Eu não vou fingir que aquilo não doeu só porque consigo explicar por que aconteceu.

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@d-esacreditei
Eu não vou fingir que aquilo não doeu só porque consigo explicar por que aconteceu.
“Olha, se você conseguir chorar, chore. Essa mágoa engolida, mata por dentro.”
— Pode me chamar de K.
Corajosos são os que encerram ciclos sem ter medo da solidão.
Ruan Guimar
“Eu vou te desculpar, mas eu não vou esquecer. Entenda isso.”
— Grey’s Anatomy.
Ninguém fala o quão cansativo é só estar sobrevivendo
Sei que é difícil, que esse cansaço não é do dia e sim da vida.
PSI Vanessa Maia
Queria me lembrar de como eu era antes de todos esses danos.
Pietro
Quando eu descobri que criar histórias na mente é um transtorno, eu já estava na quarta temporada.
Às vezes eu me sento dentro de mim e me pergunto em voz baixa: por que comigo tudo parece mais difícil? Não é acusação, é espanto. Um espanto cansado. A vida me olha como quem testa resistência, como se quisesse ver até onde eu aguento sem quebrar e eu aguento. Sempre aguentei. Mas a que custo?
Há dias em que sinto que erro mesmo quando faço o melhor. Como se o acerto nunca me coubesse. Como se eu fosse sempre quase, nunca suficiente. E então a vida, impaciente, me devolve esse reflexo torto: o de alguém que pesa, que ocupa espaço demais, que atrapalha o mundo apenas por existir. E eu me pergunto: como pode existir culpa em simplesmente estar viva?
Eu me dou. Inteira. Sem economia. Eu me entrego antes que me peçam, me esforço até quando estou exausta, atravesso obstáculos como quem atravessa desertos acreditando que do outro lado haverá água. Eu daria minha vida por quem amo e isso não é força, é natureza. Mas quanto mais eu faço, menos sou vista. Quanto mais amo, menos sou reconhecida. Há uma estranha matemática no mundo: o excesso de entrega parece gerar invisibilidade.
E dói. Dói não entender por que as pessoas machucam sem motivo aparente, como se a dor do outro fosse detalhe. Eu não sou um monstro. Sou humana. Cheia de falhas, sim mas quem não é? Não sou essa pessoa ruim que tentam me fazer acreditar que sou. Não carrego maldade nos gestos, nem veneno nas palavras. Então por que me ferem?
Qual é exatamente o meu erro? Querer viver? Querer sentir a vida passando por mim com algum entusiasmo? Querer amar sem pedir recibo? Cuidar sem medir retorno? Querer ser alguém para alguém e, quem sabe, fazer falta? Porque até isso parece proibido: desejar ser uma ausência sentida.
Eu não machuco as pessoas. Ao contrário, tento acolhê-las. Estou sempre ali, mesmo quando ninguém está por mim. E talvez seja isso que mais me confunda: tratar o mundo com amor e receber, em troca, dureza. Como se a delicadeza fosse um convite à violência.
Mas ainda assim e isso me espanta eu continuo sentindo. Continuo amando. Continuo querendo viver. Talvez porque, apesar de tudo, exista em mim uma certeza quase secreta: a de que ser sensível não é fraqueza, é um tipo raro de coragem. E talvez o mundo trate mal justamente aquilo que não consegue ser.
“Talvez você não acredite, mas há pessoas que passam a vida sem o menor atrito ou agonia. Eles se vestem bem, comem bem, dormem bem, estão satisfeitos com a vida em família. Eles têm momentos de melancolia. Mas, no geral, não são incomodados e, frequentemente, sentem-se muito bem quando morrem. É uma morte fácil. Geralmente, dormem. Talvez você não acredite, porém essas pessoas existem. Mas eu não sou uma delas. Ah não, eu não sou uma delas. Eu nem chego perto de ser uma delas. Mas elas estão lá e eu estou cá!”
— Charles Bukowski
“Eu continuo sem saber que maravilha a vida poderia me reservar se eu não me protegesse tanto. Eu continuo sem ter a menor ideia de como se ama ou se é amada. Eu continuo acordando sozinha.”
— Tati Bernardi.
“A lua foi ao cinema, passava um filme engraçado, a história de uma estrela que não tinha namorado. Não tinha porque era apenas uma estrela bem pequena, dessas que, quando apagam, ninguém vai dizer, que pena! Era uma estrela sozinha, ninguém olhava pra ela, e toda a luz que ela tinha cabia numa janela. A lua ficou tão triste com aquela história de amor que até hoje a lua insiste: — Amanheça, por favor!”
— Paulo Leminski.
Cansada de tanto julgamento.