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10 Things I Hate About You (1999) dir. Gil Junger
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Dreaming my Dreams || Emily e Samir
Quando Emily se afastou, Samir recolheu a própria mão com igual agilidade. Dessa vez, porém, não foi capaz de assumir sua usual posição defensiva de braços cruzados e olhar distante. Não, seus braços penderam ao lado do corpo enquanto os olhos acompanhavam o movimento do corpo alvo tentando decifrar o que viria a seguir. E ele ouviu ao desabafo de forma quase impassível, seu rosto como uma máscara sem vida enquanto seu cérebro processava as informações que lhe eram apresentadas.
Talvez esse fosse o ponto dos relacionamento dos dois até então, talvez fosse esse o motivo que puxava Samir com tanta força em direção a garota Pitchner, independente do que ele tentasse. Os dois haviam nascido marcados, afinal de contas. Dois filhos de vilões cujos sobrenomes eram como uma cicatriz e a genética era o mais próximo de uma maldição que se pode imaginar. Era tudo muito claro para ele, naquele momento: Samir sempre estivera centrado demais em seu próprio drama pessoal para perceber que o de Emily poderia ser tão ou mais complicado que o dele. Até aquele momento o moreno não havia se dado contra do quão ferrada ela estava, ou talvez ele apenas tivesse sido egoísta o suficiente para fingir que não enxergava o problema. Até aquela noite, Samir Abdul-Jabbar apenas se preocupara com o próprio umbigo, mas algo na história que a jovem contara mudou isso.
-O seu pai se alimenta do medo das pessoas? - Samir indagou pausadamente enquanto contornava a pedra onde Emily se sentara para se colocar ao lado dela. Um sorriso ácido ocupou sua face diante daquela perspectiva. Pitch era mau, ao que parecia, em cada significado da palavra, mas isso nunca foi um problema para Samir. Ao contrário, o jovem já havia se acostumado à ideia de ser um vilão. O medo das pessoas era um efeito colateral, mas não algo que ele desejasse ou evitasse: apenas um efeito. Quando ele finalmente se virou para a garota, seu cenho se franziu. - Eu não entendo, Emily. - Balançou a cabeça em negativa. - O seu problema é a ideia de não ter escolha? Ou… Você tem medo de não saber controlar seus poderes, medo de gostar disso? - Ele parou por um segundo. - Você tem medo de se tornar uma vilã?
Esticou a mão mais uma vez em direção a ela, mas acabou desistindo no meio do caminho. Como sempre, a sensação de frustração que ela trazia o fez se afastar, mesmo que só alguns passos. - Ele não tem poder infinito sobre você, sabe disso, não é? Se ele realmente se alimenta do medo das pessoas e você, Emily, é, antes de ser filha dele, uma pessoa… Parte do poder que o verme tem sobre você…
“É você quem dá.” O pensamento ecoou na mente de Samir, mas apenas em sua mente. Ele não verbalizou aquilo, principalmente por que sabia que aquilo era tão verdade para ele quanto era para ela.
-Não. - Disse com firmeza. - Não é pedir demais poder fazer as próprias escolhas. E você pode. O Pitch Black é poderoso, não há como negar isso, mas ele não é a maior força de nosso mundo. - Àquela altura ele já a fitava com intensidade, um braço cruzado sobre o peito e o outro apoiando o queixo. Samir odiava o sentindo de impotência que se formava em seu peito ao vê-la ruir daquela forma. Sua mente procurava em cada memória algo que pudesse tirar de si essa sensação de ser inútil. - Você… Nós podemos… - Começou a gesticular violentamente à medida que tentava formar uma frase coerente, sem sucesso algum. - Arr!
Considerando a sua história de vida e os seus genes infelizes, Emily não era uma moça que tinha o costume, ou até mesmo a necessidade, de expor seus pensamentos e sentimentos com frequência. Apesar de se considerar sortuda por ter algumas pessoas raras e teimosas o bastante para estarem constantemente tentando driblar as defesas que construiu ao redor de si ao longo dos anos, e loucas o bastante até mesmo para chamá-la de amiga - como era o caso de Briar e Cage, por exemplo -, esse traço de sua personalidade não sofreu tantas alterações assim ao longo do tempo, preferindo abster-se a ter monólogos internos consigo mesma. Bem, pelo menos até aquele momento. Havia algo no filho de Jafar que trazia à tona uma necessidade até então adormecida de agir de forma diferente, como se estivesse tentando... justificar-se, talvez? Emily não sabia se sua decisão de expor seus piores medos para o rapaz, que até algumas semanas atrás lhe era desconhecido, era um fruto de um anseio por justificar todos os males que não propositalmente lhe causara ou se era o desejo de colocar para fora tudo o que enjaulara durante anos, ou talvez se fosse uma mistura de ambos e algo mais. Independente do motivo, no entanto, a morena sentiu que o peso que se alojava em seu peito foi aos poucos diminuindo conforme as palavras deixavam seus lábios, uma sensação nova para ela. Como se há muito tempo estivesse segurando a respiração, e naquele momento, estivesse finalmente exalando.
