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Dreaming my Dreams || Emily e Samir
 Quando Emily se afastou, Samir recolheu a prĂłpria mĂŁo com igual agilidade. Dessa vez, porĂ©m, nĂŁo foi capaz de assumir sua usual posição defensiva de braços cruzados e olhar distante. NĂŁo, seus braços penderam ao lado do corpo enquanto os olhos acompanhavam o movimento do corpo alvo tentando decifrar o que viria a seguir. E ele ouviu ao desabafo de forma quase impassĂvel, seu rosto como uma mĂĄscara sem vida enquanto seu cĂ©rebro processava as informaçÔes que lhe eram apresentadas.
 Talvez esse fosse o ponto dos relacionamento dos dois atĂ© entĂŁo, talvez fosse esse o motivo que puxava Samir com tanta força em direção a garota Pitchner, independente do que ele tentasse. Os dois haviam nascido marcados, afinal de contas. Dois filhos de vilĂ”es cujos sobrenomes eram como uma cicatriz e a genĂ©tica era o mais prĂłximo de uma maldição que se pode imaginar. Era tudo muito claro para ele, naquele momento: Samir sempre estivera centrado demais em seu prĂłprio drama pessoal para perceber que o de Emily poderia ser tĂŁo ou mais complicado que o dele. AtĂ© aquele momento o moreno nĂŁo havia se dado contra do quĂŁo ferrada ela estava, ou talvez ele apenas tivesse sido egoĂsta o suficiente para fingir que nĂŁo enxergava o problema. AtĂ© aquela noite, Samir Abdul-Jabbar apenas se preocupara com o prĂłprio umbigo, mas algo na histĂłria que a jovem contara mudou isso.
-O seu pai se alimenta do medo das pessoas? - Samir indagou pausadamente enquanto contornava a pedra onde Emily se sentara para se colocar ao lado dela. Um sorriso ĂĄcido ocupou sua face diante daquela perspectiva. Pitch era mau, ao que parecia, em cada significado da palavra, mas isso nunca foi um problema para Samir. Ao contrĂĄrio, o jovem jĂĄ havia se acostumado Ă ideia de ser um vilĂŁo. O medo das pessoas era um efeito colateral, mas nĂŁo algo que ele desejasse ou evitasse: apenas um efeito. Quando ele finalmente se virou para a garota, seu cenho se franziu. - Eu nĂŁo entendo, Emily. - Balançou a cabeça em negativa. - O seu problema Ă© a ideia de nĂŁo ter escolha? Ou... VocĂȘ tem medo de nĂŁo saber controlar seus poderes, medo de gostar disso? - Ele parou por um segundo. - VocĂȘ tem medo de se tornar uma vilĂŁ?
 Esticou a mĂŁo mais uma vez em direção a ela, mas acabou desistindo no meio do caminho. Como sempre, a sensação de frustração que ela trazia o fez se afastar, mesmo que sĂł alguns passos. - Ele nĂŁo tem poder infinito sobre vocĂȘ, sabe disso, nĂŁo Ă©? Se ele realmente se alimenta do medo das pessoas e vocĂȘ, Emily, Ă©, antes de ser filha dele, uma pessoa... Parte do poder que o verme tem sobre vocĂȘ...
 âĂ vocĂȘ quem dĂĄ.â O pensamento ecoou na mente de Samir, mas apenas em sua mente. Ele nĂŁo verbalizou aquilo, principalmente por que sabia que aquilo era tĂŁo verdade para ele quanto era para ela.
-NĂŁo. - Disse com firmeza. - NĂŁo Ă© pedir demais poder fazer as prĂłprias escolhas. E vocĂȘ pode. O Pitch Black Ă© poderoso, nĂŁo hĂĄ como negar isso, mas ele nĂŁo Ă© a maior força de nosso mundo. - Ăquela altura ele jĂĄ a fitava com intensidade, um braço cruzado sobre o peito e o outro apoiando o queixo. Samir odiava o sentindo de impotĂȘncia que se formava em seu peito ao vĂȘ-la ruir daquela forma. Sua mente procurava em cada memĂłria algo que pudesse tirar de si essa sensação de ser inĂștil. - VocĂȘ... NĂłs podemos... - Começou a gesticular violentamente Ă medida que tentava formar uma frase coerente, sem sucesso algum. - Arr!
