil deixa-la assustada, mas fato que era aquele um dos motivos para tratar de Hesse com tanta frieza. Permitiu esboçar um sorriso mínimo com a resposta alheia, aproximando-se alguns passos do príncipe. Mas antes que se aproximasse mais, prestou atenção ao aviso. Olhou Hak de cima a baixo, não em julgamento, mas em analise — havia crescido cercada por homens, então tinha alguma experiência para julgar. Era um homem de grande capacidade, não fosse sua submissão. Não era seu trabalho alerta-lo para tomar cuidado com quem o cercava, mas Irina esperava que ele tivesse ciente disso. — Claro. — A resposta foi rápida e seca, pois agora ambos estavam entendidos; não precisavam se prolongar naquilo. — Qual é seu plano? — Indagou, cravando o olhar nele. Aquela era a pergunta que definiria os próximos passos, pois mostraria a Irina a ambição do príncipe e até onde ele pretendia ir. — E o que tem a oferecer? — Falar era mais fácil do que fazer, mas antes da ação, qualquer plano começa no papel. A pergunta seguinte fez com que a grã duquesa suavizasse minimamente a expressão; não esperava ser questionada sobre aquilo, não por ele. — Não é sobre você. — Afinal, nada tinha contra o ranudense — Eu só não gosto daqui. Nada mais — Longe das câmeras Irina podia dizer isso, e sentia até algum alivio de poder faze-lo agora. — Somos líderes, não leões de circo. Nosso trabalho é governar, não entreter — Olhou de volta para Hakon, arqueando a sobrancelha. — Vossa Alteza não se importa?
this is a starter for @czirina !! - escondendo o medalhão
Mantinha o medalhão fechado entre os dedos — frio, pequeno, absurdamente leve para algo que deveria conter um símbolo do que ele era. Ou teria sido. O silêncio da clareira parecia mais denso ao lado dela. Irina. Irmã. Acusadora. Ela estava ali, a poucos passos. E mesmo assim, a distância parecia maior do que jamais fora, maior que o mar entre Treatan e qualquer outro lugar. Uma semana desde que ela dissera aquelas palavras. Uma semana desde que o nome dele — seu nome — foi cuspido com veneno na voz e nos olhos dela. Envenenamento. Ele não sabia o que mais o assombrava: a certeza de que não o fez… ou a incerteza de que algo nela acreditava que ele seria capaz. Gustav apertou o medalhão com mais força, como se a pressão pudesse gravar nele alguma verdade que faltava. Ela estava ali, caminhando próxima dele por alguma piada do destino que fez suas trilhas se cruzarem, enquanto ele planejava onde implantaria seu medalhão. ❛ O que aparece no seu? ❜ Indagou, quebrando o silêncio, e ainda que o tom fosse blazé, dentro dele havia curiosidade. Seria mais fácil investigar, se soubesse do que ela era feita.
Sangue do seu sangue — não segundo Maria. Gustav não era completamente seu irmão, como Sergei. Carregava apenas metade de sua carga genética, e, por isso, não deveria ser tratado com a mesma dignidade e respeito reservados aos próprios filhos dela. Ainda assim, Irina insistia em se importar com ele. Quando suspeitou que ele havia feito aquilo, seu coração se quebrou em mil pedaços, e ela se perguntou como havia sido tão idiota a ponto de abaixar a guarda com ele. Apenas porque era seu irmão. Porque haviam brincado juntos — escondidos — na infância, ou trocado algumas confidências tolas na adolescência. Havia ali um amargor que não lhes pertencia. Ela não o olhou nos olhos quando ele fez a pergunta. Na verdade, enrijeceu ainda mais a expressão, mirando discretamente para cima. Os olhos ardiam, assim como o nariz, mas Irina não podia chorar agora. Não na frente das câmeras — e, principalmente, não na frente de Gustav. Engoliu o sentimento, encarando enfim o meio-irmão. — Um camafeu — respondeu. Escuro, envolto por prata. — E o seu?
