gustav alexandrovitch sture da casa yusupov, knyaz sankt-peterburgskiy (duque de são petesburgo), tenente das tropas Imperiais, líder do esquadrão leão bjälbo, sentinela de pontecorvo e protetor do sigilo.
gustav tem trinta e cinco anos e foi criado para ser herdeiro — até deixarem de precisar dele. nasceu da única mulher que o povo ousou amar, e por um tempo, encarnou a ilusão de que os yusupov poderiam redimir seu nome. não redimiram. exilado com um título dourado, aprendeu a governar sem coroa. é chamado de knyas, mas age como quem já foi czar. e talvez ainda seja no futuro. os yusupov ainda são vistos como usurpadores — e embora o império se curve aos dogmas do magisterium, ele não se ajoelha diante de nenhuma fé. prefere as certezas que pode escrever com a própria mão, em cartas que nunca envia. não gosta de perfumes. quase morreu servindo o país, e desde então, carrega no corpo a cicatriz da pátria.
trivia ៹ wanted ៹ pinterest ៹ musings ៹ desenvolvimento
O trono é um espetáculo cruel. Dourado por fora, podre por dentro. E o da Rússia se tornou um relicário construído sobre ossos. Os do clã Romanov, para ser exato. Quando o avô de Gustav, o temido Grigori Yusupov, liderou o golpe que manchou os salões do palácio com sangue azul, selou também o destino de todas as gerações que viriam depois. Eles não herdariam poder — herdariam culpa.
O garotinho nasceu como uma promessa de redenção. Sua mãe, Linnea, era adorada não por sua origem nobre, mas por sua humanidade desarmante. Diziam que até os pássaros do jardim imperial paravam para ouvi-la cantar. O povo via nela o fantasma doce de uma era que havia sido brutalmente arrancada. E por um tempo, a Rússia acreditou que talvez os Yusupov pudessem ser algo mais do que usurpadores. Mas esperança demais é uma ameaça. Linnea morreu jovem — febre, disseram. E ninguém ousou investigar além disso.
Gustav tinha apenas seis anos quando o brilho do luto se apagou do rosto de seu pai, o Czar Alexander. Em seu lugar, surgiu o sorriso liso da nova imperatriz-consorte: uma mulher feita de veneno e veludo. Com ela, veio uma nova linhagem, uma nova gravidez, e uma desculpa perfeita. Aos quinze, foi "liberado" de suas obrigações como herdeiro e alocado como Duque de São Petersburgo, um título que soava mais como uma sentença de exílio dourado. A justificativa oficial foi jurídica. A verdade, política. E o sentimento, pessoal.
Desde então, Sture aprendeu a se mover com a paciência de uma cobra em hibernação. Cada gesto seu era afiado, silencioso. A czarevna mal havia aprendido a andar pelo palácio, e já existiam cartas suspeitas, rumores de envenenamento, espadas afrouxadas. Nada comprovado. Nada inocente. Ele nunca contestou sua deposição. Ao contrário: transformou o silêncio em arma. Tornou-se impecável. Imune. Insubstituível. Quando entra em um salão, o ar muda. Quando fala, até os prelados do Magisterium escutam. Nunca com medo. Com reverência desconfortável. Afinal, os Azuis sempre reconhecem quem carrega o dom da liderança — mesmo quando ele está à margem.
Gustav nunca diz que quer o trono. Ele não precisa.
— PODERES
Gustav possui a habilidade de manipular a mente e as emoções de outros indivíduos, sendo capaz de induzir um profundo estado de medo, desconforto e angústia. Ao concentrar sua energia, ele pode se conectar à psique de uma pessoa e explorar os recessos mais obscuros de suas memórias e traumas. O medo que ele evoca não é sempre racional, mas pode se relacionar com situações reais que a pessoa viveu, ou até mesmo com medos irracionais e primitivos, como o medo do escuro, de ser traído ou de falhar diante dos outros. Inicialmente, o poder de Gustav se manifesta de maneira sutil, como um calafrio repentino, uma sensação de opressão no peito ou uma ansiedade inexplicável. Com o aprimoramento dessa habilidade, Gustav ganha a capacidade de criar ilusões baseadas nos medos mais profundos de suas vítimas. Essas ilusões podem ser visuais ou sensoriais, retratando a pior situação possível para a pessoa em questão. Embora Gustav seja extremamente habilidoso em manipular o medo, existem algumas limitações para esse poder. Ele não pode controlar as reações de uma pessoa completamente; algumas pessoas com resistência mental ou grandes habilidades de autocontrole podem ser menos suscetíveis aos efeitos do medo induzido. Além disso, as ilusões que ele cria são temporárias e não podem durar mais do que alguns minutos.