Emily assentiu diante do questionamento de Samir a respeito da necessidade de Pitch em alimentar-se do medo. Necessidade essa que a cada dia que passava, a morena percebia mais presente em si. - Ele não seria nada sem o medo. - Confirmou, entrelaçando os dedos entre seus cabelos escuros e apoiando a cabeça na palma, em uma posição consternada, ainda abraçando suas pernas com o outro braço. Assim que as palavras saíram de sua boca, no entanto, o sentimento de culpa beliscou sua alma. Era estranho estar expondo seu pai dessa forma, como se estivesse traindo-o com um pensamento que, até aquele momento, Emily não sabia que possuía. Os olhos novamente verdes, que até então encaravam os dedos descalços e frios de seus pés, voltaram a observar o moreno ao seu lado diante das novas indagações. Indagações estas tão certeiras que ao mesmo tempo que a perturbaram por colocá-la em uma posição tão vulnerável, também a surpreenderam de um jeito que não considerava ruim. Afinal, mostravam um lado de Samir que até então a moça apenas desconfiava que existia. Um nível complexo de empatia era necessário para se entender tão pontualmente o que ela estava sentindo naquele momento. - Um pouco de tudo, eu acho. - Emily confessou, desviando seus olhos novamente da figura ao seu lado, dessa vez focalizando-os no jardim a sua frente. - Eu tenho medo de precisar tanto. De qualquer um ou de qualquer coisa que seja, inclusive do medo. Onde está a liberdade em depender de tanto poder? - Completou, os olhos vagos, a mente há quilômetros dali.
No entanto, ao ouvir as próximas palavras do rapaz, sua atenção voltou-se novamente para o presente, o coração dando uma guinada diante do pensamento tão novo e ao mesmo tempo, tão óbvio. Parte do poder que ele tem sobre mim sou em quem dá, repetiu lentamente em seus pensamentos. Emily não sabia ao certo se sentia-se confortada ou temerosa por tal pensamento. Afinal, mesmo que este trouxesse de volta parte de sua autonomia, saber que ela tinha algum poder para mudar isso, ao mesmo tempo, naquela madrugada, com o pesadelo tão recente e real em sua mente e o frio percorrendo sua pele exposta, não se sentia assim tão potente para deter o medo. - É. Agora é só descobrir como me impedir de sentir medo. - Disse mais para si mesma, soltando um riso nasalado, baixo e irônico diante de tal ideia. Como fazer o medo parar de sentir medo...?
Apesar da presença constante do pesadelo a rodeando, Emily percebeu que aos poucos, conforme o tempo passava, ele ia perdendo sua relevância em sua mente. Mesmo com o escuro e o frio que lembravam tanto a paisagem representada em seu inconsciente, a presença de Samir, seu corpo radiando calor para o dela mesmo alguns centímetros longe de onde ela estava sentada, as perguntas feitas, de alguma forma davam um contorno mais firme à realidade, impedindo-a de se perder no mundo que ocorria dentro de si ao repousar a cabeça no travesseiro todas as noites. Mundo esse que muitas vezes parecia mais real do que a própria realidade, como se estivesse acordando ao invés de começando a sonhar. Que a cada dia mais, se infiltrava mais intensamente na realidade. Não naquele momento, no entanto. Com essa constatação, a morena voltou lentamente seus olhos para a figura agitada à sua frente, como se acabasse de despertar; de se lembrar o quanto era surreal que estivesse ali com ele naquele momento, mais interessada em entendê-lo do que procurar uma solução para os problemas da morena até então expostos; os olhos verdes e analíticos perscrutavam atentamente os movimentos erráticos e bruscos das mãos morenas e as tentativas de verbalizar algo coerente, seu coração se contraindo dentro de um peito de uma forma diferente; mais leve e rápida, como o bater de asas de um beija-flor; não lhe era desagradável, embora não conseguisse nomear de que forma era. O Samir que observava naquele momento não era o Samir que estava acostumada a ver pelos corredores e muito menos o que a beijara em uma sala de aula trancada com o objetivo de desconcertá-la. Pelo menos, Emily achava que não. - Samir... - Ouviu-se dizendo em um tom de voz baixo, suave e um tanto hesitante. Sabia que a pergunta que viria a seguir poderia surtir um efeito não desejado, no entanto, Emily estava disposta a arriscar. Seu anseio por saber era maior. - Por que você está fazendo isso? - Não era um questionamento confrontador ou defensivo, mas genuinamente curioso. E talvez, por mais que odiasse admitir, até mesmo um tanto esperançoso. Esperança do que, exatamente, estava além de seu entendimento.
“That’s what I mean when I say I want to play strong characters, I mean characters that are written well and fleshed out well. I want to play horrible people and lovely people and weak people and stupid people. I think that’s what it’s about—we just want as much range available to us as men have had forever.”