Before you fall for me, know that I am made of chaos. Part of me will beg to be yours, and I will love wholly, violently. Yet, another part will be ready to flee, to wreak havoc, to preserve self above all else. I cannot help what makes up my bones, what primal survival instinct thrives inside.
a powerful disaster, violently protective of the soul it wraps itself around (via multa--paucis)
Dreaming my Dreams || Emily e Samir
 Samir estaria mentindo se dissesse que esperava que ela tivesse correspondido ao beijo. Nem mesmo um homem declaradamente machista como ele esperava esse tipo de comportamento de uma mulher. Quando ele forçou a cintura da garota contra si naquele dia na sala vazia, jĂĄ podia sentir o tapa vindo. Mais do que saber que qualquer mulher reagiria daquela forma, sabia que Emily, com a personalidade forte que tanto o irritava, nĂŁo reagiria bem a ser forçada a nada. Entretanto, tambĂ©m estaria mentindo se dissesse que Ă quela altura nĂŁo gostaria que uma pequena parte dele nĂŁo queria que ela tivesse correspondido. A filha do Pitch Black era bonita, ele constatara naquela noite que ela era mais bonita ainda naquela roupa quase transparente que o requereu um esforço imenso para manter o foco no assunto que o trouxera atĂ© ali. Gostaria de beijĂĄ-la outra vez, sentir a pele delicada contra a dele de algum modo que nĂŁo fosse uma agressĂŁo. Mas nĂŁo deixaria que uma fraqueza sua fosse exposta mais uma vez. - VocĂȘ estĂĄ enganada. - A mentira veio como uma resposta automĂĄtica Ă afirmação de que o beijo tivera significado. Ela jĂĄ conhecia cantos demais de sua mente, nĂŁo era possĂvel que nĂŁo pudesse manter aquele mĂnimo de privacidade. - VocĂȘ estĂĄ terrivelmente enganada, Emily. - A segunda frase veio temperada pelo tom amargo em sua voz. Estava acostumado a ter todos ao seu redor julgando seus atos pelo simples fato de ser quem era, de ser filho de quem era, mas por algum motivo esperava uma reação diferente de Emily. Seus olhos encararam os de Emily e ele precisou conter o impulso de dar um passo para trĂĄs ao vĂȘ-los adquirindo uma tonalidade escura. Samir vinha relutando para admitir que a filha de Pitch Black era tĂŁo perigosa quanto ele, mas o Ășltimo sonho fora o suficiente para que tivesse certeza de que havia espaço para muita escuridĂŁo por trĂĄs daquela aparĂȘncia tĂŁo pura. Ele logo voltou a acompanhar os movimentos da garota, caminhando ao seu lado enquanto remoĂa a raiva que sentia dentro de si.