this is a starter for @agatacomeu após ela ser arrematada qq
Os passos dele eram lentos, quase entediados, como se estivesse indo encontrar mais uma distração passageira — e talvez estivesse mesmo. A andorrana fazia surgir nele certa curiosidade, intensa o bastante para fazê-lo distrair-se de planos maiores, quando a presença dela estava tão próxima. A multidão atrás soava como um zumbido abafado, distante demais para ser relevante. O palco parecia pequeno demais para conter aquela aura que a cercava… ou talvez fosse ele que estivesse alimentando expectativa demais para tão pouco. Mas a verdade é que estava enfeitiçado por Ágata. Subiu o último degrau com um meio sorriso ensaiado, tão elegante quanto desinteressado, mas havia um incômodo genuíno por trás do olhar. Curiosidade demais. Ele odiava quando alguém lhe escapava pelas beiradas da razão, e o deixava abalado da forma que ela fazia. Mesmo sem querer. Embora ele duvidasse que ela fosse alheia ao que causava. Parou diante dela e, num tom baixo, sem pressa, apenas a encarando, murmurou: ❛ Your name has echoed through my mind. ❜ Era verdade. Repetido, arrastado, ecoando entre dúvidas e teorias. Talvez fosse só o nome. Talvez fosse só a forma como ela olhava de volta. Mas ele precisava colocar fim àquilo — de um jeito ou de outro.
Como bom apoiador das tradições azuis, desde que se entendia por gente que Hakon acompanhava a Althara e, por conseguinte, a Caçada. Com o tempo, tinha chegado à conclusão que a forma lupina seria a melhor quando se tratava de encontrar objetos perdidos, considerando os sentidos aguçados próprios do lobo gigante. Podia ser considerado golpe baixo, mas assim o príncipe poderia identificar mais facilmente a quem pertenciam os medalhões. Acabava de se embrenhar por uma trilha para seguir um rastro quando ouviu um ruído às suas costas e, antes que deixasse os sentidos assumirem e atacasse alguém, voltou rápida e imprudentemente para a forma humana, praguejando ao constatar que estava bem distante de sua pilha de roupas. ' Eu meio que vou precisar de um favor... '
Os passos não eram apressados, na verdade, havia pouca vontade em percorrer hectares e mais hectares de mata, apenas para esconder um medalhão que ele sequer sabia quem poderia encontrar. Estava mais curioso, na verdade, sobre quem desistiria dele caso reconhecesse pertencer ao Yusupov. Síndrome de rejeição? Talvez. Mas não fazia terapia! E foi andando sem rumo algum que ouviu a voz atrás de si. Não conteve a gargalhada quando viu de quem se tratava. ❛ Você só pode estar brincando comigo. ❜ Gustav balançou a cabeça negativamente, ele esperava muitas coisas mas não encontrar o seu aliado mais próximo desnudo no meio da floresta. Principalmente quando foram sorteados para grupos diferentes. Hakon nem deveria estar ali naquele momento, para início de conversa. ❛ Está tentando trapacear? ❜ A indagação veio enquanto encostava-se contra uma árvore qualquer, sem dar muita importância à presença do Hesse. Ainda assim, terminou por bufar, desabotoando o casaco azul, para que o arremessasse em direção ao outro. ❛ E eu pensava que esse programa é familiar... ❜
this is a starter for @darianversion!! - durante o brunch
Os olhos percorreram o ministro com o mesmo interesse que se tem por um velho conhecido que, por algum motivo, nunca riu de uma boa piada. Gustav ainda lembrava da expressão dele nos tempos em que a imprensa de Velraisse praticamente fazia plantão esperando uma das suas escapadas noturnas com Laurent virar escândalo. Um suspiro, um título de página inteira. E, invariavelmente, um novo problema para o gabinete de Darian administrar. ❛ Ministro. ❜ Disse ele, com a reverência exata entre o respeito e a ironia. Lhe incomodava o fato de que, certamente, o Lanier possuía mais influência do que ele. ❛ Espero que esteja menos sobrecarregado agora que não precisa mais acalmar jornalistas por minha causa. ❜ Fez uma pausa breve, os olhos semicerrados como quem calcula até onde poderia cutucar sem romper etiqueta. ❛ Ou será que meu nome ainda aparece nos relatórios internos? ❜
this is a starter for @diwapocaliptica !! - durante o brunch
Gustav nunca foi bom em ficar parado. E agora, enquanto estava sentado à mesa, rodeado por jovens que suspiravam de emoção por um príncipe estar procurando seus medalhões, feito um lembrete de que ele era caça — e não caçador —, a irritação vinha como uma coceira atrás do olho. Inquieta. Impaciente. Ser caçado. Que ideia. Caminhou até encontrar Diwa, e não precisou de muito mais do que a sombra da presença dela pra que seu humor resolvesse se manifestar em palavras. ❛ Me diz uma coisa, Diwa… ❜ Começou, o tom leve demais pra não esconder farpa. ❛ Você não conseguiu comprar essa vaga pra mim? Sério mesmo? Meu cofre está assim tão mal, é? ❜ O sorriso veio curto, com gosto de provocação elegante, e ele continuou, girando uma folha entre os dedos como se aquilo pudesse distraí-lo da frustração. Esperava que não tivessem câmeras o vendo assumir sua situação de destituição. ❛ Eu nasci pra rastrear gente, não pra ser seguido como um cervo manco. Isso aqui é quase humilhante. ❜ Mas havia uma parte dele, bem pequena e escondida, que talvez admitisse que ser alvo... também tinha seu charme. Ele só não daria esse gostinho assim tão fácil.