𝐅𝐈𝐍𝐀𝐋 𝐃𝐎 𝐃𝐈𝐀 Ele tinha alguma lealdade para com Gustav, afinal, o homem já havia lutado ao seu lado e há anos que se conheciam. No entanto, o fato era que Gustav jamais lhe renderia uma aliança como Irina poderia proporcionar, por motivos óbvios. Além disso, era na cabeça da herdeira que a coroa russa repousava, independentemente da pretensão do irmão mais velho dela. Era por isso que, naquele momento, Hakon não considerava seu movimento uma traição propriamente dita. Não havia garantia alguma que grã-duquesa aceitaria sua aproximação, de todo modo, e aquela podia ser só mais um lance no xadrez da vida que não resultaria em nada. Ela já lhe aguardava quando entrou, e a audiência parecia demasiado formal para o gosto do príncipe, como se ele já estivesse diante de uma rainha. A questão era que ele não tinha nada, enquanto ela tinha um mundo à disposição. Ela sabia que ele era o equivalente a um indigente. Talvez estivesse querendo vê-lo implorar, e só por isso havia aceitado a reunião. "Poderia ter sido melhor. Tive alguns imprevistos na Caçada" deu de ombros, não querendo se estender. Não que ele não tivesse apreciado completamente a possibilidade de fazer uso de seus instintos mais primitivos, sem se sentir culpado por isso, já que a própria dinâmica o incentivava. "E o seu, como foi?" pediu, receoso, tentando estabelecer alguma conexão, ao mesmo tempo que olhava em torno, em dúvida sobre poder se sentar.
Havia sido alertada por Maria de possiveis atentados contra a sua vida — monarcas lidavam com isso há séculos, afinal. Contudo, quando o acontecimento saía da teoria, as coisas tendiam a mudar. O semblante orgulhoso havia sido substituído por um em constante alerta, até assustado — por mais que a grã duquesa jamais fosse deixar transparecer. Mesmo nos momentos mais frágeis, demonstrar fraqueza não era uma opção. Torcia para que seu medalhão não fosse encontrado por absolutamente ninguém, e fizera questão de esconder nos confins de Althara — mas aparentemente, tinha gente ali que não desistia fácil. Se imaginar num momento privado e romântico com alguém deixava a morena mais nervosa do que encarar um exército inteiro. Por isso pretendia transformar aquilo mais em uma conversa formal, longe das câmeras, e baseada em negócios. — Repleta se gratidão por não ter me embrenhado no mato. — Respondeu com seu humor seco e peculiar. Não esperava que Hakon achasse graça; aquele não era seu papel. — Escute, — o proferir veio quase como uma ordem ao se levantar e ir em direção a ele, encarando-o sem piscar — Eu gostaria muito de ter uma comunicação clara com Vossa Alteza. Vai ser bom pra nós dois. — Um príncipe destituído, talvez. Mas Irina duvidava que fosse inútil dentro da sua corte. Poderia tirar algo dali, mas não sem antes deixando algumas coisas claras. Afinal, depois do envenenamento, todos ao seu redor eram possíveis assassinos. — Mas se está aqui como espião, eu aconselho que deixe esse quarto imediatamente. Se for descoberto, e sempre são, eu vou garantir que o seu destino não seja agradável. — Jamais poderia ameaçar o príncipe da América do Norte desse jeito na frente das câmeras, e por isso estava grata de ter aquela conversa no privado — Se quiser de fato trabalhar comigo, sou toda ouvidos.
Dizer que a grã-duquesa possuía uma relação frágil com os Yusupov seria um eufemismo - afinal, como uma Romanov, ela tinha plena convicção de que o trono russo lhes pertencia. E ao se tratar da neta de Grigori havia um agravante: Agniya. Isso porque, ainda que um papel com o nome de Irina - encontrado entre os pertences de Mikhail e sua irmã - não fosse uma grande pista, era algo. E Sofiya estava determinada a descobrir o que exatamente. Afinal, era difícil acreditar em uma coincidência ao se referir a uma das maiores rivalidades do século. E que oportunidade melhor do que um jantar rodeada de câmeras para tal? "Irina." Ela cumprimentou com um tom educado ao sentar-se no lugar que lhe fora designado. "Frango à Kiev e caviar... A combinação perfeita, não? Tradicional, refinada. Perigosamente deliciosa."