“O my love, my wife! Death, that hath suck’d the honey of thy breath Hath had no power yet upon thy beauty. Thou art not conquered.”
- Shakespeare, Romeo and Juliet
Dreaming my Dreams || Emily e Samir
Samir estaria mentindo se dissesse que esperava que ela tivesse correspondido ao beijo. Nem mesmo um homem declaradamente machista como ele esperava esse tipo de comportamento de uma mulher. Quando ele forçou a cintura da garota contra si naquele dia na sala vazia, já podia sentir o tapa vindo. Mais do que saber que qualquer mulher reagiria daquela forma, sabia que Emily, com a personalidade forte que tanto o irritava, não reagiria bem a ser forçada a nada. Entretanto, também estaria mentindo se dissesse que àquela altura não gostaria que uma pequena parte dele não queria que ela tivesse correspondido. A filha do Pitch Black era bonita, ele constatara naquela noite que ela era mais bonita ainda naquela roupa quase transparente que o requereu um esforço imenso para manter o foco no assunto que o trouxera até ali. Gostaria de beijá-la outra vez, sentir a pele delicada contra a dele de algum modo que não fosse uma agressão. Mas não deixaria que uma fraqueza sua fosse exposta mais uma vez. - Você está enganada. - A mentira veio como uma resposta automática à afirmação de que o beijo tivera significado. Ela já conhecia cantos demais de sua mente, não era possível que não pudesse manter aquele mínimo de privacidade. - Você está terrivelmente enganada, Emily. - A segunda frase veio temperada pelo tom amargo em sua voz. Estava acostumado a ter todos ao seu redor julgando seus atos pelo simples fato de ser quem era, de ser filho de quem era, mas por algum motivo esperava uma reação diferente de Emily. Seus olhos encararam os de Emily e ele precisou conter o impulso de dar um passo para trás ao vê-los adquirindo uma tonalidade escura. Samir vinha relutando para admitir que a filha de Pitch Black era tão perigosa quanto ele, mas o último sonho fora o suficiente para que tivesse certeza de que havia espaço para muita escuridão por trás daquela aparência tão pura. Ele logo voltou a acompanhar os movimentos da garota, caminhando ao seu lado enquanto remoía a raiva que sentia dentro de si.
Samir definitivamente não estava preparado para o que veio a seguir. Não estava preparado para o aumento na voz da garota, nem para o tremor em seu corpo que fez como que ele largasse seus braços. E ele respondeu à raiva da única maneira que sabia responder a qualquer agressão: atacando de volta. - Existem maneiras mais eficientes de lidar com seja lá que merda você tenha de conviver do que invadir a mente das pessoas sem ser chamada. - O tom ácido de sua voz fora muito mais incisivo do que ele teria escolhido em uma situação menos tensa. De início a aproximação de Emily só aumentou o desejo de ser combativo por parte do jovem árabe, se colocando na defensiva como sempre fizera desde que se entendia por gente. A questão é que algo aconteceu enquanto as palavras deixavam os lábios de Emily. De algum modo, a maneira como as frases eram ditas, muito mais do que o seu simples conteúdo, fez com que Samir se reconhecesse ali. Sua herança maldita era muito mais fruto da merda de pai que tivera do que qualquer carga genética poderia conter, mas ele conhecia parte daqueles sentimentos. Conhecia a dor de não ter a mínima noção de como lidar com ser filho de quem era, de ter seu destino traçado antes mesmo de saber como assinar seu nome no maldito livro. Por outro lado, nunca parara para pensar como os outros filhos de vilões lidavam com isso e, droga, às vezes se esquecia de que o pai de Emily era tão terrível quanto o seu. Talvez não fosse tão terrível com ela, pelo que percebera, mas ela era destinada a ser tão ruim quanto ele, a se alimentar da mesma podridão com a qual seu pai se banqueteava. Mais estranho para Samir foi perceber a força com a qual ela não queria isso, com a mesma intensidade com a qual o feiticeiro queria fugir do pai e tudo que ele representava. - Você não é seu pai. - A frase apareceu nos lábios de Samir e ele não tinha certeza se estava falando aquilo para Emily ou para ele mesmo. A sensação que veio a seguir foi desconfortável, mas era como se engrenagens há muito enferrujadas começassem a se movimentar dentro dele, tomando o lugar onde deveriam sempre ter estado. - Você não é a droga do seu pai, não precisa ser como ele. Ninguém, nem mesmo os Guardiões podem te obrigar a assinar a merda do livro se você não quiser. - Sua voz era mais branda do que o normal, mas sua palavras eram duras. Mais do que sentir raiva de Emily, naquele momento ele sentia raiva com Emily. Raiva de terem sido colocados naquilo tudo sem terem chance de escolha. Raiva dos Guardiões por controlarem os seus futuros daquela forma. Raiva por que sentia que tudo seria mais simples para os dois se não fossem apenas um sustentáculo ambulante para o sobrenome dos pais. E então a verdade o atingiu com uma força desconcertante. - É muito mais forte do que apenas o livro, não é? - Antes que percebesse seu polegar foi de encontro à umidade onde antes estivera a lágrima no rosto de Emily e foi como se a bolha do dia do baile estivesse ali outra vez. - Eu posso te ajudar a controlar. Tem de haver alguma uma maneira. O maldito me ensinou mais do que eu poderia desejar, conheço todos os tipos de maldições, sortilégios e…