this is a starter for @cheiodelorota !! - no brunch
O cheiro de café forte e pão amanteigado se misturava ao da floresta, como se o brunch improvisado fosse uma tentativa desesperada do programa de lembrar que eles ainda eram gente. Gustav mastigava devagar, com o cotovelo apoiado na mesa rústica, os olhos seguindo o movimento dos outros com pouco interesse — até pousarem sobre ele. Laurent. Sempre com aquela cara de quem não sabe se está numa competição ou numa manhã de domingo em Montmartre. Gustav girou a caneca de chá entre os dedos, já com a língua coçando para provocar. ❛ Escalei uma árvore. ❜ A frase veio solta, casual. ❛ Deixei meu medalhão bem no alto. Se quiserem sair comigo, vão ter que merecer. ❜ A mordida no croissant veio antes da provocação, como se não tivesse acabado de dizer a coisa mais absurda possível. ❛ Não sei se quero alguém que ache fácil me conquistar… ou se só fui burro mesmo. ❜ Ele ergueu uma sobrancelha, um meio sorriso puxando o canto da boca. ❛ E você, onde deixou o seu? ❜
na primeira vez que topa com gustav no meio de uma trilha , mayi se surpreende . apesar de saber que ele está no programa , não pode dizer que está no topo de sua lista de pessoas favoritas para encontrar numa floresta medonha —— talvez acima só de um daqueles assassinos daqueles filmes horriveis que assistia com seus irmãos quando mais nova . ainda assim , é educada . gentil , até . afinal , sua política se mantém para todos os namorados de seu passado : não é porque não deu certo que precisa seguir odiando eles . ora , ela tem mais o que fazer !
na segunda , a surpresa é diferente . mais incomoda , lhe arrancando um sorrisinho sem graça antes de seguir seu caminho . por um momento , ela pode jurar ter escutado um comentário solto sobre eles .
na quinta —— na quinta ! —— vez que se encontram , contudo , já não tem mais resquício de paciencia nenhum sobrando . sem pensar muito , a princesa surani pára no meio do caminho , com os braços abertos e a expressão de incredulidade pura , como quem implora por um tempo ! ❛ eu juro por surya que se isso for algum tipo de metáfora cosmica sobre segundas chances . . . ❜ suas palavras são ditas mais para as árvores do que o homem à sua frente . porque aquilo claramente só pode ser brincadeira . uma de péssimo gosto , talvez orquestrada por uma floresta que , aparentemente , é consciente o suficiente sobre seus problemas pessoais para seguir movendo as trilhas e fazê - la continuar esbarrando em seu ex só para que possa seguir com seus comentários sobre o relacionamento fracassado dos dois ! entre nós duas , se o jogo fosse invertido , mayi faria a mesma coisa , mas é grande o suficiente para admitir que por estar no meio da piada , não tem graça nenhuma !
quando escuta gustav acusá - la de forçar seus limites , a surani pode apenas piscar . uma , duas , três vezes . manter um dialogo sempre foi o forte dele , a voz do além suspira em seus ouvidos . se por pura fofoca ou artimanha para fazê - la cair na pilha , ela não sabe , mas cai direitinho , soprando um riso curto , que é cortante demais para soar humorado . ❛ ah , sim ! ❜ ela responde conforme dá um passo ao lado , quase como se medindo a distancia entre eles . e tudo bem que existe a possibilidade de ele também estar falando com as plantas . só que a paciencia necessária para kiranmayi cogitá - la já foi perdida há dois esbarrões atrás . de tal modo que , antes mesmo que ele pudesse lhe responder , a morena posiciona as mãos sobre os quadris e continua a falar . ❛ o problema sempre fui eu , não ? ❜ os lábios são forçados em uma linha fina , um simulacro de sorriso . mas é claro que ela não guarda mágoa nenhuma ! ❛ e pensar tudo que eu queria era esconder um cordão e ir tomar chai . agora estou presa numa trilha emocionalmente manipulativa com você . que castigo , malek ! ❜
Ele já havia perdido a conta. Quarta? Quinta vez? Aquela trilha parecia decidida a empurrá-lo para dentro de um passado que ele tentava — em vão — enterrar sob camadas de sarcasmo e silêncios bem calculados. Claro, a floresta da ilha precisava ser dramática. E então lá estava ela. De novo. Kiranmayi. Ele a reconhecia antes mesmo de ver o rosto. Era o modo como os passos dela soavam contra a terra, como o ar parecia se mover diferente quando ela passava. Como se o universo inteiro fizesse uma pausa breve, sussurrando: você ainda sente, admita. ❛ Kira... ❜ Escapou, num sopro baixo demais para ser um chamado real. Era só o pensamento antigo, insistente, familiar. O apelido, nascido de tardes em Delhi e noites em São