 Samir definitivamente nĂŁo estava preparado para o que veio a seguir. NĂŁo estava preparado para o aumento na voz da garota, nem para o tremor em seu corpo que fez como que ele largasse seus braços. E ele respondeu Ă raiva da Ășnica maneira que sabia responder a qualquer agressĂŁo: atacando de volta. - Existem maneiras mais eficientes de lidar com seja lĂĄ que merda vocĂȘ tenha de conviver do que invadir a mente das pessoas sem ser chamada. - O tom ĂĄcido de sua voz fora muito mais incisivo do que ele teria escolhido em uma situação menos tensa. De inĂcio a aproximação de Emily sĂł aumentou o desejo de ser combativo por parte do jovem ĂĄrabe, se colocando na defensiva como sempre fizera desde que se entendia por gente. A questĂŁo Ă© que algo aconteceu enquanto as palavras deixavam os lĂĄbios de Emily. De algum modo, a maneira como as frases eram ditas, muito mais do que o seu simples conteĂșdo, fez com que Samir se reconhecesse ali. Sua herança maldita era muito mais fruto da merda de pai que tivera do que qualquer carga genĂ©tica poderia conter, mas ele conhecia parte daqueles sentimentos. Conhecia a dor de nĂŁo ter a mĂnima noção de como lidar com ser filho de quem era, de ter seu destino traçado antes mesmo de saber como assinar seu nome no maldito livro. Por outro lado, nunca parara para pensar como os outros filhos de vilĂ”es lidavam com isso e, droga, Ă s vezes se esquecia de que o pai de Emily era tĂŁo terrĂvel quanto o seu. Talvez nĂŁo fosse tĂŁo terrĂvel com ela, pelo que percebera, mas ela era destinada a ser tĂŁo ruim quanto ele, a se alimentar da mesma podridĂŁo com a qual seu pai se banqueteava. Mais estranho para Samir foi perceber a força com a qual ela nĂŁo queria isso, com a mesma intensidade com a qual o feiticeiro queria fugir do pai e tudo que ele representava. - VocĂȘ nĂŁo Ă© seu pai. - A frase apareceu nos lĂĄbios de Samir e ele nĂŁo tinha certeza se estava falando aquilo para Emily ou para ele mesmo. A sensação que veio a seguir foi desconfortĂĄvel, mas era como se engrenagens hĂĄ muito enferrujadas começassem a se movimentar dentro dele, tomando o lugar onde deveriam sempre ter estado. - VocĂȘ nĂŁo Ă© a droga do seu pai, nĂŁo precisa ser como ele. NinguĂ©m, nem mesmo os GuardiĂ”es podem te obrigar a assinar a merda do livro se vocĂȘ nĂŁo quiser. - Sua voz era mais branda do que o normal, mas sua palavras eram duras. Mais do que sentir raiva de Emily, naquele momento ele sentia raiva com Emily. Raiva de terem sido colocados naquilo tudo sem terem chance de escolha. Raiva dos GuardiĂ”es por controlarem os seus futuros daquela forma. Raiva por que sentia que tudo seria mais simples para os dois se nĂŁo fossem apenas um sustentĂĄculo ambulante para o sobrenome dos pais. E entĂŁo a verdade o atingiu com uma força desconcertante. - Ă muito mais forte do que apenas o livro, nĂŁo Ă©? - Antes que percebesse seu polegar foi de encontro Ă umidade onde antes estivera a lĂĄgrima no rosto de Emily e foi como se a bolha do dia do baile estivesse ali outra vez. - Eu posso te ajudar a controlar. Tem de haver alguma uma maneira. O maldito me ensinou mais do que eu poderia desejar, conheço todos os tipos de maldiçÔes, sortilĂ©gios e...