Àquela altura, Emily não sentia vontade de fazer nada diferente do que se apossar de um vira-tempo e impedir que aquele momento acontecesse, devido ao nível de constrangimento que sentia. Estava longe de seu entendimento a razão de ter sido tão descuidada ao começar a se abrir daquele jeito com Samir, especulando mentalmente como ele reagiria diante daquelas informações e até mesmo o que faria com elas. Diante disso, não foi uma reação fora do comum quando a morena subitamente parou de andar de um lado para o outro e o encarou diante da colocação de que ela não era como o pai dela, os olhos marejados voltando lentamente à sua tonalidade natural de verde. Desde aquele momento compartilhado na sala de Domínio da Magia, a filha de Pitch Black começou a colocar em sua mente que esperar do jovem à sua frente qualquer demonstração de empatia lhe levaria apenas à frustração; por isso o choque com aquela pequena colocação foi o suficiente para desarmá-la da agressividade que até então investira contra Samir. Porém, com o controle da raiva, sobrou espaço para que o medo e a tristeza voltassem, fazendo com que novas lágrimas brotassem em seus olhos conforme o filho de Jafar se aproximava dela. A única coisa que as impediu de caírem foi que a surpresa por presenciar Samir tomando a atitude de procurar amenizar a angústia que sentia, fazendo com que ela permanecesse fitando-o como se observasse uma espécie desconhecida de criatura mágica. Desconhecida, porém maravilhosa.
Por um segundo delirante, Emily perguntou-se se ainda não estava no mundo dos sonhos, e se o Samir que estava ali na sua frente não era na verdade uma projeção de seu inconsciente. Procurando comprovar se isso era verdade, porém sem uma explicação prévia, a filha do rei dos pesadelos levou os dedos à têmpora do jovem árabe, como era de seu costume ao acordar alguém. Além do fato de tal ação não ter sido eficaz para que qualquer mudança acontecesse, no mesmo momento os dedos de Samir alcançavam sua face, causando uma estranha comoção no estômago de Emily. Ela sabia que, apesar da boa memória, seu inconsciente não seria capaz de reproduzir com tal perfeição a temperatura ou o cheiro do filho de Jafar, por isso convenceu-se de que aquilo não era um sonho. – Não é sobre o livro. É muito mais elementar que isso. – Viu-se pontuando, a voz uma centelha do que fora antes. Percebeu que seus dedos haviam deslizado da têmpora de Samir para se alojarem sobre seu rosto, sentindo a aspereza de sua barba por fazer. Ao se dar conta disso, Emily tratou de corrigir-se, movendo sua mão e cruzando os braços diante do peito. – Eu aprecio o que você está tentando fazer, mas é mais complicado que isso. – A morena disse com um vestígio de sorriso no canto de seus lábios diante da ajuda que Samir lhe oferecia, porém se esvanecendo cedo demais para ser considerado.
Continuando a andar mais alguns metros, Emily se deparou com a mesma pedra que ocupara no primeiro sonho daquela noite. A morena não pode deixar de soltar um pequeno riso irônico, diante da sensação de que ela estava voltando exatamente para o lugar em que toda aquela loucura havia começado. Apoiando as mãos sobre a pedra, Emily deu um pequeno impulso e se acomodou sobre ela, as pernas juntas do lado direito do corpo. Fitando Samir durante alguns segundos, uma parte da morena decidiu que independentemente do que aconteceria naquela noite ou depois disso, ela deveria dizer tudo ao filho de Jafar. Afinal, considerando que ela havia visto o seu maior medo sem sua permissão, seria no mínimo justo que ele visse o dela também. – Você vê, há um lado que sempre é omitido quando contam a história sobre a criatura responsável por criar pesadelos a partir dos maiores medos das pessoas: ele não faz isso apenas porque é divertido - embora eu conheça o meu pai o suficiente para saber que ele não descarta essa parte -, mas porque ele precisa. Sem o medo das pessoas, ele não passa de um fantasma, esgueirando-se pelos cantos, desacreditado... O medo é literalmente sua fonte de vida. A parte de transformar as criações de Sandy em pesadelos e se alimentar disso é relativamente recente, na verdade. – Emily ia dizendo, seus olhos fitando o nada à sua frente. Como se mirassem a única perspectiva vazia que ela tinha de futuro. – E como diz aquele ditado sobre filho de peixe, isso não pode ser diferente comigo, apesar do lado humano herdado da minha mãe. Meu pai deixou isso bem claro para mim hoje, quando entrou no meu sonho e disse que eu não tenho alternativa à não ser abraçar o meu destino, que só era questão de tempo para eu me tornar como ele. Foi isso o que você viu depois naquele pesadelo... – Hesitou, devido ao nó que surgiu em sua garganta. A teoria era mais fácil do que a prática, quando se tratava de compartilhar seus maiores medos sem reservas. – Era o meu medo de ver isso tomando conta de mim, até um ponto em que a verdadeira Emily desaparecesse e tudo o que restasse fosse... – A morena se interrompeu, mordendo o lábio inferior. – Eu não quero isso. Eu queria poder ser capaz de escolher o que eu quero ser sozinha, sem essa maldita balança ou os meus genes escolhendo por mim! Não é pedir demais, é? – Questionou por fim, soando como uma criança que necessitava de afirmação até mesmo aos seus próprios ouvidos.