Petersburgo. Agora, ela estava ali, os braços abertos em rendição, como se pedisse ao cosmos por alívio — ou por distância. E ele… ele quase queria dar. Quase. Porque sim, ela o acusava, como se ele tivesse seguido uma trilha atrás dela só para reabrir feridas. Como se ele tivesse planejado tudo. Mas a verdade é que Gustav nunca planejou nada quando se tratava de Mayi. E foi justamente esse o erro. Ela queria portas abertas, ele construiu muralhas. Ela falava sobre sentimentos, ele colecionava silêncios. E por fim, ela foi embora. Mas não com raiva. Nunca com raiva. E isso talvez fosse o que mais o deixava desconfortável agora — ela ainda conseguia rir. Ainda conseguia dizer “manipulativo” com aquela entonação leve demais para ser acusação, mas firme demais para ser piada. Ele cruzou os braços, desviando o olhar por um segundo, como quem busca por onde sair. Não havia. Nem da trilha, nem dela. ❛ Você sempre foi boa em teatralizar, alteza. ❜ Ele soltou um riso breve, sem humor. ❛ Essa culpa generosa combina mais com o que você gostaria de ouvir do que comigo. ❜ Pausou. Precisava pensar. Medir o próximo passo. Mas Mayi nunca lhe deu esse luxo — nunca o deixou confortável o suficiente para ser só gelo. Ela aquecia, derretia, e cobrava calor em troca. ❛ Talvez você não precisasse estar presa aqui. Mas algumas coisas nunca mudam, hun? ❜ Era quase cruel de sua parte, mas precisava estabelecer uma distância entre eles. E garantir, de alguma forma, que ela se mantivesse. Ainda mais agora, quando ele sabia que estava há exatos trinta e sete passos do quarto dela, todas as noites. Quando via ela rindo de alguma piada que ele poderia ter feito. Ou quando ele a via pensar onde esconder o medalhão, que outra pessoa encontraria. ❛ Vejo que você ainda não aprendeu a hora certa de ir embora. ❜
Sempre fora boa em disfarçar quando o assunto era sua própria melancolia. Geralmente, não escondia sua fúria, ciúmes ou desejos, mas Ortiz sempre tivera repulsa ao sentimento de pena. Contudo, as semanas em Althara estavam sendo o suficientes para sugar toda a sua energia vital. As olheiras estavam escondidas por trás de uma grossa camada de corretivo, e os lábios pálidos também possuíam uma cor artificial. Na xícara, feita para reter um mocha, estava k consolo da princesa de Andorra: uma dose de vodka. Há algum tempo tinha perdido a sensibilidade para o álcool, e deixa-la realmente alterada era difícil. Mas as doses diárias das mais diversas bebidas alcoólicas era o que a mantinha respirando. Olhou de relance para a câmera, diretamente para a população andorrana, e esboçou um sorriso debochado. Esperava que pelo menos eles tivessem se divertido as suas custas.
Bebericava o conteúdo da xícara, quando ouviu o sino do Brunch soar, anunciando um novo cliente. Os olhos castanhos faiscaram minimamente ao reconhecerem o príncipe russo, com quem ela já havia trocado palavras. Talvez fosse ele o primeiro entretenimento de Andorra: quanto tempo levaria para cair nos encantos de Ágata? E depois, quanto para abandona-la? “ Aqui estamos nós mais uma vez, Alteza.” Cumprimentou. “ Esse lugar é repleto de coincidências, não concorda?”
Gustav parou à entrada do jardim com a expressão composta demais para quem ainda carregava a poeira da floresta nas botas. Viu a xícara nas mãos dela antes mesmo de ver o sorriso — um gesto discreto, mas que dizia mais do que qualquer saudação. ❛ Coincidências são o jeito elegante que o destino encontrou de nos vigiar sem parecer intrometido. ❜ Sentou-se à mesa sem pedir permissão, como se a presença dela fosse natural. Como se os olhos cansados e a voz cortante fossem parte do cenário. E talvez fossem mesmo — Ágata parecia encaixar em tudo que era bonito e, ao mesmo tempo, à beira de quebrar. A frustração o acompanhava como uma sombra mal domesticada. Estava ali, em cada gole que ela dava, em cada sílaba que ele escolhia com cuidado. Também era um coração. E isso, por mais poético que parecesse, soava como uma sentença. ❛ Parece que não terei o privilégio de levá-la em um encontro, Ortiz. ❜ Disse, com um meio sorriso. Desde o circo, vinha tentando ter um tempo à sós com a andorrana, pouco aceitando o fato de ter sido deixado chupando dedo. Olhou para a bebida dela, dando uma pequena risada. ❛ Sem maçãs dessa vez? ❜ Provocou, relembrando o primeiro encontro deles. ❛ De toda forma, suponho que teremos que encontrar outras formas de nos distrair. A menos que você já esteja ocupada com isso. ❜ A pergunta estava ali — afundada entre provocação e curiosidade genuína. Como tudo nele quando se tratava dela.