Dreaming my Dreams || Emily e Samir
-Se eu quisesse te machucar usaria meios mais eficientes para isso, Pitchner. - Resmungou, impaciente. Seus olhos acompanharam atentos enquanto Emily se desprendia da parede do castelo, quase assistindo em cĂąmera lenta enquanto ela pendia em direção aos seus braços. Ele sempre pressupunha que mulheres eram fracas, nĂŁo conseguiam fazer as coisas sozinhas, mas a filha do Pitch Black o surpreendera com sua habilidade no curto caminho da janela atĂ© ali. Odiava se sentir inĂștil e foi essa a razĂŁo que usou para se convencer de que estava oferecendo apoio para Emily descer apenas por que era necessĂĄrio. Iria conversar com ela, resolver de uma vez por todas a confusĂŁo que ela transformara a sua vida, expulsar a garota de seus sonhos e entĂŁo ir embora para sempre. Quando sentiu o impacto da pele macia contra a sua, entretanto, ele quase se esqueceu do que o levara atĂ© ali. NĂŁo imaginava que ela fosse se prender a ele de uma maneira tĂŁo... Ăntima. Na verdade nem mesmo estava preparado para essa ideia quando o cheiro do cabelo de Emily o atingiu como uma flecha. NĂŁo se lembrava de ele ser tĂŁo bom quando se beijaram, nĂŁo se lembrava de ter sentido algum cheiro tĂŁo bom alguma vez na vida. E entĂŁo ele fez uma das coisas mais estranhas que poderia ser feita naquele momento: respirou fundo, absorvendo o aroma para seus pulmĂ”es como se quisesse guardar aquela sensação na memĂłria.Â
 Antes que pudesse formular qualquer desculpa Emily se separou dele com uma rapidez impressionante, e Samir nĂŁo pĂŽde deixar de ficar aliviado. Ela nĂŁo tinha percebido nada, afinal, mesmo ele nĂŁo tendo certeza do quĂȘ ela teria para perceber. Precisou de um segundo para recobrar a postura, se ajeitando na roupa de dormir preta que vestia, sem se dar ao trabalho de encarar a garota que levara atĂ© ali atĂ© que ela começasse a falar. - Essa nĂŁo foi uma conclusĂŁo difĂcil de se chegar depois de vocĂȘ ter destruĂdo meus trĂȘs Ășltimos sonhos sem nenhum motivo aparente. - Cruzou os braços, ampliando o tom acusatĂłrio de todo seu discurso, mas sem deixar de caminhar ao lado da garota. Seus olhos estavam concentrado no chĂŁo de cascalho atĂ© aquele ponto da quase conversa. - VocĂȘ foge de mim desde o que aconteceu naquela sala. Me deu a droga de um tapa por que eu te dei um beijo, um simples beijo sem significado nenhum. - A Ășltima frase fora dita mais para ele mesmo do que para ela. Precisava se convencer de que aquilo nĂŁo fora nada mais do que uma maneira de fazer com que ela calasse a boca. - Mesmo assim, apareceu na minha cabeça hoje de noite por sabe-se lĂĄ qual motivo. - A raiva parecia ter encontrado um caminho pelo qual passar na represa que Samir havia construĂdo para conseguir se manter sĂŁo perto de Emily. De inĂcio apenas uma pequena falha na muralha, um local por onde um veio fino de toda a torrente poderia passar, mas entĂŁo a força da corrente corrompeu toda a estrutura, dando vazĂŁo aos sentimentos que o filho de Jafar guardava hĂĄ tanto tempo. - VocĂȘ apareceu na droga da minha cabeça, me fez pensar que estĂĄvamos no meu quarto, e entĂŁo estĂĄvamos no meio do nada. De repente tudo ficou escuro e vocĂȘ sumiu.- Gesticulava enquanto falava, os gestos expansivos do ĂĄrabe dando vazĂŁo Ă toda frustração e ansiedade em seu corpo. - Tem noção do quanto tudo relacionado a vocĂȘ Ă© confuso? Como cada vez em que vocĂȘ aparece perto de mim eu preciso temer pela minha sanidade por que eu simplesmente nĂŁo sei o que esperar de vocĂȘ? NĂŁo sei o que esperar de mim? Tem noção do quanto eu fiquei... - Aterrorizado era a palavra que Samir queria usar para descrever como se sentira quando a filha do Pitch Black desaparecera quase que por entre seus dedos. Ele ficara aterrorizado nĂŁo apenas pelo fato de ser deixado sozinho no escuro de sua mente, mas por que nĂŁo sabia o que aconteceria a Emily se toda aquela escuridĂŁo realmente tivesse tomado conta dela. Samir teria de admitir para si mesmo em algum momento que se preocupava com a garota, e esse momento se aproximava perigosamente rĂĄpido. Ele jĂĄ havia parado de caminhar no começo da torrente, mas foi sĂł nesse momento que ele pĂŽs as mĂŁos nos dois braços na garota, se esforçando para nĂŁo fazer pressĂŁo suficiente para machucĂĄ-las - O que foi aquilo, Emily?