Era uma mulher de carisma limitado — e, de algum modo, de paciência também. Sempre fora direta ao ponto: sem joguinhos, sem provocações. E talvez esse fosse seu maior contraste com Sofiya. Tentava manter-se o mais distante possível de polêmicas, pois seu nome já carregava mais delas do que a grã-duquesa gostaria. Se sua família havia ou não roubado o trono, agora já não importava para ela. O que aconteceu, aconteceu — e agora, aquele era o seu cargo. O cargo para o qual, desde que aprendera a andar, se preparava para ser a melhor. A melhor para seu povo, para sua corte e para a soberania de seu reino. Mas, pelo visto, essa era a parte mais fácil de seu trabalho; por alguma razão, havia quem quisesse o título de grã-duquesa da Russia apenas por capricho. Era um título bonito, afinal — não importava o peso que carregasse, ou se seria possível suportá-lo. Seus olhos azuis esquadrinharam Sofiya antes de soltar um riso irônico. — Não temos mais quinze anos, Alteza — pontuou, como se não fosse óbvio. — E eu gostaria de não me comunicar em enigmas. O que você quer aqui?
O sol filtrava-se preguiçoso pelas copas das árvores, onde o brunch continuava, elegante e silencioso, como se o tempo houvesse sido reduzido a pequenas mordidas em pães amanteigados e goles lentos de champagne. Bahar mantinha a taça entre os dedos como quem segura um objeto frágil demais para si. Já havia decidido que seria a última. Ou a penúltima, talvez. Não conseguia se sentar por muito tempo. Andava entre as mesas, ajustava guardanapos que não precisavam de ajuste, sorria quando cruzava o olhar de alguém — sempre rápida demais, antes que interpretassem errado. Sentia-se um ímã desalinhado, um pedaço de engrenagem tentando se encaixar onde não era feita para estar. Viu Irina Yusupova sentada ao canto do jardim envidraçado, envolta em uma paz que Bahar nunca soube onde comprar. Ela hesitou. Aproximar-se da herdeira da Rússia parecia o tipo de coisa que uma assistente jamais deveria fazer sem ser chamada. Mas estar parada parecia ainda mais errado. ❛ Com licença, alteza... ❜ Sua voz saiu baixa, polida demais. ❛ Posso? ❜ Esperou um aceno ou um olhar, qualquer gesto de permissão para se sentar. Quando enfim o fez, cruzou as mãos no colo e respirou fundo, antes de deixar escapar a pergunta que a estava sufocando desde que escondeu o próprio medalhão. ❛ Tem alguém que... ❜ Ela mordeu o lábio inferior, depois concluiu mais baixo: ❛ alguém que você espera que encontre o seu? ❜ Não era curiosidade. Era uma tentativa desesperada de desviar de si mesma. De ocupar o espaço que parecia sempre prestes a engoli-la.
Os longos cabelos escuros estavam presos em uma única trança, o monóculo repousado no olho esquerdo e a concentração voltada ao livro que carregava nas mãos. Nada recreativo; não, pois a grã-duquesa mal se dava ao luxo da diversão. Apenas teoria política — coisa que todo monarca deveria dominar. Como dizia sua mãe, descansaria apenas quando estivesse a sete palmos da terra. Bom, Irina havia chegado perto, e por isso a segurança fora reforçada cem vezes. Sua personalidade, já fechada e introspectiva, adquirira um amargor a mais, e ela precisava tomar cuidado para não demonstrar que estava genuinamente assustada. Seu principal suspeito ainda era o irmão mais velho; contudo, já não tinha tanta certeza — não mais. Agora, poderia ter sido qualquer um: alguém jantando ao seu lado, dormindo no quarto vizinho, ou até um enviado de fora. Irina não sabia, e o fato de não saber tornava tudo muito mais medonho.