this is a starter for @semprevencia !! - após a revelação das duplas
O sol se desfazia lento sobre Treatan, dourando as bordas das árvores como se a própria floresta estivesse cansada dos segredos do dia. Gustav apoiou-se contra a pedra musgosa com um meio sorriso, o tipo que vinha fácil quando estava perto dela — Villavencia. Ele a encontrou no limiar entre a floresta e o lago. O nome Laurent ainda pairava no ar, pesado demais para um príncipe tão leve de conteúdo. Gustav cruzou os braços, o medalhão já esquecido no bolso. ❛ Então… é com o príncipe francês que você vai dividir o chá? ❜ A pergunta saiu como uma provocação suave, envolta em um tom de riso contido. ❛ Dizem que ele fala cinco idiomas — todos em tom de superioridade. ❜ Não era ciúmes. Não exatamente. Era mais a estranheza de vê-la ali, par, enquanto ele ainda se recompunha da notícia viral sobre ter sido rejeitado por ela. Gustav inclinou um pouco a cabeça, curioso. ❛ Será que ele já vai te pedir em casamento ou só fazer um discurso sobre o Louvre? ❜
this is a starter for @czirina !! - escondendo o medalhão
Mantinha o medalhão fechado entre os dedos — frio, pequeno, absurdamente leve para algo que deveria conter um símbolo do que ele era. Ou teria sido. O silêncio da clareira parecia mais denso ao lado dela. Irina. Irmã. Acusadora. Ela estava ali, a poucos passos. E mesmo assim, a distância parecia maior do que jamais fora, maior que o mar entre Treatan e qualquer outro lugar. Uma semana desde que ela dissera aquelas palavras. Uma semana desde que o nome dele — seu nome — foi cuspido com veneno na voz e nos olhos dela. Envenenamento. Ele não sabia o que mais o assombrava: a certeza de que não o fez… ou a incerteza de que algo nela acreditava que ele seria capaz. Gustav apertou o medalhão com mais força, como se a pressão pudesse gravar nele alguma verdade que faltava. Ela estava ali, caminhando próxima dele por alguma piada do destino que fez suas trilhas se cruzarem, enquanto ele planejava onde implantaria seu medalhão. ❛ O que aparece no seu? ❜ Indagou, quebrando o silêncio, e ainda que o tom fosse blazé, dentro dele havia curiosidade. Seria mais fácil investigar, se soubesse do que ela era feita.
Havia algo de impiedoso nas manhãs no palácio, especialmente aquelas em que o céu parecia se estender em tons cinzentos sobre os vitrais — como se o mundo todo conspirasse para sufocar qualquer memória que ainda resistisse ao tempo. O vapor morno que subia da banheira de mármore não servia para aquecê-lo; apenas embaçava os espelhos e a visão. Gustav, aos dez anos, sentia-se como um eco de si mesmo, preso entre os corredores do que antes chamava de lar e agora mais se assemelhava a um mausoléu dourado.
Naquela manhã, o tempo se dividiu entre o silêncio das malas sendo arrumadas e os sussurros dos criados — sempre cuidadosos, sempre olhando por cima do ombro. Internato, uma palavra bonita para o exílio. Duque de São Petesburgo, um título bonito para a destituição do trono. Não era, contudo, o tipo de silêncio confortável, como o que preenchia as tardes na companhia da mãe, quando ela lia histórias de santos e revoluções, com aquela voz que sabia ser doce até quando falava de sangue e guerra. Era um silêncio estéril. Frio. Como se tivessem arrancado o coração do palácio e o enterrado junto ao corpo dela.
Quando o pajem lhe deu a notícia, Gustav não chorou. Não gritou. Apenas ouviu o homem repetir, como um aviso burocrático, que “seria para seu próprio bem”. Como se ser removido da linha de sucessão e enviado para longe pudesse ser um favor. Como se apagar a história que carregava, através dos olhos azuis da mãe, fosse uma forma de cura.
O momento que marcaria tudo, contudo, foi banal, quase silencioso. Desceu os degraus de madeira rumo ao berçário, entre as colunas que a mãe um dia atravessava como uma deusa gentil. Havia dois berços no centro da sala, perfumada com lavanda. Os gêmeos dormiam. Ao menos um deles. O outro, Aleksei, chorava — uma lamúria estridente e aguda, um choro que parecia protestar contra o próprio nascimento.