Dreaming my Dreams || Emily e Samir
 Resgatando a princesa da torre? Emily quis questionar sobre isso, mas pela expressĂŁo de Samir, ele nĂŁo estava exatamente aberto Ă perguntas. Mas isso nĂŁo impediu que a morena fizesse uma especulação interna. Afinal, por que Samir achava que ela precisaria de resgate, para inĂcio de conversa? Por causa da forma como aquele pesadelo terminara? EntĂŁo essa era uma forma do feiticeiro de checar se ela estava bem? Vai sonhando, Pitchiner⊠- Eu acho que vocĂȘ deve ter errado de janela entĂŁo, os quartos das Regillus ficam do outro lado do castelo. - Ironizou, brincando com o fato dele ter colocando-a no papel de princesa em perigo. - Por que diabos eu iria querer Cage pendurado do lado de fora da minha janela? Samir, tem certeza de que vocĂȘ estĂĄ bem? - Questionou, porĂ©m dessa vez com uma pontada de ironia e atĂ© mesmo de diversĂŁo na voz, ao se debruçar sobre a janela e tocar a testa do filho de Jafar com as costas da mĂŁo em procura de alguma falsa febre. Ou talvez nem tĂŁo falsa assim. Apenas aquele âNĂŁo sou um prĂncipe bom o suficiente para vocĂȘ?â jĂĄ era, isoladamente, um forte indicador de que havia algo estranho acontecendo com ele. Se hĂĄ um mĂȘs atrĂĄs alguĂ©m lhe dissesse que Samir Abdul-Jabbar estaria pendurado do lado de fora de sua janela depois que ela tivesse um sonho ruim, Emily nĂŁo hesitaria em soltar uma gargalhada incrĂ©dula ao pensar em tal absurdo. E riria mais ainda se relatassem que apĂłs isso, ele iria tentar fazer com que ela saĂsse do quarto pela mesma janela. Mas agora que isso de fato acontecia e Emily via com os prĂłprios olhos Samir precariamente equilibrado e esperando que ela fosse com ele, por mais absurda que fosse a situação, a morena sabia que nĂŁo poderia recusar. NĂŁo quando teria que conviver para o resto de sua vida com aquela pequena questĂŁo permeando seus pensamentos: âE se?â NĂŁo estando nenhum pouco disposta a conviver com aquela dĂșvida, a filha de Pitch Black viu-se mordendo o lĂĄbio inferior, debruçando-se mais sobre a janela para poder checar a altura. Isso Ă© insanidadeâŠ- Ă adorĂĄvel como vocĂȘ acha que sua mente nĂŁo poderia ser facilmente substituĂvel. - Provocou diante da ironia de Samir sobre ele cair. Provocação completamente vazia, mas ainda era interessante ver que tinha certa influĂȘncia em deixar Samir nervoso, se quisesse. Ainda mais considerando que as Ășnicas pessoas que conseguiam fazer isso atĂ© entĂŁo eram, segundo o prĂłprio Samir, Jafar e a famĂlia Agrabah. - Mas eu odiaria ver vocĂȘ se machucando, entĂŁo vou parar com as perguntas. Por enquanto. - Disse a primeira frase com uma pontada de ironia em seu sorriso afim de disfarçar que o que dizia nĂŁo era de todo mentira. - Eu devo ter perdido completamente a cabeça⊠- Disse baixinho para si mesma, antes de respirar fundo e passar uma perna para o lado de fora da janela, sendo seguida pela outra.  Emily nĂŁo se deu ao trabalho de colocar sapatos, sabendo que nesse caso deveria ser muito mais fĂĄcil fazer aquela descida sentindo as pedras aos seus pĂ©s. A brisa fresca e gelada que a recebeu foi muito bem vinda depois daquele pesadelo, e a filha de Pitch Black pegou-se respirando fundo nĂŁo apenas para reunir coragem de descer, mas apenas porque a sensação era boa. Fazia com que os pesadelos parecessem mais distantes do que de fato estavam. Sentindo um arrepio desagradĂĄvel com tal pensamento, Emily obrigou-se a afastĂĄ-lo, focando-se novamente em Samir.- Se olhar para cima, estĂĄ morto. - Avisou, enquanto tateava cuidadosamente as pedras que pisava e começava a lentamente imitar o caminho que o moreno seguia para baixo. - Lembre-se que meus pĂ©s estĂŁo hĂĄ poucos centĂmetros de sua cabeça. - Completou, porĂ©m dessa vez ela mesma nĂŁo conteve o sorriso divertido ao imaginar-se chutando a cabeça de Samir se ele ousasse.