Dreaming my Dreams || Emily e Samir
-Se eu quisesse te machucar usaria meios mais eficientes para isso, Pitchner. - Resmungou, impaciente. Seus olhos acompanharam atentos enquanto Emily se desprendia da parede do castelo, quase assistindo em câmera lenta enquanto ela pendia em direção aos seus braços. Ele sempre pressupunha que mulheres eram fracas, não conseguiam fazer as coisas sozinhas, mas a filha do Pitch Black o surpreendera com sua habilidade no curto caminho da janela até ali. Odiava se sentir inútil e foi essa a razão que usou para se convencer de que estava oferecendo apoio para Emily descer apenas por que era necessário. Iria conversar com ela, resolver de uma vez por todas a confusão que ela transformara a sua vida, expulsar a garota de seus sonhos e então ir embora para sempre. Quando sentiu o impacto da pele macia contra a sua, entretanto, ele quase se esqueceu do que o levara até ali. Não imaginava que ela fosse se prender a ele de uma maneira tão… íntima. Na verdade nem mesmo estava preparado para essa ideia quando o cheiro do cabelo de Emily o atingiu como uma flecha. Não se lembrava de ele ser tão bom quando se beijaram, não se lembrava de ter sentido algum cheiro tão bom alguma vez na vida. E então ele fez uma das coisas mais estranhas que poderia ser feita naquele momento: respirou fundo, absorvendo o aroma para seus pulmões como se quisesse guardar aquela sensação na memória.
Antes que pudesse formular qualquer desculpa Emily se separou dele com uma rapidez impressionante, e Samir não pôde deixar de ficar aliviado. Ela não tinha percebido nada, afinal, mesmo ele não tendo certeza do quê ela teria para perceber. Precisou de um segundo para recobrar a postura, se ajeitando na roupa de dormir preta que vestia, sem se dar ao trabalho de encarar a garota que levara até ali até que ela começasse a falar. - Essa não foi uma conclusão difícil de se chegar depois de você ter destruído meus três últimos sonhos sem nenhum motivo aparente. - Cruzou os braços, ampliando o tom acusatório de todo seu discurso, mas sem deixar de caminhar ao lado da garota. Seus olhos estavam concentrado no chão de cascalho até aquele ponto da quase conversa. - Você foge de mim desde o que aconteceu naquela sala. Me deu a droga de um tapa por que eu te dei um beijo, um simples beijo sem significado nenhum. - A última frase fora dita mais para ele mesmo do que para ela. Precisava se convencer de que aquilo não fora nada mais do que uma maneira de fazer com que ela calasse a boca. - Mesmo assim, apareceu na minha cabeça hoje de noite por sabe-se lá qual motivo. - A raiva parecia ter encontrado um caminho pelo qual passar na represa que Samir havia construído para conseguir se manter são perto de Emily. De início apenas uma pequena falha na muralha, um local por onde um veio fino de toda a torrente poderia passar, mas então a força da corrente corrompeu toda a estrutura, dando vazão aos sentimentos que o filho de Jafar guardava há tanto tempo. - Você apareceu na droga da minha cabeça, me fez pensar que estávamos no meu quarto, e então estávamos no meio do nada. De repente tudo ficou escuro e você sumiu.- Gesticulava enquanto falava, os gestos expansivos do árabe dando vazão à toda frustração e ansiedade em seu corpo. - Tem noção do quanto tudo relacionado a você é confuso? Como cada vez em que você aparece perto de mim eu preciso temer pela minha sanidade por que eu simplesmente não sei o que esperar de você? Não sei o que esperar de mim? Tem noção do quanto eu fiquei… - Aterrorizado era a palavra que Samir queria usar para descrever como se sentira quando a filha do Pitch Black desaparecera quase que por entre seus dedos. Ele ficara aterrorizado não apenas pelo fato de ser deixado sozinho no escuro de sua mente, mas por que não sabia o que aconteceria a Emily se toda aquela escuridão realmente tivesse tomado conta dela. Samir teria de admitir para si mesmo em algum momento que se preocupava com a garota, e esse momento se aproximava perigosamente rápido. Ele já havia parado de caminhar no começo da torrente, mas foi só nesse momento que ele pôs as mãos nos dois braços na garota, se esforçando para não fazer pressão suficiente para machucá-las - O que foi aquilo, Emily?