Ele se aproximou devagar, como havia aprendido com a mãe: sem medo, sem pressa. Ajoelhou-se ao lado do berço. A ponta dos dedos hesitou no ar, e então pousou no cobertor de linho. Era só uma criança. Um irmão.
❛ Ei… não chora. ❜ Sussurrou, num tom doce, estranho em sua boca, porque há semanas ninguém falava com ele assim. ❛ Eu também não quero estar aqui. ❜ E então ele parou. Por um breve instante, parou. Foi quando ouviu o som.
Tac tac tac. Salto contra o mármore.
A presença atrás dele era inconfundível. Um perfume forte demais. Uma respiração calma demais. Virou-se só a tempo de ver o olhar dela: Maria. Bela, envernizada e vazia. Como uma pintura cara pendurada numa parede de pedra.
"O que está fazendo?" A voz dela cortou como geada. ❛ Ele chorou... ❜ Tentou explicar, mas não teve tempo de terminar. O estalo veio rápido, e quente. A mão dela encontrando seu rosto foi como uma sentença. O tapa fez seu corpo balançar, mas não o derrubou. Os olhos arderam, mas não marejaram. Era como se seu corpo ainda esperasse que a mãe viesse correndo. Ela viria. Sempre vinha. Mas não dessa vez. Nunca mais. Maria o fitou como se fosse uma peste.
"Você nunca mais chegará perto dos meus filhos. Nunca mais."
Os criados não disseram nada. Nenhum deles. Como se já tivessem aprendido que ele era agora um personagem secundário. Um nome que não se dizia alto. A criança de uma rainha morta. Mas houve uma que chorou em silêncio — ouvira, anos mais tarde, que aquela mulher havia sido dispensada de seus serviços por aquele ato rebelde.
Mais tarde, Maria diria ao pai que Aleksei chorava de dor. E que Gustav havia puxado o braço dele, talvez com inveja, talvez com raiva. E o pai... o pai acreditou. Ou preferiu acreditar. Era mais conveniente assim. Um motivo a mais para tirá-lo de vista. E ele sempre acreditava nela. Depois diria que não precisavam de um príncipe como Gustav se tinham Irina como perfeita herdeira, e assim ele ficava à sombras.
Na carruagem, com os olhos presos ao vidro embaçado, Gustav pensou na mãe. No perfume suave, nas mãos quentes, nas histórias antes de dormir. E pensou também na dor de ser arrancado da vida que conhecia como se fosse uma erva daninha. Como se nunca tivesse pertencido àquele jardim.
Foi ali, com o rosto ainda marcado e o coração espremido entre ódio e silêncio, que decidiu. Não haveria amor pelos irmãos. Não haveria compaixão. Não haveria proximidade. Eles era o lembrete de tudo o que lhe roubaram. E desde então, preferia manter distância. Fingir desdém era mais fácil do que admitir a perda. A verdade é que ele não odiava os irmãos — mas odiava o que eles representavam: o fim de tudo que um dia lhe pareceu sagrado.
Talvez, se tivesse tido tempo, tivesse aprendido a amá-los.
O terno foi removido antes de adentrar na floresta para esconder seu medalhão. O ego inflando-se ao ter sorteado coração, sabendo que alguém teria de superar desafios para conquistar uma tarde em sua companhia. Fazia para bem ele. E foi com o intuito de satisfazer ainda mais seu próprio ego que ele escalou uma árvore, enroscando o cordão do medalhão em um galho alto, e decidindo ali que, quem quer que fosse que conquistasse aquilo, ele aceitaria o encontro. Afinal, teria realmente se dedicado. O caçador que encontrasse seu colar, ao abri-lo, vislumbraria a imagem de uma peça de xadrez, um cavalo para ser exato.
o chão ainda exalava perfume de algo venenoso. esra fingia não saber o que era. andava entre as plantas como quem procura respostas, mas na verdade só procurava companhia. um espelho d’água refletia seu rosto com dois segundos de atraso. isso a fez sorrir. ela estava com os cabelos presos de qualquer jeito, uma flor rara presa atrás da orelha; arrancada de onde não devia. seus dedos roçavam a borda de um vaso antigo quando ouviu passos. não precisou olhar. — então é verdade o que dizem sobre você… que tem faro pra confusão e aparece sempre na hora certa. virou-se com um brilho conspirador nos olhos. de quem sabe algo que ninguém mais deveria saber. — não sei se você já ouviu, mas… a princesa do oeste chorou ontem. e não foi por saudade do noivo. fez uma pausa, dramatizou o silêncio como uma atriz de tragédia. — quer saber o resto? ou vai fingir que veio até aqui só por causa das samambaias encantadas?