-Se a minha mente pode ser tĂŁo facilmente substituĂvel por que vocĂȘ continua voltando para mim? -Samir nĂŁo olhou para cima durante a descida. Manteve seus olhos bem fixos nas pedras que suas mĂŁos e pĂ©s tateavam ao descer pelas paredes do castelo. NĂŁo que ele nĂŁo quisesse olhar. Pelas lĂąmpadas de todos os djins, como ele gostaria de ter olhado para cima naquele momento! Mas isso seria uma distração perigosa demais. E nĂŁo era sĂł sobre o perigo de cair que o filho de Jafar pensava, toda aquela situação - ele, a filha do Pitch Black, os sonhos - lhe parecia mais perigosa a cada segundo. Ele nĂŁo sentia medo dela, era Samir Abdull-Jabar, era a garota de pele alva que deveria sentir medo dele. Ele nĂŁo sentia medo dela, mas por mais que relutasse em admitir, tinha medo dos rumos que a histĂłria entre os dois estavam tomando. Onde ele poderia estar com a cabeça para ir atrĂĄs de Emily Ă quela hora da noite? De onde viera o aperto que aparecera em seu peito quando a viu desaparecer de suas mĂŁos nos sonhos? O que iria dizer para a garota quando finalmente estivessem a sĂłs? As perguntas se acumulavam em sua cabeça, sobrepondo-se umas Ă s outras e sibilando como um ninho de cobras. Um ninho de najas, talvez. Essa era uma imagem que lhe lembrava perigosamente alguĂ©m que esperava nĂŁo ter de lidar tĂŁo cedo.
 O toque de seus pĂ©s no solo fez com que aquelas inquietaçÔes se silenciassem por um momento enquanto ele executava mecanicamente os movimentos que fariam os dois chegar em segurança ao solo. E entĂŁo aconteceu. Num reflexo puro e simples Samir olhou para cima, sua intenção nĂŁo era olhar por baixo da roupa de Emily, mas aconteceu. Foi apenas um segundo, mas o suficiente para causar em Samir uma reação mais forte do que qualquer beijo de qualquer garota havia causado. O filho de Jafar precisou se concentrar em pensamentos muito desagradĂĄveis para nĂŁo deixar que seu corpo denunciasse o que ele nĂŁo queria admitir. Samir desejava Emily. Isso nĂŁo seria um problema para ele se o seu desejo nĂŁo tivesse sido acompanhando dessa estranha sensação que a presença da garota causava nela. De toda a confusĂŁo que ela pusera em sua cabeça. - Pode pular, eu vou amparar sua queda. - Se limitou a dizer, estendendo os braços a espera que ela confiasse nele. âRidĂculo.â Pensou, analisando sua situação. Estava mesmo esperando que alguĂ©m confiasse nele? Ele, o filho de Jafar? - NĂłs vamos conversar nos jardins. - O tom de sua voz era autoritĂĄrio, uma tentativa de retomar o controle da situação, talvez.
They say Lucifer fell because he loved God more than all the rest. Perhaps that is why I know that the way I love will destroy me too.
Downfall | M.C. (via vespairs)
«NĂŁo duvide de mim. Posso nĂŁo ser tĂŁo grande ou ameaçadora masâ! Mas isso nĂŁo Ă© motivo para me subestimar!»