Bahar, no entanto, não passava a imagem de alguém que poderia tentar algo do tipo. Mas, mesmo assim, a russa não podia abaixar a guarda. — Fique à vontade — respondeu com certa secura, mas sem abrir mão da educação. A pergunta de Bahar a fez rir com ironia; ora, importava-se tanto em encontrar um amor que até se esquecera do evento! Quem quer que tenha inventado aquilo não tinha a menor noção do ridículo. — Espero que não encontrem — confessou, fechando o pequeno livro para dar atenção a Bahar. — Quanto menos sentimentos envolvido, melhor. — Não acreditava em romance, atração ou felicidade conjugal. Apenas em negócios. — Faço a mesma pergunta a você. — Seus olhos azuis esquadrinharam Bahar com curiosidade.
esperar para ser escolhida. ou encontrada. ou clamada. história da minha vida. pensou a princesa de eläris enquanto colocava uma cereja em seu champanhe. --- um brinde. --- ela propôs para alguém proximo a ela. --- a todos nós, peças bonitas no tabuleiro de alguém. À espera de sermos movidos, escolhidos… ou sacrificados.
Geralmente, estava sempre a espreita a imprevisibilidade. Gostava de ter planos para tudo, ate para as possibilidades mais absurdas, e ser pega de surpresa por deisoes da corte nao era uma opcao para a futura czarina. O que Irina nao esperava, contudo, era ser assombrada pelo passado em pleno evento. A postura ereta se mantinha inabalável no brunch, até ela se virar subitamente na direção da voz familiar; o mundo era mesmo um lugar pequeno, não é? “ Nora.” A nome saiu num sopro de surpresa; Irina ainda estava surpresa demais para decidir se aquilo era bom ou não. “ Não é possível.” Disse cética, os olhos azuis ainda tomados em surpresa. “ O sacrifício é feito diariamente.” Completou, recobrando a postura. “ Sabemos disso como ninguém.”
❛ Pelo amor de — ❜ O sorriso que mantinha enquanto conversava com o duque de Baden se dissolveu ao som do grito. Ele sequer precisou olhar. A entonação carregada de drama imperial era familiar. Fechou os olhos por um segundo. ❛ Perdoe-me, excelência… assuntos de família. ❜ Disse ao nobre, com uma leve inclinação de cabeça antes de girar nos calcanhares e caminhar com calma até a tempestade vestida de preto. Não foi até a acusação que o recebeu, no entanto, que se alarmou. A distância entre eles foi quebrada com rapidez, e a destra envolveu um dos braços de Irina com firmeza. ❛ Você quer mesmo falar em envenenamento no meio de um palácio lotado de câmeras? ❜ Murmurou entre dentes. Sem esperar resposta, puxou-a com um movimento ágil pelos corredores, ignorando os olhares curiosos. Quando empurrou a porta de seu quarto, foi direto ao ponto: ❛ Você ficou louca de vez, Irina? ❜ Ele sabia que ainda estavam sendo supervisionados pelas câmeras, mas pelo menos dentro de seu quarto tinham a privacidade dos olhares próximos. ❛ Acusar um príncipe de tentativa de assassinato em público? Você só pode estar maluca. ❜ A voz era baixa, ríspida, mas sem elevar-se. Caminhou até a escrivaninha, tirando o paletó com raiva contida, os olhos voltando para ela. ❛ Se eu quisesse te envenenar eu já teria feito. Sabe que eu nasci naquele castelo, que aqueles criados são fiéis à mim. Seria fácil. ❜ Não era uma ameaça, apenas uma constatação. Nunca seria tão idiota àquele ponto. Queria o trono de volta por merecimento, e não à base de usurpação, como seu avô. ❛ O que aconteceu agora? ❜ Perguntou finalmente, escorando-se contra a escrivaninha para que pudesse esquadrinhar a irmã.
— Me solte, seu maldito! — bradou assim que sentiu as mãos masculinas agarrando-a pelo braço. Contudo, resistir à força do irmão ainda era impossível. Reclamou durante todo o trajeto até os aposentos de Gustav, tentando — sem nenhum sucesso — se desvencilhar. Mas, quando menos esperava, a porta foi fechada com força atrás de si. — Eu falo de envenenamento quando quiser, principalmente depois de quase não voltar viva por causa de um! — Irina não era idiota; sabia que Gustav representava perigo; e ainda assim, não demonstrava qualquer medo. Ela soltou um riso seco pelas narinas ao ouvir sobre os “funcionários fiéis” no palácio de Petersburgo — aquilo mais parecia um hospício a céu aberto. — Aqueles criados nos odeiam, a mim e a você. E não finja que não sabe disso. — Assim como toda a população russa. Eles não eram os Romanov, e Irina já começava a perder as esperanças de conquistar o apoio do próprio povo. Seu sobrenome sempre carregaria um peso muito maior do que qualquer ato seu. — Não se faça de idiota! — Desta vez, sua voz se elevou, e ela avançou até Gustav, o dedo em riste. — Dois minutos! Mais dois minutos fora do hospital e o trono seria seu. Soa bem para você, não é? — Concluiu, empurrando-o ao tentar se afastar da escrivaninha.