Gustav parou a poucos passos dela, o olhar varrendo distraidamente o salão como quem mede as distâncias entre as plantas e as mentiras que ali cresciam. Só depois voltou-se para Esra, a expressão impassível, como se não carregasse o peso das recentes acusações fraternas. ❛ Não gosto de fofocas. ❜ Disse simplesmente, com aquele tom que desmentia a própria frase, porque, na verdade, nunca ignorava uma. ❛ Estou aqui apenas por interesses científicos. ❜ Desviou o olhar para a planta rara atrás da orelha dela, inclinando levemente a cabeça, mas sem tocá-la. ❛ Samambaias encantadas… e outras coisas mais úteis. ❜ Completou, os olhos azuis se estreitando para tentar reconhecer o espécime que a princesa turca tinha nos cabelos, mas sem sucesso. Nunca havia estudado sobre plantas, sendo bem sincero. Apesar de agora sentir que tinha uma obrigação, principalmente se levasse em consideração que Linnea sempre havia gostado, tendo plantado diversas rosas no jardim imperial — hoje, tão motas quanto sua mãe. Voltou a percorrer os olhos pela estufa, tentando identificar espécies venenosas, medicinais… e letais. Provavelmente precisaria de ajuda... Lembrou-se, involuntariamente, das palavras de Irina — a acusação jogada ao vento e gravada para sempre pelas câmeras. Não tinha vindo procurar veneno, mas agora não conseguia parar de pensar nisso: quem teria tido acesso, quem sabia o suficiente para transformar uma simples taça em uma sentença? ❛ A princesa do oeste chora por muitas razões… e nenhuma delas me interessa. ❜ Mentiu, com facilidade, enquanto a mandíbula se fechava num pequeno tique involuntário. Deu mais um passo adiante, como quem observa o crescimento de uma raiz profunda. ❛ Você conhece? As plantas, quero dizer... ❜
estava parado há tanto tempo que os retratos quase pareciam ignorá-lo. nenhum movimento nas molduras vivas. nenhum sussurro das batalhas passadas. só o silêncio pesado dos que sabem o que viram; e não ousam comentar. ele não se virou ao ouvir passos. só disse — você pisa mais leve quando quer ser notado. o olhar ainda fixo num retrato que começava a escurecer no canto, onde outrora um casal sorria — essa pintura mentia melhor semana passada. só então se moveu, os olhos deslizando até a presença ao lado com um cansaço que não era de corpo. — me diga que não veio com promessas, ou pior… esperanças. havia algo de mordaz no quase-sorriso que nunca chegava à boca. — preciso de outra coisa hoje. me distraia. ou me desaponte de uma vez.
Gustav parou a poucos passos, a respiração discreta como convinha aos que sabiam quando não interromper monstros em contemplação. Passou os olhos pelo quadro esmaecido, como se pudesse captar na tinta ressequida a resposta que buscava — ou, talvez, a advertência que precisava. Só então virou o rosto, deixando os olhos claros repousarem em Levi, sem a ousadia da provocação aberta. ❛ Eu nunca tive vocação para esperança. ❜ Confessou, a voz baixa, educada, como se aquela galeria pudesse ouvir e registrar cada palavra, transformando-a numa nova cena condenada a se repetir em tela. E talvez pudesse, considerando que deveria haver ao menos uma câmera focada neles. Será que o que dizia, chocaria os telespectadores? ❛ E promessas... ❜ Ajustou a lapela do casaco com um gesto contido. ❛ são moedas falsas, exceto quando fundidas no metal certo. ❜ Só então permitiu-se um meio passo adiante, com a cautela de quem reconhece que, ali, até o ar é feito de consequências. ❛ Acho que talvez… possa lhe oferecer algo mais interessante do que distração. ❜ Ergueu um canto da boca, sem sorrir de fato. As pinturas ao redor pareceram escurecer ainda mais quando ele concluiu, sem tirar os olhos de Levi: ❛ Minha irmã. ❜ E então, com a frieza cerimonial que só os exilados conhecem: ❛ Talvez possamos negociar um casamento? Imagino que esteja sendo pressionado... ❜
— GUSTAV! — A voz da grã duquesa ecoou pelo corredor vazio assim que colocou os olhos no irmão. A expressão de poucos amigos entregava que Irina nao estava nem um pouco feliz de estar de volta naquela ilha maldita. Odiava todos ali, principalmente os homens; e principalmente um homem em específico. — Eu passo duas semanas fora e você ja tenta me envenenar. Sua vida é realmente tão miserável?! — Ok, talvez nao tivesse sido Gustav, mas era sempre mais fácil colocar a culpa nele.