-Em uma coisa vocĂȘ tem razĂŁo... - Samir dirigiu um  olhar curioso para a morena, estudando a garota. Sabia quem era ela e que seus poderes envolviam o controle de gelo. Ele achava aquilo tudo muito tedioso, o controle do fogo sempre lhe parecera mais poderoso, aquela era uma inclinação que ele odiava ter de admitir que herdara do pai. - NĂŁo Ă© nada grande ou ameaçadora. - Aquilo tinha mais a ver com diversĂŁo sem sentido do que realmente uma ofensa. Desde que voltara da floresta nĂŁo via graça em quase nada por ali.
Samir Abdull-Jabar no século XXI:
 âVocĂȘ sabe, dizem que os olhos sĂŁo as janelas para a alma. Ele nunca quis que ninguĂ©m enxergasse a dele, por isso os Ăłculos escuros.â
So I'm following the map that leads to you || Samir + Emily
 Qualquer um que olhasse para o filho de Jafar naquele momento veria que o que estava em sua frente nĂŁo era mais o Samir que Fatales havia conhecido anos antes. Muito alĂ©m das vestes rasgadas, do cabelo desgrenhado e da barba por fazer, a expressĂŁo de cansaço e abatimento em seus olhos denunciava um homem que havia visto mais do que gostaria de ter presenciado na vida. NĂŁo foi preciso que o moreno prestasse muita atenção nos olhares que se viravam para ele conforme passava pelos corredores para saber que provavelmente fora o Ășltimo a regressar da floresta depois do dia do embaralho.  Ele nem mesmo sabia quanto tempo havia se passado desde o incidente na Floresta, apesar de saber que devia ter sido o aluno a ir mais longe em meio Ă mata fechada. O espanto dos colegas seria ainda maior se soubessem que ele voltara quase que por espontĂąnea vontade, exausto demais para ligar para a maneira como os arranhĂ”es em seus braços e rosto soavam como um sinal claro de fraqueza. Naquele momento a Ășnica coisa que os olhos de Samir procuravam entre os uniformes pretos era um rosto familiar, um rosto bem especĂfico.  Depois do que poderia ser um minuto ou uma hora, uma figura feminina se destacou na multidĂŁo, o cabelo negro foi o responsĂĄvel por isso. Os passos apressados nĂŁo mostravam nem um terço da ansiedade que sentia por saber se ela estava bem, se tambĂ©m havia sobrevivido a tudo aquilo. NĂŁo acreditava ser possĂvel que fosse o Ășnico atingido pelos perigos do lugar, justo ele. Desde entĂŁo tudo em que pensava era em voltar ao castelo e descobrir o que havia acontecido, mesmo que nĂŁo gostasse de admitir para si mesmo que se importava  a esse ponto com alguĂ©m.
-Emily, eu procurei vocĂȘ... - Sua mĂŁo foi ao encontro do ombro da jovem, mas a emoção se esvaiu quando ela se virou para revelar um rosto que nĂŁo era o que procurava. Como poderia ter errado daquela maneira? Talvez a fome estivesse fazendo com que sua cabeça nĂŁo funcionasse muito bem. Outra possibilidade, essa muito mais sombria, o fez pensar se o mal que afetara Jafar nĂŁo o atingira. - Eu... Desculpe, eu me enganei. - Afastou-se devagar, recolhendo a mĂŁo para perto do corpo, sem nem mesmo perceber a estranheza de usar aquela palavra iniciada com âdâ. Cada segundo que passava aumentava as chances de Emily nĂŁo ter conseguido regressar em segurança e isso quase o incomodava tanto quanto o que acontecera com ele.
â â merlin, vocĂȘ pode parar de me encarar, por favor?â Briar olhou para elx irritada, bufando apĂłs virar o rosto. âOs rumores sĂŁo verdade, eu uso a pele dos meus inimigos como cobertor, entĂŁo Ă© melhor nĂŁo me irritar.â Mentiu, mas, aquela altura, era provĂĄvel que qualquer um acreditasse.