Emily não podia deixar de apreciar a momentânea sensação de liberdade que lhe era proporcionada ao estar tão tarde do lado de fora do castelo. A brisa fria da madrugada que tocava seus braços e pernas nus em uma carícia gentil e expandia seus pulmões com ar fresco, assim como seus pés descalços em contato direto com a grama, fazia-a lembrar-se de casa, onde não era necessário se preocupar com regras e convenções como um toque de recolher, por exemplo. Contudo, apesar de estar do lado de fora ser um fator que poderia estar contribuindo para que ela se sentisse bem, os pesadelos que tivera a pouco menos de uma hora, que foram responsáveis por trazê-la à realidade de que não havia nada que ela pudesse fazer para mudar o curso de seu destino pavoroso, ainda cercavam-na de forma sorrateira como um espectro que se dependurara em seus ombros, tornando-os pesados, e constantemente sussurrava em seu ouvido a verdade que ela queria esquecer. Com isso, Emily sabia que não estava apreciando a dádiva de estar do lado de fora como deveria; a grama sob seus pés começou a parecer-lhe muito áspera, e o vento que tocava sua pele e seus cabelos causava-lhe arrepios desagradáveis.
E juntamente com esses sentimentos conflituosos, havia Samir. De uma maneira que não fazia o menor sentido para a morena, havia uma parcela dela que estava feliz que ele estivesse ali, distraindo-a momentaneamente de seus temores, mesmo que estivesse substituindo-os por mais resmungos e questionamentos sobre as ações dela. Porém essa centelha de gratidão que sentia foi pelo ralo quando a filha de Pitch Black percebeu o teor da conversa, assim como seu tom. Estreitando os olhos e cruzando os braços, Emily mal percebeu que começara a andar mais rápido em direção aos jardins, irritada. – O que exatamente você esperava que eu fizesse diante do que aconteceu naquela sala?! Não minta para mim dizendo que aquele beijo não teve significado nenhum! – Advertiu ao parar de andar e virar-se para Samir, os olhos tornando-se ligeiramente escuros. – Você não fez aquilo só porque de repente sentiu vontade, mas porque queria me intimidar, impor poder sobre mim! Lamento te informar, mas a minha reação foi proporcional às suas intenções! Não havia como esperar nada diferente daquilo. – Sentenciou, virando-se de novo em direção aos jardins e recomeçando sua caminhada, porém dessa vez mais devagar em relação à antes.
Porém ao ouvir as acusações seguintes, Emily cruzou os braços diante do peito de forma protetora e direcionou seus olhos ao chão, como uma criança que recebia uma bronca. A morena sabia que não havia argumentos sólidos contra aquilo. Ela sempre fora uma pessoa resistente com relação às críticas que ouvia sobre ela e sobre seu pai, tendo em mente que a opinião de ninguém deveria importar além da sua, porém a cada acusação feita pelo filho de Jafar, a cada aumento de seu tom de voz, Emily foi sentindo seu coração contrair-se dolorosamente dentro de seu peito, assim como sua estatura parecer-lhe menor e menor. Afinal, ela sabia que ele estava certo. Ela conhecia bem o completo caos que ela era, e sabia que estava, mesmo não intencionalmente, arrastando Samir para o olho do furacão. Porém os acontecimentos de mais cedo daquela noite, somados com o tom do moreno, fez com que a paciência de Emily para lidar apropriadamente com aquilo se esvanecesse, assim como a capacidade de perceber a centelha de preocupação nos olhos quentes que a fitavam quando foi segurada pelos braços. – Você acha que é difícil lidar com a confusão? Com a insanidade? – Questionou com um leve vestígio de humor, em um volume de voz perigosamente baixo, seu corpo tremendo ligeiramente sob as mãos de Samir. – Tem medo de perder a cabeça por causa de um par de visitas que eu fiz aos seus sonhos? De desaparecer no meio do caos...? – Foi pontuando, sua voz diminuindo mais e mais de volume e falha, seus olhos tornando-se desfocados. A esse ponto, seu corpo estava inteiramente trêmulo, e Emily não conseguia distinguir se era devido ao frio ou se à mistura de sentimentos contraditórios que começavam a emergir de dentro dela em forma de desabafo sem sua permissão. – Bem, tente conviver com isso todos os dias! – Exclamou, focalizando novamente seus olhos nos de Samir, como se tivesse acabado de lembrar-se que ele estava ali diante dela. – Tente lidar com o fato de ser capaz de sentir constantemente o medo te cercado, sendo atraído para você, e de você ser capaz de apanhá-lo! – Ia dizendo, aproximando-se mais do filho de Jafar e ficando na ponta dos pés para encará-lo de uma maneira confrontadora, seus olhos completamente negros – Você consegue imaginar como é isso? De repudiar o sentimento que causa nas pessoas, mas ao mesmo tempo ansiá-lo como um ser humano anseia por ar? Porque é isso o que acontece comigo! Todo. O maldito. Tempo! – Pontuou, cerrando os punhos até que o sangue parasse de circular nos nós de seus dedos. – Eu estou tão exausta disso! Eu não quero querer isso, mas eu não posso evitar! – Desabafou de forma incoerente, afastando-se de Samir e começando a andar de um lado para o outro à frente dele apenas pela necessidade de estar em movimento. – E foi o que ele me disse hoje! – Revelou, soltando um curto riso amargo, antes de uma lágrima teimosa deslizar por sua face, porém logo sendo afastada com um rápido safanão. Emily não costumava chorar na frente das pessoas, e o fato de que essa era a segunda vez que fazia isso na frente de Samir aquela noite lhe era o mais baixo indicador de fraqueza. – Merda, por que eu estou dizendo essas coisas a você?! – Questionou retoricamente em voz alta, chocada consigo mesma por estar compartilhando aquilo.