❛ Pelo amor de — ❜ O sorriso que mantinha enquanto conversava com o duque de Baden se dissolveu ao som do grito. Ele sequer precisou olhar. A entonação carregada de drama imperial era familiar. Fechou os olhos por um segundo. ❛ Perdoe-me, excelência… assuntos de família. ❜ Disse ao nobre, com uma leve inclinação de cabeça antes de girar nos calcanhares e caminhar com calma até a tempestade vestida de preto. Não foi até a acusação que o recebeu, no entanto, que se alarmou. A distância entre eles foi quebrada com rapidez, e a destra envolveu um dos braços de Irina com firmeza. ❛ Você quer mesmo falar em envenenamento no meio de um palácio lotado de câmeras? ❜ Murmurou entre dentes. Sem esperar resposta, puxou-a com um movimento ágil pelos corredores, ignorando os olhares curiosos. Quando empurrou a porta de seu quarto, foi direto ao ponto: ❛ Você ficou louca de vez, Irina? ❜ Ele sabia que ainda estavam sendo supervisionados pelas câmeras, mas pelo menos dentro de seu quarto tinham a privacidade dos olhares próximos. ❛ Acusar um príncipe de tentativa de assassinato em público? Você só pode estar maluca. ❜ A voz era baixa, ríspida, mas sem elevar-se. Caminhou até a escrivaninha, tirando o paletó com raiva contida, os olhos voltando para ela. ❛ Se eu quisesse te envenenar eu já teria feito. Sabe que eu nasci naquele castelo, que aqueles criados são fiéis à mim. Seria fácil. ❜ Não era uma ameaça, apenas uma constatação. Nunca seria tão idiota àquele ponto. Queria o trono de volta por merecimento, e não à base de usurpação, como seu avô. ❛ O que aconteceu agora? ❜ Perguntou finalmente, escorando-se contra a escrivaninha para que pudesse esquadrinhar a irmã.
A porta ainda estava entreaberta quando a voz dele soou, seca e pontual, como quem anuncia um julgamento. ❛ Diwa. No meu quarto. Agora. ❜ Nem esperou a resposta. Apenas se afastou pelo corredor, como se a presença dela fosse tão óbvia quanto inevitável. Não era o tipo de convite que se fazia em voz alta — e ele sabia disso. Mas era o único tom que ela respeitava: o da provocação. Se dissesse “gostaria de te ver depois do almoço”, ela riria. Se dissesse “estou preocupado”, o riso viria antes mesmo da frase acabar. Com Diwa, não se pedia — se instigava. Gustav estava sentado na poltrona à janela quando ela entrou, um livro fechado no colo e uma taça ainda com metade do vinho que o almoço não terminou de engolir. ❛ Você chamou o duque de Erhenwald de “senhor Érva-algo”. ❜ Comentou, finalmente virando o rosto para encará-la. ❛ Ele quase teve um derrame. E eu também. ❜ Na verdade, ele havia se divertido com aquilo. Ainda assim, mesmo que ele tivesse feições de planta, ele ainda era um duque capaz de apoiá-lo — ou era, antes de hoje. Passou a mão pelo queixo, observando-a com aquele ar de irmão mais velho relutante. ❛ Memoriza os nomes. Ou inventa um sistema. Só… para de improvisar. ❜ Pediu, calmamente. ❛ Ah, e nada de amaldiçoar convidados no buffet. Mesmo quando merecem. Principalmente quando merecem. ❜
Ágata Ortiz. O nome ainda pairava na memória com o mesmo gosto agridoce da maçã que ela mordeu — como se tivesse arrancado um pedaço dele junto. Devia ter imaginado que aquela mulher não era inofensiva. Ninguém com uma fenda na coxa esquerda e um sorriso daquele tamanho seria. Gustav encostou os dedos no queixo, o olhar fixo na paisagem além da janela. Sol ameno, gente demais — e câmeras. Sempre as malditas câmeras. Ela não é uma jogada estratégica, ele se lembrou. Nenhum tratado seria selado entre Andorra e o nada que restava de sua linhagem. Nem herdeiros de interesse, nem alianças com peso. Mas quem disse que tudo precisa ser sobre estratégia? Ou talvez fosse. Ainda não decidira. ❛ Um passeio não compromete nada. ❜ Murmurou para si mesmo, testando o gosto da ideia. ❛ E pode ser… interessante. ❜ O interessante era exatamente o problema. Os cachos rebeldes, o vermelho provocante, aquela liga dourada na perna que ele viu por menos de um segundo e continuava enxergando de olhos fechados. Foco, Gustav. Você está num reality. Está sendo filmado. Está se expondo como um livro aberto para pessoas que mal sabem seu nome. Mas havia algo nela que escapava da lente. Uma certa leveza calculada, como quem já havia sido subestimada tantas vezes que aprendera a usar isso como arma. Ele sabia reconhecer aquilo. Ela também joga. Só que com outras peças. ❛ Que tal um passeio, Ortiz? ❜ Sussurrou, como se testasse a pergunta no ar antes de entregá-la a ela. Se aceitasse, ótimo. Se não… bem, ainda havia maçãs. E pecados. E desejo o bastante para render outro capítulo. Só precisava lembrar que, ao contrário do Éden, ele não tinha nada a perder. Ou talvez tivesse, e só ainda não soubesse. Quando enfim encontrou-a no corredor que dava acesso aos aposentos dos nobres, a reverência foi breve. ❛ Aceita um passeio, Ortiz? ❜