-Eu entendo que vocĂȘ esteja desesperada para ter um pouco de mim em sua cama... - Samir arrastou o fim da frase enquanto se aproximava, seus braços cruzados e a expressĂŁo denunciava algo prĂłximo de um interesse verdadeiro pelo que acontecera com a garota. A floresta o havia mudado, mais do que ele gostaria de admitir. -... mas existem maneiras muito mais eficientes de conseguir isso do que tentar arrancar minha pele. - Ă claro que algumas coisas nunca mudavam.
I am chaos tequila blood and darkness. your heartbeat is a thunderstorm beneath my fingertips, and I have been dry for centuries. a glitch in my existence those ten seconds replay and replay. did you kiss me or eat me alive?
it was only a kiss, it was only a kiss - a.j. (via achillics)
âUgh, nĂŁo me chama de docinho.â AmĂ©lia revirou os olhos antes de se afastar dele para chegar prĂłximo ao tronco da ĂĄrvore. Talvez a garota realmente nĂŁo conseguiria levantar o grande pedaço de madeira jĂĄ que o resfriado lhe tirava uma parte de suas forças, mas isso nĂŁo a impedia de empurrar. Tossindo levemente, a garota dobrou as mangas da blusa larga de Sebastian que usava e apoiou as mĂŁos no tronco, começando a empurrar atĂ© o mesmo ficasse na vertical, liberando a passagem. Com um sorriso triunfante para Samir, AmĂ©lia reuniu toda sua força nos pĂ©s e com o esquerdo empurrou atĂ© o tronco ficar no acostamento da estrada, deixando o espaço completamente livre. âEu te dei a chance de escolher, agora ficarĂĄ me devendo uma atĂ© eu decidir o que quero.â
 Samir observou enquanto a mulher se dirigia atĂ© o enorme tronco de madeira. NĂŁo fazia ideia de quem ela era ou mesmo se jĂĄ havia se batido com sua versĂŁo mais jovem pelos corredores de Fatales, mas saber que era do sexo feminino foi o suficiente para achar que sua intenção de mover o tronco era risĂvel. Qual nĂŁo foi a surpresa quando a tarefa foi executada com sucesso. Na verdade ele chegou a abrir a boca levemente em sinal do seu espanto, mas logo tratou de fechĂĄ-la, nĂŁo daria Ă desconhecida o gosto de saber como se sentia. - E o que te faz pensar que eu cumpro minha palavra? Agradeço por fazer o trabalho sujo para mim de qualquer forma. - Disse ao cruzar a linha antes ocupada pela ĂĄrvore. Finalmente estava fora do castelo e a floresta se abria a sua frente.
- EntĂŁo vocĂȘ estĂĄ basicamente me dizendo que o fato de vocĂȘ ser homem Ă© uma desculpa para agir de forma irracional? Quando na verdade vocĂȘ age como se as mulheres nĂŁo fossem seres racionais e deveriam ser rebaixadas por isso? Muito coerente de sua parte, Samir, meus parabĂ©ns. - Ironizou, desviando do tĂłpico sobre ela nĂŁo saber o que quer. - Oh, nĂŁo Ă© com Cage que vocĂȘ tem que se preocupar, Ă© comigo mesmo. Â
Jane estĂĄ vindo. Ă hora de ir - Avisou ao avistar a mulher se aproximando deles, seu coração subitamente se apertando de um modo estranho dentro do peito.Â
-Irracional? Foi sĂł um beijo. O que hĂĄ para se raciocinar sobre um beijo? VocĂȘ Ă© mulher, eu sou homem. VocĂȘ me beija, eu correspondo, nĂŁo sou gay. Pois entĂŁo avise ao seu amigo para nĂŁo vir me perguntar se eu gosto de vocĂȘ, foi bem estranho da parte dele. Mal posso reconhecĂȘ-lo depois que aquela fada o enfeitiçou.
Tanto faz - Deu as costas para ela, encarando a årvore e pensando se se concentrasse toda sua irritação conseguiria explodir a madeira.