I’m a massive daydreamer. I’m constantly lost within my own fantasies and my own thoughts personally, and I think maybe that is sort of represented in what we do for a living, the fact that we make believe everything and we escape into these other characters for a living.
Dreaming my Dreams || Emily e Samir
-Se a minha mente pode ser tão facilmente substituível por que você continua voltando para mim? - Samir não olhou para cima durante a descida. Manteve seus olhos bem fixos nas pedras que suas mãos e pés tateavam ao descer pelas paredes do castelo. Não que ele não quisesse olhar. Pelas lâmpadas de todos os djins, como ele gostaria de ter olhado para cima naquele momento! Mas isso seria uma distração perigosa demais. E não era só sobre o perigo de cair que o filho de Jafar pensava, toda aquela situação - ele, a filha do Pitch Black, os sonhos - lhe parecia mais perigosa a cada segundo. Ele não sentia medo dela, era Samir Abdull-Jabar, era a garota de pele alva que deveria sentir medo dele. Ele não sentia medo dela, mas por mais que relutasse em admitir, tinha medo dos rumos que a história entre os dois estavam tomando. Onde ele poderia estar com a cabeça para ir atrás de Emily àquela hora da noite? De onde viera o aperto que aparecera em seu peito quando a viu desaparecer de suas mãos nos sonhos? O que iria dizer para a garota quando finalmente estivessem a sós? As perguntas se acumulavam em sua cabeça, sobrepondo-se umas às outras e sibilando como um ninho de cobras. Um ninho de najas, talvez. Essa era uma imagem que lhe lembrava perigosamente alguém que esperava não ter de lidar tão cedo.
O toque de seus pés no solo fez com que aquelas inquietações se silenciassem por um momento enquanto ele executava mecanicamente os movimentos que fariam os dois chegar em segurança ao solo. E então aconteceu. Num reflexo puro e simples Samir olhou para cima, sua intenção não era olhar por baixo da roupa de Emily, mas aconteceu. Foi apenas um segundo, mas o suficiente para causar em Samir uma reação mais forte do que qualquer beijo de qualquer garota havia causado. O filho de Jafar precisou se concentrar em pensamentos muito desagradáveis para não deixar que seu corpo denunciasse o que ele não queria admitir. Samir desejava Emily. Isso não seria um problema para ele se o seu desejo não tivesse sido acompanhando dessa estranha sensação que a presença da garota causava nele. De toda a confusão que ela pusera em sua cabeça. - Pode pular, eu vou amparar sua queda. - Se limitou a dizer, estendendo os braços a espera que ela confiasse nele. “Ridículo.” Pensou, analisando sua situação. Estava mesmo esperando que alguém confiasse nele? Ele, o filho de Jafar? - Nós vamos conversar nos jardins. - O tom de sua voz era autoritário, uma tentativa de retomar o controle da situação, talvez.