Havia dois lados da grã-duquesa que, provavelmente, jamais chegariam a um acordo: a forma como ela realmente pensava e como precisava agir para se encaixar no mundo. Afinal, se a política funcionava daquela forma há tantos anos, dançar conforme a música era a única maneira de, com sorte, fazer alguma mísera diferença. E foi por isso que Irina estava em Althara. Casamento nunca fora um desejo — era um dever. O fato de os outros ainda associarem isso ao romance era algo curioso para a morena, que, mesmo depois de vinte e cinco anos, jamais havia experimentado a atração. Bom, para ser sincera, ela havia chegado perto disso… mas a pessoa que despertara aquele interesse poderia mandá-la diretamente para a forca. E rainhas mortas não governam.
Talvez fosse melhor assim: quanto menos romance, menor o sacrifício. Mas, se fosse tão simples, por que diabos Irina ainda não havia saído do reality? Seus pensamentos intrusivos divagavam quando ouviu a porta se abrir — e então viu Hakon entrar nos aposentos. Sua posição na corte americana era curiosa, na visão de Irina — e, infelizmente, lhe lembrava do maldito do seu irmão. Ainda assim, ele parecia ter alguma influência na RANU, e isso era o que realmente interessava à grã-duquesa. Ela preferia conversar com Hakon a ter que lidar com seu irmão mais novo; crianças tinham o dom de fazê-la perder o reu primário, e todos sabiam que James seria eliminado do jogo antes mesmo de largar o leite NAN. — Alteza — cumprimentou com um leve aceno. — Espero que tenha tido um bom dia.
Se havia alguém que era o completo oposto de Irina, essa pessoa era Adalet. Toda vez que a princesa abria a boca, Irina sentia vontade de retirá-la do ambiente e levá-la diretamente para o CAPS. Não porque achasse suas ideias loucas — algumas até a agradavam, para ser sincera. Mas, na sua concepção, era preciso primeiro conquistar uma posição de poder para, só então, começar a gritar por mudanças. Antes disso, havia muita gente grande que poderia mandá-las direto para a guilhotina. Ainda assim, não podia deixar de simpatizar com a princesa de Anatólia — e até apreciar sua companhia, mesmo que fosse apenas para assistir a um filme. — Os violinistas bem que podiam pegar uma canoa só para eles — pontuou, levando uma pipoca aos lábios, os olhos azuis fixos na fatídica cena do navio afundando no mar gelado. — Mas ela... bom, imagina arriscar sua vida assim por um pobre. — Afinal, Rose havia tido a oportunidade de subir em um dos botes.
Irina era uma mulher prática, racional e decidida. Contudo, quando o assunto era sua família, ela não conseguia se decidir quem desprezava mais: Gustav ou Alek. Tinha um nome para aquele tipo de gente: desperdício de oxigênio. Ela cuidaria disso quando fosse czarina — por enquanto, não havia outra escolha senão suportar aquele pessoal. Era irônico que os quatro estivessem, ao mesmo tempo, naquele reality show tenebroso, pois a única vantagem de Yusupova comparecer àquele circo era justamente se livrar dos irmãos. E nem isso ela conseguira. Seus olhos azuis miravam a bola branca na mesa de sinuca, quando, infelizmente, a porta da sala de jogos se abriu, revelando a indesejada imagem do maldito. — Bom dia — cumprimentou, seca. — Já achou uma noiva para atormentar hoje? — Quanto mais rápido ele o fizesse, mais rápido deixaria Althara — e isso seria lindo.