As feições de Emily permaneceram perfeitamente inalteradas diante da pergunta, de uma forma que era excessivamente calculada para transparecer alguma naturalidade. Afinal, aquela máscara imaculada tinha o objetivo de esconder o caos que habitava em seu interior, diante do fato de que ela, em um raro momento, não possuía uma resposta plausível para uma pergunta. Apesar de ser uma pessoa que não tinha uma tendência a se importar com a preservação da vida humana no geral (com a exceção de seus progenitores e talvez alguns colegas que conhecera em Fatales), ainda lhe era um mistério a razão de se importar tanto com uma pessoa que mal tinha o direito de dizer que conhecia devidamente e até mesmo que, na maior parte do tempo, demonstrava repudiá-la. Porém, apesar de não ter a capacidade de dar nome ao que estava sentindo, Emily não podia deixar de temer a forma como seu corpo inteiro parecia reagir de uma forma desconhecida e desconsertante diante da presença de Samir; Desde o coração batendo em um ritmo inconstante, sensação de ter engolido insetos que ainda sobrevoavam seu estômago e o rosto constantemente ruborizado, a filha de Pitch Black sentia, de uma forma contraditória demais para que lhe trazer qualquer tipo de paz de espírito, que estava sendo traída por si mesma. Porém o pior de tudo era que, apesar de todo o caos que Samir causava, o inconsciente de Emily parecia concordar que era preferível conviver com esse caos e estar perto dele do que seguir de forma relativamente estável e estar longe. Isso era algo que a moça não estava pronta para admitir nem para si mesma, quanto mais para ele.
Apesar da expressão de paisagem que procurava esconder seus conflitos internos, a morena não pode camuflar completamente seu desconforto, desviando os olhos - que oscilaram de forma quase imperceptível em um tom mais escuro - do filho de Jafar. – Eu estava prestes a lhe fazer a mesma pergunta. – Rebateu, considerando que era Samir quem havia lhe procurado aquela noite e estava agora convencendo-a a descer pela janela.
A descida até o solo foi feita de uma maneira estranhamente tranquila. A experiência que Emily adquirira ao se aventurar sozinha pela floresta de Sherwood antes de ir para Fatales foi o suficiente para que ela tivesse alguma segurança para acompanhar Samir, embora o receio ainda estivesse presente. Mais de uma vez a filha de Pitch Black olhou para baixo com o objetivo de descobrir se o moreno cumprira com a ordem dela de não olhar para cima, e surpreendeu-se ao constatar, durante todas as vezes, que de fato ele cumpria. Na verdade, havia uma pequena parcela dela que estava ligeiramente decepcionada com esse fato, porém Emily preferiu não dar vasão à tal sentimento delirante. Se não estivesse com as mãos tão ocupadas segurando o muro de pedra à sua frente, a morena teria estapeado a si mesma por tal absurdo.
Apesar de ter estado relativamente segura de si enquanto descia, quando por fim chegou aos últimos metros que a separavam do chão, Emily já estava ansiosa para que chegasse logo à terra firme. Por isso, diante da sugestão de Samir para que ela se soltasse, a morena passou por apenas um breve momento de hesitação, olhando para baixo afim de ver os braços estendidos do moreno para que a segurasse. Emily não duvidava que o filho de Jafar tivesse a força e capacidade de ampará-la, a única centelha de dúvida era originada de se Samir iria querer de fato servir ajuda. Porém essa pequena dúvida perdia sua força diante da consideração de que, para começar, fora Samir quem tivera a preocupação de sair de seu dormitório e ir até ela. Seria no mínimo peculiar que todo aquele esforço fosse apenas para que ele a deixasse na mão naquele momento. – Tudo bem... mas nem pense em me soltar, está me ouvindo? Eu posso ser pequena, mas tenho meus métodos de causar sofrimento. – Lembrou-lhe, mais por uma questão de hábito do que por acreditar que ele iria deixar de cumprir com sua palavra. – Bem... aqui vou eu. – Anunciou, o tom de voz um tanto hesitante, antes de fechar os olhos, franzir o nariz em uma pequena careta e soltar-se do muro de pedra. Segundos depois, sentiu braços fortes rodeando-a. Soltando um arfar com o impacto, Emily de forma instintiva rodeou o moreno com braços e pernas em um aperto descomunal, um tanto apavorada pela rápida queda, pouco estável para se firmar sozinha. Abrindo os olhos por fim, deparou-se primeiro com o queixo de Samir e logo com aqueles olhos castanhos que a fitavam de volta, fazendo seu coração já acelerado se descompassar ainda mais. A filha de Pitch Black não pode deixar de apreciar, por um milésimo de segundo, aquela proximidade. Porém esse milésimo de segundo também foi o suficiente para que ela percebesse a posição comprometedora que se pusera ao segurá-lo daquele jeito. Limpando a garganta em um claro sinal de constrangimento, soltou-se imediatamente dele, procurando reunir a pouca dignidade que ainda lhe restava, esperando que Samir tomasse o seu coração acelerado contra o peito dele como apenas uma consequência do salto. – Eu não sei exatamente sobre o que você quer conversar. Achei que a essa altura já tivesse chegado à conclusão de que prefere ficar longe de mim o máximo possível. – Constatou com um pequeno sorriso sem um pingo de humor enquanto deslizava os dedos pelos fios de cabelo que ficaram fora do lugar, começando a andar até os jardins de Fatales.
Maybe I don’t want to be saved the trouble. Maybe I want the trouble. I haven’t wanted the trouble in a long time, but with you the trouble doesn’t seem so…troubling.
Barney Stinson - How I Met Your Mother
Emily Browning Interview Magazine photoshoot